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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Os 5 maiores técnicos da história do Milan

O mestre e seu discípulo: Sacchi e Ancelotti ganharam muito prestígio pelo Milan (Gazzetta dello Sport)
Poucos clubes no mundo podem se orgulhar tanto de seus títulos quanto o Milan. Para conquistar tantas taças, os rossoneri contaram com uma série de jogadores fantásticos e também com alguns dos melhores treinadores do mundo. Foram tantos técnicos de relevo dentre os 55 que já passaram pelo Diavolo que uma lista dos cinco mais importantes acaba por ser bastante seletiva.

Fundado em 1899, o Milan teve seu primeiro treinador em 1900: o inglês Herbert Kilpin ficou seis anos no comando dos rubro-negros e venceu duas vezes o Campeonato Italiano, que era disputado de forma quase amadora e fórmula bastante diferente à de hoje em dia. Outro treinador milanista dos tempos mais antigos do futebol do Belpaese que vale ser mencionado é Vittorio Pozzo: apesar de ter sido bicampeão mundial com a Itália, em 1934 e 1938, ele não obteve muitos resultados no clube entre 1924 e 1926. Tal qual Pozzo, outros grandes técnicos que não conseguiram se dar bem por lá foram o húngaro Béla Guttmann, na década de 1950, e o uruguaio Óscar Tabárez, nos anos 1990. 

O Milan tem um histórico positivo com treinadores estrangeiros. Se o brasileiro Leonardo foi querido como dirigente e não foi bem no comando da equipe, além de Kilpin, outros três foram campeões pelo clube. Um deles foi o húngaro Lajos Czeizler, que foi bem sucedido no San Siro e, depois de tirar o Diavolo de uma fila de 44 anos, assumiu a seleção italiana para a Copa de 1954. Os outros dois foram ex-jogadores dos rossoneri: o uruguaio Ettore Puricelli, substituto de Guttmann, e Nils Liedholm, que teve três passagens marcantes em Milanello. O craque sueco foi pioneiro na introdução da defesa a zona no Belpaese, influenciou alguns dos melhores profissionais do país e, além de lançar Franco Baresi, ainda venceu o décimo scudetto da história do Milan e foi o primeiro treinador da Era Berlusconi. Se tornou tão ou mais importante do que como jogador.

Entre os italianíssimos, estão os cinco peixes grandes dos rossoneri, biografados um pouco mais abaixo. Porém, vale destacar o trabalho de Cesare Maldini, um ícone do milanismo e com 20 anos dedicados à agremiação: como técnico, venceu uma Coppa Italia, nos anos 1970, e ajudou a revelar jogadores na base rubro-negra. Apesar de ter sido massacrado pela imprensa e pela torcida com muitas (boa parte delas, justas) críticas, Massimiliano Allegri também merece ter sua importância reconhecida: em quatro anos de trabalho conseguiu ser campeão italiano e vencer uma Supercopa Italiana em um momento de crise financeira e de qualidade dos milaneses.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.

 5º - Giuseppe Viani


Período no clube: 1956-65
Títulos conquistados: Serie A (1957)*
* Como diretor técnico, Viani também venceu Serie A, em 1959 e 1962, e Copa dos Campeões, em 1963

Gipo Viani foi um dos técnicos que ajudaram a consolidar uma revolução no futebol italiano: o estabelecimento do catenaccio. O vêneto foi o criador de um sistema que recebeu o apelido de Vianema, em sua homenagem, e que marcou os anos 1940 e 1950. O esquema era uma adaptação do módulo WM, no qual o treinador tirou o centroavante do time e colocou um meio-campista entre os zagueiros laterais, recuando o zagueiro central para atuar atrás da primeira linha de defesa. O sucesso da filosofia de jogo em Salernitana, Bologna e Roma acabou levando o técnico para o Milan, clube em que permaneceu 10 anos, como treinador e diretor técnico. Com 376 partidas pelo clube, é o terceiro com mais presenças pelos rossoneri.

Chamado de Lo Sceriffo (ou "O Xerife"), por seu rigor e sua semelhança com o ator de faroestes John Wayne, Viani foi treinador efetivo do Milan por apenas duas temporadas, 1956-57 e 1957-58. Nestes anos, teve à disposição craques como Cesare Maldini, Lorenzo Buffon, Juan Alberto Schiaffino e Nils Liedholm e venceu uma Serie A – também foi vice-campeão da Copa dos Campeões, em 1958. Àquela época os rossoneri tinham o costume de oferecer cargos na direção de futebol do clube a técnicos, algo que ocorreu com Viani: entre 1958 e 1965 ele foi cartola do clube e ajudou a montar elencos históricos do Diavolo, ao passo em que trabalhava no dia a dia com os treinadores e também ia ao banco de reservas durante as partidas. Nesta função, auxiliou o Milan a ganhar mais dois scudetti e sua primeira Copa dos Campeões.



Período no clube: 2001-09
Títulos conquistados: Liga dos Campeões (2003 e 2007), Mundial Interclubes (2007), Supercopa Uefa (2003 e 2007), Serie A (2004), Coppa Italia (2003) e Supercopa Italiana (2004)

Somente um time com uma tradição incomparável de treinadores vitoriosos pode se dar ao luxo de ter uma lenda como Ancelotti "apenas" na quarta colocação de sua lista. Don Carletto tem uma gigantesca identificação com o clube rossonero, o qual defendeu como jogador por cinco temporadas, além dos oito como técnico. Em sua passagem fora das quatro linhas, o emiliano disputou 420 partidas (é o segundo treinador com mais jogos no ranking milanista), foi duas vezes eleito melhor técnico da Itália e uma vez pela Uefa. Sua média de conquistas é excepcional: a cada ano trabalhado, um troféu levantado.

Em pouco tempo de trabalho, Ancelotti conseguiu dar um norte para o Milan, que se perdeu na passagem dos anos 1990 para os 2000. Nos primeiros anos à frente do Diavolo, Carletto quase conseguiu a Tríplice Coroa, mas faturou "só" a Coppa Italia e a Liga dos Campeões – a Serie A veio no ano seguinte. O alto nível competitivo de seu Milan rendeu aos rossoneri mais títulos europeus e um mundial, embora o rendimento tenha caído a partir de 2007, juntamente à degradação financeira do clube. O discípulo de Sacchi ainda tem como grandes méritos o uso definitivo de Andrea Pirlo como regista e o crescimento de Kaká, que teve sua velocidade e poder de decisão explorados ao máximo pelo treinador.



Período no clube: 1987, 1991-96 e 1997-98
Títulos conquistados: Liga dos Campeões (1994), Serie A (1992, 1993, 1994 e 1996), Supercopa Uefa (1994) e Supercopa Italiana (1992, 1993 e 1994)

Jogador de carreira vitoriosa por Roma, Juventus e Milan, Capello se aposentou no clube rossonero, em 1980, e foi lá que virou técnico. Responsável pelas categorias de base do Diavolo de 1982 a 1986, o friulano chegou a ser campeão nacional da categoria Primavera (sub-20) e dirigiu o time principal de forma interina, em 1987, mas apenas quatro anos depois virou efetivo. Capello impressionou Silvio Berlusconi como diretor de um clube poliesportivo fundado pelo empresário e se tornou seu homem de confiança, o que abriu as portas para que ele chegasse ao Milan e se transformasse no segundo técnico com mais títulos da história rubro-negra – são nove taças.

A missão de Capello era bastante complicada: manter o ciclo vitorioso após a saída de Sacchi para a seleção italiana. Não foi problema: ele modificou o elenco para aproximá-lo a sua forma de entender o jogo, mas também se readaptava ao que tinha em mãos. Assim, venceu uma Liga dos Campeões e quatro vezes o scudetto (três vezes consecutivas), além de ter sido também duas vezes vice europeu e de ter levantado alguns troféus menores – sem falar em uma invencibilidade de 58 jogos na Serie A, estabelecida entre 1991 e 1993. Após um ano no Real Madrid, Capello voltou ao Milan para tentar fazer o time voltar aos trilhos (após sua saída, teve brusca queda de rendimento), mas o Diavolo ficou apenas em 10º no Italiano e o técnico optou por tirar um ano sabático. Volta e meia seu nome é especulado no clube de Milão, o que mostra que deixou mesmo muitas saudades.



Período no clube: 1961-63, 1967-73, 1975-76 e 1977
Títulos conquistados: Copa dos Campeões (1963 e 1969), Mundial Interclubes (1969), Serie A (1962 e 1968), Recopa Europeia (1968 e 1973) e Coppa Italia (1972, 1973 e 1977)

Filho de um austríaco de origem eslovena com uma espanhola, o italiano Nereo Rocco foi um dos maiores treinadores do mundo nos anos 1960 e entrou para a história do futebol. Precursor do catenaccio no Belpaese, o treinador triestino soube utilizar uma série de versões do módulo em diferentes sistemas de jogo e, muito por causa disso, foi vitorioso em toda a sua carreira, que teve auge no Milan. O time comandado por Rocco foi o primeiro italiano a conquistar a Europa, em 1962, e este foi apenas um dos feitos do treinador, recordista em títulos (10), partidas (459) e vitórias (243) à frente dos rossoneri.

Rocco é lembrado até hoje por ter sido um dos principais responsáveis por ter elevado o Milan ao lugar de gigante internacional. Na década de 1960, o dualismo entre os rossoneri e a rival Inter era muito grande, e a sadia rivalidade entre os clubes e os técnicos Rocco e Helenio Herrera só jogou a dupla para cima. Dirigindo timaços naqueles tempos, o treinador nascido em Trieste conquistou duas vezes a Serie A, a Copa dos Campeões, a Coppa Italia e a Recopa, além de um Mundial Interclubes. O respeito adquirido nas duas primeiras passagens por Milanello fizeram com que ele ainda fosse convidado para ser diretor técnico rossonero por mais duas ocasiões – e ainda conquistasse mais uma copa local. O apelido de El Paròn (ou "o patrão") o acompanhou por toda a carreira e mostra bem a reverência que Rocco conquistou no mundo do futebol e a grandeza deste ícone do esporte.



Período no clube: 1987-91 e 1996-97
Títulos conquistados: Copa dos Campeões (1989 e 1990), Mundial Interclubes (1989 e 1990), Serie A (1988), Supercopa Italiana (1988) e Supercopa Uefa (1989 e 1990)

Sacchi pertence a uma seletíssima categoria de técnicos: a dos que revolucionaram o futebol. Ao mudar a tradição do jogo, o treinador romanholo também adicionou oito troféus à gloriosa sala de troféus do Milan: sua adaptação do totalvoetbaal holandês – com compactação, marcação pressão, contra-ataques mortais e posse de bola agressiva – fez com que os rossoneri chegassem duas vezes ao topo da Europa e do mundo com soberania e encanto. Pelas mãos do mestre passaram atletas que viriam a ser reconhecidos como craques inesquecíveis – Paolo Maldini, Franco Baresi, Frank Rijkaard, Ruud Gullit e Marco van Basten, para citarmos apenas cinco – e, não à toa, o seu time é reconhecido como um dos mais célebres de toda a história do esporte.

O carequinha chegou ao Milan em 1987 com um currículo modesto: havia treinado apenas nas séries C1 e B, e tido mais sucesso com um Parma que deu sufoco nos rossoneri em pleno San Siro, pela Coppa Italia. Sacchi foi bancado por Berlusconi do início ao fim e não titubeou ao implantar a sua filosofia de trabalho, exigindo o máximo dos jogadores, que se aplicaram o bastante para fazer o Diavolo ganhar tudo, com alguns placares históricos – vale destacar um 5 a 0 nas semifinais da Copa dos Campeões sobre o Real Madrid e um 4 a 0 na decisão do torneio, contra o Steaua Bucareste. Após quatro temporadas em Milão, o romanholo foi treinar a seleção italiana, mas voltou ao clube rossonero para uma temporada fracassada, em 1996-97. Como diz o ditado, a primeira impressão é a que fica e o gênio da bola continua idolatrado em Milanello.

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