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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

27ª rodada: Roteiro clichê

Belo voleio de Bonucci aumentou a vantagem da Juve sobre o Napoli (AP)
Finalmente Leonardo DiCaprio faturou um Oscar. Ennio Morricone, romanista, finalmente ganhou uma estatueta, e não romou, como a equipe do seu coração. Na Serie A, porém, nada surpreendeu neste fim de semana: o roteiro clichê teve mais uma vitória da Juventus contra a Inter, que não vence a rival desde 2012. O script ainda garantiu a ampliação da vantagem da Velha Senhora sobre seus adversários e – ainda não chegamos nesta parte – é bem provável que o final deste filme seja o mesmo das quatro últimas temporadas. Enquanto a Juve engatilha seu pentacampeonato, Napoli, Roma e Fiorentina brigam por vagas na Liga dos Campeões; Inter e Milan por uma na Liga Europa. e até o Sassuolo sonha. Acompanhe o resumo da 27ª rodada.

Juventus 2-0 Inter
Bonucci, Morata (pênalti)

Tops: Bonucci (J) e Kondogbia (I) | Flops: Icardi e D'Ambrosio (I)

O que separa um time com alma de campeão de um que está prestes a jogar a temporada no lixo? No Derby d'Italia, Juventus e Inter mostraram o abismo que há entre as fases atuais das duas equipes, não apenas na forma mostrada em campo, mas de confiança. De um lado estava a Velha Senhora, líder, há 17 jogos invicta e com uma das 10 melhores marcas da história da Serie A: Buffon não leva gols há 746 minutos. Do outro, a Beneamata, que venceu somente três dos seus últimos 10 jogos e despencou para a quinta posição, cinco pontos atrás de Roma e Fiorentina e só um à frente do Milan. Medrosa, a equipe nerazzurra foi dominada pelos bianconeri do início ao fim.

Allegri mandou a Juve a campo com seu habitual 3-5-2, que foi espelhado por Mancini. Logo no primeiro chute a gol, Handanovic foi providencial e negou o gol do ex a Hernanes – a bola explodiu no travessão. Com Khedira, Pogba e o brasileiro no meio-campo, a Juve superou facilmente o mesmo setor interista, que tinha Kondogbia, Medel e Felipe Melo – somente o francês foi bem. Com mais volume de jogo, o time da casa teve várias chances de marcar, mas só abriu o placar quando D'Ambrosio cortou mal e serviu Bonucci, que pegou um belo voleio e, aí sim, fez valer a lei do ex. No final, Miranda cometeu pênalti em Morata e fez o espanhol marcar seu quarto gol contra a Inter. Com três pontos de vantagem sobre o Napoli, a tendência é a Juve nadar de braçada até o pentacampeonato.

Fiorentina 1-1 Napoli
Alonso (Borja Valero) | Higuaín

Tops: Tatarusanu (F) e Higuaín (N) | Flops: Kalinic (F) e Ghoulam (N)

Para fechar o fim de semana, uma partida bem movimentada. Na partida que aconteceu nesta segunda-feira, na verdade, Fiorentina e Napoli fizeram seus gols com menos de 10 minutos de bola rolando, e depois se agrediram bastante, mas sem balançar as redes – quer dizer, Higuaín até marcou, mas estava impedido. O lateral Alonso abriu o placar aos 6 minutos, completando escanteio cobrado por Borja Valero, mas na saída de bola errou feio: cortou bola que caía macia para Tatarusanu e Higuaín, de primeira, bateu para o gol vazio. A Fiorentina teve a melhor chance do primeiro tempo, depois de erro de Koulibaly, mas Kalinic carimbou o travessão. Já na segunda etapa, o Napoli dominou o jogo e exigiu duas boas defesas de Tatarusanu, que segurou o resultado.

Empoli 1-3 Roma
Zukanovic (contra) | El Shaarawy, Pjanic, El Shaarawy

Tops: El Shaarawy e Pjanic (R) | Flops: Skorupski e Laurini (E)

Sexta vitória seguida para a Roma de Spalletti, que já é a terceira colocada – com 53 pontos, empatada com a Fiorentina, sua próxima adversária. Na visita à Toscana, o treinador romano enfrentou uma de suas equipes e contou com uma partidaça de El Shaarawy para levar os três pontos. O Pequeno Faraó marcou um golaço logo no início, mandando no ângulo de Skorupski, mas o Empoli empatou quando Szczesny espalmou a bola no rosto de Zukanovic, que fez contra. Três minutos depois do empate azzurro, Pjanic fez 2 a 1, em rebote de cobrança de falta. No segundo tempo, a Roma perdeu ritmo, mas mesmo assim decidiu o jogo: Skorupski soltou chute de Salah e El Shaarawy completou para as redes. Enquanto a Roma sobe, o Empoli desce: o time sentiu falta dos suspensos Tonelli e Saponara e não vence há oito jogos.

Milan 1-0 Torino
Antonelli (Kucka)

Tops: Kucka (M) e Moretti (T) | Flops: Bacca (M) e Belotti (T)

A volta por cima de Mihajlovic. Depois de ser contestado, o sérvio já leva o Milan a nove jogos de invencibilidade na Serie A – um presentão no fim de semana em que os 30 anos da presidência de Berlusconi eram comemorados. Contra o Torino, o 4-4-2 rossonero mais uma vez deu resultado: a equipe jogou de forma operária, com cada um fazendo sua função com muita destreza. Kucka, melhor em campo, participou do gol de Antonelli, e antes Honda havia acertado a trave defendida por Padelli – no segundo tempo, bem anulado um gol de Bacca. Quando sofria no contra-ataque, o Milan pode contar com o goleiro Donnarumma, que fez 17 anos essa semana: a revelação do campeonato fez algumas ótimas defesas na partida. Nos próximos jogos, Balotelli e Ménez disputarão vaga como titulares, já que Niang sofreu acidente de carro e fica dois meses parado.

Lazio 0-2 Sassuolo
Berardi (pênalti), Defrel (Sansone)

Tops: Duncan e Defrel (S) | Flops: Maurício e Bisevac (L)

O senso comum diz que com 40 pontos uma equipe escapa do rebaixamento na Serie A. Pois o pequeno Sassuolo, em 27 rodadas, já atingiu os 41, e sonha até com vaga europeia. No confronto entre sétimo e oitavo colocados, os visitantes jogaram melhor e aproveitaram as falhas da zaga laziale. Debaixo de muita chuva, os neroverdi abriram o placar, após Berardi converter o ingênuo pênalti de Maurício. Após o intervalo, o brasileiro errou de novo: perdeu o tempo de bola no gramado molhado, mas Berardi desperdiçou a chance, chutando em cima de Berisha. Não contente com a partida pífia de Maurício, seu companheiro Bisevac saiu jogando errado, no pé de Sansone, que só ajeitou para Defrel ampliar. O Sassuolo teve um gol anulado e uma preocupação: Berardi saiu de campo machucado, depois de levar uma pancada de Biglia. Após o apito final, vaias: a torcida da Lazio não perdoou o resultado nem mesmo com a classificação do time para as oitavas da Liga Europa.

Sampdoria 2-0 Frosinone
Fernando (De Silvestri) e Quagliarella

Tops: Fernando e Quagliarella (S) | Flop: Blanchard (F)

Confronto direto contra o rebaixamento. A Samp encarou o Frosinone no Luigi Ferraris desesperada por uma vitória, afinal, um tropeço poderia significar a troca de posições com o adversário e a entrada na zona de descenso. E aproveitando o fator casa, o time de Montella sufocou os canarini durante todo o jogo. No último minuto da primeira etapa o brasileiro completou Fernando cruzamento de De Silvestri e abriu o placar para os blucerchiati. Após o intervalo, Quagliarella mostrou oportunismo para garantir a vitória e afastar seu time da região perigosa da tabela. (Caio Dellagiustina)

Udinese 2-0 Verona
Badu (Di Natale) e Théréau

Tops: Di Natale e Théréau (U) | Flops: Siligardi e Toni (V)

Tudo o que a Udinese fez nos últimos anos foi graças às boas atuações de Totò Di Natale. Na melhor partida do camisa 10 bianconero na temporada, a Udinese conseguiu uma vitória convincente sobre o lanterna Hellas Verona, que afastou a equipe das últimas colocações. O capitão deu de bandeja o primeiro gol para Badu, que só completou de cabeça, e participou do segundo, quando Théréau aproveitou o rebote de seu chute e completou. Danilo também recebeu um presente do veterano, mas, praticamente debaixo do gol, cabeceou pra fora. A dupla Toni-Pazzini pouco incomodou, o que refletiu no desempenho do Verona, que vê a salvezza cada vez mais distante. (CD)

Palermo 0-0 Bologna

Tops: Posavec (P) e Destro (B) | Gilardino (P) e Floccari (B)

Jogo de poucas emoções e nada de gols na Sicília. O Palermo segue sua sina de não vencer em fevereiro, mas se reabilita após duas derrotas – embora continue flertando com o rebaixamento. Já o Bologna acumulou sua quarta partida invicto e segue na busca pela sétima posição. Destro teve as duas melhores chances para abrir o placar, mas primeiro parou no goleiro Posavec, que estreava em 2015-16, e depois mandou pra longe. No lado palermitano, Vázquez, que retornava após um tempo parado, desperdiçou frente a frente com Mirante. (CD)

Carpi 1-1 Atalanta
Verdi (pênalti) | Kurtic (D’Alessandro)

Tops: Verdi (C) e Sportiello (A) | Flops: Lasagna (C) e Borriello (A)

Duelo de times que não sabem o que é vencer em 2016. O Carpi, que não vence há sete jogos, jogava em casa e até começou melhor, mas Lasagna não conseguiu aproveitar as duas oportunidades que teve. Kurtic abriu o placar para a Atalanta no início da segunda etapa e parecia acabar com a seca de 12 jogos sem vencer dos bergamascos, mas Borriello, ex-Carpi, cometeu pênalti dez minutos após entrar e Verdi empatou para os biancorossi. (CD)

Chievo 1-0 Genoa
Castro (Cacciatore)

Tops: Birsa (C) e Perin (G) | Flops: Pellissier (C) e Cerci (G)

Após tropeçar no dérbi veronês, o Chievo reagiu, bateu o Genoa e deu um grande passo para a permanência na elite por mais uma temporada. Vitória magra, mas que garantiu três pontos importantes para levar os gialloblù à 10ª colocação, 11 pontos a frente do Frosinone, e também acabar com a incômoda sequência de 70 dias sem vencer em seus domínios. Em campo não houve muitas jogadas importantes. Na melhor delas, o Chievo aproveitou e Castro marcou o gol da vitória. Após mais uma derrota, Gasperini vê seu time pertinho da zona de rebaixamento. Pavoletti tem feito falta, e até que retorne da lesão, o Genoa vai sofrer. (CD)

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 26ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.


Seleção da rodada
Donnarumma (Milan); Acerbi (Sassuolo), Danilo (Udinese), Bonucci (Juventus); Castro (Chievo), Kucka (Milan), Fernando (Sampdoria), Duncan (Sassuolo), Pjanic (Roma); El Shaarawy (Roma), Di Natale (Udinese). Técnico: Luciano Spalletti (Roma).

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Os 10 maiores jogadores da história do Verona

Do grupo do Verona campeão nacional saiu boa parte dos escolhidos em nossa enquete (Panorama)
Time tradicional, mas de poucas glórias, o Verona surpreendeu o mundo ao conquistar o único scudetto de sua história em meados dos anos 1980. Os butei já haviam chegado a duas finais de Coppa Italia, em 1983 e 1984, e o ápice de sua história aconteceu em 1985, com o triunfo na Serie A. Foi o único scudetto de um clube vindo de uma cidade não-capital regional desde o nascimento do campeonato de pontos corridos em grupo único.

A façanha foi ainda maior porque a Serie A era, de longe, o campeonato mais forte do mundo na época, e os adversários eram nada mais nada menos que a Juventus de Paolo Rossi, Michel Platini, Antonio Cabrini e Gaetano Scirea; a Inter de Walter Zenga, Giuseppe Bergomi, Alessandro Altobelli e Karl-Heinz Rummenigge; o Milan de Pietro Paolo Virdis e Franco Baresi; a Roma de Paulo Roberto Falcão, Carlo Ancelotti e Roberto Pruzzo e o Napoli de Diego Maradona. Ainda haviam o Torino de Aldo Serena, a Fiorentina de Sócrates, a Udinese de Zico, a Atalanta de Roberto Donadoni e a Sampdoria de Roberto Mancini. Não é por acaso que quase todos os maiores jogadores da história do Verona jogaram no clube na década de 1980. Alguns, no entanto, passaram pelo Hellas antes e um pouco depois.

>>> Saiba mais sobre o Verona: O scudetto que fala dialeto | A história veronesa

A história do Verona também tem alguns brasileiros ocupando papel de destaque. O maior artilheiro do clube é o atacante Arnaldo Porta, que atuou em 17 anos no Hellas, entre 1913 e 1930, marcando 74 gols. Outros jogadores que merecem ser citados são o goleiro Rafael, que entrou em campo pelos butei em três diferentes divisões, sagrando-se o quarto jogador com mais partidas com a camisa do clube (314). Adaílton, ex-Juventude e Parma, também foi ídolo da torcida, e é o quarto maior goleador scaligero, com 52 tentos. Quem também jogou por lá por uma temporada foi o craque Dirceu, que jogou três Mundiais com a Seleção.

Para montar a lista, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de determinado jogador na história do clube, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com a torcida e o dia a dia do time (mesmo após o fim da carreira), grau de participação nas conquistas, respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais conquistados. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais. A partir disso, escolhemos 25 jogadores que marcaram a história da equipe e escrevemos breves biografias dos 10 primeiros. Antes, veja também a lista completa de brasileiros que já vestiram a camisa do clube veronês.

Brasileiros da história do Verona
Adaílton, Anderson, Arnaldo Porta, Babú, Cláudio Winck, Diego Farias, Dirceu, Emanuele Del Vecchio, Emerson, Fernandinho, Gilberto, Gladstone, Gustavo Campanharo, João Pedro, Jorginho, Marquinho, Matuzalém, Nenê, Nícolas, Rafael, Rafael Marques, Raphael Martinho, Reinaldo, Rômulo, Samir, Sergio Clerici e William.

Top 25 Verona
11. Rafael; 12. Adaílton; 13. Gianfranco Zigoni; 14. Damiano Tommasi; 15. Domenico Volpati; 16. Thomas Berthold; 17. Dirceu; 18. Maurizio Iorio; 19. Filippo Inzaghi; 20. Domenico Penzo; 21. Sergio Sega; 22. Mauro Camoranesi; 23. Adrian Mutu; 24. Juanito Gómez; 25. Robert Prytz.

10º - Dragan Stojkovic


Posição: meia-atacante
Período no clube: 1991-92
Títulos conquistados: nenhum

Para começar, um nome polêmico. Stojkovic (ao centro, entre Florian Raducioiu e Robert Prytz) jogou apenas 21 vezes e marcou apenas dois gols com a camisa do Hellas, e justamente em uma temporada em que a equipe acabou rebaixada para a Serie B. No entanto, nenhum jogador que passou pela equipe veronesa foi tão talentoso quanto o sérvio.

Stojkovic brilhou no Estrela Vermelha e na Copa do Mundo de 1990, disputada na Itália, e entrou para a seleção do torneio devido à boa campanha da Iugoslávia. Foi adquirido pelo rico Olympique Marseille, mas nunca se destacou na França, muito por causa de uma séria lesão no joelho. Acabou emprestado para o Verona, onde tentaria, em uma equipe de menor expressão, mas no maior campeonato do mundo à época, recuperar seu futebol de muita técnica, dribles rápidos, visão de jogo e lançamentos e finalizações precisas. No ano em que viveu no Vêneto, Piski sofreu com muitas lesões musculares e mostrou apenas lampejos, como um golaço de falta contra o Ascoli. No entanto, a má forma física fazia com que o Verona jogasse melhor sem ele. Uma pena, pois ele poderia ter sido ainda mais importante na história dos butei.

9º - Claudio Garella


Posição: goleiro
Período no clube: 1981-85
Títulos conquistados: Serie A (1985) e Serie B (1982)

"O importante é defender, não importa como", disse Italo Allodi, diretor do Napoli, clube em que Garella também jogou. "Garella é o melhor goleiro do mundo. Sem as mãos, porém", brincou Gianni Agnelli, mítico presidente da Juventus. As duas frases definem bem a carreira de Garella, goleiro conhecido por um estilo pouco usual, cheio de defesas com os pés, em cambalhotas ou carrinhos, alternando defesaças com falhas clamorosas. Foi desse jeito meio amalucado que o jogador, conhecido como Garellik, conquistou a torcida do Verona e fez parte do momento mais importante da história dos mastini.

Garella chegou ao Marcantonio Bentegodi em 1981, depois de rodar por Torino, Casale, Novara, Lazio e Sampdoria, e logo em seu primeiro ano conquistou a Serie B. Goleiro de físico robusto, mas com agilidade, ele se tornou uma peça fundamental do time de Osvaldo Bagnoli e, na campanha do scudetto gialloblù, sofreu apenas 19 gols em 30 jogos. Sua atuação mais marcante foi no primeiro turno, contra a Roma, quando parou o forte ataque dos romanos, campeões dois anos antes e vice-campeões europeus na temporada anterior. O 0 a 0 no Olímpico foi uma prova de que aquele Verona tinha muito mais para mostrar. Após o título, Garella se transferiu para o Napoli, onde também foi campeão nacional, e depois ainda atuou por Udinese e Avellino antes de se aposentar.

8º - Emiliano Mascetti


Posição: meia
Período no clube: 1967-73 e 1975-80
Títulos conquistados: nenhum

Desconhecido do grande público, Mascetti nasceu em Como, foi adotado por Verona e se tornou um dos mais célebres jogadores da história do clube. O Hellas havia jogado na primeira divisão italiana por vários anos antes de o campeonato ter sido adaptado à fórmula de pontos corridos, em 1929, mas depois disso só conseguiu participar uma vez, em 1957-58. Mascetti fez parte do grupo que colocou os butei de volta na elite e que os mantiveram por lá por um bom período, sendo precursor da geração que levantaria o caneco em 1985.

Nos onze anos em que atuou pelo Verona – entre as duas etapas, uma passagem de dois anos pelo Torino – o meia foi o principal jogador da equipe, comandando-a a campanhas regulares na elite, mas com dois rebaixamentos à Serie B. Mesmo assim, Mascetti se estabeleceu como recordista em número de partidas pelo clube na elite (282) e também em gols (37), sendo superado apenas por Luca Toni, quase quarenta anos depois. O meia também é o segundo em número de jogos pelo Hellas (328) e, com 46 gols, está entre os 10 maiores artilheiros do clube. Após se aposentar, em 1980, assumiu de imediato o cargo de diretor de futebol do Verona e foi o responsável por fazer contratações que levaram ao scudetto veronês. Ficou por oito anos à frente do departamento esportivo da equipe e depois foi para a Roma.



Posição: meia
Período no clube: 1982-85 e 1989-93
Títulos conquistados: Serie A (1985)

O carequinha Pierino Fanna não está só na história do Verona, mas da Serie A: é um dos cinco únicos jogadores a terem conquistado o scudetto com três times diferentes. O friulano chegou ao time scaligero depois de cinco temporadas e três títulos como coadjuvante na Juventus, onde não conseguiu demonstrar todo seu potencial. Vestindo azul e amarelo, sim, ele explodiu, atuando aberto pela direita no meio-campo, setor essencial do esquema de Bagnoli. Foi assim que o Hellas chegou ao scudetto e em duas finais da Coppa Italia, em 1983 e 1984.

Por ali ele era um dos responsáveis por criar as jogadas do time, seja com passes açucarados, inversões de jogo perfeitas ou cruzamentos na medida. Muito rápido e ofensivo, Fanna também se movimentava bastante e os caminhos que escolhia em campo eram fundamentais para confundir os adversários e deixar companheiros livres para finalizar as ações. Assim, o carequinha conseguiu se tornar um dos melhores meias italianos dos anos 1980 sem a pressão de jogar em um grande time, e foi chamado à seleção diversas vezes entre 1983 e 1985. Após um período na Inter, Fanna voltou ao Verona e passou quatro anos no clube – dois na elite e dois na segundona – antes de se aposentar. Após pendurar as chuteiras, o ex-meia ainda cuidou das divisões de base veronesas e foi auxiliar na comissão técnica.

6º - Luca Toni


Posição: atacante
Período no clube: 2013-hoje
Títulos conquistados: nenhum

Quando Toni chegou ao Verona ele já tinha vencido praticamente tudo o que podia. Também era visto por muitos como já acabado para o futebol profissional. Porém, contrariando os céticos, o experiente bomber vive no Bentegodi uma das fases mais esplendorosas de sua longa carreira. Mesmo já sendo tetracampeão mundial com a Itália, campeão alemão pelo Bayern Munique e artilheiro da Serie A e da Bundesliga, o emiliano se doou de coração para o Hellas, que voltava à elite após 11 anos de ausência.

Toni tinha 35 anos quando assinou com os mastini. Tinha feito sua primeira boa temporada em quatro anos, sendo um bom reserva na Fiorentina. Mas chegou ao Verona pegando a camisa 9 e levando a equipe, tida como provável rebaixada, a brigar por uma vaga na Liga Europa. Os 20 gols e a vice-artilharia do certame na primeira temporada já pareciam muito, mas Toni, com 37 anos, ampliou seu feito, marcando 22 em 2014-15 e sendo o maior goleador da Serie A, ao lado do interista Mauro Icardi. Capitão do time, Toni tem 47 tentos pelo clube na elite, sendo o maior artilheiro do clube em jogos do Campeonato Italiano. Com 50 gols ao todo, o ex-centroavante da seleção italiana ainda é o sexto no ranking geral de goleadores do Hellas.



Posição: lateral esquerdo
Período no clube: 1984-86
Títulos conquistados: Serie A (1985)

Nascido na antiga Alemanha Ocidental, Briegel demorou a entrar no mundo do futebol. Praticante de diversas modalidades do atletismo e especialista no decatlo, ele deixou as pistas e teve sua primeira oportunidade como profissional aos 19 anos com o Kaiserslautern. Foram nove anos pelos Diabos Vermelhos até chegar ao Verona, já conhecido como um potente e técnico lateral ou ala, atuando sempre pela esquerda, ou até mesmo como volante. Com 29 anos, chegava com muita pompa, pois tinha sido titular da Alemanha Ocidental campeã europeia em 1980 e vice-campeã mundial em 1982. Foi a grande contratação do time, juntamente com Elkjaer Larsen.

Briegel passou apenas dois anos em Verona, mas marcou época, sendo um dos principais condutores dos butei ao título. Seus números no ano do scudetto foram incríveis, principalmente levando em conta que ele atuava como ala pela esquerda: ele foi o vice-artilheiro gialloblù, com 9 gols na Serie A (mais dois na Coppa Italia), mostrando muita habilidade, velocidade e um poder arrasador de aparecer na área adversária e marcar gols de cabeça – geralmente fugindo da marcação, no segundo pau. O desempenho foi suficiente para lhe dar o prêmio de melhor jogador alemão ocidental em 1985. Em 1985-86 Briegel caiu de rendimento, juntamente com todo o time, mas não o suficiente para ser deixado de fora dessa lista.

4º - Antonio Di Gennaro


Posição: meia
Período no clube: 1981-88
Títulos conquistados: Serie A (1985) e Serie B (1982)

Considerado uma bandeira do clube, o meia Di Gennaro teve o maior destaque de sua carreira como jogador atuando no Bentegodi. Responsável por fazer a ligação entre o meio-campo e a dupla de atacantes do 3-5-2 de Bagnoli na era de ouro veronesa, Totò ganhou espaço na seleção italiana a partir do seu desempenho no Hellas e foi convocado para a disputa da Copa do Mundo, em 1986.

Bagnoli transformou a carreira de Di Gennaro. Antes, o jogador passara sem destaque por Fiorentina e Perugia, mas nos sete anos de Verona ganhou vigor. Atuando como regista, ele dava velocidade ao jogo de contra-ataque gialloblù, com poucos toques na bola, e ainda marcava seus gols: na temporada do scudetto foram quatro gols na Serie A e nove no total. Ao longo de sete anos no Vêneto, Di Gennaro fez 258 jogos com a camisa scaligera, ficando entre os 10 jogadores que mais atuaram pelo clube. Próximo da aposentadoria, o atleta deixou Verona em 1988, mas só porque a sociedade passava por problemas financeiros.

3º - Giuseppe Galderisi


Posição: atacante
Período no clube: 1983-86 e 1988-89
Títulos conquistados: Serie A (1985)

Sem muito espaço na Juventus, um jovem Galderisi recebeu chances no Verona. Percebendo o talento do jogador, que havia feito uma tripletta contra o Milan, o Hellas assegurou os serviços do atacante de apenas 20 anos. E ele não decepcionou: logo no primeiro ano, fez nove gols na campanha que colocou os scaligeri na 6ª posição da Serie A, mais um no vice da Coppa Italia e três na Copa Uefa – incluindo um golaço por cobertura contra o Estrela Vermelha. Foi só o prelúdio para a consagração, que incluiu convocações para a Itália, incluindo para o Mundial de 1986.

No inesquecível ano do scudetto dos butei, Galderisi atingiu o ponto máximo na carreira, ainda com 22 anos. Atacante completo, de muita velocidade e habilidade, além de poder de finalização acima da média – e mesmo hábil no cabeceio, embora fosse baixinho –, Nanu foi o artilheiro da equipe, com 11 gols, muitos deles contra equipes fortes, como Napoli, Juventus, Fiorentina, Udinese e Sampdoria. Galderisi ainda ficou um ano em Verona, antes de continuar sua trajetória sem sucesso em Lazio e Milan e retornar ao Hellas, para ter passagem também apagada. Um ano de sonho e outros dois de boas atuações foram suficientes para colocar Galderisi entre os 10 maiores artilheiros do clube, com 45 gols, e também no coração dos torcedores veroneses.

2º - Roberto Tricella


Posição: líbero
Período no clube: 1979-87
Títulos conquistados: Serie A (1985) e Serie B (1982)

Histórico capitão do Verona, Tricella (à direita na foto), pode ser considerado o símbolo da ascensão do Verona. Em oito anos no clube ao qual chegou com 20 anos, depois de ter sido revelado pela Inter, o líbero viveu os melhores momentos da história scaligera. Venceu a Serie B, chegou a duas finais da copa nacional e ainda liderou o time rumo ao scudetto. Tudo isso sempre como titular indiscutível ao centro da zaga.

No sólido esquema de Bagnoli, era Tricella o responsável para iniciar a saída de bola. Protegido por Briegel e Domenico Volpati ele avançava com a bola no pé com muita qualidade, e costumava acionar Di Gennaro, que dava cabo do resto do trabalho. O zagueirão lombardo, que também chegou a jogar pela seleção e foi convocado para a Copa de 1986, era o principal nome da defesa menos vazada do campeonato em 1984-85, ano do título nacional. Ter deixado o clube em 1987 para substituir o mito Gaetano Scirea na Juventus mostra a qualidade que Tricella atingiu em seu auge.



Posição: atacante
Período no clube: 1984-88
Títulos conquistados: Serie A (1985)

O Cavalo Doido. Apelidado assim, Elkjaer foi um dos atacantes mais perigosos dos anos 1980 no futebol italiano. O atacante chegou ao Verona após boa passagem pelo Lokeren e boa Euro 1984 com a Dinamarca para ser o grande destaque na conquista do único scudetto na história do clube. Ele foi o terceiro artilheiro do time, atrás de Galderisi e Briegel, mas marcou alguns dos gols mais importantes da equipe. O segundo de seus gols pelos butei foi o mais antológico: na vitória sobre a Juventus, arrancou pela esquerda, fugiu de dois carrinhos, perdeu sua chuteira e, mesmo assim, marcou com o pé descalço – o que lhe valeu o apelido de "Cinderelo". Elkjaer ainda marcou um em vitória contra a Roma; o gol do título, no empate contra a Atalanta; e o último gol gialloblù na temporada, frente ao Avellino.

Por suas atuações na temporada mais gloriosa da história do Hellas Verona, ficou em terceiro e segundo no prêmio Bola de Ouro (respectivamente, em 1984 e 1985), vencido por Platini. Após a temporada sensacional de estreia, Elkjaer continuou jogando com regularidade, embora o Verona não tenha mantido o mesmo nível – o melhor desempenho foi o 4º lugar em 1987. Quando ainda era jogador dos mastini, Elkjaer fez parte da Dinamáquina na Copa de 1986, e marcou quatro gols, ficando entre os melhores jogadores do Mundial. Em 1988, o nórdico deixou o Bentegodi para voltar a seu país e se aposentar.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A remanescente

Após vencer o Galatasaray, Lazio é única equipe italiana viva na Liga Europa (LaPresse)
Semana ruim para a Itália. Na Liga Europa, só a Lazio superou os 16 avos de final, uma surpresa. A Fiorentina tinha um adversário complicado pela frente e saía em desvantagem, mas foi dominada pelo Tottenham. Já o Napoli, favorito, não mostrou sua força contra o Villarreal e também caiu. Curiosamente, no ano passado napolitanos e florentinos foram eliminados nas semifinais da competição, e dessa vez, foram eliminados juntos nos 16 avos. 

Os resultados também foram muito ruins para o coeficiente Uefa, que define as vagas das equipes nas competições da entidade: foram quatro vitórias inglesas contra uma italiana, o que aumentou a vantagem de pontos da Inglaterra sobre a Itália. A quarta vaga na Liga dos Campeões está mais distante.

Lazio 3-1 Galatasaray
Quem diria que a Lazio seria a única equipe italiana a chegar às oitavas da Liga Europa? Bem irregular em toda a temporada, o time de Pioli dominou o jogo contra o Galatasaray, administrou sua vantagem e garantiu a classificação ma segunda etapa.

Em noite de muita chuva em Roma, o primeiro tempo no Olímpico teve poucas chances. Dez minutos depois do intervalo, Matri acertou a trave e, na sequência, o jogo esquentou. Aos 13, Parolo aproveitou cobrança de escanteio e, com cabeçada violenta, abriu o placar. Em seguida, Felipe Anderson ampliou, ao concluir a boa jogada construída por Candreva e a assistência de Matri. Logo na saída de bola, o Yasin Öztekin foi esperto e, com o erro de Bisevac, reduziu a vantagem italiana. Foi aí que entrou a arma laziale para a passagem de turno: Klose substituiu Matri e quase fez um gol aproveitando a sobra do goleiro Muslera, ex-Lazio: deitado, viu Chedjou cortar quando a bola entrava. Mas o gol viria segundos depois: Radu apareceu bem na lateral esquerda e só ajeitou para o alemão anotar seu primeiro em 2015-16. Um gol muito importante.

Napoli 1-1 Villarreal
Momento de baixa do Napoli, que não vence há quatro jogos. O vice-líder da Serie A foi eliminado na Liga Europa, após uma derrota na Espanha e um empate na Itália. Na hora do vamos ver, os napolitanos caíram: valeu pouco ter vencido as seis partidas na fase de grupos.
 
A primeira boa chance foi do Submarino Amarelo. Reina salvou sobre Bakambu aos 13: o congolês foi deixado cara a cara por Soldado e perdeu. Três minutos depois, o Napoli abriu o placar. Hamsík aproveitou sobra do corte errado de Víctor Ruiz e mandou um sem pulo lindo, no canto do gol defendido por Aréola. Em meio a um jogo pegado, com alto número de amarelos, o Napoli foi superior, e criou duas chances com Mertens ainda no primeiro tempo. Aos 42, Mertens avançou com velocidade e cruzou rasteiro, Musacchio tentou cortar e acertou a trave. Dois minutos depois, o belga arriscou de fora da área e quase marcou o segundo. 

No início do segundo tempo, Reina salvou os azzurri outra vez. O goleiro interceptou cruzamento de Rukavina e tirou gol de Bakambu novamente. Mas o Villarreal empatou minutos depois. O cruzamento de canhota do destro Pina desviou em David López e encobriu o goleiro do time italiano. Os partoneopei precisavam de dois gols para se classificar, mas não conseguiram. Na reta final do jogo, Aréola fez duas ótimas defesas, em finalizações de Insigne e Mertens, garantindo a passagem do espanhol, que eliminou o favorito Napoli.

Tottenham 3-0 Fiorentina
Superioridade completa do Tottenham sobre a Fiorentina nas duas pernas do confronto. Depois do empate por 1 a 1 em casa, a Viola foi a Londres em uma difícil busca por um resultado favorável. As esperanças duraram pouco e os Spurs passaram o carro sobre o time italiano.
 
Ainda no primeiro tempo, Mason abriu o placar para os coys, aproveitando um buraco na defesa, por erro de posicionamento de Tomovic. Impreciso, Bernardeschi perdeu duas boas chances no segundo tempo, ao fazer a escolha errada no momento da decisão. O castigo veio com Lamela, que fez o segundo, com falha de Gonzalo Rodríguez. Já prestes a ser enterrada, a Fiorentina teve o último prego colocado em seu caixão quando o capitão argentino tentou interceptar passe para Alli e marcou contra. Sem amplitude nenhuma e em péssima apresentação, foi mais do que justa a queda florentina.

Técnicos: Sebastião Lazaroni

Após dar vexame com o Brasil na Copa do Mundo, Lazaroni dirigiu
Fiorentina e Bari, também sem sucesso (L'Unità)
Basta que o nome de Sebastião Lazaroni seja pronunciado para ver os mais saudosistas torcedores brasileiros ficarem com o sangue gelado. Até hoje o treinador é considerado o maior culpado pelo mau desempenho e eliminação da seleção brasileira na Copa de 1990, disputada na Itália. Depois do vexame brasileiro na Velha Bota, Lazaroni teve curta passagem em clubes italianos.

Lazaroni assumiu o comando do Brasil em 1989, em meio à preparação para a Copa de 1990, e após trabalhos em Flamengo, Vasco e Al-Ahli, da Arábia Saudita. Tido como estudioso do futebol, o técnico logo implantou o 3-5-2 como esquema da Seleção e foi criticado por, supostamente, fazer o time jogar de forma defensiva. 

Sem encantar, os brasileiros venceram a Copa América de 1989, disputada em seu próprio país, e embarcaram para a Itália no ano seguinte, jogando com líbero fixo, algo essencial para o trabalho do estrategista mineiro. Se o líbero era Mauro Galvão, outro jogador importante no time de Lazaroni era Dunga, que acabou virando símbolo da geração que privilegiava a força e deixava o talento de lado – na avaliação do senso comum, pelo menos. Após três vitórias magras na fase de grupos e a eliminação nas oitavas de final, contra a Argentina, o Brasil deixava Turim e voltava para casa. Seu treinador não.

O comandante da Seleção foi ao Mundial já certo de que deixaria o cargo, porque não aguentava mais as críticas da imprensa. Ele estava apalavrado com a Fiorentina, mas não assinara contrato antes da Copa. Segundo ele, em entrevista à Placar, porque estava esperando propostas formais de outras equipes, como Bologna, Lazio e Sampdoria, caso tivesse sucesso na competição. O treinador também queria garantias de que a nova direção florentina reforçaria a equipe, que tinha perdido o craque Roberto Baggio e o defensor Sergio Battistini.

Lazaroni tentou emplacar o zagueiro Ricardo Rocha na Fiorentina, mas o recifense foi descartado após circularem boatos (falsos, diga-se) de que ele levava uma vida desregrada, como Sócrates. O trauma pela passagem decepcionante do Doutor pela Toscana acabou fazendo com que os dirigentes desistissem de levar o xerife para lá. Dessa forma, os principais reforços contratados pela Viola não foram muito animadores: os meias Diego Fuser e Massimo Orlando e os atacantes Mario Lacatus e Stefano Borgonovo (de volta ao clube), mas mesmo assim o brasileiro aceitou o desafio – afinal, sua imagem estava arranhada pela pior campanha do Brasil em um Mundial desde 1966. Outro fator que contribuiu para a assinatura do contrato foi que um dos principais jogadores do elenco gilgiatto era o capitão Dunga, seu pupilo na Seleção e já anteriormente, nos tempos de Vasco.

Assim que o técnico chegou a Florença, a Placar esteve na concentração da Fiorentina, e perguntou se a Fiorentina não havia ficado receosa de contratá-lo após a Copa do Mundo. O mineiro respondeu que não, e que inclusive o presidente Mario Cecchi Gori poderia ter exercido o poder de desfazer o acordo que ele tinha com o clube, uma vez que este havia sido feito por Flavio Pontello, seu antecessor. Lazaroni achava que estava prestigiado, mas o jornal La Repubblica fez reportagens nas quais afirmava que Cecchi Gori "não suportava Lazaroni" e que queria um técnico italiano no comando.

A estreia do brasileiro nos gramados europeus foi uma cacetada: no Olímpico, a Roma aplicou 4 a 0 sobre a Fiorentina. A primeira vitória do novo treinador sob o comando da equipe veio só na 4ª rodada, quando venceu a Atalanta por 3 a 1. O primeiro turno foi um calvário para o time violeta, que chegou a ficar oito jogos sem vencer. Ameaçado no cargo, Lazaroni conseguiu se manter à frente da equipe depois de uma vitória por 1 a 0 sobre o Bologna, no Dérbi dos Apeninos, no dia 30 de dezembro. 

Fim de ano feliz? Nem tanto. Muitos jogadores do elenco estavam insatisfeitos por ficarem no banco de reservas e havia um descontentamento geral no clube, por uma série de questões de bastidores. O brasileiro era simpático com a imprensa e levava uma vida confortável em Florença, mas não conseguia controlar os vestiários. Lazaroni continuou no cargo, mas o segundo turno não foi lá tão diferente do primeiro – a principal glória foi a vitória sobre a Juventus de Baggio, por 1 a 0. 

No final da Serie A, os florentinos ficaram com a 12ª posição, com 8 vitórias, 15 empates e 11 derrotas. Retrospecto medíocre, mas superior ao de 1989-90, temporada em que a Fiorentina se salvou do rebaixamento só na última rodada. O treinador foi bastante criticado, mas também mereceu elogios por ter explorado o potencial ofensivo do ala Alberto Di Chiara, que depois teve boa fase no Parma.

No ano seguinte, Lazaroni foi confirmado como técnico dos gigliatti para mais uma temporada. Chegavam como reforços o lateral brasileiro Mazinho, conhecido do treinador, além dos atacantes Marco Branca e Gabriel Batistuta – o último se tornaria ídolo da torcida. O mineiro, porém, não viveria o ápice de Batigol em Florença: após apenas cinco jogos na Serie A, ele foi substituído por Luigi Radice. Seu último jogo foi uma derrota em casa para a Roma.

Apesar de não ter marcado época na Toscana, Lazaroni declarou que a cidade de Florença ficou no seu coração, embora redes de televisão locais costumassem fazer brincadeiras jocosas com seu italiano abrasileirado. Ele também salientou que as dificuldades financeiras do clube acabaram atrapalhando o seu trabalho: de fato, nos anos seguintes a gestão da família Cecchi Gori gastou muito dinheiro – de origem suspeita, vale notar – e a Fiorentina acabou alçada ao patamar de concorrente a troféus no Belpaese. Enquanto alguns comiam o filé nessa época, outros, como o treinador de Muriaé, roeram o osso anos antes.

Sebastião Lazaroni voltaria à Itália pouco tempo depois. Depois de alguns meses no Al-Ahli, o Bari do presidente Vincenzo Matarrese o convidou para assumir a equipe, que havia sido rebaixada para a Serie B – caíra em 1991-92, quando ficou em 15º na elite. Na Apúlia, o treinador brasileiro reencontrava o atacante João Paulo, que havia sido deixado de fora da convocação do Mundial de 1990 – um dos maiores injustiçados pelo técnico, segundo a imprensa e os torcedores. 

Lazaroni, porém, não teve como colocar o atacante em campo no período em que dirigiu os galletti na segundona, pois ele havia sofrido lesão gravíssima na temporada anterior. Após apenas 18 rodadas e desempenho medíocre, o treinador acabou encerrando sua passagem pela equipe do sul da Itália. Cerca de um ano depois, já acertado com o Vasco da Gama, o treinador pediu a contratação de João Paulo para o vice-presidente Eurico Miranda e "se reconciliou" com o atleta.

A passagem pelo Bari foi a última do técnico brasileiro em um centro estrangeiro de ponta. Depois do fracasso pelos biancorossi, Lazaroni teve alguns trabalhos fracos e medianos em clubes brasileiros e virou um cigano da bola: trabalhou na Turquia, em Portugal, na Jamaica e em diversos países da Ásia. Sem sucesso esportivo, restou-lhe buscar a tranquilidade financeira.

Sebastião Barroso Lazaroni
Nascimento: 25 de setembro de 1950, em Muriaé (MG)
Carreira: Flamengo (1984-86), Vasco (1987-88 e 1994), Al-Ahli-ASA (1988 e 1992), Seleção Brasileira (1989-90), Fiorentina (1990-91), Bari (1992-93), León (1993), Fenerbahçe (1996-97), Paraná (1997), Grêmio (1998), Shangai Shenhua (1999), Seleção da Jamaica (2000 e 2004-05), Botafogo (2000-01), Yokohama F. Marinos (2001-02), Al-Arabi (2003), Juventude (2005), Trabzonspor (2006), Marítimo (2007), Qatar SC (2008-09, 2012-14 e 2015) e Seleção do Qatar (2011)
Títulos conquistados: Campeonato Carioca (1986, 1987 e 1988), Troféu Ramón de Carranza (1987),  Copa América (1989), Copa da Arábia Saudita (1995), Supercopa da China (1999),  Copa da Liga Japonesa (2002),  Copa do Príncipe Herdeiro (2009) e Copa QNB (2014)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Os asiáticos da Serie A

Asiáticos no futebol italianos não são novidade: alguns jogadores passaram por lá muito antes do indonésio Erick Thohir, presidente da Inter, ou do tailandês Bee Taechaubol, provável novo sócio do Milan – ou até mesmo do chinês Xiaodong Zhu, dono do pequeno Pavia, da terceira divisão.

Apesar de o futebol italiano não ter tanta tradição de acolher asiáticos – na Europa, são os clubes de Inglaterra e Alemanha que mais costumam contratar jogadores do continente –, os primeiros atletas da Ásia aportaram na Velha Bota na década de 1990. Boa parte deles foi contratada muito mais para chamar a atenção do extenso mercado asiático e para incrementar as receitas dos clubes do que por outros motivos, é verdade. O fato é que, de lá para cá, apenas 18 (de oito nacionalidades diferentes) jogaram nas séries A e B, e nem todos com verdadeiro brilho. O país mais representado é o Japão, com 10 futebolistas.

Fizemos um levantamento sobre a passagem destes jogadores pelo futebol italiano e escolhemos 10 deles para contarmos suas histórias, em ordem cronológica, do primeiro que desembarcou na Itália até os que jogam no campeonato ainda hoje. Os asiáticos que atuaram na Itália tiveram muitos problemas de adaptação, em sua maioria, e poucos conseguiram desenvolver seu futebol de maneira digna – alguns viveram até histórias bizarras no Belpaese. Confira abaixo o que o Quattro Tratti conta sobre os orientais da Serie A.

Nota: Neste texto não foram incluídos alguns jogadores de origem asiática, mas com carreira no esporte desenvolvida por outras seleções. Casos de Vikash Dhorasoo, meia de origem indiana que passou por Milan e Livorno e que jogou pela seleção da França, ou de Radja Nainggolan, belga de origem indonésia que atuou por Piacenza e Cagliari, hoje na Roma. Também não consideramos o quarto goleiro da Juventus, Emil Audero, que também tem origem indonésia, mas atua pelas seleções de base da Itália.

Asiáticos na Itália
Japoneses (10):  Kazuyoshi Miura, Hidetoshi Nakata, Hiroshi Nanami, Shunsuke Nakamura, Atsushi Yanagisawa, Masashi Oguro, Mitsuo Ogasawara, Takayuki Morimoto, Yuto Nagatomo e Keisuke Honda
Iranianos (2): Rahman Rezaei e Ali Samereh
Sul-coreanos (1): Ahn Jung-hwan
Iraquianos (1): Ali Adnan
Uzbeques (1): Ilyos Zeytulayev
Chineses (1): Ma Mingyu 
Catarianos (1): Montezine*
Sírios (1): George Mourad**

* Brasileiro de nascimento, Montezine se naturalizou e começou a defender o Catar em 2008. Ele atuou apenas na Serie B
** Atuou apenas na Serie B

Kazuyoshi Miura


Posição: atacante
Clubes: Genoa (1994-95)
Títulos: Copa Kirin (1995)

Japonês com toque brasileiro, Kazu Miura se profissionalizou no Juventus da Mooca e atuou em clubes como Santos, Palmeiras, Matsubara, CRB, XV de Jaú, Coritiba e Verdy Kawasaki antes de chegar à Itália. À época ele era considerado o melhor jogador nipônico em atividade e foi contratado pelo Genoa graças à multinacional japonesa Kenwood, que patrocinava os grifoni e pagava um valor extra todas as vezes que o atacante entrava em campo.

Kazu foi o primeiro japonês a atuar na Bota e também foi o primeiro a fazer um gol. Seu único em 21 jogos, aliás: ele se lesionou logo na abertura da temporada, depois de um choque com o milanista Franco Baresi, e retornou no dérbi contra a Sampdoria, anotando um dos gols na derrota por 3 a 2. Na reta final da sua única temporada italiana ele foi representar o Japão na Copa Kirin, que venceu, e acabou não ajudando o Genoa na Serie A. Sua equipe foi rebaixada após spareggio contra o Padova, mas Miura seguiu tendo sucesso pelos Samurais Azuis: com 55 gols, é o segundo maior goleador da história da seleção.



Posição: meia
Clubes: Perugia (1998-00), Roma (2000-01), Parma (2001-04), Bologna (2004) e Fiorentina (2004-05)
Títulos: Serie A (2000-01) e Coppa Italia (2001-02)

Sinônimo de futebol japonês, Nakata foi o jogador que abriu as portas para jogadores asiáticos no mercado europeu. O meia havia jogado os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo pelo Japão, além de ter sido eleito duas vezes o melhor futebolista asiático. Nome melhor não havia para os planos de Luciano Gaucci, ambicioso presidente do Perugia: para internacionalizar o clube ele fez algumas contratações midiáticas, como a de Hide. Só que o nipônico também rendeu em campo, marcando 10 gols na primeira temporada e sendo cedido à Roma em janeiro de 2000.

Nakata era reserva de Francesco Totti na Cidade Eterna, mas não deixou de ser importante em alguns jogos da campanha do scudetto romano, em 2001. Sem muito espaço, ele acabou sendo negociado com o Parma, com o qual ganhou a Coppa Italia, sobre a Juventus – que foi sua vítima preferida nos anos italianos. Depois, o nipônico acabou atuando sem muito sucesso por Bologna e Fiorentina, últimos clubes na Bota. Aos 29 anos e com três Copas do Mundo pela seleção japonesa, anunciou sua aposentadoria.

Hiroshi Nanami


Posição: meia
Clubes: Venezia (1999-00)
Títulos: nenhum

Formado no Júbilo Iwata, o meia esquerda Nanami chegou à Itália com a bênção de Salvatore Schillaci, que foi seu parceiro no clube japonês e aproveitou seus passes para marcar um caminhão de gols. Entusiasmado com o sucesso de Nakata no Perugia, o presidente Maurizio Zamparini, tão midiático quanto Gaucci, fechou o empréstimo do nipônico, que havia sido eleito melhor jogador da Copa da Ásia em 1996 e também havia atuado no Mundial de 1998.

Considerado herdeiro de Álvaro Recoba pela habilidade, Nanami foi contratado pelos lagunari com o intuito de fornecer assistências para os companheiros. No entanto, a temporada do japonês pelos leões alados foi abaixo da média: 24 jogos somente sete completas) e apenas um gol marcado, contra a Udinese, além de pouquíssimas assistências, que culminaram na 16ª posição para o Venezia na Serie A. Sem se adaptar ao futebol italiano, Nanami não foi contratado em definitivo após o rebaixamento e voltou ao Júbilo.

Ahn Jung-hwan


Posição: atacante
Clubes: Perugia (2000-02)
Títulos: nenhum

Após o sucesso de Nakata, o presidente Gaucci levou um novo oriental para o Perugia. Em parceria com a montadora sul-coreana Daewoo, que patrocinaria o clube umbro, os grifoni contrataram o atacante Ahn Jung-hwan, que já se destacava no campeonato da Coreia do Sul e na sua seleção. Em duas temporadas, Ahn jogou 30 partidas, só algumas em bom nível. Em quase todas essas partidas ele entrou no segundo tempo, e marcou, no total, cinco gols. Um desempenho abaixo da média para um jogador que já estava na casa dos 25 anos, mas que acabou sendo muito prejudicado pelos bastidores.

Em 2013, dois anos após se aposentar, o sul-coreano deu uma entrevista na qual acusava os companheiros de Perugia de bullying, e apontava o zagueiro e capitão Marco Materazzi como o principal responsável. "Eu não entendia muito bem, mas ele gritava comigo e dizia que eu fedia a alho", disse. Ahn também declarou que os companheiros de time também não lhe passavam a bola, mesmo se estivesse bem colocado. Para completar, a sua passagem pela Úmbria terminou muito mal: foi dele o gol que eliminou a Itália na prorrogação das oitavas da Copa do Mundo de 2002, em jogo no qual a Squadra Azzurra foi  prejudicada pela arbitragem de Byron Moreno. Após a queda da Nazionale, Gaucci disse que não pagaria mais o salário de alguém que "arruinou o futebol italiano". No final de tudo, foram o coreano e seus agentes que alegaram dívidas de salários e com o antigo clube de Ahn, o Busan I'Cons, para rescindir o contrato de empréstimo. Ofendido com Gaucci, Ahn nunca mais voltou para a Itália.

Ma Mingyu


Posição: meia
Clubes: Perugia (2000-01)
Títulos: nenhum

Junto com Ahn Jung-hwan, o Perugia contratou o chinês Ma Mingyu como estratégia de marketing. Gaucci oferecia grandes salários para jogadores de países exóticos (futebolisticamente, à época) para chamar atenção. Ma chegou ao Renato Curi já provocando dúvidas: a assessoria de imprensa perugina declarava que ele tinha 28 anos, mas fontes chinesas diziam que o meia canhoto já teria 32. A expressão envelhecida lhe rendeu o apelido de Nonno rapidamente.

Apesar da camisa 9 que ganhou logo na chegada, o chinês mal pisou em campo com as cores do Perugia. Vestiu a camisa do time umbro somente duas vezes: em um amistoso de pré-temporada e em uma partida contra a Salernitana, na primeira fase da Coppa Italia. Ma não era convocado pelo técnico Serse Cosmi nem mesmo para ir ao banco. Ia sempre para as tribunas. Na sua breve passagem pelo futebol italiano, o jogador não se integrou com os colegas e sempre ia direto para casa depois dos treinos para ficar com sua esposa. Após o fracasso na Itália, Ma foi o capitão da China na Copa do Mundo de 2002 e deu o primeiro chute a gol da seleção em um Mundial no jogo contra o Brasil. No ano seguinte, pendurou as chuteiras – indicando que sua idade talvez não fosse a divulgada quando chegou em Perugia.

Rahman Rezaei


Posição: zagueiro
Clubes: Perugia (2001-03), Messina (2003-06) e Livorno (2006-08)
Títulos: nenhum

Contratado pelo Perugia em 2001, o zagueirão Rezaei se destacava pelo físico robusto e pela força. O iraniano foi escalado como titular por Serse Cosmi no primeiro ano e chegou a marcar dois gols, mostrando boa presença de área e auxiliando a equipe a ficar na 8ª posição. Em seu segundo ano com a camisa dos grifoni acabou perdendo a posição para Sean Sogliano, mas fez parte do grupo que alcançou o 9º lugar no Italiano e as semifinais da Coppa Italia.

Rezaei foi vendido ao Messina, da Serie B em 2003, e foi na Sicília que viveu sua melhor fase na Itália. Titularíssimo da equipe peloritana, ele contribuiu para a volta à elite e para a conquista de uma histórica 7ª posição, em 2004-05 – foi o maior feito da história dos biancoscudati, e Rezaei foi o jogador que mais atuou na campanha, com 36 jogos. Apelidado de "Tapete Voador" e de "Secretário de Defesa" pela torcida do Messina, o iraniano foi contratado como reforço do Livorno para a disputa da Copa Uefa, em 2006. Já experiente, atuou poucas vezes pelos amaranto e não evitou o rebaixamento da equipe, dois anos depois, época em que deixou a Itália para voltar à Ásia e se aposentar. Pela seleção persa, o jogador atuou nas Copas da Ásia de 2004 (o Irã foi terceiro colocado) e 2007 e na Copa do Mundo de 2006.

Shunsuke Nakamura


Posição: meia
Clubes: Reggina (2002-05)
Títulos: Copa da Ásia (2004)

Nakamura chegou à Itália com 24 anos, depois de ter sido eleito melhor jogador da J-League, pelo Yokohama F. Marinos, e de ter vencido uma Copa da Ásia pelo Japão – mesmo tendo sido excluído do elenco nipônico para o Mundial de 2002. Era apenas a terceira vez que a Reggina jogava uma Serie A e Naka, que ganhou a camisa 10, se tornou fundamental para a permanência da equipe na elite logo na primeira temporada, marcando oito gols – sete no Italiano – e dando algumas assistências. Foi neste ano que o canhoto começou a mostrar para o mundo sua habilidade com a perna canhota, especialmente nas bolas paradas.

O sucesso de Nakamura fez com que a Reggina fosse convidada para um amistoso contra o Yokomaha F. Marinos no Japão. No arquipélago, o clube vendeu mais de 50 mil camisas e ainda conseguiu um novo patrocinador, algo importante para um clube pequeno. Em 2003-04, porém, o meia sofreu com as lesões e não conseguiu ajudar muito a equipe calabresa, que novamente garantiu a permanência na elite. Depois de mais uma temporada de amistosos no Oriente e do título na Copa da Ásia, Nakamura voltou à Calábria para seu último ano na Itália. Os amaranto conseguiram outra salvezza, dessa vez com mais folga, mas o japonês não brilhou muito e acabou deixando a Bota para acertar com o Celtic, clube pelo qual foi ídolo.

Takayuki Morimoto


Posição: atacante
Clubes: Catania (2006-11 e 2012-13) e Novara (2011-12)
Títulos: nenhum

Morimoto é, ainda hoje, o jogador japonês mais jovem a estrear profissionalmente e o mais novo a ter marcado um gol pela J-League, com menos de 16 anos. Com esses feitos, logo chamou a atenção, e o Tokyo Verdy acabou emprestando o atacante para o Catania, na volta dos sicilianos para a Serie A após 22 anos. Ele estreou na reta final da temporada e, com cinco minutos em campo, anotou seu primeiro gol pelo clube etneo, contra a Atalanta. O nipônico acabou rompendo o ligamento do joelho esquerdo, mas mesmo assim foi contratado em definitivo pelo Catania. Em dois anos, acabou jogando pouco.

Conhecido como o "Ronaldo do Sol Nascente" pela explosão precoce e pela aparência, mas também pela velocidade e pelo bom poder de finalização, Morimoto começou a ganhar mais reconhecimento na temporada 2008-09, quando Walter Zenga era o treinador da equipe. Com mais minutos em campo, ele marcou alguns gols importantes, como dois sobre a Roma, além de outros contra Juventus, Napoli e no dérbi regional contra o Palermo. Após sete gols na temporada da quebra do recorde de pontos dos rossoazzurri em suas participações na Serie A, o japonês, então com 21 anos, ganhou o apelido de Maremoto. Em 2009-10 ele ainda teve algum destaque, o que lhe valeu a convocação para a Copa de 2010. Depois, porém, ele não figurou nos planos dos técnicos que passaram pelo Massimino, teve poucas oportunidades e também acabou cedido ao Novara por uma temporada. Sem conseguir evoluir e ser regular após o bom início na Itália, Morimoto voltou ao futebol asiático.

Yuto Nagatomo


Posição: lateral
Clubes: Cesena (2010-11) e Inter (2011-hoje)
Títulos: Coppa Italia (2011) e Copa da Ásia (2011)

Entre todos os asiáticos que passaram pela Serie A, Nagatomo é o que fez carreira mais sólida, com mais de 150 partidas com a camisa de um grande clube. Após ser titular na boa campanha do Japão na Copa de 2010, o lateral ambidestro foi contratado pelo Cesena e foi um dos destaques da posição no primeiro turno da temporada 2010-11, a ponto de ser contratado pela Inter em janeiro. Depois de vencer a Copa da Ásia com os Samurais Azuis, aterrissou em Milão e se tornou uma peça importante do elenco vice-campeão italiano e vencedor da Coppa Italia. A adaptação do lateral, primeiro nipônico da história interista, aconteceu muito por causa de Javier Zanetti, que logo o acolheu e o apadrinhou.

Nos três anos sucessivos, Nagatomo se tornou titular da Beneamata, jogando ora na lateral esquerda, ora na direita, e sempre apoiando muito no ataque, sua principal característica, aliada à resistência física. Sua melhor temporada foi a de 2013-14, na qual marcou cinco gols e acabou até sendo eleito o melhor jogador japonês em atividade no exterior. Respeitado em Milão, Yuto chegou a utilizar a braçadeira de capitão em alguns jogos pelos nerazzurri, ao passo que ganhava importância na seleção de seu país: atuou em todas as competições oficiais disputadas pelo Japão entre 2010 e hoje, e já tem quase 90 jogos pelos samurais. Após perder espaço em 2014-15, Nagatomo voltou a ser mais utilizado nesta temporada.

Keisuke Honda


Posição: meia
Clubes: Milan (2014-hoje)
Títulos: nenhum

Assim como Nagatomo, Honda chamou a atenção dos grandes centros europeus após o Mundial de 2010. Destaque do Japão naquela campanha, o meia-atacante já havia passado pelo VVV-Venlo, da Holanda, e estava no CSKA Moscou, da Rússia. Após bons anos pelo Exército Vermelho, o Milan decidiu investir em sua contratação, em janeiro de 2014. Canhoto habilidoso e com ótimo poder de finalização de fora da área e em bolas paradas, o japonês recebeu a camisa 10 e se esperava que pudesse ajudar os rossoneri na busca por dias melhores. Até agora, Honda teve apenas alguns lampejos e muitas atuações abaixo da média.

O Milan vem passando por uma reformulação grande nos últimos anos e a pressão é muito grande em Milanello, é verdade. Porém, se esperava que o Honda que chegou ao Diavolo fosse ao menos semelhante àquele que encantou no CSKA e na seleção japonesa, mas não tem passado perto disso. Apesar de, em 2016, ter feito alguns jogos de qualidade superior ao que vinha apresentando, a torcida ainda aguarda melhores atuações do jogador de quase 30 anos. Até o momento, Honda tem 72 jogos e 10 gols pelo Milan.

Juventus Football Creed

Herói improvável: Sturaro saiu do banco para completar reação contra o Bayern e dar à Juve final digno de roteiro hollywoodiano (Foto: SkySports)
Se o técnico Massimiliano Allegri for um adepto dos vídeos motivacionais, é certo que o filme Creed: Nascido para lutar, sucesso mundial no último mês, fez parte das palestras que antecederam o duelo contra o Bayern de Munique, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Afinal, somente um grupo inspirado pela história do protagonista Adonis Creed para recriar a jornada do herói em apenas 90 minutos e levar a torcida juventina da descrença à esperança em tão pouco tempo. 

Assim como Creed - um boxeador amador que busca carreira de sucesso -, a Juve foi esmagada no primeiro ato, continuou apanhando no segundo, mas renasceu na parte final para sair de cabeça erguida e receber os aplausos dos fãs. O 2 a 2 no placar, após começar perdendo por 2 a 0, deixa o confronto aberto, ainda que com boa vantagem para os alemães, e mostra uma equipe cheia de personalidade e que não deixará a vaga escapar facilmente. 

Escalada no 4-4-2 para tentar segurar o Bayern de Guardiola, a Velha Senhora viu sua estratégia fracassar e mal tocou na bola na primeira etapa. Por cinco minutos, a posse dos visitantes bateu os 100%. Depois, caiu para números próximos de 80% e o goleiro Neuer continuou como mero espectador de luxo, sem ser exigido pelo ataque bianconero. Além disso, pela primeira vez na temporada, a boa zaga juventina concedeu ao adversário cinco chutes a gol em um único tempo. 

Assim sendo, até que demorou para que Buffon fosse vazado: só aos 43 minutos, Thomas Muller apareceu sozinho na marca do pênalti, após falha de marcação de Khedira, e fez 1 a 0. A pressão continuou no início do segundo tempo e o 2 a 0 saiu logo aos 10 minutos, em aula de contra-ataque iniciada por Thiago Alcântara e finalizada com a assinatua de Robben, com direito a corte para a esquerda e chute no canto. 

Nesse momento, porém, a Juve já demonstrava sinais de reação, com a boa entrada de Hernanes no lugar de Marchisio. O brasileiro desarmou muito e abriu espaços para a Velha Senhora sair jogando, se tornando peça fundamental para que o time da casa não entregasse os pontos e diminuísse a vantagem do adversário apenas oito minutos depois de sofrer o 2 a 0. Mandzukic, um dos melhores em campo, mostrou rapidez de raciocínio para aproveitar falha de marcação do improvisado Kimmich e deixar Dybala na cara para marcar seu primeiro gol na Liga dos Campeões. 

Pouco depois, foi a estrela de Allegri que brilhou. O treinador sacou Dybala e Khedira para dar lugar a Morata e Sturaro e as substituições não demoraram a fazer efeito. Aos 31 minutos, Morata recebeu boa bola de Mandzukic e tocou de cabeça para Sturaro, em nova falha de Kimmich, empurrar para as redes e igualar. Antes, Cuadrado e Pogba já tinham tido chances de empatar, dando grande prova de força. O que parecia que seria um massacre terminou com equilíbrio - a Juve chutou no alvo sete vezes, contra cinco do Bayern - e encheu de esperanças torcida e jogadores, que agora terão que esperar até 16 de março para o jogo de volta, na Allianz Arena, em Munique. 

Para Allegri, o sonho é possível, desde que o time parta na Alemanha de onde parou no segundo tempo na Itália. "Essa apresentação nos dá confiança. Agora, basta uma vitória para passarmos às quartas", disse o técnico em coletiva, pouco antes de posar a hashtag #iocicredo (eu acredito) em sua conta no Twitter. A notícia positiva para Allegri é que Chiellini e Alex Sandro já devem ter condições para a decisão do dia 16. Além disso, a boa atuação de Hernanes pode significar sua ressureição na Juve, o que pode dar boas opções para a equipe. O fator surpresa pode ser o que falta ao time de Turim para derrubar o mais forte na Alemanha e, aí sim, dar um final digno de Creed - ou Rocky, o pai da franquia - para essa história.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Jogadores: Matthias Sammer

Sammer passou apenas alguns meses em Milão antes de virar ídolo em Dortmund (The Gentleman Ultra)
Muita gente conhece Matthias Sammer como diretor esportivo do Bayern Munique avassalador dos últimos anos. Ou lembra do alemão no Borussia Dortmund, clube pelo qual ganhou títulos como treinador e jogador. O que pouca gente sabe é que o volante, que ficou conhecido como "O Barão Vermelho", teve uma curta passagem pelo futebol italiano, na Inter.

Sammer nasceu em Dresden, uma das principais cidades da Alemanha Oriental. Aos nove anos, o garoto deu seus primeiros passos no futebol nos juvenis do Dynamo Dresden, da sua cidade natal. Em 1985, ele foi lançado no time principal por seu pai, Klaus, que comandava os aurinegros. Em um dos mais importantes times da DDR, Sammer logo ganhou destaque à frente da defesa e, além de títulos nacionais no país comunista, começou a ser convocado para a seleção. Com a reunificação da Alemanha, foi contratado pelo Stuttgart, uma das equipes mais tradicionais do país – curiosamente, dois anos antes, o próprio VfB havia eliminado o Dynamo nas semifinais da Copa Uefa.

Logo no primeiro ano pelos Schwaben, Sammer marcou onze gols e ganhou suas primeiras convocações para a seleção alemã. Também fechou contrato com a Inter, por 9 bilhões de liras, mas só poderia se transferir uma temporada depois, como reforço da temporada 1992-93 – naquela época, os nerazzurri tinham três estrangeiros, limite permitido pela federação italiana. Assim, o Barão Vermelho continuou em Stuttgart e venceu a primeira Bundesliga pós-reunificação germânica pelo clube do Baden-Württemberg e foi vice-campeão europeu pela Alemanha antes de rumar para a Itália.

Um dos motivos que levaram Sammer à Inter foi a presença de seus colegas alemães, que lá jogavam. Nos anos 1980, a Beneamata havia se tornado o clube mais acolhedor para jogadores germânicos, como Karl-Heinz Rummenigge e Hansi Müller, além do trio formado por Lothar Matthäus, Andreas Brehme e Jürgen Klinsmann, que aportou no clube no fim da década e ganhou títulos. Os companheiros de Nationalmannschaft foram o obstáculo que impediu a chegada do Barão Vermelho em 1991, mas seriam eles (ao menos dois) que serviriam como primeiros pontos de referência para a adaptação do volante ao novo país.

Por um lado, o alemão, então com 25 anos, até achou bom não se mudar pouco depois de chegar a Stuttgart, pois ainda estava se adaptando ao estilo de vida capitalista. Por outro, ele acabou perdendo o bonde: em 1992, quando chegava a Appiano Gentile, o trio de compatriotas se transferia. Matthäus foi para o Bayern, Brehme para o Zaragoza e Klinsmann para o Monaco, e seus novos companheiros gringos seriam o russo Igor Shalimov, o uruguaio Rubén Sosa e o macedônio Darko Pancev – pois é, o imite de estrangeiros havia subido para quatro por equipe. O tiro saiu pela culatra e foi apenas o prelúdio de meses negativos vestindo nerazzurro.

Em campo, classe e segurança. Fora dele, dificuldade de adaptação (TMW)
O desencontro com o trio alemão diminuiu as possibilidades de rápida adaptação de Sammer à Serie A. Os colegas lhe ajudariam com o idioma, pois mesmo com um ano livre para poder aprender italiano, o jogador chegou em seu novo país sem falar uma palavra do idioma. Em um mês, o volante já estava cansado da nova vida, então o técnico Osvaldo Bagnoli decidiu facilitar a vida para o terceiro mais caro reforço da temporada.

O treinador adiantou Sammer no campo, transformando-o em regista para aproveitar sua qualidade de passe e posicionamento. O canhoto, com ótima técnica, se adaptou perfeitamente à posição, e chegava ao ataque com maestria – uma de suas características era aparecer bem na área para concluir. Envergando a camisa 10, distribuía passes e lançamentos com elegância, e fazia um trio interessante, com Sosa e Shalimov. O problema é que ele subia demais ao ataque e deixava o meio-campo desguarnecido: Sammer, que começou no futebol como atacante, não queria se limitar ao papel de regista, queria ser trequartista. Apesar de Bagnoli ficar irritado pela desobediência tática, o Barão Vermelho rendia em campo: em 11 jogos no primeiro turno, marcou quatro gols – contra Juventus, Napoli, Pescara e Roma.

Apesar de jogar bem, a adaptação era difícil. Sammer chegava ao centro de treinamentos de La Pinetina, fazia o seu trabalho, se banhava e voltava direto para casa, sem interagir com o restante do elenco. Em janeiro, o volante implorou para o presidente da Inter, Ernesto Pellegrini, aceitar a proposta do Borussia Dortmund e deixá-lo voltar a seu país. E assim foi: pelo valor que foi contratado, o volante foi negociado. Naquela temporada, os nerazzurri seriam vice-campeões italianos, com uma pequena ajuda de Sammer.

Em Dortmund, Sammer virou líbero e se tornou ídolo da Muralha Amarela. Ganhou mais Bundesligas, uma Liga dos Campeões e até a Bola de Ouro, em 1996 – foi o primeiro defensor a ganhar o prêmio em 20 anos, depois de Franz Beckenbauer. O Barão Vermelho também saiu vitorioso com a seleção, na Eurocopa do mesmo ano, e três anos depois precisou se aposentar, por causa de uma crônica lesão no joelho.

Após pendurar as chuteiras, Sammer fez bons trabalhos como técnico do Borussia Dortmund (foi vice-campeão da Copa Uefa e ganhou uma Bundesliga) e do Stuttgart. Em 2006, virou diretor da Federação Alemã de Futebol e ajudou no processo de crescimento do esporte em alto nível no país. Desde 2012, o Barão Vermelho trabalha como diretor esportivo do Bayern e vive bastante o ambiente do clube bávaro, com o qual conquistou uma Tríplice Coroa em 2013. Pena, para os interistas, que o classudo alemão não estendeu a sua passagem pela Itália e ganhou títulos por lá.

Matthias Sammer
Nascimento: 5 de setembro de 1967, em Dresden, Alemanha Oriental
Posição: volante e líbero
Clubes como jogador: Dynamo Dresden (1985-90), Stuttgart (1990-92), Inter (1992-93) e Borussia Dortmund (1993-99)
Títulos conquistados: Campeonato da Alemanha Oriental (1989 e 1990), Copa da Alemanha Oriental (1990), Bundesliga (1992, 1995 e 1996), US Cup (1993), Supercopa da Alemanha (1995 e 1996), Eurocopa (1996) e Liga dos Campeões (1997)
Carreira como treinador: Borussia Dortmund (2000-04) e Stuttgart (2004-05)
Títulos como treinador: Bundesliga (2002)
Seleção alemã: 51 jogos e 8 gols (mais 23 jogos e 6 gols pela Alemanha Oriental)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

26ª rodada: A calmaria que sucede a tempestade

Salah e Dzeko transformaram a tensão em festa no Olímpico (Getty)
Rodada bastante movimentada na Itália, nos bastidores e dentro de campo. Enquanto a Juventus tropeçou e o Napoli, que empatou com o Milan, não aproveitou a oportunidade para voltar à liderança, o clima esquentou em Roma. Totti disparou contra Spalletti e foi barrado do jogo contra o Palermo, mas a noite foi de festa graças às redenções de Dzeko e Salah. Arquibancadas movimentadas também em Milão, em uma noite de festejos para José Mourinho e reencontro da Inter com as vitórias. Genoa e Verona também voltaram a conquistar três pontos. Confira no resumo da rodada.

Roma 5-0 Palermo
Dzeko (Pjanic), Keita (Dzeko), Salah (Dzeko), Salah e Dzeko (Perotti)

Tops: Salah e Dzeko (Roma) | Flops: Struna e Vázquez (Palermo)

O Rei está de mau humor, mas o time mantém a boa fase. Com Totti em revolta contra Spalletti e um Olímpico inteiro lhe apoiando - e rendendo lágrimas do maior jogador da história do clube -, a Roma não teve piedade na volta de Iachini ao comando do Palermo: goleada implacável, que acabou deixando a impressão de que as rusgas entre técnico e capitão não afetaram o elenco. Depois do jogo, Spalletti disse que Totti voltaria a treinar com o grupo e que a situação já estava superada. O atacante de fato treinou nesta segunda, mas será que colocaram mesmo uma pedra sobre o assunto?

Fato é que, nesta 26ª rodada, a Roma finalmente contou com Salah e Dzeko, as apostas ofensivas do clube na temporada, que estão em má fase, mas responderam bem à necessidade com uma doppietta para cada um. Aos 28', tudo indicava mais uma partida ruim de Dzeko, que perdeu um dos gols mais incríveis deste milênio. Só que o bósnio deu a volta por cima em grande estilo, abrindo o placar dois minutos depois e sendo protagonista nos gols seguintes, de Keita e Salah. O egípcio ainda fez uma pintura pouco depois de ter feito o terceiro. Para fechar a conta, o camisa 9 completou cruzamento perfeito de Perotti com bela cabeçada, e deixou uma noite que começou tensa bastante feliz – sem contar com a volta de Strootman aos campos após um ano afastado. Uma Roma mortal contra um Palermo que não existe se Vázquez estiver em dia impreciso.

Napoli 1-1 Milan
Insigne (Ghoulam) | Bonaventura (Honda)

Tops: Koulibaly (Napoli) e Zapata (Milan) | Flops: Hamsík (Napoli) e Bacca (Milan)

Quanta diferença entre o Milan dos últimos jogos e o de outros momentos do campeonato e de temporadas anteriores. Este é um time muito competitivo, organizado e com apenas duas derrotas nos últimos 19 jogos, de outubro a fevereiro. Os jogadores de Mihajlovic não conseguiram ter o contra-ataque, com Bacca em dia ruim, mas congestionaram sua intermediária e pararam o melhor ataque do campeonato, contando com seu craque para garantir um ponto fora de casa, em rara falha de Koulibaly, um dos melhores zagueiros da Serie A. 

Por sua vez, oportunidade perdida do Napoli de voltar para a liderança. A equipe passou o jogo todo sem imprimir seu ritmo característico no último terço, ficando preso com a bola no meio de campo. Pouco jogo vertical, poucas bolas para Higuaín e, obviamente, muito pouco do time de Sarri, expulso mais uma vez por reclamação. A equipe azzurra segue com cenário complicado na próxima semana: pode ser o momento decisivo do time na temporada, já que está com a desvantagem contra o Villarreal na Liga Europa, apesar de ainda estar a apenas um ponto atrás da Juventus.

Bologna 0-0 Juventus
Tops: Diawara e Donsah (Bologna) | Flops: Zaza (Juventus)

Depois de 15 vitórias consecutivas, a sequência de triunfos da Juventus acabou, naquele que foi o primeiro tropeço do time de Allegri em 2016. Mais méritos de um enorme Bologna, organizado e competitivo desde que Donadoni chegou, acompanhado pelo trio Donsah, Diawara e Giaccherini, que mantêm os emilianos alertas nos jogos. No Renato Dall'Ara, vimos uma Juventus quase completa, poupando apenas Khedira, Cuadrado e Dybala – sendo que os últimos dois ainda entraram no segundo tempo –, mas pobre ofensivamente, liderada por um Pogba de alto ritmo, mas impreciso. Novamente, impressionante mesmo a partida de Diawara, classe 1997, contratado para a Primavera e um ano atrás reserva do San Marino na Lega Pro. A Velha Senhora continua na liderança e o Bologna vai se acomodando no meio da tabela.

Inter 3-1 Sampdoria
D'Ambrosio (Murillo), Miranda (Felipe Melo) e Icardi (Brozovic) | Quagliarella (Muriel)

Tops: Biabiany e D'Ambrosio (Inter) | Flops: Éder (Inter) e Ranocchia (Sampdoria)

De volta à vitória, mas não distante de problemas. Com direito a um ovacionado Mourinho e um insultado Ronaldo na tribuna, além de várias outras figuras históricas do clube, a Inter venceu a Sampdoria, mas sem jamais demonstrar capacidade para fazê-lo. Pelo contrário, o time de Montella e de vários ex-interistas foi superior, especialmente no primeiro tempo, mas também cedeu muito atrás, com erros defensivos que os anfitriões não perdoaram. Outra derrota para os dorianos, a 13ª em 26 partidas: momento delicado, em que mesmo jogando bem, o time se boicota mentalmente. De qualquer forma, são três pontos importantes para o time de Mancini, em rodada em que os adversários pela última vaga na Liga dos Campeões também venceram. No San Siro, a equipe respondeu aos cinco gols sofridos em bola parada nos últimos jogos com dois gols em bola aérea, marcados por D'Ambrosio e Miranda – sem contar o de Icardi, que aconteceu com bola rolando, em erro clamoroso de Fernando e Ranocchia. Parece que a concentração punitiva deu certo para a Beneamata.

Atalanta 2-3 Fiorentina
Conti (Pinilla) e Pinilla (Cigarini) | Matí Fernández (Tello), Tello, Kalinic (Borja Valero)

Tops: Tello e Mati Fernández (Fiorentina) | Flop: Babacar (Fiorentina)

Jogo dramático da Fiorentina, mas só para dar um pouco mais de emoção para os torcedores viola. No fim das contas, vitória fora de casa num campo complicado e Kalinic de volta às redes, além de ótimas partidas de Tello e Mati Fernández. O espanhol e o chileno foram protagonistas com gols e assistências sobre uma Atalanta sempre competitiva contra grandes, mas não o bastante para evitar a derrota. Com o resultado, os florentinos continuam na terceira posição, enquanto a Atalanta continua na metade de baixo da tabela.

Sassuolo 3-2 Empoli
Berardi (Cannavaro), Defrel (Sansone) e Defrel (Berardi) | Zielinski (Saponara) e Maccarone (pênalti)


Tops: Berardi e Defrel (Sassuolo) | Flop: Tonelli (Empoli)

Num dos jogos mais aguardados da rodada, pela proeza e desempenho dos times, os jovens talentos e treinadores - o que rendeu, inclusive, uma visita do diretor esportivo do Barcelona e ex-Milan, Ariedo Braida -, Sassuolo e Empoli fizeram uma partida emocionante, intensa e divertida. Mesmo que a arbitragem destemperada de Paolo Valeri tenha comprometido um pouco, com duas expulsões ainda no primeiro tempo, os times jamais abdicaram do ataque e mostraram bons exemplos de como jogar com um a menos, cada um dentro de estratégia e sistema diferentes. Melhor para os anfitriões, que saíram atrás do placar, mas aproveitaram a expulsão do líder Tonelli e marcaram três gols pouco depois: um no fim do primeiro tempo e dois logo após a volta do intervalo, sempre com o trio Berardi, Defrel e Sansone. Com a bola, os visitantes mantiveram a competitividade e ainda descontaram de pênalti, mas pararam por aí. O Sassuolo é o 7º colocado, com 38 pontos, e o Empoli é o 9º, com 34.

Verona 3-1 Chievo
Toni, Pazzini (Fares) e Ionita (Wszolek) | Pellissier (pênalti)

Tops: Ionita e Fares (Verona) | Flops: Birsa e Spolli (Chievo)

Depois de muita espera, enfim a dupla Toni e Pazzini garante pontos e, principalmente, vitórias para o Verona. Esta foi apenas a segunda vez que o clube veronês conquistou três pontos, mas aponta para uma tendência: a equipe tem a oitava melhor campanha no campeonato nos últimos seis jogos, e mostra poder de reação. Méritos para Delneri, que apesar de todos os problemas, deu um padrão e estratégia à equipe, confiando na dupla de ataque veterana e no bom momento de alguns jovens, como o goleiro Gollini, o lateral Fares, os meias Ionita e Marrone e o ponta Wszolek. E mais do que isso tudo, uma vitória contra o rival Chievo, estagnado no meio da tabela e em péssima fase. Faltando 12 rodadas, o Hellas tem sete pontos de desvantagem para o primeiro acima da zona de rebaixamento. Dá tempo?

Genoa 2-1 Udinese
Cerci (pênalti) e Laxalt | Adnan

Tops: Cerci (Genoa) e Karnezis (Udinese) | Flop: Zapata (Udinese)

Vitória pra dar um pouco de sossego para o time de Gasperini, mas nem tanto. Depois de cinco jogos sem vencer, os grifoni voltaram a conquistar três pontos e agora estão a cinco pontos da zona de rebaixamento. Claramente não deveria ser assim, especialmente depois de bom anos e boas contratações, mas mesmo jogando bem, os resultados não têm sido generosos com o clube genovês. Discurso diferente da Udinese, que jamais teve uma apresentação decente na temporada e vê o dono Pozzo pressionar o treinador Colantuono em pleno canal oficial do clube. A demissão não deve acontecer até maio, mas os friulanos precisam ficar atentos para o momento, que é de oito jogos seguidos sem vencer. Além da falta de organização, se vê um time que não mostra muita competitividade. Para completar o caos, o líder e veteraníssimo Di Natale perdeu pênalti decisivo aos 89 minutos.

Frosinone 0-0 Lazio
Tops: Ajeti (Frosinone) e Biglia (Lazio) | Flop: Mauri (Lazio)

Entre vitórias em casa e tropeços fora, sem qualquer regularidade - a não ser a sua própria instabilidade, que já se tornou comum de tão repetitiva -, a Lazio se vê cada vez mais longe da disputa por vaga europeia e talvez concentre suas forças mesmo para a Liga Europa. Ainda assim, isso não esconde o fracasso de uma temporada horrível depois do surpreendente desempenho em 2014-15. Contra o Frosinone, quase vizinho, os aquilotti novamente tiveram os domínios das ações, mas sem jamais levar real perigo, e também concedendo pouco na defesa. Um empate amargo que representa bem o ano laziale. O Frosinone continua vivo na briga contra o descenso.

Torino 0-0 Carpi
Top: Belec (Carpi) | Flop: Vives (Torino)

O Torino dos jovens talentos não cansa de decepcionar, o que coloca em xeque a permanência de Ventura, que tem feito trabalho extraordinário desde que assumiu o time em 2011 e é o treinador mais longevo da Serie A e da história do clube. Ainda assim, o presente não é bom para os granata, muito instáveis na temporada. A equipe nem sempre tira proveito do talento técnico e ofensivo dos seus jogadores - até por isso, Gasperini é especulado no clube para o próximo ano. Desde que retornou, Immobile tem deixado boa impressão e muitas vezes carrega o time para o ataque com sua liderança, mas nem sempre garante gols e vitórias para o Toro. Contra o catenaccio de Castori, ainda esbarrou em um Belec novamente decisivo, com grandes defesas, incluindo um pênalti cobrado por Maxi López.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 25ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.


Seleção da rodada
Belec (Carpi); D'Ambrosio (Inter), Miranda (Inter), Zapata (Milan), Fares (Verona); Mati Fernández (Fiorentina), Diawara (Bologna), Ionita (Verona); Berardi (Sassuolo), Dzeko (Roma), Salah (Roma). Técnico: Roberto Donadoni (Bologna).