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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Os 5 maiores técnicos da história da Roma

Liedholm e Zeman: treinadores muito identificados com a Roma por seu estilo apaixonado de futebol
sentam-se à esquerda do ex-presidente Sensi (Ansa)
"Roma, Roma, Roma... coração desta cidade", canta Antonello Venditti no hino da equipe giallorossa da capital italiana. Coração é uma ótima palavra para definir o que agrada a torcida romanista em termos de futebol: uma abordagem apaixonada do esporte, mais voltada a divertir do que de fato ser capaz de conquistar títulos. Por isso, muitos dos maiores treinadores da história da Roma não necessariamente conseguiram conquistar títulos, mas obtiveram muita empatia com os torcedores graças ao estilo de jogo festivo, que pode ser definido como "calcio champagne", e pela entrega demonstrada. Mesmo os que venceram pelo clube também conseguiram agradar em termos de futebol.

Entre os 59 técnicos que já passaram pela Roma um dos que mais traduziram o espírito sanguíneo foi Carlo Mazzone. Nascido na capital e torcedor do clube, Sor Carletto é o treinador que mais vezes comandou times da Serie A (795 partidas, 102 delas pela Loba) e não teve tantos resultados positivos por causa das dificuldades econômicas da equipe, mas ficou marcado por ter bancado a titularidade de um tal Francesco Totti. Outro técnico italiano que teve sucesso em Roma foi Alfredo Foni, que passou pelo clube duas vezes (1959 a 1961 e 1963) e venceu o primeiro título internacional do clube – a Copa das Feiras, em 1961.

Como em quase todas as equipes tradicionais da Itália, o primeiro técnico da Roma também foi estrangeiro: o inglês William Garbutt, de história de conquistas pelo Genoa, ocupou o cargo de comandante giallorosso entre 1927 e 1929. Um estrangeiro que fez bastante sucesso e não ficou entre os cinco maiores da história romanista foi Helenio Herrera, que treinou o time por cinco anos e alternou a conquista de títulos (Coppa Italia em 1969 e Copa Anglo-italiana em 1972) com resultados medianos. Vale lembrar também a passagem de Sven-Göran Eriksson em meados dos anos 1980, que culminou com a conquista da Coppa Italia de 1986.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.



Período no clube: 1997-99 e 2012-13
Títulos conquistados: nenhum

Zeman é um dos bons exemplos do valor que os romanistas dão aos que não venceram pelo clube e ficaram no quase. O checo naturalizado italiano conseguiu tanta empatia e moral com a torcida em sua primeira passagem pelo Olímpico que a atual diretoria giallorossa achou que, quase 15 anos depois e credenciado por uma excelente Serie B à frente do Pescara, ele seria o técnico ideal para conduzir a Roma às posições mais altas do futebol italiano e europeu. Os cartolas viam em Zeman o homem ideal para revolucionar o time lançando jovens em seu estilo ousado e ofensivo, mas esqueceram que o treinador não é daqueles que se importam com resultados. Pela primeira vez na carreira ele assinou um contrato bienal – gostava de criar vínculos anuais – e, sob seu comando, a Loba alternou prestações incríveis e derrotas vexatórias. Foi demitido no meio da temporada, mas lançou Alessandro Florenzi e Marquinhos.

Na década de 1990 Zeman foi mais feliz com a Roma. O treinador protagonizou um episódio curioso já em sua chegada, pois assumiu os giallorossi meses depois de deixar a arquirrival Lazio – uma troca do gênero só havia acontecido antes duas vezes, com Jesse Carver e Juan Carlos Lorenzo. Nos dois anos romanistas, o checo manteve sua média de bons resultados alcançada com os celestes e alcançou o 4º e o 5º lugares – em ambas as campanhas o time teve o melhor ataque da Itália. Seu estilo despreocupado na defesa e com ataque sufocante consagrou jogadores como Cafu, Vincent Candela, Eusebio Di Francesco, Damiano Tommasi, Marco Delvecchio, Abel Balbo, Paulo Sérgio e Totti. Foi com Zeman, aliás, que o ídolo máximo do clube se tornou capitão, herdando a braçadeira de Aldair em outubro de 1998.

4º - Luciano Spalletti


Período no clube: 2005-09 e 2016-atual
Títulos conquistados: Coppa Italia (2007 e 2008) e Supercopa Italiana (2007)

Nos últimos meses a imagem de Spalletti está um pouco arranhada, mas ainda assim ele é um dos treinadores mais importantes da história da Roma. Em sua segunda passagem pelo clube, o carequinha toscano travou uma guerra fria com Totti – vencida pelo jogador, com seu peso histórico e futebolístico –, mas foi graças à sintonia com o capitão que, entre 2005 e 2009, transformou a Loba na antagonista da Inter no cenário nacional. Em quatro anos, Spalletti foi três vezes vice da Serie A e ainda superou a Beneamata duas vezes na Coppa Italia e uma na Supercopa do Belpaese.

Se Totti diuturnamente salva a pele de Spalletti aos 40 anos é porque o treinador lhe ofereceu uma nova forma de jogar, que melhorou a sua média de gols e lhe possibilitou preservar o físico, tornando sua carreira longeva. O técnico aproximou o Pupone do gol e, ao fazê-lo falso 9, não só deu a Totti a chance de ser o maior goleador da Europa em 2006-07 como ajudou muito que ele se tornasse o segundo maior artilheiro da Serie A: antes do novo posicionamento, Totti fez 106 gols em 13 anos de carreira; depois anotou 144. Com Totti no máximo e um 4-2-3-1 muito dinâmico, com Mancini endiabrado na ponta e Simone Perrotta e Daniele De Rossi no auge, sua Roma praticou o melhor futebol da Itália entre 2006 e 2008 e também chegou a ter o recorde de vitórias consecutivas na Serie A – 11, entre 2005 e 2006, interrompido pela Inter e superado pelos nerazzurri na temporada seguinte.

3º - Alfréd Schaffer


Período no clube: 1940-42
Títulos conquistados: Serie A (1942)

Nos braços do povo: assim ficou o húngaro Alfréd Schaffer após conduzir a Roma ao histórico primeiro scudetto de sua existência, 15 anos após sua fundação. O legítimo representante da escola tática húngara chegou à Itália no final da temporada 1939-40, para conduzir os romanos na reta final daquele campeonato e ficou duas temporadas completas no time do estádio Flaminio – em sua quarta Serie A, na 10ª rodada do torneio 1942-43, deixou o comando. Após ser vitorioso em clubes de seu país e também da Áustria, da Alemanha, da antiga Checoslováquia e da Romênia, Schaffer alcançou a glória também na Velha Bota naqueles tempos em que o contato físico entre torcedores e os protagonistas das façanhas futebolísticas era mais próximo. Para tal, o treinador contou com um jovem prodígio de 20 anos, um refugiado albanês e um argentino quase desconhecido.

Em sua primeira temporada completa na Cidade Eterna, o treinador acabou não indo bem, mas foi mantido e se consagrou: a partir do esquema 2-3-2-3, montou um meio-campo forte, com Renato Cappellini e Edmondo Mornese, investiu na velocidade e infiltrações dos pontas Naim Krieziu (o supracitado albanês) e Miguel Ángel Pantó (o argentino) e contou com a capacidade finalizadora de Amedeo Amadei – autor de 18 dos 55 gols da Roma naquele campeonato. A vitória foi muito comemorada, já que o campeonato foi muito parelho – Torino, Venezia, Genoa e Lazio ficaram muito próximos dos giallorossi – e o troféu significava uma espécie de alívio para os horrores da II Guerra Mundial, que acontecia simultaneamente. Foi a própria guerra que tirou a vida de Schaffer: em agosto de 1945, no final do conflito, ele acabou falecendo na Alemanha.



Período no clube: 1999-2004
Títulos conquistados: Serie A (2001) e Supercopa Italiana (2001)

Capello já havia deixado sua marca como jogador da Roma nos anos 1970, mas voltou para gravar seu nome em letras garrafais na história do clube. Em maio de 1999 o treinador friulano já era campeão de tudo pelo Milan e já tinha treinado também o Real Madrid, mas deu uma guinada em sua carreira a convite de Franco Sensi, presidente histórico da Roma. O dirigente escolheu Capello para iniciar um ciclo vitorioso e teve êxito em sua aposta, mesmo que o primeiro ano tenha sido ruim para a equipe, que ficou em sexto lugar e viu a rival Lazio ser campeã. A torcida pressionava pela volta de Zeman, mas a diretoria prestigiou Capello e foi forte ao mercado, contratando o brasileiro Emerson e os argentinos Walter Samuel e Gabriel Batistuta.

A chegada dessas peças fez com que o técnico deixasse de lado o 4-4-2 em benefício do 3-4-1-2, para aproveitar melhor o trio formado por Totti, Vincenzo Montella e Batistuta, além de seus alas ofensivos – Cafu e Candela. Ao fim da temporada 2000-01, a Roma conseguiu seu terceiro e histórico scudetto, dando a Capello seu oitavo campeonato nacional em seis disputados e a marca de treinador mais vitorioso daquela década. Ele ainda seria vice-campeão duas vezes com os giallorossi antes de aceitar uma proposta para assumir a Juventus e ser chamado de traidor pelos romanistas. Ainda assim, é impossível desconsiderar o seu lugar nos 90 anos de existência da Roma.



Período no clube: 1973-77, 1979-84, 1987-89 e 1997
Títulos conquistados: Serie A (1983) e Coppa Italia (1980, 1981 e 1984)

Poucos conseguem ser jogadores e técnicos no mais alto nível – mais difícil ainda é ter uma carreira invejável nas duas profissões. Liedholm foi um desses: cracaço do Milan e da Suécia, o "Barão" virou técnico e foi pioneiro na introdução da defesa a zona no Belpaese, além de ter influenciado alguns dos melhores profissionais do país, como Arrigo Sacchi e Zeman. Se a sua importância como treinador se estende ao desenvolvimento da parte tática do esporte na Itália e no mundo, foi com a Roma que Liedholm criou maiores laços: foram quatro passagens pelo clube, distribuídas em 12 anos, 439 partidas e quatro títulos. O ex-meia é, de longe, o profissional que mais vezes comandou a Loba giallorossa e também é o mais vitorioso.

Liedholm assinou com a Roma pela primeira vez em 1973, após realizar bons trabalhos por Milan, Verona, Varese e Fiorentina. Em seus anos iniciais na Cidade Eterna o sueco teve como maior feito levar a equipe à 3ª posição – melhor colocação em 20 anos –, mas mais proveitosa foi a segunda experiência do Barão na capital, que aconteceu após o scudetto que ele conquistou pelo Milan. Entre 1979 e 1984, Liedholm tirou da equipe o antigo status derrotado de "rometta" e a fez verdadeira antagonista da Juventus, graças também a nomes como Sebastiano Nela, Agostino Di Bartolomei, Bruno Conti, Roberto Pruzzo e Paulo Roberto Falcão. Neste período, os giallorossi conquistaram seu segundo scudetto, levantaram três Copas da Itália e ainda foram vice-campeões da Copa dos Campeões, perdendo apenas nos pênaltis para o Liverpool. O sueco ainda comandou a Roma em outras duas oportunidades, mas a história já estava escrita.

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