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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Os 5 maiores técnicos da história do Genoa

Com o brasileiro Branco no time, Bagnoli fez o trabalho mais interessante no Genoa desde seu
último scudetto, conquistado quase 100 anos atrás (Sport Diaries)
Um dos clubes mais tradicionais e antigos do futebol italiano, o Genoa vive altos e baixos desde os anos 1950: de vitorioso e temido, passou a ioiô da Serie A e só recentemente ganhou projeção novamente. No entanto, mesmo com tantos percalços, boa parte dos principais técnicos do time genovês fizeram a torcida ter momentos de alegria em meio a tempos tenebrosos – até porque, quando o Genoa dominava o futebol no Belpaese, a figura do treinador mal existia.

Além dos cinco treinadores que integram o nosso ranking final, dois dos 61 técnicos que defenderam as cores rossoblù merecem ser citados. O primeiro deles é o austríaco Hermann Felsner, lenda do Bologna: na Ligúria ele fez menos sucesso do que na Emília-Romanha, mas ainda assim foi o comandante da primeira Coppa Italia genoana, conquistada em 1937. Nos anos 1970, Arturo Silvestri ganhou a idolatria da torcida depois que tirou o Genoa do inferno da terceira divisão e o devolveu brevemente à elite.

Vale lembrar ainda que o Grifone teve um treinador brasileiro, que passou por lá sem sucesso algum. O personagem é Paulo Amaral, que foi preparador físico da Seleção no bicampeonato mundial de 1958 e 1962 e campeão brasileiro pelo Fluminense em 1970. Em 1964, pouco depois de deixar a Juventus, assumiu o Genoa e acabou demitido em menos de três meses.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.

5º - Luigi Simoni


Período no clube: 1975-78, 1980-84 e 1987-88
Títulos conquistados: Serie B (1976)

Jogador mediano, o meio-campista Gigi Simoni atuou três temporadas no Genoa, clube em que se aposentou. Um ano depois de pendurar as chuteiras, o emiliano foi alçado ao comando dos grifoni, que estavam mal na Serie B, e deu um jeito na equipe, já que conhecia bem boa parte do elenco. Em seu segundo ano, Simoni fez ainda mais: apostou na experiência de Mario Corso e na qualidade dos jovens Bruno Conti e Roberto Pruzzo para conseguir o título da série cadetta e o acesso à elite. O Genoa vinha sendo um clube ioiô naqueles tempos, mas o treinador ainda conseguiu mantê-lo na Serie A por uma temporada, caindo em 1978.

Simoni voltou ao Genoa em 1980 e ficou no clube por um período de quatro anos, nos quais conseguiu um novo acesso à Serie A, com três temporadas na elite e um novo rebaixamento – nesta passagem, treinou jogadores importantes, como Silvano Martina, Sebastiano Nela, Claudio Onofri, Massimo Briaschi, Roberto Antonelli e o brasileiro Eloi. Gigi voltaria a Gênova para mais um curto e infrutífero trabalho na Serie B, mas ainda assim totalizaria oito anos no comando dos grifoni e estabeleceria a marca de técnico com o segundo maior número de jogos dirigindo o clube.

4º - Franco Scoglio


Período no clube: 1988-90, 1993-94 e 2001
Títulos conquistados: Serie B (1989)

"Morrerei falando do Genoa". Essa foi a frase com a qual Franco Scoglio se despediu de um amigo em uma viagem à Lipari, sua cidade natal, na Sicília, no final de setembro de 2005. Dias depois, a profecia se cumpriria: o ex-treinador, que trabalhava como comentarista, se exaltou durante uma discussão com Enrico Preziosi, presidente do Grifone, e sofreu um ataque cardíaco fulminante em pleno estúdio. O trágico acontecimento, que deu fim à sua vida, aos 64 anos, mostra o quanto Scoglio desenvolveu afeto pelo clube e pela cidade que o adotou.

Scoglio chegou a Gênova pela primeira vez em fase relativamente avançada da carreira: foi contratado pelo presidente Aldo Spinelli em 1988, após o acesso e ótimas campanhas na Serie B pelo Messina. A primeira passagem do siciliano pelo Luigi Ferraris foi a mais interessante, já que ele começou a construir um time que encantaria nos anos seguinte. Logo de cara, os rossoblù conseguiram o título da segundona, com um elenco que tinha Gianluca Signorini, Vincenzo Torrente, Gennaro Ruotolo e Stefano Eranio como destaques. Após os reforços de Fulvio Collovati e Pato Aguilera, Scoglio manteve o time na elite em uma campanha sofrida, mas que deu início a um sonho que se concretizaria nos dois anos seguintes, com outro treinador. O siciliano ainda teve outras duas oportunidades no Marassi, mas teve passagens pouco proveitosas. A sintonia entre ele e os rossoblù, no entanto, já havia sido firmada.

3º - Gian Piero Gasperini


Período no clube: 2006-10 e 2013-16
Títulos conquistados: nenhum

Gasperini é um divisor de águas na história do Genoa: ele é o grande responsável por fazer o clube vivenciar sua maior sequência de temporadas consecutivas na elite (10, e contando) desde o início dos anos 1950, quando os rossoblù ainda eram os maiores vencedores da Serie A, lado a lado com a Juventus. Em sete anos pelo Genoa, divididos em duas passagens, o técnico piemontês conseguiu mais de 100 vitórias, levou o Grifone à Serie A depois de mais de uma década de ausência e também o classificou para a Liga Europa – o Genoa só participou de uma edição, porque não obteve a licença Uefa em 2015. Aliás, Gasperini só não qualificou seu time à Liga dos Campeões por causa dos critérios de desempate, que deram a vaga à Fiorentina, em 2009.

O treinador de voz esganiçada começou com o pé direito em Gênova e, em sua primeira temporada, já mostrava os conceitos táticos que viriam a lhe render o apelido de Gasperson, em referência a Sir Alex Ferguson. O sucesso de seu clássico 3-4-3 – com um centroavante prolífico, meias centrais incansáveis e laterais improvisados na defesa com o intuito de melhorar a saída de bola e as diagonais – acelerou a reintrodução da defesa com três homens no futebol italiano. Sob o comando de Gasperini, jogadores conseguiram dar um salto na carreira: casos de Diego Milito, Thiago Motta, Domenico Criscito, Leonardo Pavoletti, Juraj Kucka, Diego Perotti, Iago Falqué, Stefano Sturaro e Andrea Bertolacci.



Período no clube: 1990-92
Títulos conquistados: nenhum

Mestre em tirar leite de pedra, Bagnoli foi o principal técnico do Genoa após a II Guerra Mundial. Conhecido por ter trabalhado nove anos no Verona e ter dado ao Hellas o seu histórico scudetto, o milanês chegou ao clube genovês em 1990, para substituir Franco Scoglio, e aproveitou a base da equipe e o que seu antecessor tinha feito de bom para construir uma outra fábula. Tal qual os gialloblù, que foram azarões e levantaram a Serie A, Bagnoli fez o Grifone surpreender e ficar na parte alta da tabela, em uma das melhores fases da história do futebol da Ligúria.

Guiado pelos atacantes Carlos Aguilera e Tomás Skuhravy, pelo líbero Gianluca Signorini e contando com grandes valores, como o lateral brasileiro Branco e o meia Mario Bortolazzi, o seu Genoa alcançou o melhor resultado em 50 anos e conquistou a inédita classificação à Copa Uefa. Na primeira vez em que o time chegava à Europa, realizou sua melhor campanha em nível continental, alcançando as semifinais. A equipe de Bagnoli eliminou Oviedo, Dinamo Bucareste, Steaua Bucareste e o Liverpool, com uma histórica vitória por 2 a 1, em Anfield Road – só parou nas semifinais frente ao Ajax, que seria campeão em cima do Torino. Mais uma vez, a capacidade do treinador em fazer muito com poucos recursos tinha ficado evidente, o que fez com que a Inter decidisse contratá-lo. Apesar de sua história com os rossoblù ter sido breve, Bagnoli até hoje segue ligado aos genoveses e, de vez em quando, assiste a jogos no estádio Luigi Ferraris.

1º -  William Garbutt


Período no clube: 1912-27, 1937-40 e 1946-48
Títulos conquistados: Serie A (1915, 1923 e 1924)

Billy Garbutt está na memória do futebol italiano por um vocábulo que se tornou sinônimo de "professor": o inglês era chamado de "mister" quando era apresentado e, desde então, a palavra é utilizada pelos atletas quando eles se referem ao próprio técnico. Além disso, o ex-jogador de Arsenal e Blackburn é o verdadeiro ícone da grandeza do Genoa, construída no fim do século XIX e na primeira metade do século XX. Em 20 anos como treinador dos grifoni, Garbutt conquistou três dos nove scudetti que o clube conquistou.

O inglês foi um dos primeiros treinadores profissionais do futebol italiano. Embora tenha ido à Itália para trabalhar no porto de Gênova, logo ele foi contratado pelo clube rossoblù – reza a lenda que por indicação de Vittorio Pozzo. Em uma época em que o futebol era quase amador, Billy Garbutt fez as primeiras compras de passes de atletas e também intensificou os treinamentos físicos, técnicos e táticos, o que acelerou a entrada do futebol da Bota no profissionalismo. O técnico, que também comandou Roma, Napoli, Milan e Athletic Bilbao, é reconhecido principalmente pelo bicampeonato italiano em 193 e 1924 (os dois últimos scudetti dos lígures), no qual brilharam nomes como o goleiro Giovanni De Prà, o zagueiro Renzo De Vecchi e o atacante Aristodemo Santamaria, ícones do clube.

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