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quinta-feira, 31 de março de 2016

Cristiano Lucarelli, um goleador com ideologia

Ídolo do Livorno, Lucarelli foi o jogador que mais representou a ideologia da torcida amaranto (Getty)
Por bem ou por mal, Cristiano Lucarelli é um dos personagens mais marcantes da Serie A moderna, mesmo depois de ter se aposentado. Matador, explosivo e polêmico, o ex-atacante chamava atenção pelo futebol que demonstrava em campo, mas também por ser uma personagem interessante. Ele passou por mais de uma dezena de clubes, mas se destacou mesmo no de sua cidade, o Livorno – pelo qual também torce desde moleque e que só foi defender mais perto do final da carreira, inclusive na primeira divisão. Lucarelli também ficou conhecido por seu ativismo político, que manifestou vestindo a camisa dos toscanos.

Se uma pessoa é de Livorno, há grandes chances de ela ser esquerdista, uma vez que a cidade foi palco da fundação do Partido Comunista Italiano, em 1921, e, desde então, só elegeu governos de esquerda e centro-esquerda. Com Lucarelli não é diferente: o atacante nasceu no seio de uma família de militantes do PCI, cujo pai era estivador no porto da cidade e atuava junto a sindicatos. Tanto Cristiano quanto seu irmão mais novo, o zagueiro Alessandro – que, atualmente, é capitão do Parma –, se tornaram jogadores com caráter e personalidade fortes, opiniões contundentes e líderes em campo e nos vestiários. Cristiano, em manifestações públicas, já se mostrou fã de Che Guevara, Antonio Gramsci e Lênin. Nunca foi de ter meias palavras.

Muitos comunistas poderiam alardear por aí que "futebol é o ópio do povo", mas Lucarelli (assim como Paolo Sollier, nos anos 1970) fez o caminho inverso e entrou de cabeça no mundo do esporte. A ligação do jogador com a equipe amaranto poderia ser grande pelo fato de ele ter nascido em Livorno, mesmo que, quando Lucarelli nasceu, a equipe (praticamente falida), atuasse na terceira divisão italiana e estivesse longe dos melhores dias, que datavam de antes da II Guerra Mundial. Logicamente, há mais motivos para a paixão do jogador ser tão intensa: a torcida do clube compartilha das mesmas crenças políticas que ele. Os labronici podem, facilmente, ser considerados uma espécie de St. Pauli da Itália e, nos jogos, a torcida, uma das poucas de esquerda da Bota, costuma cantar Bella Ciao, um hino antifascista.

O amor pelo Livorno é tão grande que o artilheiro também tatuou o escudo do clube em seu braço esquerdo. Mas não fica por aí: Lucarelli começou sua carreira profissional em 1992 e só atuou pelo time do coração em 2003, algo que não impediu que ele participasse da fundação de um grupo de ultràs amaranto, em 1999. O Brigate Autonome Livornesi, já extinto, tinha postura assumidamente esquerdista e foi homenageado pelo jogador quando ele assinou pelo clube, uma vez que sua camisa 99 simbolizava o ano de fundação da tifoseria. É muito raro que um jogador profissional de certo nível assuma posições fortes quanto essa, já que todos são profissionais e estão passíveis de mudarem de clube diversas vezes em uma carreira tão curta.

Por isso, é fácil de dizer que o posicionamento político do artilheiro certamente já lhe fechou portas em outros clubes, bem como na seleção. Sua breve história com a Nazionale – foram apenas seis jogos e três gols pela Squadra Azzurra, sem contar as seleções de base – carregou um problema antigo: nas Eliminatórias para a Euro sub-21, Lucarelli marcou contra a Moldávia, levantou sua camisa e, por baixo, mostrou um desenho com a face de Che Guevara nas cores do Livorno – detalhe: a partida acontecia no estádio Armando Picchi, de sua cidade natal. Resultado? Multa e exclusão do torneio.

Os irmãos Lucarelli e Igor Protti, outro ídolo da história do clube livornês (TMW)
Não é exagero dizer que o Livorno foi a seleção de Lucarelli, nos tempos em que viveu seu auge. O atacante chegou a seu time do coração apenas em 2003, quando optou por deixar de lado as chances de se firmar na Serie A e pediu ao Torino que aceitasse a proposta de empréstimo dos toscanos, que militavam na segundona – haviam voltado à Serie B em 2002, depois de mais de trinta anos penando entre a sexta e a terceira divisões.

A primeira temporada de Lucarelli no Armando Picchi foi fantástica: o Panzer anotou 29 gols em 41 jogos e foi vice-artilheiro do torneio com um a menos que Luca Toni, do Palermo. Eram gols de todos os jeitos, pois Lucarelli era um atacante muito eficiente: cabeceava bem, usava a força a seu favor e, ao contrário do que seu porte físico possa sugerir (1,88m e 83 kg), era um atacante muito ágil, especialista em gols acrobáticos. Além de finalizar bem de dentro da área, ele era ótimo cobrador de faltas – batia forte e colocado – e também ajudava Igor Protti, maior artilheiro da história do Livorno, a marcar seus gols – foram 22 naquela Serie B.

Com todos os gols e esse repertório, o comunista ajudou o Livorno, treinado por Walter Mazzarri, a concluir o campeonato na terceira posição, garantindo a volta à elite após 55 anos. Quando criança, Lucagol sonhava marcar gols contra o Pisa, maior rival do clube e, assim, levar o time à primeira divisão. De alguma forma, tinha conseguido.

As excelentes partidas pelo time labronico fizeram com que o Torino quisesse contar com o atacante de novo, nem que isso significasse abrir a carteira e cobrir o direito de compra em definitivo que os livorneses tinham. Os granata ofereceram 4 bilhões de velhas liras ao Livorno e 1 bi para Lucarelli. O atacante não quis nem ouvir: rejeitou a proposta pois queria permanecer no seu time do coração na disputa para a Serie A, mesmo ganhando apenas metade daquele valor. Por causa disso, ganhou o apelido de "Mister Miliardo" – ou "Senhor Bilhão".

O jogador chegou à Serie A na companhia do seu irmão, contratado pelo Livorno, e com o moral redimido: na elite, tinha atuado bem apenas pelo Lecce, em duas temporadas, e tido passagens apenas regulares por Atalanta e Torino, sem falar no fracasso no Valencia, da Espanha. Apesar de tudo, Lucarelli conseguiu melhorar sua reputação: foi o grande destaque na boa campanha do time toscano, que acabou na 10ª posição, e também se sagrou artilheiro da Serie A, com 24 gols. Lucagol comemorava sempre com o punho direito alçado, mas deixou a comemoração de lado quando polêmicas começaram a relacioná-la ao saluto romano de Paolo Di Canio. "Não queria mais ouvir esse tipo de coisa", declarou.

No ano seguinte, os labronici – que foram treinados primeiro por Roberto Donadoni e depois por Carlo Mazzone – concluíram a Serie A na 9ª posição, mas os vereditos do Calciopoli lhe levaram à 6ª posição e uma inédita participação na Copa Uefa. Mister Bilhão foi o grande responsável por tudo: fez 19 dos 37 gols livorneses no torneio.

Nos dois anos que antecederam à Copa do Mundo da Alemanha, Lucarelli só ficou atrás de Toni como italiano que mais gols anotou – superou Pippo Inzaghi, Alberto Gilardino e Vincenzo Iaquinta. Porém, o técnico Marcello Lippi optou pelos quatro anteriores, e só convocou o livornês para dois amistosos, em 2005. Lucarelli só voltaria a ser chamado outras quatro vezes por Donadoni, entre 2006 e 2007. Até hoje, o atacante é um dos seis jogadores do Livorno a terem vestido a camisa azzurra.

Em 2006-07, Lucarelli fez mais um campeonato praticamente impecável: fez 20 dos 41 gols da equipe, mas entrou em rota de colisão com o polêmico presidente Aldo Spinelli. O atacante discutiu com o cartola porque havia sido contrário à demissão do treinador Daniele Arrigoni e chegou a admitir publicamente que deixaria o clube ao final da temporada.

Depois de insistência da torcida, Cristiano dissera que decidiria o seu futuro após o campeonato acabar e foi especulado por Fiorentina e Roma. O jogador declarou que ficaria no Livorno, mas recebeu uma proposta do Shakhtar Donetsk: prestes a fazer 32 anos, ganharia 3 milhões de euros anuais, enquanto ao Livorno foram destinados 8 milhões de euros. Negócio fechado e o atacante, que trocara um bilhão por jogar com a camisa amaranto, dessa vez renunciou à paixão, rumou à Ucrânia (ex-república soviética, vale dizer) e desapontou uma parte da torcida. Anos antes, Lucarelli declarara que deixar o Livorno seria "um trauma, seria como me separar da minha esposa".

Lucagol teve passagem de altos e baixos pelo Torino (Getty)
O antes, o depois e o retorno do filho pródigo
Lucarelli teve um início de carreira interessante na Serie B antes de fazer sucesso com a camisa do Livorno. Emprestado pelo Perugia ao Cosenza, fez 15 gols na segundona e chegou a ser convocado para a Olimpíada de Atlanta, em 1996, sendo titular da Itália, aos 20 anos. Passou ao Padova, guardou 14 gols na segunda divisão de 1996-97 e fazia parte da seleção sub-21 italiana, até que mostrou a camisa de Che Guevara aos companheiros livorneses e foi suspenso.

O bomber passou à Atalanta, e marcou apenas cinco gols na campanha que culminou no rebaixamento dos nerazzurri. Mesmo assim, chamou a atenção de Claudio Ranieri, que treinava o Valencia, e foi contratado. Na Espanha, porém, só jogou 19 vezes e uma lesão o afastou dos gramados por um longo tempo.

Lucarelli voltou à Itália e reforçou o modesto Lecce, se tornando o destaque da equipe em duas campanhas de permanência na Serie A sem grandes dificuldades: marcou 27 gols em 59 jogos, marca que o levou a uma passagem de dois anos pelo Torino. Pelo time grená, teve uma primeira temporada positiva, com nove gols marcados; um deles em um emocionante dérbi contra a Juventus: a Velha Senhora vencia por 3 a 0, mas o Toro buscou o empate.

Os quatro anos em Livorno pareciam indicar que o Panzer terminaria a carreira com a camisa do seu time de coração, pela paixão pelos amaranto e pelo fato de ser o maior período que Lucarelli jogava em uma única equipe. A ida para o Shakhtar Donetsk frustrou estes planos, e foi um verdadeiro embuste: seis meses depois, sem conseguir se adaptar, o italiano voltava a seu país, contratado pelo Parma por cerca de 6 milhões de euros.

A passagem por Parma não foi das melhores. Logo nos primeiros meses, a equipe crociata foi rebaixada para a Serie B, mas Lucagol decidiu ficar e acabou ganhando a companhia de seu irmão, Alessandro, que foi contratado. O Lucarelli mais novo segue lá até hoje, oito anos depois, herdando a faixa de capitão utilizada por Cristiano.

Último clube da carreira do toscano foi o Napoli, no qual atuou muito pouco (Starmedia)
Depois de fazer 12 gols e ajudar o Parma de Francesco Guidolin à voltar para a elite, acabou acertando seu retorno ao Livorno, reconciliando-se com sua "esposa". A equipe toscana, que também disputara a Serie B e garantira o acesso, o contratou por empréstimo e logo lhe cedeu a camisa 99 outra vez. 

O Panzer fez dupla com o experiente Francesco Tavano, mas o elenco amaranto era muito mais fraco que o anterior. Apesar de Lucagol ter anotado 10 tentos, a queda era inevitável e os livorneses amargaram a lanterna da competição. Ao fim de tudo, Cristiano se estabeleceu como o segundo maior artilheiro da história labronica, com 111 gols, somente atrás de Protti, que fez 140. A média de Lucarelli é incrível: 0,6 gol por jogo.

A fama de goleador que o atacante construiu ao longo de sua carreira não se fez valer em seus dois últimos anos de atividade. Se a média de gols em Livorno era de cerca de um gol a cada dois jogos, no Napoli foi muito diferente. O bomber foi um pedido de Mazzarri, que o desejava como reserva de Édinson Cavani, mas Lucarelli só jogou 14 vezes e anotou um tento em dois anos. Uma lesão no ligamento cruzados do joelho e a pouca utilização abreviaram a carreira do atacante, que decidiu se aposentar em 2012. Preferiu não forçar a barra e retornar ao Livorno, sem chamar tanta atenção para sua saída de cena.

Logo que pendurou as chuteiras, Lucarelli começou a carreira como treinador: com quase 37 anos, assumiu a equipe sub-17 do Parma e conquistou o campeonato nacional e a Supercopa da categoria. Em 2013 o ex-atacante teve uma passagem curtíssima pelo Perugia, mas logo voltou à sua Toscana, onde treinou três times na terceira divisão: Viareggio, Pistoiese e Tuttocuoio, seu time atual. Com o Livorno prestes a ser rebaixado para a Lega Pro, não é impossível imaginar que o mais nobre torcedor labronico engate mais um casamento com o clube.

Cristiano Lucarelli

Nascimento: 4 de outubro de 1975, em Livorno, Itália
Posição: atacante
Clubes como jogador: Cuoiopelli (1992-93), Perugia (1993-95), Cosenza (1995-96), Padova (1996-97), Atalanta (1997-98), Valencia (1998-99), Lecce (1999-2001), Torino (2001-03), Livorno (2003-07 e 2009-10), Shakhtar Donetsk (2007-08), Parma (2008-09) e Napoli (2010-12)
Títulos como jogador: Coppa Italia (2012), Copa do Rei (1999), Copa Intertoto (1998), Serie C1 (1994) e Jogos do Mediterrâneo (1997)
Clubes como técnico: Perugia (2013), Viareggio (2013-14), Pistoiese (2014-15) e Tuttocuoio (2015-hoje)
Seleção italiana: 6 jogos e 3 gols

quarta-feira, 30 de março de 2016

Para sentar e refletir

Derrota impactante para a Alemanha deixa Itália pensativa às vésperas da Euro (Getty)
À primeira vista, o placar pode assustar. Afinal, não é todo dia que a Itália leva quatro gols, ainda mais para a freguesa Alemanha, que pela primeira vez marcou um poker na Nazionale e não vencia no duelo de multicampeãs mundiais desde 1995. Apesar ter sido um amistoso e de a Squadra Azzurra estar com vários reservas, foi uma dura derrota para o time de Conte, que empolgou contra a Espanha, mas voltou com a letargia dos amistosos e deixou o bom ritmo em Údine. Era um jogo para testes, mas quem entrou em campo pensando em garantir uma vaga na Euro 2016 não deixou boa impressão.

Até o gol de Kroos aos 24 minutos, a partida era parelha, quase um jogo de compadres, com ambos se poupando fisicamente. Então, depois de cruzamento mal cortado por Bonucci e falta de cobertura na frente da área, o meio-campista do Real Madrid abriu o placar com chute colocado de fora da área. Isso não só colocou a Alemanha na frente, como marcou o ponto em que a Nationalmannschaft passou a controlar o jogo.

Sem a mesma pegada de quinta-feira, a Itália marcou baixo, pressionando muito pouco e não conseguia recuperar a bola em melhor situação, contra-atacando muito pouco com Bernardeschi e Insigne, ambos sem objetividade – assim como um Zaza, quase inexistente. Löw espelhou o 3-4-3 italiano e também bloqueou Florenzi e Giaccherini, destaques na última partida, que ainda sofreram defensivamente. Os gols saíram em falhas dos alas e mal posicionamento dos zagueiros e volantes.

Enquanto Bonucci teve vida dura contra Götze e Müller, Thiago Motta não acompanhou a agilidade alemã ao lado de Montolivo, meio-campista de características similares às suas: lento, de pausa e pouco ritmo. Assim, os donos da casa trocavam passes com certa facilidade no campo ofensivo e conseguiam atacar rápido, após roubos de bola na sua intermediária ou no meio de campo.

Fora uma chance clara com Montolivo, o time de Conte não teve reação até as várias substituições, que aconteceram após o terceiro gol – foi aí que, finalmente, a equipe azzurra conseguiu chutar no gol e ter um pouco da posse de bola. Antes, aos 44, Götze aproveitou erro coletivo dos defensores – Acerbi, Darmian e Florenzi – e anotou, de cabeça, depois de um cruzamento de Müller. Aos 59, contra-ataque alemão, bela tabela entre Draxler e Götze e passe do meia-atacante do Wolfsburg para Hector, novamente com a entrada da área vazia, fazer o terceiro.

Os visitantes reagiram depois, mas a Alemanha ainda fez o quarto, quando Rudy recebeu passe longo, aproveitou falha de Giaccherini e foi derrubado por Buffon, em lance que deveria até causar a expulsão do capitão e goleiro também da Juventus. Özil superou o camisa 1 na cobrança de pênalti, aos 75, enquanto El Shaarawy, que entrou bem, descontou aos 83, após pivô de Okaka e desvio fatal de Rüdiger.

Em entrevista à Rai, Conte destacou a importância de realizar testes na penúltima data Fifa antes da Euro – uma vez que o comandante declarou que já tem 16 nomes certos para sua convocação final. O ex-treinador da Juventus também afirmou que o ítalo-brasileiro Jorginho (único que não foi utilizado nos amistosos desta semana) só não entrou em campo por causa da lesão de Bonucci, acontecida no terceiro gol germânico.

Conte ainda falou o óbvio: "Enfrentando espanhóis e alemães nos encontramos melhor e entendemos melhor a diferença que nos separam das melhores seleções. Há uma lacuna a ser preenchida contra algumas delas, já sabíamos disso". Quando o jogo vale algo de verdade, a Itália costuma se apresentar melhor. Será suficiente, diante de um grupo complicado, com Bélgica, Suécia e Irlanda?
Alemanha 4-1 Itália
Kroos, Götze, Hector e Özil (pênalti) | El Shaarawy

Top: El Shaarawy | Flops: Florenzi, Giaccherini e Zaza

Alemanha (3-4-3): Ter Stegen; Rüdiger, Mustafi, Hummels; Rudy, Özil, Kroos (Kramer 90'), Hector (Ginter 85'); Müller (Can 69'), Götze (Reus 61'), Draxler (Volland 85'). Treinador: Joachim Löw.

Itália (3-4-3): Buffon; Darmian, Bonucci (Ranocchia 61'), Acerbi; Florenzi (De Silvestri 62'), Montolivo, Thiago Motta (Parolo 68'), Giaccherini (El Shaarawy 69'); Bernardeschi, Zaza (Antonelli 78'), Insigne (Okaka 68'). Treinador: Antonio Conte.

Árbitro: Oliver Drachta (Áustria)

terça-feira, 29 de março de 2016

Brasileiros no Calcio: Juary

"Menino da Vila", Juary marcou uma geração no Santos e atuou por quatro clubes na Serie A (Avellino Calcio)
Ao longo da história, as divisões de base do Santos produziram gerações de grandes craques – nomes como o Rei Pelé, Coutinho, Pepe, Diego, Robinho e Neymar. Um dos melhores produtos da Vila Belmiro foi o atacante Juary, que começou a carreira no fim da década de 1970 e em poucos anos como profissional chegou ao futebol italiano. Na Bota, o jogador atuou por quatro equipes e ficou conhecido pela velocidade e pela típica comemoração de gols bailando com a bandeirinha de escanteio.

Nascido no interior do Rio de Janeiro, Juary chegou cedo ao Santos. Aprovado em um teste aos 14 anos de idade, começou a morar no alojamento das categorias de base até receber as primeiras chances no time principal, em 1977, época em que o time não vivia bom momento financeiro e não tinha mais Pelé.

Depois de brilhar no Paulista, Juary apareceu ainda mais na final da Taça Governo do Estado de São Paulo, contra o Atlético de Madrid: aproveitou um vacilo do mito Luís Pereira para marcar um dos gols da partida, vencida pelos espanhóis. O atacante foi o principal nome da primeira geração dos "Meninos da Vila", que ficou com o título estadual em 1978. Depois disso, Juary foi vendido para o Universidad de Guadalajara, do México, e até foi convocado para representar a Seleção na Copa América de 1979. Foi só em 1980 que a Itália cruzou seu destino.

Naquele ano a Itália reabria as fronteiras para a contratação de jogadores estrangeiros, após mais de uma década de proibição estabelecida pela Federação Italiana de Futebol. O ambicioso Avellino, que estreara na Serie A dois anos antes, apostou as fichas no atacante de apenas 21 anos e, dessa forma, Juary foi um dos primeiros brasileiros na Itália após a mudança feita pela FIGC – os outros foram Enéas (Bologna), Luís Sílvio (Pistoiese) e Paulo Roberto Falcão (Roma).

As primeiras horas de Juary na Campânia foram curiosas. Quando chegou para treinar, o presidente do clube, Antonio Sibilia, chamou o jogador e o técnico, o também brasileiro Luís Vinício para uma conversa. E foi bem direto, falando com o treinador em um italiano com forte sotaque campano: "Tem certeza que ele é jogador? É pequenininho, não consegue jogar... Paguei 800 mil dólares por ele? Se em três meses ele não jogar, mando você e ele embora!", disse o cartola, passando a papelada para que Juary, de 1,69m e físico franzino, assinasse.

Sibilia se convenceu do potencial do Menino da Vila logo em sua estreia: na Coppa Italia, 4 a 1 contra o Catania e um gol do brasileiro. O dirigente aprontou uma para Juary pouco depois: sem que ele soubesse, o levou a uma audiência judicial para que conhecesse Raffaele Cutolo, chefe da Camorra. Sibilia pediu que o jogador o presenteasse com uma medalha.

Juary chegou a atuar na Inter; na foto está com Dirceu, do Verona (Primo Luglio 2004)
Em dois anos pelo clube biancoverde, Juary logo se tornou o xodó da torcida do estádio Partenio, por causa de sua personalidade solar e expansiva, além do seu estilo de jogo, perfeito para um time que atuava no contra-ataque e que brigava para não cair. O atacante ficou famoso por sua comemoração típica de gols, na qual corria até a bandeirinha de escanteio e fazia três giros com velocidade.

No primeiro ano na Itália, o brasileiro marcou cinco gols na campanha da sofrida salvezza dos irpini, que chegou na última rodada: cinco times ficaram empatados com 25 pontos, mas pelo confronto direto o Avellino escapou. Foi um ano bem difícil para o time, que começou a Serie A penalizado em cinco pontos por causa do escândalo Totonero, e também para a região, que foi atingida por um terremoto de 6,9 graus na escala Richter – mais de 280 mil pessoas ficaram desabrigadas, cerca de 9 mil se feriram e quase 3 mil morreram.

Após a superação em 1980-81, a temporada seguinte foi um pouco mais tranquila para o Avellino. A Serie A foi muito disputada na metade de baixo da tabela, e os irpini, que ficaram na 8ª posição, se salvaram por apenas três pontos. O artilheiro do time nesta campanha foi Juary, que anotou oito gols – um contra Roma, outro contra o Napoli e dois contra o Milan, que acabou rebaixado.

O sucesso de Juary o levou a ser contratado pela Inter, em 1983. A Beneamata tinha o interesse de usá-lo como moeda de troca para chegar ao atacante austríaco Walter Schachner, do Cesena, mas as negociações não avançaram. Então o brasileiro acabou ficando, e fez parte de uma Inter sólida defensivamente (a defesa menos vazada em 1982-83), mas que tinha problemas no vestiário, como as brigas entre os meias Evaristo Beccalossi e Hansi Müller. Juary fez alguns bons jogos e ensaiou boa dupla com o artilheiro Alessandro Altobelli, atuando ao todo em 36 partidas e marcando quatro gols.

Brasileiro vestiu a camisa da Cremonese, uma das mais exóticas do futebol mundial (Sangue Grigiorosso)
O Menino da Vila ficou só um ano em Milão e acabou deixando o clube para as chegadas de Ludo Coeck e Aldo Serena. Juary foi negociado por empréstimo com o Ascoli e também ficou apenas uma temporada no Marche, em uma campanha em que os bianconeri ficaram com a 10ª posição. Juary anotou 10 gols neste ano e começou logo fazendo dois contra o Avellino, sua antiga equipe.

Em 1984-85, Juary mudou de equipe de novo e, novamente emprestado pela Beneamata, voltou a vestir uma camisa de cores alternativas para o futebol italiano: após o alviverde Avellino (poucos times usam o verde na Bota), ele acertou com o Cremonese, que tem o vermelho e o cinza como cores sociais. A experiência pelos grigiorossi não foi das melhores e o brasileiro não conseguiu jogar muito bem pela equipe treinada por Emiliano Mondonico. Ele e o zagueiro polonês Wladyslaw Zmuda foram contratados para serem as estrelas do time, mas acabaram amargando o rebaixamento.

Quando parecia que não teria mais grande futuro no futebol, Juary acabou voltando para a Inter e foi vendido para o Porto – clube em que encontraria outros brasileiros que jogariam na Itália, como o meia Elói (Genoa) e o atacante Casagrande (Ascoli e Torino). Em três anos pelos Dragões, o brasileiro ganhou cinco títulos e chegou ao ponto máximo da carreira, levantando as taças de campeão europeu e mundial. Na campanha do título portista na Copa dos Campeões em 1987 ele foi fundamental: saiu do banco, recebeu passe de Rabah Madjer, e anotou um dos gols da decisão contra o Bayern Munique, vencida por 2 a 1.

Aos 29 anos, Juary entrou na reta final da sua trajetória como jogador e começou a perambular por várias equipes. Passou pela Portuguesa e pelo Boavista, de Portugal, e também teve um retorno sem grande sucesso ao Santos. Para encerrar a carreira, o atacante fluminense jogou também no Maranhão, pelo Moto Club, e no Espírito Santo, pelo Vitória.

Após pendurar as chuteiras, Juary continuou ligado ao Avellino, time que lhe deu a primeira oportunidade na Itália. Ele virou comentarista para jornais e TVs do sul do Belpaese e, frequentemente, dá seus pitacos sobre os irpini. Quando o Avellino voltou para a Serie B, ele prometeu fazer a sua dancinha de comemoração em um programa de auditório e cumpriu ao vivo, mesmo já tendo alguma idade.

Aposentado, o ex-jogador se dedicou a ensinar garotos em escolinhas no Brasil e na Itália, além de também estar integrado a divisões de base de times como Santos, Avellino, Potenza, Napoli e Porto. Em 2009, Juary iniciou a carreira como treinador em times da sexta divisão italiana, e chegou a ser campeão do campeonato regional da Ligúria em 2012, pelo pequeno Sestri Levante. Atualmente, o Menino da Vila voltou às suas origens e trabalha como avaliador da base santista.

Veja, abaixo, todos os gols de Juary na Itália.



Juary Jorge dos Santos Filho
Nascimento: 16 de junho de 1959, em São João de Meriti (RJ)
Posição: atacante
Clubes como jogador: Santos (1976-79 e 1989-90), Universidad de Guadalajara (1979-80), Avellino (1980-82), Inter (1982-83), Ascoli (1983-84), Cremonese (1984-85), Porto (1985-88), Portuguesa (1988-89), Boavista (1989), Moto Club (1990-91) e Vitória-ES (1991-92)
Títulos como jogador: Mundial Interclubes (1987), Copa dos Campeões (1987), Supercopa Uefa (1987), Campeonato Português (1986), Copa de Portugal (1987) e Campeonato Paulista (1978)
Clubes como técnico: Banzi (2009), Aversa Normanna (2009-10) e Sestri Levante (2010-13)
Títulos como técnico: Eccellenza Liguria (2011-12)
Seleção brasileira: 2 jogos

segunda-feira, 28 de março de 2016

Pequenos milagres: Um Ascoli mau como o pica-pau

Em 1978-79, o Ascoli conseguiu ser 4º colocado na Serie A (Solo per L'Ascoli)
Um dos times mais antigos da Itália, o Ascoli era praticamente uma equipe amadora até a década de 1960. Fundado em 1898, o clube do centro da Bota alcançou a Serie C depois da presidência do empresário cultural e filantropo Cino Del Duca, mas foi com outro cartola que atingiu seu ápice: Costantino Rozzi, que ficou no controle dos bianconeri de 1968 até 1994, ganhando a alcunha de "Presidentissimo". Sem exageros, a história do Ascoli se confunde com a de seu folclórico dirigente.

Rozzi era engenheiro civil e foi o responsável pela construção do estádio dos marchegiani, o Cino e Lillo Del Duca – além de ter realizado as obras dos estádios de Lecce, Avellino, Benevento e Campobasso. Em 1968, foi exatamente das mãos da família Del Duca que o empresário comprou o Ascoli, primeiramente com a intenção de apenas ficar alguns meses, saneando as contas do clube, juntamente com outros empresários. Porém, ele acabou se apaixonando por futebol e levou os bianconeri a seus anos de ouro, que duraram cerca de duas décadas.

Tão logo chegou, Rozzi precisou enfrentar trocas no comando técnico da equipe. Por três vezes, então, o zagueiro Carlo Mazzone, com nove anos de casa, assumiu o posto de treinador – sem abandonar a defesa. A partir de 1970, Sor Carletto passou a construir uma nova história: de chuteiras penduradas, assumiu o time de forma definitiva e, com seu estilo sanguíneo, levou o Ascoli da Serie C para a Serie A em apenas três temporadas.

>>> Veja outros milagres: as façanhas de Foggia e Avellino na Serie A

Foi a primeira vez que um clube da região das Marcas (ou Marche, em italiano) chegou à primeira divisão e, por isso, o Ascoli recebeu o apelido de "Rainha das Marcas". De fato, o time ascolano é o mais identificado com a região e seu antigo escudo, utilizado durante a gestão de Rozzi, era uma alusão ao símbolo de Ascoli Piceno, o pica-pau (que também é o apelido do clube), e ao brasão das Marcas: tinha as cores branca, preta e verde e um pica-pau estilizado – veja o escudo do Ascoli aqui e a bandeira marchegiana aqui. Com o passar dos anos, o Ascoli se tornou não apenas o principal time das Marcas como também um dos principais times da região central da Itália.

O supersticioso presidente Rozzi sempre usava meias vermelhas para dar sorte (Ascoli Forever)
Quando a Rainha das Marcas se tornou tricolor e brilhou na elite
A ascensão para a elite fez com que o Presidentissimo ampliasse a capacidade do estádio Del Duca para incríveis 36 mil lugares – reduzida com o passar dos anos até chegar aos 20,5 mil atuais. Na estreia do time na Serie A, na temporada 1974-95, o Ascoli se destacou por ser um time que jogava sem ter a menor vergonha de se defender, com consciência de que era mesmo um time pequeno.

O técnico Mazzone sabia muito dar a característica lutadora para o time: foram apenas 14 gols marcados em 30 jogos, mas a defesa, com 27 gols sofridos, ficou entre as melhores do campeonato, com destaque para o trio Eugenio Perico, Mario Collautti e Francesco Scorsa. Depois de salvar a equipe do rebaixamento, o treinador romano foi contratado pela Fiorentina, e, órfão do competente comandante, o Ascoli acabou rebaixado na temporada seguinte.

Apesar da queda, àquela altura, a Itália já simpatizava com o Ascoli, e muito por causa de Costantino Rozzi. O presidente era figura carimbada em dois programas da Rai, La Domenica Sportiva e Il Processo di Lunedì, e era reconhecido por sua franqueza, bom humor e jeito popular, que o fariam um dos ícones do futebol dos anos 1980 – ao lado de outros presidentes de clubes provincianos, como Romeo Anconetani (Pisa), Angelo Massimino (Catania) e Antonio Sibilia (Avellino). Rozzi também não passava despercebido pela sua marca registrada: usava meias vermelhas para dar sorte. Durante seus anos de presidência, a braçadeira dos capitães bianconeri também eram vermelhas – a equipe se tornou praticamente tricolor.

Dois anos depois de serem rebaixados pela primeira vez, os ascolanos retornaram à Serie A ao faturarem o título da segundona. Mimmo Renna treinava o time e e conseguiu fazê-lo permanecer na elite com uma honrosa 10ª posição em 1978-79, mas foi convidado para comandar o Bari, o que obrigou o presidente Rozzi a ir ao mercado atrás de um novo técnico. Dessa forma, o dirigente fechou com Giovan Battista Fabbri, mais conhecido como Gibì Fabbri, que havia conseguido levar o Lanerossi Vicenza ao vice-campeonato italiano em 1977-78 e ganhado o prêmio de melhor técnico daquele ano.

Rozzi não se arrependeu: logo em sua estreia, Fabbri conseguiu levar o Ascoli a sua melhor temporada em toda a história. Por causa de um ponto, o time não se classificou para a Copa Uefa: terminou com a quinta posição em campo – quarta após o veredito do Totonero, já que o Milan, terceiro colocado, foi rebaixado por ilícito esportivo. Ao final de 1979-80, os bianconeri ainda foram disputar um torneio amistoso no Canadá, a Red Leaf Cup, e venceram Botafogo, Nancy (França) e Rangers (Escócia), faturando seu primeiro torneio internacional.

Um dos motivos para a boa campanha do Picchio ("pica-pau", em italiano) em 1979-80 é que a equipe já tinha uma base formada. A defesa tinha Scorsa e Perico, que já jogavam juntos há tempos, e desde o ano anterior tinha o reforço de Angiolino Gasparini, ex-Verona e Inter. No meio-campo, o capitão era Adelio Moro – também ex-Hellas e Beneamata –, que estava no clube desde 1976 e fazia boa parceria com Gianfranco Bellotto e Carlo Trevisanello. No ataque, um nome de luxo: em fim de carreira, o atacante Pietro Anastasi, ex-Juventus e Inter, além de campeão europeu pela seleção italiana, era a referência, apesar de não ter feito tantos gols. Essa era a espinha dorsal de um time histórico.

Moro, que passou por Inter e Milan, foi capitão da equipe nos anos 1970 e 1980 (Ascoli Forever)
O restante dos anos de ouro
Rozzi ficou mais exigente depois da temporada brilhante do Ascoli e, na 12ª rodada do campeonato seguinte, o 1980-81, o Presidentissimo não se deixou guiar por gratidão: decidiu pela demissão de Gibì Fabbri, depois de oito derrotas da equipe, trazendo Mazzone de volta para salvar a equipe do rebaixamento. O agitado treinador conseguiu fazer a equipe se recuperar na competição e, para completar, ainda levou o Picchio a mais um título.

Devido à participação da Itália no Mundialito de seleções, a Federação Italiana de Futebol organizou o Torneio de Capodanno, disputado pelas 16 equipes da Serie A. O Ascoli superou a fase de grupos, a semifinal (contra a Fiorentina) e bateu na final a poderosa Juventus, que tinha Dino Zoff, Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini, Marco Tardelli, Roberto Bettega e Liam Brady.

Com Mazzone no comando, o Ascoli ficou na Serie A até 1984-85, tendo maior destaque em 1981-82, ano em que teve os reforços do zagueiro Andrea Mandorlini e dos meias Giuseppe Greco e Walter De Vecchi. Juntamente com boa parte da base do time quarto colocado dois anos antes, os novos contratados ajudaram o Picchio a alcançarem a sexta posição, novamente bem perto da Copa Uefa.

Parte dos últimos bons momentos da história do clube foram com Casagrande em campo (Ascoli Forever)
O declínio ascolano e o legado do Presidentissimo
Em 1984-85, o Ascoli foi rebaixado: Mazzone foi demitido com o campeonato em andamento e foi substituído pelo iugoslavo Vujadin Boskov. Ele não conseguiu evitar a queda, mas foi campeão da Serie B logo no ano seguinte, o que lhe valeu a contratação pela Sampdoria, com a qual conquistaria o scudetto em 1991. Já com Ilario Castagner no comando, no ano seguinte, o Ascoli faturou a Copa Mitropa – competição europeia com os vencedores das segundonas de alguns países.

Nos anos seguintes, o maior destaque do Picchio foi o brasileiro Casagrande, que foi contratado em 1987 e ficou nas Marcas por quatro temporadas - três delas na Serie A. Casão marcou 38 gols com a camisa do clube, se tornando um dos maior goleadores do clube e o artilheiro ascolano em jogos da Serie A, com 16 tentos – juntamente com Beppe Greco. Apesar do sucesso do atacante, o Ascoli alternava entre a primeira e a segunda divisões, e nunca mais chegou a brigar na parte alta da tabela.

Rozzi dirigiu o Ascoli até dezembro de 1994, quando morreu, aos 65 anos, por complicações de um câncer de estômago. Cerca de 20 mil pessoas compareceram ao funeral do Presidentissimo, um belo gesto de gratidão para o homem que elevou o Picchio a outro patamar. Nos anos da presidência do folclórico cartola, o time de Ascoli Piceno conseguiu quatro acessos à elite e participou de 14 edições da Serie A – quase todas em sua longa história.

O estádio Del Duca ficou conhecido como um campo difícil para os grandes italianos, visto que o Ascoli bateu Juventus, Inter, Milan e Roma. Nas duas décadas de sucesso dos bianconeri, Rozzi levou às Marcas jogadores do calibre de Adelio Moro, Pietro Anastasi, Juary, Dirceu, Andrea Mandorlini, Walter Novellino, Liam Brady, Andrea Pazzagli, Bruno Giordano, Casagrande, Pedro Troglio, Silvano Fontolan e Oliver Bierhoff – além de François Zahoui (primeiro jogador africano da história da Serie A, em 1981) e de Hugo Maradona, irmão ruim de bola de Diego. Também passaram por lá técnicos importantes, como os já citados Mazzone, Fabbri, Boskov e Castagner, e também Eugenio Bersellini e Nedo Sonetti.

Os anos pós-Rozzi não foram brilhantes para o Picchio. Na mesma temporada da morte do cartola a equipe foi rebaixada para a Serie C1, na qual permaneceu sete anos, e só voltou a levantar um título em 2001-02, com a conquista da Supercopa da Liga da Serie C. Três anos depois o Ascoli conseguiu voltar para a Serie A, mas não pelo campo: caiu nos play-offs de acesso, mas foi admitido por causa de irregularidades de Torino, Perugia e Genoa. A nova aventura durou pouco tempo e, ao final de 2006-07, o time foi rebaixado.

Atualmente o Ascoli luta muito para permanecer na segunda divisão, mas as lembranças dos anos de ouro continuam vivas. A equipe das Marcas homenageou Costantino Rozzi com o nome da arquibancada sul do estádio Del Duca e, todo ano, joga com meiões vermelhos na rodada mais próxima do dia 18 de dezembro – data da morte do Presidentissimo. Preto, branco e um vermelho bem forte, cores de um autêntico pica-pau.

Ficha técnica: Ascoli

Cidade:
Ascoli Piceno (Marcas)
Estádio:
Cino e Lillo Del Duca
Fundação:
1898
Apelidos:
Bianconeri, Picchio
As temporadas (apenas séries A e B):
16 na Serie A e 19 na B
Os brasileiros:
Casagrande, Dirceu, Inácio Piá, Juary, Toledo e William Justino.
Time histórico:
Andrea Pazzagli; Eugenio Perico, Francesco Scorsa, Angiolino Gasparini; Giuseppe Greco, Adelio Moro (Giuseppe Iachini), Gianfranco Bellotto, Walter De Vecchi; Walter Novellino, Walter Casagrande, Oliver Bierhoff (Pietro Anastasi). Técnico: Carlo Mazzone.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Os 5 maiores brasileiros da história da Udinese

Em março, escolhemos os 10 maiores jogadores da história da Udinese. No nosso ranking, três jogadores brasileiros estavam dentre os 25 grandes que passaram pelo clube, o que mostra o quanto os friulanos são ligados aos brasileiros. Principalmente, claro, nos últimos anos.

Demorou bastante para que a Udinese contratasse o seu primeiro jogador do Brasil. O clube foi fundado em 1896, mas só em 1981 isso aconteceu, quando o lateral direito Orlando, do Vasco, assinou com os bianconeri. Antes disso, raramente a equipe atuou na elite, e não teve tantos estrangeiros em seu plantel. Mas não foi Orlando que estreitou as relações entre o Friuli e o nosso país: foram os seus sucessores, Edinho e Zico, protagonistas do time na década de 1980.

Desde então, Údine é sede de uma das maiores colônias brasileiras do futebol italiano: 31 atletas do Brasil já jogaram no clube, e a maioria deles nas décadas de 2000 e 2010. Em 2014-15, sete "verdeoro" representavam a Udinese na Serie A e, atualmente, cinco constam no plantel dos zebrette. Nos tempos recentes, os grandes destaques do nosso país no Friuli foram Allan, negociado a peso de ouro com o Napoli, além de Danilo e Felipe, que continuam na equipe.

Para montar a lista, o Quattro Tratti levou em consideração a importância dos jogadores na história do clube; a qualidade técnica do atleta versus expectativa; sua identificação com a torcida e o dia a dia do time (mesmo após o fim da carreira); grau de participação nas conquistas; respaldo atingido através da equipe e prêmios individuais conquistados. Também foram computadas premiações pelas seleções nacionais. A partir disso, escolhemos os brasileiros que marcaram a história da equipe e escrevemos breves biografias dos cinco maiores. Antes, veja também a lista completa daqueles que já vestiram a camisa do clube.

Brasileiros da Udinese
Alberto, Allan, Amoroso, Barreto, Cribari, Danilo, Douglas Santos, Edenílson, Edinho, Felipe, Gabriel Silva, Guilherme, Guilherme Siqueira, Gustavo, Jadson, Jorginho Paulista, Juárez, Lucas Evangelista, Maicosuel, Marcos Paulo, Marquinho, Naldo, Neuton, Orlando, Rodrigo Defendi, Ryder Matos, Saulo, Schumacher, Warley, Willians e Zico

5º - Felipe


Posição: zagueiro
Período no clube: 2002-10 e 2015-hoje
Títulos conquistados: nenhum

Com passaporte italiano, Felipe Dal Bello deixou Guaratinguetá, cidade no interior de São Paulo, e se mudou muito cedo para Údine: chegou na Itália aos 15 anos e fez as categorias de base no time bianconero, que foi a sua verdadeira escola. Em 2003, aos 18 anos, o zagueiro canhoto estreou pelo time principal e acabou virando titular cedo: em 2004-05, sob o comando de Luciano Spalletti, ele ajudou a Udinese a chegar à Liga dos Campeões, e continuou titular na temporada seguinte, com Serse Cosmi.

Nos anos seguintes, de 2006 a janeiro de 2010, Felipe alternou entre o time titular e o banco de reservas, até que acabou negociado com a Fiorentina. O ítalo-brasileiro perambulou por Florença, Cesena, Siena, Parma e Inter até retornar para o clube que o revelou, em agosto de 2015. Na defesa com três elementos de Colantuono o jogador de 31 anos foi titular e, se os seus planos derem certo, ele pretende encerrar a carreira no Friuli.

4º - Danilo


Posição: zagueiro
Período no clube: 2011-hoje
Títulos conquistados: nenhum

No Brasil, Danilo teve carreira de altos e baixos, por Atlético-PR e Palmeiras. Dessa forma, os brasileiros amantes do futebol viram com desconfiança a sua ida para a Udinese – e isso repercutiu até mesmo na Itália. O paulista, que chegou na Serie A aos 27 anos, fez valer os 2 milhões investidos: desde o primeiro instante ganhou a titularidade e nunca mais a perdeu: já são mais de 200 jogos pelos friulanos.

Em 2011-12, campeonato em que a Udinese acabou ficando com a terceira posição e uma vaga na LC, Danilo foi um dos destaques dos bianconeri: o brasileiro foi jogador de linha que mais atuou no campeonato, ajudando a equipe a ter a terceira defesa menos vazada da Serie A. Em cinco anos de casa, o camisa 5 teve outras duas ótimas temporadas (2012-13 e 2014-15), chegando a ter sua convocação cogitada para a Itália. Com moral, nem mesmo a má fase em alguns momentos abalou a sua titularidade ou tiraram do seu braço a faixa de capitão – que ele usa quando Di Natale não joga.

3º - Edinho


Posição: zagueiro
Período no clube: 1982-87
Títulos conquistados: nenhum

O zagueiro Edinho chegou badalado em Údine, quando já tinha 27 anos e duas Copas do Mundo no currículo. Em uma época em que a equipe friulana retornava à elite, ele foi um dos grandes responsáveis por fortalecer a relação entre o clube e os jogadores brasileiros. O carioca era um defensor muito técnico e dava qualidade na saída de bola, além de ser bom no jogo aéreo, mesmo não sendo muito alto. Essas características logo o colocaram como um dos melhores da Serie A em sua função.

Nos cinco anos que ficou na Udinese, Edinho foi titular absoluto e atuou em 138 partidas, marcando 22 gols, já que subia muito ao ataque e também cobrava faltas e pênaltis. Entre 1983 e 1985, com a presença de Zico, o clima foi tranquilo no Friuli, mas após a saída do Galinho, o zagueiro se tornou capitão e principal jogador de um time que brigava para não ser rebaixado. Em 1987, depois de uma penalização, a Udinese caiu, mesmo com as boas atuações do carioca.

2º - Amoroso


Posição: atacante
Período no clube: 1996-99
Títulos conquistados: Copa América (1999)

Um ano após subir para a Serie A, a Udinese fez uma contratação de peso para tentar ficar entre os melhores times do campeonato. Amoroso, que havia sido artilheiro e melhor jogador do Brasileirão, em 1995, chegou para fazer um forte trio de ataque com Oliver Bierhoff e Paolo Poggi – o tridente que embalou o trabalho de Alberto Zaccheroni no clube. Logo em seu ano de estreia, o brasileiro fez 12 gols, um a menos que seus colegas de ataque.

A temporada seguinte, 1997-98, foi de muito sucesso, para os bianconeri, que ficaram com a terceira posição na Serie A, o melhor resultado na história friulana. Naquela temporada, Amoroso foi coadjuvante (marcou apenas cinco gols), mas foi o parceiro ideal para Bierhoff, artilheiro do campeonato, com 27 gols. A saída do alemão não enfraqueceu a Udinese, já que o brasileiro o substituiu à altura: balançou as redes 22 vezes, foi o máximo goleador da Serie A e classificou os zebrette outra vez para a Copa Uefa – a Liga dos Campeões ficou a apenas um ponto. Ao todo, Amoroso fez 39 gols com a camisa do time de Údine, o que o coloca como um dos dez maiores artilheiros da história friulana – o que é um grande feito, considerando que os atletas ficam pouco tempo no Friuli, já que a Udinese é um clube vendedor.

1º - Zico


Posição: meia
Período no clube: 1983-85
Títulos conquistados: nenhum

Maior ídolo do Flamengo, Zico também é deus em Údine. O Galinho de Quintino ficou apenas dois anos no Friuli, em sua única passagem por um clube europeu, mas a idolatria começou antes mesmo de ele fazer a estreia oficial pela Udinese. Depois de o craque assinar contrato, a Federação Italiana bloqueou a transação, por causa do valor, o que gerou um movimento separatista na região friulana – caso Zico não fosse liberado, os torcedores ameaçavam se juntar a vizinha Áustria, que dominara a província no século XIX. Após intervenção do presidente, o meia finalmente foi contratado e foi recebido como um rei na principal praça da cidade.

Pudera: um dos maiores jogadores da história chegava a um time com poucas participações na Serie A, e que nos últimos 20 anos jogou várias vezes a Serie C. Em seu primeiro ano com os zebrette, Zico ajudou a Udinese a ficar com o 9º lugar, marcando 19 gols e ficando atrás apenas de Michel Platini (que jogou seis partidas a mais) no ranking de artilharia do Italiano. Em 1984-85, uma lesão afastou o brasileiro de boa parte da temporada, que foi mais difícil para a sua equipe, e, aos 32 anos, ele se despediu da Itália. Ao todo, Zico fez 27 gols pelo club, 17 deles em sua especialidade, a bola parada.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Um recado para o chefe

Insigne marcou belo gol e mostrou a Conte porque deve jogar a Euro (Getty)
Depois de dois anos, Itália e Espanha voltaram a se enfrentar novamente em amistoso, dessa vez no Belpaese. A partida aconteceu em um belo Friuli, agora Dacia Arena, que estava lotado, com 23 mil pessoas – ao contrário das partidas da dona da casa, a Udinese. A Itália voltava a Údine depois de quase oito anos sem passar por lá e não decepcionou: a Nazionale foi muito bem na primeira partida em 2016. A vitória não veio, mas por muito pouco, por causa das defesas de De Gea e do erro da arbitragem no gol de empate dos visitantes.

O time de Antonio Conte mostrou grande atitude, mesmo com os desfalques de Barzagli, Chiellini, Verratti e Marchisio, peças-chave da defesa e meio-campo azzurro. O que se viu foi uma Itália muito diferente das últimas partidas, que tiveram atuações apáticas costumeiras tanto nas Eliminatórias para a Euro quanto em amistosos. Por outro lado, a seleção manteve a estratégia e as ideias do treinador, controlando o jogo de várias maneiras, com marcação adiantada e posse de bola, ou com defesa posicional, linhas recuadas e contra-ataques, sem oferecer espaços para a Espanha.

A Nazionale testou nova escalação e novo esquema tático, o 3-4-3, com movimentações e posicionamentos semelhantes aos de seu 3-5-2 juventino e do 4-2-4 que sempre idealizou e utilizou antes da passagem por Turim. O destaque ficou para quem busca espaço no time titular e/ou no grupo da Euro, a exemplo de Florenzi e Zaza, sempre convocados, mas não exatamente homens de confiança. Também foram observados Astori, Thiago Motta, Giaccherini e Insigne, de volta à seleção, sem falar no estreante Bernardeschi.

Todos os citados tiveram atuações boas, mostrando vontade e qualidade para ir à França: em uma avaliação simples, as notas variaram entre a faixa de "regular" a "excelente". Parte disso se deve também à vida "fácil" contra uma Espanha apática, sem ideias e superada tática e tecnicamente. No primeiro tempo, os azzurri controlaram o jogo com a posse de bola e foram perigosos nos ataques, com um homem de referência na área (Pellè), enquanto após o intervalo o time dominou sem a bola, se defendendo muito bem no próprio campo e contra-atacando ferozmente com os baixinhos Insigne, Giaccherini e Florenzi, apoiados pelos também participativos Bernardeschi e Zaza.

Insigne, aliás, foi protagonista em praticamente todos os ataques do segundo tempo da Itália – ao todo, a Azzurra chutou onze vezes, sete no gol. Foi o napolitano quem finalizou um ataque rápido aos 67': a jogada começou no campo de defesa, ainda com Buffon e, depois, Darmian superando a pressão espanhola; evoluiu com passe direto para Bernardeschi acionar Giaccherini na ponta esquerda e este cruzar para Insigne concluir de carrinho. O camisa 11, com atuação digna para fazer Conte ter dúvidas sobre Éder (já que o interista está em momento técnico negativo), ainda poderia ter feito outro de cobertura.

A chance de Insigne aconteceu antes de um empate que veio de forma irregular. Dois minutos depois do gol italiano, aconteceu o único ataque espanhol que resultou em chutes no gol - apenas dois. Fàbregas cobrou falta na área, Morata obrigou Buffon a fazer defesa no susto e, no rebote, Aduriz marcou. Falha da arbitragem, que não viu impedimento claro dos atacantes rojos e de mais dois compatriotas.

Com a vitória ou não, a impressão que fica é positiva. Neste amistoso, a Itália foi um time que mostrou atitude, com jogadores que querem brigar por um lugar nos 23 que estarão na França. Também foi bom ver mais um esquema tático executado pelo time de Conte, que priorizará a versatilidade dos convocados para interpretar diversas contextos táticos.

Itália 1-1 Espanha
Insigne (Giaccherini) | Morata
Top: Insigne | Flop: Éder

Itália (3-4-3): Buffon; Darmian, Bonucci, Astori; Florenzi (De Silvestri 89'), Parolo (Jorginho 89'), Thiago Motta, Giaccherini (Antonelli 79'); Candreva (Bernardeschi 61'), Pellè (Zaza 60'), Éder (Insigne 59'). Treinador: Antonio Conte.

Espanha (4-3-3): De Gea; Juanfran (Alba 79'), Piqué, Ramos (Nacho 45'), Azpilicueta; Thiago (Isco 61'), San José, Fàbregas; Mata (Koke (45'), Aduriz (Silva 70'), Morata (Alcácer 86'). Treinador: Vicente del Bosque.

Árbitro: Deniz Aytekin (Alemanha)

O futuro da Itália, sem Conte

Contrariado: atual técnico da Itália deixará o cargo por sentir falta do dia a dia de clubes (Radio Goal 24)
O trabalho de treinador de seleção nacional não é fácil. Ou melhor, do comissário técnico: são funções tão diferentes que a imprensa italiana faz questão de fazer essa distinção na atribuição das nomenclaturas. A passagem de Antonio Conte pela Itália deixa isso bem claro: contratado há dois aos, escrevemos sobre como seria o futuro da seleção com ele; hoje falamos como será após a iminente saída do comandante nascido em Lecce.

O que Conte deixou claro sobre as diferenças entre ser treinador de clube e um CT? Para ser comissário técnico, é preciso abandonar o dia a dia de treinos, deixar de orientar e coordenar durante as práticas, além de não ter o contato diário com seus jogadores e a preleção e estudo dos adversários a cada semana. Ao contrário, o trabalho consiste em passar meses observando e analisando convocáveis, acompanhar o futebol de base e se reunir apenas a cada dois ou mais meses com uma equipe reduzida para jogar até duas partidas a cada período. Antes disso, no máximo duas semanas de poucos treinos táticos, muito trabalho físico e de recuperação, para que não haja desgaste e lesões – administrando a relação dos jogadores com seus clubes. Enfim, é um ritmo totalmente diferente.

O atual treinador da Itália sentiu isso por dois anos. Nessa terça-feira, deu entrevista à Gazzetta dello Sport e contou suas desilusões na função, que assumiu no auge da carreira, depois de anos fantásticos na Juventus. Ele decidiu por algo novo, definitivamente não se adaptou e deixará o cargo após a Euro 2016. “Eu, Conte, general na garagem”: assim começa a matéria do jornal milanês. Conte afirma que sente falta do campo. "Sofreria muito se passasse mais dois anos assim, sem sentir o cheiro da grama”. Além da perda do convívio com a bola e seus jogadores, ficou frustrado com o comportamento de Carlo Tavecchio – presidente da federação italiana de futebol (FIGC) –, irredutível a seus pedidos, e também com o contato com a liga e os treinadores dos times.

Enquanto o ex-treinador da Juventus arranja um lugar no Chelsea, se juntando a uma leva de treinadores badalados que comandarão os times da Premier League na próxima temporada, a FIGC também já pensa em substitutos no comando da Nazionale. Se discute um nome menos gabaritado e não tão custoso quanto Conte, que tem parte de seu salário pago pela parceira Puma.

Os primeiros candidatos são Roberto Donadoni, Gian Piero Gasperini e Gian Piero Ventura, treinadores experientes na Serie A. O primeiro citado, comandante do Bologna, parece comprometido com o trabalho que assumiu em novembro e tem vínculo com os felsinei até 2018 - ano da próxima Copa do Mundo, na Rússia. Gasperini e Ventura, por sua vez, estão em fim de contrato.

De outro lado, mas seguindo quase a mesma linha de raciocínio, outro candidato é o jovem Luigi Di Biagio. O ex-volante nunca treinou uma equipe principal, mas está ligado à FIGC desde 2011, passando dois anos na seleção sub-20, e outros dois na sub-21, onde está atualmente, fazendo ótimo trabalho e ajudando a desenvolver uma boa geração de jogadores de qualidade técnica.

Di Biagio conduz trabalho alinhado com as premissas traçadas por Arrigo Sacchi ainda na gestão passada, quando era o coordenador técnico das seleções juvenis. O ex-jogador também trabalhava próximo de Cesare Prandelli, então CT italiano. Vale lembrar que a solução de um técnico ligado à federação é bem comum na Itália e já foi utilizada diversas vezes na história: entre 1977 e 1998, foi assim, com Enzo Bearzot, Azeglio Vicini e Cesare Maldini – todos treinaram as seleções de base por um longo período e depois foram alçados à "Nazionale A".

Ainda há outra opção, considerando o curto prazo do trabalho pós-Euro para a preparação para o Mundial, quando a Itália virá sob pressão para se recuperar das últimas duas participações, em 2010 e 2014. Por isso, também cogitam o veteraníssimo Fabio Capello, de 69 anos. Reconhecido não apenas no futebol italiano, mas em todo o mundo, ele está sem emprego há um ano, depois de passagem ruim pela seleção da Rússia. Experiente em futebol de seleções e prático nos trabalhos, poderia entregar um time rapidamente para disputar a competição, mas não haveria aproximação alguma com o trabalho desenvolvido na base. Ou seja, seria uma solução puramente imediatista, o que também não deixa de ser uma aposta.

Thug life? Capello é um dos candidatos a substituírem Conte na Nazionale após a Euro (The Guardian)
O presente ainda importa
De qualquer forma, independentemente do futuro a médio prazo de Conte e da Nazionale, o objetivo no momento é a Eurocopa. Estamos a poucos menos de três meses da competição, que será disputada na França entre junho e julho, e Itália terá pela frente adversários espinhosos no Grupo E: Bélgica, Suécia e Irlanda. Antes disso, nesta quinta, 24, a Squadra Azzurra entra em campo na primeira data Fifa do ano, em amistoso contra a Espanha, e terá pela frente outros "amigáveis": Alemanha, no dia 29 deste mês; e Escócia e Finlândia em 29 de maio e 6 de junho, respectivamente. Serão as únicas quatro partidas antes da estreia contra a Bélgica, no dia 13/6.

Segundo a Gazzetta dello Sport, Conte tem em Buffon, Bonucci, Verratti e Pellè a espinha dorsal da sua equipe, cada um líder em seu setor. As partidas grandes desta Fifa ajudarão o treinador a solucionar suas últimas dúvidas, que são poucas depois de dois anos de trabalho, mesmo com as mudanças no esquema tático – que, na verdade, não são tão importantes assim. O time tem uma identidade e joga assim independentemente da formação.

O próprio treinador afirma na entrevista para a Gazzetta, que quer “uma máquina de guerra na França". Conte diz que, por se tratar de um torneio curto, deve escolher jogadores versáteis, que podem jogar em mais de uma função. "Passamos do 3-5-2 ao 4-3-3 até chegar ao 4-2-4 ou 4-4-2. E não terminamos ainda. Quando há um torneio curto assim e apenas 20 jogadores, sem contar os três goleiros, precisa-se de gente que pode se adaptar a diversas situações táticas. Não é uma questão de quem é melhor ou pior, mas diferentes, que podem encaixar com o que penso. Também é fundamental observar o comportamento no trabalho de esse ou aquele jogador", completa.

O CT italiano quer avaliar como o time se portará diante de adversários duros e muito técnicos, como Espanha e Alemanha, e mesmo que não tenha todos os jogadores que gostaria de observar à sua disposição, fará testes. Como conta o diário róseo, Conte também cogita outro esquema tático, o 3-4-3. Na edição dessa terça-feira, a Gazzetta dello Sport até especulou um time ideal na formação, com Buffon no gol, Barzagli, Bonucci e Chiellini atrás, Florenzi e Darmian nos lados, Marchisio e Verratti no centro, e Candreva e El Shaarawy em suporte a Zaza. Um sistema que também seria adaptável a jogadores como Bernardeschi, Giaccherini, Bonaventura, Insigne, Éder e Pellè – todos convocados pelo comissário técnico.

A ideia seria aliar a força do trio juventino Barzagli, Bonucci e Chiellini, base e razão do 3-5-2 ser tão utilizado, assim como tentar aproveitar o melhor do time do meio-campo para frente, como os tantos pontas que têm se destacado no campeonato. Cumprindo as expectativas, segundo a Sky, o time chegou a treinar assim no primeiro treino tático antes dos amistosos – embora sem Barzagli, Chiellini, Verratti e Marchisio, lesionados. No treinamento para a partida contra a Espanha, que será disputada no estádio Friuli, Conte foi de Buffon no gol; Darmian de volta às origens na zaga, ao lado Bonucci e Acerbi; Florenzi e Antonelli nos lados do meio-campo; Jorginho e Montolivo no centro do setor; e Candreva e Éder juntamente ao centroavante Pellè.

Esta é uma formação que se alinha ao que planeja Conte, que pode normalmente alterar o esquema tático sem fazer substituições. Ou mesmo jogar em outro módulo, como o 4-4-2 dos últimos jogos, com Darmian e Antonelli nas laterais e Florenzi e Candreva mais à frente. Quem sabe o 4-3-3, não utilizado há algum tempo, novamente com Darmian e Antonelli nas laterais e dessa vez Florenzi no meio-campo, com Jorginho e Montolivo – isso, claro, se limitando ao time que treinou na terça. São muitos os jogadores disponíveis para testes, a exemplo de Rugani, Thiago Motta, Soriano, Bonaventura, Giaccherini, Bernardeschi, Insigne, Okaka e Zaza.

Com tantas opções no elenco de convocados – sem esquecer que o treinador leccese deixa de fora alguns jogadores talentosos, como Berardi, Sansone, Vázquez, Pavoletti, Saponara, Romagnoli, Rossi ou Belotti – é difícil saber como Conte vai colocar o time em campo, quiçá imaginar o quanto será aproveitado com o próximo treinador. O que dá para cravar é que a classificação da Itália para o Mundial de 2018 e o seu eventual desempenho na Rússia dependerá da rápida adaptação do substituto de Conte.

O passado dos comandantes

Todo mundo sabe que nem todo craque vira um grande técnico e que nem todo pereba tem uma carreira medíocre como treinador. No futebol italiano não é diferente, inclusive nos últimos anos: boa parte dos treinadores de sucesso do país ou que passou pela Serie A não construíram uma vida gloriosa como jogadores. Nem todo mundo sabe que Massimiliano Allegri, Luciano Spalletti, Cesare Prandelli e Claudio Ranieri, por exemplo, foram atletas ou não têm conhecimento de como eles eram quando mais jovens, se eram bons ou ruins de bola. Nesse especial, o Quattro Tratti mata a curiosidade dos leitores!

Para isso, elencamos 35 treinadores que foram jogadores no passado desde que atendessem a alguns critérios. Todos os escolhidos são técnicos que estão atualmente na Serie A ou que passaram pela competição recentemente, além de profissionais italianos com destaque internacional em 2015-16 ou nos últimos anos.

Nesse exercício de curiosidade histórica, reunimos fotos antigas de todos eles e fizemos um quadro com os clubes em que eles jogaram e com suas passagens como treinadores (salientamos as mais importantes em negrito). Também fizemos uma minibiografia de cada um e distribuímos notas para suas trajetórias, considerando a qualidade técnica e tática, a importância de cada um e suas conquistas – a ordem é decrescente. Boa leitura!

Carlo Ancelotti


Idade: 56 (nascido em 1959) 
Emprego atual: nenhum (Bayern Munique a partir de 2016-17)
Carreira como técnico: Reggiana, Parma, Juventus, Milan, Chelsea, Paris Saint-Germain e Real Madrid
Carreira como jogador: Parma, Roma e Milan
Nota como técnico: 9,5
Nota como jogador: 8,5
Média: 9

Don Carletto talvez seja o maior exemplo italiano de um grande jogador que se transformou também em um gigante fora das quatro linhas. Ancelotti conquistou 14 títulos como atleta e foi um dos maiores craques de Roma e Milan, clubes pelos quais venceu scudettti e disputou Copas dos Campeões – venceu com a camisa rossonera. O emiliano não esconde de ninguém que Liedholm e Sacchi, que comandaram Roma e Milan, foram as suas principais influências como treinador. Ao longo de cerca de duas décadas como técnico, ele acumula 17 troféus por clubes de quatro países e é o maior vencedor de Ligas dos Campeões, com três títulos.

Giovanni Trapattoni


Idade: 77 (nascido em 1939) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Milan, Juventus (duas vezes), Inter, Bayern Munique (duas vezes), Cagliari, Fiorentina, Itália, Benfica, Stuttgart, Red Bull Salzburg e Irlanda
Carreira como jogador: Milan e Varese
Nota como técnico: 9,5
Nota como jogador: 8
Média: 8,75

Muita gente diz que Trapattoni é o maior técnico da história do futebol italiano – e o que mais incorpora as características clássicas do esporte no país, como o jogo bastante tático e privilegiando a defesa. A influência clara vem dos tempos de jogador, quando o volante (que também jogava como lateral direito e defensor) foi pilar de um Milan histórico, comandado por Nereo Rocco, um dos pais do catenaccio: venceu dois títulos europeus, dois italianos, um Mundial Interclubes e uma Recopa, além de ter anulado Pelé em uma ocasião, feito mencionado pelos dois até hoje. Como técnico, Trapattoni treinou com louvor os três gigantes do país e faturou o scudetto sete vezes (um recorde), seis deles pela Juve, equipe com a qual marcou época: foi o mentor de uma defesa com Zoff, Scirea, Gentile e Cabrini, num time em que Platini brilhava na frente – um dos preceitos do esquema chamado de zona mista. O vasto currículo do respeitado treinador ainda inclui passagens de sucesso por outros países, aos quais levou seu estilo enérgico.

Roberto Mancini


Idade: 51 (nascido em 1964) 
Emprego atual: Inter
Carreira como técnico: Fiorentina, Lazio, Inter (duas vezes), Manchester City e Galatasaray
Carreira como jogador: Bologna, Sampdoria, Lazio e Leicester
Nota como técnico: 8
Nota como jogador: 9,5
Média: 8,75

Maior craque da história da Sampdoria, o fantasista Mancini passou 15 anos no clube de Gênova, depois de ter sido contratado quando ainda era uma jovem promessa do Bologna. No Marassi ele mudou a equipe de patamar, sendo fundamental para a conquista de sete dos oito troféus que o clube tem – incluindo um scudetto. Mancio também foi ídolo na Lazio, onde também venceu um Italiano e outras taças. Foi lá que ele aprendeu a ser treinador com o sueco Eriksson, sua primeira grande influência: o estilo sóbrio de seus times, que tocam bem a bola, mas que nem sempre jogam o futebol mais ofensivo do mundo começou a ganhar espaço na Fiorentina, clube pelo qual superou a crise financeira para ser campeão da Coppa Italia. Mancio também passou pela Lazio e tirou o Manchester City de uma fila de 35 anos do campeonato inglês, mas construiu ligação especial com a Inter: pelo clube de Milão foi tricampeão italiano e é o segundo no ranking de treinadores com mais jogos no comando da Beneamata.

Fabio Capello


Idade: 69 (nascido em 1946) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Milan (três vezes), Real Madrid (duas vezes), Roma, Juventus, Inglaterra e Rússia
Carreira como jogador: Spal, Roma, Juventus e Milan
Nota como técnico: 9,5
Nota como jogador: 7,5
Média: 8,5

O friulano Capello nasceu com o futebol no sangue. Sobrinho do ex-jogador Mario Tortul, ele estreou na Serie A pela Spal e ganhou espaço em grandes clubes porque foi um meia central completo, com qualidade técnica e bom poder de marcação, passe e finalização. Apesar de ter vivido bons momentos por Roma e Milan, foi com a camisa da Juventus que teve mais destaque, vencendo três scudetti e chegando à seleção, com a qual disputou a Copa de 1974. Em cerca de 30 anos como técnico, Capello ganhou quase tudo por clubes: foi pentacampeão italiano (quatro vezes com o Milan e uma com a Roma; sem contar o bi revogado pela Juve), faturou duas vezes espanhol e ainda se saiu vitorioso na Liga dos Campeões. O recorde de maior invencibilidade de uma equipe na Serie A também tem a sua marca: é do seu Milan, que entre 1991 e 1993 conseguiu 58 vitórias. Mesmo com o currículo vasto, o sisudo treinador recebeu várias críticas nos últimos 10 anos por causa da sua defasagem.

Antonio Conte


Idade: 46 (nascido em 1969) 
Emprego atual: Itália
Carreira como técnico: Arezzo (duas vezes), Bari, Atalanta, Siena, Juventus e Itália
Carreira como jogador: Lecce e Juventus
Nota como técnico: 9
Nota como jogador: 8
Média: 8,5

Um dos ótimos meias defensivos dos anos 1990, Conte começou a carreira no Lecce, mas marcou época na Juventus, time que defendeu por 13 anos. O ex-jogador pugliese venceu todos os torneios possíveis com a camisa bianconera (inclusive, é pentacampeão nacional) e ficou extremamente ligado aos conceitos futebolísticos de Lippi, um de seus mentores no futebol. Como treinador, Conte coloca em campo um estilo mais ofensivo que o de seu maior influenciador e, assim, teve trabalhos interessantes no comando de Bari e Siena, que levou à primeira divisão – o que lhe abriu as portas para o retorno à Juve como técnico. Em Turim, Conte foi tricampeão e instaurou uma nova fase de soberania da Velha Senhora na Serie A, recuperando a autoestima da torcida. Pela seleção italiana, o feeling nunca foi muito bom: eficiente, mas nada convincente, o treinador deixará o cargo após a Eurocopa, independentemente do resultado alcançado pela Squadra Azzurra.

Sinisa Mihajlovic


Idade: 47 (nascido em 1969) 
Emprego atual: Milan
Carreira como técnico: Bologna, Catania, Fiorentina, Sérvia, Sampdoria e Milan
Carreira como jogador: Vojvodina, Estrela Vermelha, Roma, Sampdoria, Lazio e Inter
Nota como técnico: 7
Nota como jogador: 9,5
Média: 8,25

Com sua canhota mágica, Mihajlovic foi um dos maiores cobradores de falta de todos os tempos. O sérvio, que atuou com excelência como zagueiro, lateral esquerdo e volante, fez história por Sampdoria e Lazio e ainda teve passagens de alto nível por Roma e Inter. A carreira como treinador começou em 2006, como auxiliar de Mancini na Inter, e dois anos depois o sérvio assumiu o Bologna. Miha teve passagens medianas pelos emilianos e também por Catania, Fiorentina e pela seleção do seu país. Foi na Sampdoria que o craque deu um salto em sua trajetória, levando ao time suas características como jogador: muita garra, intensidade, futebol objetivo e bem jogado. Dessa forma, a Samp chegou à Liga Europa e Mihajlovic foi contratado pelo Milan, clube pelo qual faz um bom trabalho – embora a torcida exija mais da equipe.

Marcello Lippi


Idade: 67 (nascido em 1948) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Pontedera, Siena, Pistoiese, Carrarese, Cesena, Lucchese, Atalanta, Napoli, Juventus (duas vezes), Inter, Itália (duas vezes) e Guangzhou Evergrande
Carreira como jogador: Viareggio, Savona, Sampdoria, Pistoiese e Lucchese
Nota como técnico: 9
Nota como jogador: 6
Média: 7,5

Em nove anos de Sampdoria, Lippi foi um histórico líbero da equipe doriana, que teve uma série de temporadas dignas na primeira divisão durante os anos 1970. Também ajudou a Pistoiese a chegar à primeira divisão de forma inédita, mas foi com os ensinamentos de Fulvio Bernardini, seu treinador na Samp, que seguiu em frente na vitoriosa carreira de treinador. Durante sua atividade como técnico ele foi um herdeiro da tradição da zona mista e, depois de ter trabalhos vigorosos por Atalanta e Napoli, chegou à Juventus, clube que o tem como um dos principais treinadores de sua história. Na Velha Senhora levantou 13 taças (incluindo cinco Italianos, uma Champions e uma Copa Intercontinental) e foi eleito técnico do ano mais de uma dezena de vezes e por uma série de entidades e publicações. Para coroar, Lippi ainda levou a Itália ao tetracampeonato mundial e nem mesmo o vexame em 2010, sob sua batuta, apaga a sua grandeza.

Roberto Donadoni


Idade: 52 (nascido em 1963) 
Emprego atual: Bologna
Carreira como técnico: Lecco, Livorno (duas vezes), Genoa, Itália, Napoli, Cagliari, Parma e Bologna
Carreira como jogador: Atalanta, Milan (duas vezes), MetroStars e Al-Ittihad
Nota como técnico: 7
Nota como jogador: 8
Média: 7,5

Versátil, rápido, tático e cerebral, Donadoni fazia o papel do tal "jogador moderno" numa época em que o tema nem era discutido: sabia jogar como ponta-esquerda e volante criador de jogadas. Cria da Atalanta, o meia foi um coadjuvante de luxo do Milan, clube em que ganhou tudo o que podia e que até hoje o deseja platonicamente como treinador. Donadoni teve início meteórico como técnico e, após fazer sucesso com o Livorno foi alçado ao cargo de diretor técnico da seleção italiana. Sem muita experiência e em fase de transição da Squadra Azzurra, o ex-jogador deixou a Nazionale após a eliminação na Euro 2008. Um outro fracasso, desta vez no Napoli, fez muita gente pensar que Donadoni não teria futuro como treinador, mas ele deu a volta por cima: seu futebol sólido, compacto e a organização em campo demonstrados por Cagliari, Parma e Bologna mostram que ele pode ser tão grande quanto foi quanto jogador.

Vincenzo Montella


Idade: 41 (nascido em 1974) 
Emprego atual: Sampdoria
Carreira como técnico: Roma, Catania, Fiorentina e Sampdoria
Carreira como jogador: Empoli, Genoa, Sampdoria (duas vezes), Roma (duas vezes) e Fulham
Nota como técnico: 7
Nota como jogador: 8
Média: 7,5

Durante 10 anos Vincenzo Montella foi um dos maiores atacantes do futebol italiano. A fome de gols do Aeroplanino fez com que ele marcasse gols de todas as formas por Empoli, Genoa, Sampdoria e Roma – apenas na fase final da carreira, por problemas físicos, não rendeu como antes. Montella é um dos raros exemplos de ótimos jogadores que levam o sucesso dos campos para o banco de reservas: ele foi alçado ao cargo de interino da Roma depois da demissão de Ranieri e fez um ótimo fim de temporada, mas os giallorossi preferiram não continuar com um técnico experiente. Azar o dela: o napolitano assumiu o Catania, fez grande trabalho e acabou sendo contratado pela Fiorentina, em que só aumentou o seu crédito. O ótimo futebol jogado pela Viola, somado às três classificações à Liga Europa (com a tríplice 4ª colocação) fizeram com que o ex-atacante fosse considerado um dos mais promissores comandantes do país. Depois de rescindir consensualmente seu contrato com a Fiorentina, Montella desceu um degrau e acertou com a Sampdoria, clube em que tem encontrado dificuldades. O início glorioso foi só uma fase?

Massimiliano Allegri


Idade: 48 (nascido em 1967) 
Emprego atual: Juventus
Carreira como técnico: Aglianese, Spal, Grosseto, Lecco, Sassuolo, Cagliari, Milan e Juventus
Carreira como jogador: Cuoiopelli, Livorno (duas vezes), Pisa, Pavia, Pescara (duas vezes), Cagliari, Perugia, Padova, Napoli, Pistoiese e Aglianese
Nota como técnico: 8,5
Nota como jogador: 6
Média: 7,25

Em sua carreira como jogador Allegri teve seus grandes momentos por Cagliari e Pescara. Foi no próprio Pescara que o habilidoso e técnico meia-atacante conheceu Giovanni Galeone, seu mentor – que o levou também para Perugia, Napoli e para a Udinese, já como auxiliar. Embora apresentasse bom nível, ele nunca conseguiu dar, como jogador, o salto que obteve fora das quatro linhas. A mentalidade ofensiva de Galeone inspirou Allegri, adepto dos esquemas 4-3-1-2 e 4-3-3, a utilizá-los de forma ousada em equipes pequenas. Foi assim que ele levou o Sassuolo à Serie B e fez o Cagliari ser um dos time mais atraentes da Serie A por dois anos. Apesar de ter sido campeão italiano com o Milan no ano de sua estreia pelos rossoneri, ele perdeu crédito nos anos seguintes, mas o recuperou de forma magistral, à frente da Juve: superou as desconfianças, fez a dobradinha no Belpaese e foi vice-campeão europeu. Atualmente, está dirigindo um dos melhores times da história do Campeonato Italiano.

Cesare Prandelli


Idade: 58 (nascido em 1957) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Atalanta, Lecce, Verona, Venezia, Parma, Roma, Fiorentina, Itália e Galatasaray
Carreira como jogador: Cremonese, Atalanta (duas vezes) e Juventus
Nota como técnico: 8,5
Nota como jogador: 6
Média: 7,25

Em seus tempos de jogador, quase tudo o que Prandelli ganhou foi como coadjuvante da Juventus – apesar de ter sido titular por Cremonese e Atalanta. Em seis anos sem atuar com continuidade, o meia foi reserva em três títulos italianos, um europeu, uma Recopa, uma Coppa Italia e uma Supercopa Uefa. Em termos de títulos como treinador, Prandelli só conquistou títulos em categorias de base (pela Atalanta) e uma Serie B, pelo Verona, mas recebeu quatro vezes diferentes prêmios como melhor técnico italiano, entre 2006 e 2011. Em seus melhores trabalhos por clubes, por Parma e Fiorentina, Prandelli conseguiu classificações para a Copa Uefa e Liga dos Campeões – com a Viola foi semifinalista no primeiro torneio e caiu, de maneira contestável, nas oitavas da Champions. No entanto, o trabalho mais marcante do lombardo foi com a Itália: em quatro anos, além do vice-campeonato europeu e terceiro lugar na Copa das Confederações, fez a Nazionale atuar de forma agradável, praticando um futebol de toque de bola e bastante propositivo.

Paulo Sousa


Idade: 45 (nascido em 1970) 
Emprego atual: Fiorentina
Carreira como técnico: Portugal sub-16, Queens Park Rangers, Swansea City, Leicester City, Videoton, Maccabi Tel Aviv, Basel e Fiorentina
Carreira como jogador: Benfica, Sporting, Juventus, Borussia Dortmund, Inter, Parma, Panathinaikos e Espanyol
Nota como técnico: 7
Nota como jogador: 7
Média: 7

Volante sólido dos anos 1990, Paulo Sousa foi um importante nome de uma das melhores gerações de Portugal. Multicampeão em Portugal, Alemanha e na Itália, o jogador teve maior destaque com as camisas da Juventus e do Dortmund, clubes em que foi campeão europeu, e se aposentou cedo devido a lesões no joelho. Após começar a carreira como treinador, Paulo Sousa girou o mundo e ganhou títulos em Hungria, Israel e Suíça, até assumir o comando da Fiorentina. Sua chegada gerou desconfiança da torcida, por causa do seu passado juventino, mas isso passou tão logo o treinador deu um padrão de jogo atraente à equipe, que disputa uma vaga na Liga dos Campeões atualmente.

Eusebio Di Francesco


Idade: 46 (nascido em 1969) 
Emprego atual: Sassuolo
Carreira como técnico: Lanciano, Pescara, Lecce e Sassuolo
Carreira como jogador: Empoli, Lucchese, Piacenza (duas vezes), Roma, Ancona e Perugia
Nota como técnico: 7
Nota como jogador: 7
Média: 7

Di Francesco ganhou o nome de "Eusebio" em homenagem ao craque português Eusébio do Benfica. O destino acabou fazendo dele também jogador de futebol e, apesar de não ter marcado época, foi um útil meia pela esquerda no Piacenza e na Roma, fazendo até 13 jogos pela Itália. Após pendurar as chuteiras, ele foi dirigente da Roma, do Val di Sangro e do Pescara, mas resolveu virar treinador. Após passagens medianas por Lanciano e Pescara, ele assumiu o Lecce na primeira divisão, mas acabou demitido. Sua pérola é o fantástico trabalho à frente do Sassuolo: em quase quatro anos no comando dos neroverdi ele conquistou a Serie B e, desde a estreia do time emiliano elite, propõe um futebol muito envolvente. Com um ofensivo e bem jogado 4-3-3, que dá oportunidade a revelações do futebol italiano e que valeu a permanência na elite em três temporadas, Di Francesco se tornou um dos técnicos mais cobiçados do Belpaese. Em 2015-16, a equipe briga por uma inédita vaga em competições europeias.

Stefano Pioli


Idade: 50 (nascido em 1955) 
Emprego atual: Lazio
Carreira como técnico: Salernitana, Modena (duas vezes), Parma, Grosseto, Piacenza, Sassuolo, Chievo, Palermo, Bologna e Lazio
Carreira como jogador: Parma, Juventus, Verona, Fiorentina, Padova, Pistoiese e Fiorenzuola
Nota como técnico: 7
Nota como jogador: 6
Média: 6,5

Zagueiro de trajetória futebolística razoável, Pioli começou no Parma, chamou a atenção da Juventus e foi reserva de um time campeão italiano, europeu e mundial. Depois disso, o emiliano foi peça importante de equipes tradicionais, como Verona e Fiorentina, até se aposentar, aos 34 anos. Já como técnico, sempre variou entre os esquemas 4-2-3-1 e 3-5-2, mas só em 2009-10, no Sassuolo, conseguiu fazer um trabalho digno de nota, quase levando os neroverdi à Serie A. A temporada na Emília-Romanha o levou ao time principal do Chievo (já havia treinado os juvenis), no qual mostrou o seu potencial como um dos melhores montadores de módulos defensivos da Itália: os burros alados foram a quarta defesa menos vazada de 2010-11. A partir de 2011 o parmense se tornou um dos principais técnicos do país, primeiro à frente de um ótimo Bologna e depois da Lazio, que foi terceira colocada, com o segundo melhor ataque e a terceira melhor defesa do campeonato 2014-15.

Gian Piero Gasperini


Idade: 58 (nascido em 1958) 
Emprego atual: Genoa
Carreira como técnico: Crotone (duas vezes), Genoa (duas vezes), Inter e Palermo (duas vezes)
Carreira como jogador: Juventus, Reggiana, Palermo, Cavese, Pistoiese, Pescara, Salernitana e Vis Pesaro
Nota como técnico: 7
Nota como jogador: 5,5
Média: 6,25

Nascido na região metropolitana de Turim, Gasperini se formou como meio-campista no "vivaio" da Juventus, mas foi no Palermo e no Pescara que teve mais destaque: pelo time do Abruzzo foi campeão da Serie B, capitão na A e jogou com Júnior, Tita e Dunga. Após encerrar a carreira com o título da quarta divisão pela Vis Pesaro (foto), ele voltou à Juve e passou nove anos como técnico das categorias de base, formando um monte de atletas de bom nível e experimentando bastante. Como treinador de times profissionais levou o seu intenso 3-4-3 para o Crotone e depois para o Genoa, marcando época pelos grifoni – com parênteses nada frutíferos por Inter e Palermo. Em quase sete anos pelos rossoblù, ele ganhou o apelido de Gasperson (em referência a Sir Alex Ferguson) e classificou o time duas vezes para competições europeias. O treinador e o clube nasceram um para o outro.

Luciano Spalletti


Idade: 57 (nascido em 1959) 
Emprego atual: Roma
Carreira como técnico: Empoli, Sampdoria, Venezia, Udinese (duas vezes), Ancona, Roma (duas vezes) e Zenit
Carreira como jogador: Virtus Entella, Spezia, Viareggio e Empoli
Nota como técnico: 8
Nota como jogador: 4
Média: 6

Antes de ser um dos melhores treinadores do país, Spalletti foi um meia central de boa habilidade, pegada e espírito de liderança, mas o máximo que conseguiu foi jogar a Serie C – e teve mais sucesso por Spezia e Empoli. Foi pelos azzurri da Toscana que ele começou a carreira de técnico e já com sucesso: ganhou uma Coppa Italia da Serie C e, além de levar o Empoli à primeira divisão, o manteve na elite. Após passagens atribuladas por Sampdoria, Venezia, Udinese e Ancona, ele teve uma segunda chance no Friuli, o que mudou sua vida: Spalletti comandou um time que tinha Di Natale e Iaquinta, levando-o à Liga dos Campeões, e depois foi contratado pela Roma, clube em que ficou quatro anos. O carequinha elevou o futebol dos giallorossi, que voltaram a brigar por títulos graças ao futebol interessante desenvolvido por ele, com um esquema que aproveitou o melhor de Totti como goleador. Em seus anos de Údine e Roma acabou eleito melhor técnico da Itália por três vezes, antes de embarcar para a Rússia e, em cinco anos, faturar quatro títulos (incluindo dois títulos nacionais). De volta à Roma, iniciou o que promete ser um novo trabalho marcante.

Claudio Ranieri


Idade: 64 (nascido em 1951) 
Emprego atual: Leicester
Carreira como técnico: Vigor Lamezia, Puteolana, Cagliari, Napoli, Fiorentina, Valencia (duas vezes), Atlético de Madrid, Chelsea, Parma, Juventus, Roma, Inter, Monaco, Grécia e Leicester
Carreira como jogador: Roma, Catanzaro, Catania e Palermo
Nota como técnico: 7
Nota como jogador: 5
Média: 6

Ranieri começou sua carreira na Roma, time para o qual torce, mas se destacou mesmo pelo pequeno Catanzaro, da Calábria, e é o jogador que mais vezes vestiu a camisa da equipe na Serie A. Antes de aposentar, ele também defendeu Catania e Palermo e foi justamente em um time insular que teve o primeiro trabalho notável como treinador. O Tinkerman levou o Cagliari da Serie C para a primeira divisão e ainda teve outro ano memorável na elite antes de passar ao Napoli, fazendo de Zola o substituto de Maradona e levando a equipe à Copa Uefa. Daí em diante, a carreira do romano se dividiu entre passagens opacas em equipes grandes, como Valencia, Atlético de Madrid, Chelsea, Juventus, Roma e Inter – sem contar o fracasso retumbante pela seleção grega – e os bons trabalhos por times desacreditados, como Fiorentina e um Parma quase rebaixado, além de colocar o endinheirado Monaco de volta na Ligue 1. Hoje, o experiente treinador está perto de atingir seu ápice, levando o Leicester ao improvável título da Premier League inglesa. Será um dos maiores feitos não apenas em sua biografia, mas na história do futebol.

Francesco Guidolin


Idade: 60 (nascido em 1955) 
Emprego atual: Swansea City
Carreira como técnico: Giorgione, Treviso, Fano, Empoli, Ravenna, Atalanta, Vicenza, Udinese (duas vezes), Bologna, Palermo (quatro vezes), Genoa, Monaco, Parma e Swansea City
Carreira como jogador: Verona (quatro vezes), Sambenedettese, Pistoiese, Bologna e Venezia
Nota como técnico: 8
Nota como jogador: 4
Média: 6

Quando era jogador, Guidolin atuava como meia central ou pelo lado direito. Apesar de habilidoso, o vêneto tinha dificuldades de conseguir motivação e de se firmar pelos clubes em que passava – acabava sempre emprestado pelo Verona e só teve destaque pela Pistoiese, conseguindo subir para a Serie A. Depois de se aposentar com apenas 31 anos, Guidolin virou treinador e apareceu de vez para a Itália com o Vicenza, que sob seu comando subiu para a Serie A, ganhou a Coppa Italia e foi até as semifinais da Recopa da Uefa. Ele foi construindo sua reputação com trabalhos sólidos por Bologna, Udinese, Palermo e Monaco, até chegar ao Parma e levar o time de volta à elite, praticando um excelente futebol não apenas na segundona, mas também na primeira divisão. Porém, foi em sua segunda passagem pela Udinese se tornou um dos maiores técnicos italianos graças ao quarto e ao terceiro lugares seguidos na Serie A. No início de 2016 ele aceitou o desafio de treinar na Premier League e comanda o Swansea.

Andrea Mandorlini


Idade: 55 (nascido em 1960) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Triestina, Spezia, Vicenza, Atalanta, Bologna, Padova, Siena, Sassuolo, Cluj e Verona
Carreira como jogador: Torino, Atalanta, Ascoli, Inter e Udinese
Nota como técnico: 6
Nota como jogador: 6
Média: 6

Líbero e meia defensivo, Mandorlini teve uma carreira muito sólida, se destcando na Serie A pelo Ascoli e depois pela Inter, sendo essencial durante sete anos e na conquista de títulos como o Italiano em 1989 e a Copa Uefa em 1991. Na função de técnico, o ótimo defensor garantiu acessos de divisão para Spezia, Ravenna e Atalanta, além de ter sido campeão romeno pelo Cluj, mas ainda não havia engatado nenhum trabalho majestoso. Foi aí que apareceu o Verona, equipe que comandou por cinco anos: com Mandorlini o Hellas saiu da terceirona, praticou a filosofia de jogo do treinador – troca de passes, marcação por zona e ofensividade – e chegou a brigar por vaga na Liga Europa. Após a queda de produção do time em 2015-16, acabou pedindo demissão.

Walter Mazzarri


Idade: 54 (nascido em 1961) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Acireale, Pistoiese, Livorno, Reggina, Sampdoria, Napoli e Inter
Carreira como jogador: Fiorentina, Pescara, Cagliari, Reggiana, Empoli, Licata, Modena, Nola, Viareggio, Acireale e Torres
Nota como técnico: 7,5
Nota como jogador: 4
Média: 5,75

Quase ninguém se lembra de Mazzarri como jogador: o meio-campista fez poucos jogos na Serie A e atuou com mais frequência na segunda e terceira divisões. Engravatado à beira do campo, WM teve sucesso rápido graças a alguns preceitos que herdou de Renzo Ulivieri (de quem foi auxiliar em Bologna e Napoli), como o jogo forte no meio-campo, o uso dos flancos e o jogo direto para o contra-ataque. Após levar o Livorno para a Serie A, o técnico toscano assumiu a Reggina e conseguiu três salvações na elite – a última, heroica: os amaranto começaram com 15 pontos de penalização e garantiram a permanência na rodada final. Após outro trabalho positiva, esta na Sampdoria, Mazzarri foi para o Napoli e viveu quatro anos dourados, com duas classificações para a Champions e um vice-campeonato. Na Inter ele atravessou períodos difíceis e de rusgas com a torcida, o que lhe tirou parte do prestígio.

Luigi Delneri


Idade: 65 (nascido em 1950) 
Emprego atual: Verona
Carreira como técnico: Opitergina, Pro Gorizia, Partinicaudace, Teramo, Ravenna, Novara, Nocerina, Ternana (duas vezes), Chievo (duas vezes), Porto, Roma, Palermo, Atalanta, Sampdoria, Juventus, Genoa e Verona
Carreira como jogador: Spal, Foggia (duas vezes), Novara, Udinese, Sampdoria, Vicenza, Siena e Pro Gorizia
Nota como técnico: 6,5
Nota como jogador: 5
Média: 5,75

O bigodudo Delneri teve passagens curtas pela Serie A quando era meio-campista: só em dois anos, por Foggia e Udinese, atuou na elite italiana. Na carreira como treinador, em seus primeiros 15 anos teve como auge 8 jogos pela Ternana na Serie B. Até que ele conduziu o "Milagre de Chievo": levou a equipe de um bairro de Verona à elite e, logo na primeira temporada, à Copa Uefa. Depois de três ótimos anos pelos clivensi, o técnico friulano fracassou por Porto, Roma, Palermo e no retorno ao Vêneto, e só se deu bem de novo quando colocou seu clássico 4-4-2  a serviço da Atalanta e, depois, da Sampdoria. Em Gênova, tirou o melhor de Cassano e Pazzini e levou os dorianos à Liga dos Campeões. Dali em diante, só desilusões: não deixou saudades na Juve, no Genoa e não deixará no Verona.

Walter Zenga


Idade: 55 (nascido em 1960) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: New England Revolution, Brera, National Bucareste, Steaua Bucareste, Estrela Vermelha, Gaziantepspor, Al-Ain, Dinamo Bucareste, Catania, Palermo, Al-Nassr, Al-Nasr, Al-Jazira, Sampdoria e Al-Shaab
Carreira como jogador: Salernitana, Savona, Sambenedettese, Inter, Sampdoria, Padova e New England Revolution
Nota como técnico: 3
Nota como jogador: 8,5
Média: 5,75

Zenga é uma das grandes provas de que nem sempre um grande jogador se torna um treinador de relevo. O milanês foi um dos maiores goleiros da história do futebol italiano e foi ídolo da Inter e da Sampdoria, mas nunca engrenou como técnico. Seu currículo é recheado de passagens por clubes do futebol do Oriente Médio e do Leste Europeu, onde até conseguiu títulos. Em um campeonato mais competitivo, como o Italiano, a história foi diferente: o ex-jogador (agora completamente careca) até apareceu bem no Catania, que salvou do rebaixamento duas vezes – com recorde de pontos em uma delas. Depois, não repetiu a mesma performance: no rival Palermo não teve tanto sucesso e foi demitido após seis meses de trabalho. Surpreendentemente, assumiu a Sampdoria cinco anos depois e foi um dos primeiros responsáveis pela má campanha que o time faz em 2015-16. Sem prestígio com elenco e diretoria, acabou rescindindo o contrato com os blucerchiati.

Walter Novellino


Idade: 62 (nascido em 1953) 
Emprego atual: Palermo
Carreira como técnico: Perugia (duas vezes), Gualdo, Ravenna, Venezia, Napoli, Piacenza, Sampdoria, Torino (duas vezes), Reggina, Livorno, Modena e Palermo
Carreira como jogador: Legnano, Torino, Cremonese, Empoli, Perugia (duas vezes), Milan, Ascoli e Catania
Nota como técnico: 5
Nota como jogador: 6
Média: 5,5

A foto mostra o perfil do futebol de Novellino: ele não se importava de se sujar de lama para atingir seus objetivos. Ex-meia-atacante, o Monzón foi ídolo do Perugia e do Ascoli, além de ter tido passagem sólida pelo Milan (foi campeão italiano das séries A e B) e chegou a ser convocado para a Nazionale. Quando virou treinador, no início dos anos 1990, perambulou pelas divisões inferiores até levar o Venezia à elite e salvá-lo da queda na segunda temporada e fez o mesmo com o Piacenza entre 2000 e 2002. Assim, ganhou a melhor oportunidade da carreira e passou cinco anos na Sampdoria, equipe com a qual conquistou uma vaga na Copa Uefa. Após seis anos de ostracismo, ele reapareceu no Modena e quase levou os emilianos à primeira divisão – o que ajudou com que ele voltasse ao radar de times da Serie A, como o Palermo, seu novo clube.

Stefano Colantuono


Idade: 53 (nascido em 1962) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Sambenedettese, Catania, Perugia, Atalanta (duas vezes), Palermo (três vezes), Torino (duas vezes) e Udinese
Carreira como jogador: VJS Velletri, Ternana, Arezzo, Pisa, Avellino, Como, Ascoli, Frosinone, Sambenedettese (duas vezes), Fermana, Maceratese e Sestrese
Nota como técnico: 6,5
Nota como jogador: 4,5
Média: 5,5

Quando ainda tinha (poucos) cabelos, Colantuono era um zagueiro duro e bom no jogo aéreo. Foi titular em quatro times diferentes da Serie A no fim dos anos 1980 e no início dos 1990, mas acabou rebaixado com todos eles – Pisa, Avellino, Como e Ascoli – antes de rodar pelas divisões inferiores da Itália. Como treinador, o carequinha se destacou em sete anos de Atalanta (quase cinco deles em sequência), conquistando duas vezes a Serie B e mantendo o time na elite com recorde de pontos e de vitórias. Ainda não teve nenhum trabalho muito bom longe de Bérgamo, mas é um dos principais técnicos da história do tradicional clube nerazzurro.

Giuseppe Iachini


Idade: 51 (nascido em 1964) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Venezia, Cesena, Vicenza, Piacenza, Chievo, Brescia, Sampdoria, Siena e Palermo (duas vezes)
Carreira como jogador: Ascoli (duas vezes), Como, Verona, Fiorentina, Palermo, Ravenna, Venezia e Alessandria
Nota como técnico: 5
Nota como jogador: 6
Média: 5,5

Revelado pelo Ascoli, Iachini foi um volante que desenvolveu boa parte de sua carreira na Serie A, pelos marchegiani e também por Verona, Fiorentina e Venezia, além de ter faturado duas vezes a segundona – com Ascoli e Fiorentina – e ter atuado pelas seleção italiana sub-21 na Eurocopa da categoria, em 1986, e também na olímpica, nos jogos de Seul, em 1988. Em sua vida como técnico, após um bom trabalho no Piacenza, ele conseguiu fazer quatro times subirem para a elite – Chievo, Brescia, Sampdoria e Palermo –, mas teve dificuldades na primeira divisão. Com a carreira ligada ao dirigente Maurizio Zamparini – trabalhou com ele no Venezia e depois no Palermo –, sua melhor fase foi com os rosanero, em um time que tinha Dybala e Vázquez.

Franco Colomba


Idade: 61 (nascido em 1955) 
Emprego atual: Livorno
Carreira como técnico: Olbia, Novara, Salernitana, Reggina (três vezes), Vicenza, Napoli (duas vezes), Livorno (duas vezes), Avellino, Cagliari, Verona, Ascoli, Bologna, Parma, Padova e Pune City
Carreira como jogador: Bologna (duas vezes), Modena (duas vezes), Sambenedettese e Avellino
Nota como técnico: 5
Nota como jogador: 6
Média: 5,5

Ter destaque no altíssimo nível do futebol italiano nas décadas de 1970 e 1980 era difícil. Colomba foi um dos jogadores que conseguiram isso atuando por equipes distantes dos grandes centros, como Bologna e Avellino. Líder em campo, o meia mostrava muita qualidade no passe e era o responsável pela saída de bola, ficando entre os melhores na posição na Serie A. Vale lembrar também que ele foi suspenso em 1980 por participação no escândalo Totonero e que foi campeão da Coppa Italia com o Bologna e, já no fim da carreira, da Serie C1 pelo Modena. Como treinador, o toscano teve muitos trabalhos ruins e se destacou principalmente na Reggina, clube pelo qual conseguiu acessos à Serie A e permanência na elite. Entre 2009 e 2012 o ex-meia teve seus melhores momentos na Emília-Romanha, fazendo Bologna e Parma jogarem um futebol competitivo.

Angelo Gregucci


Idade: 51 (nascido em 1964) 
Emprego atual: Alessandria
Carreira como técnico: Reggiana, Viterbese, Legnano, Venezia, Salernitana (duas vezes), Lecce, Vicenza, Atalanta, Sassuolo, Reggina, Casertana e Alessandria
Carreira como jogador: Taranto, Alessandria, Lazio, Torino e Reggiana
Nota como técnico: 5
Nota como jogador: 6
Média: 5,5

Gregucci (ao centro) foi um zagueiro técnico e bom no jogo aéreo. Após quatro anos jogando a quarta divisão pela Alessandria, ele chegou à Lazio em uma época em que o time estava na Serie B e, nos sete anos pelo clube, conseguiu chegar até a seleção italiana. Após a aposentadoria, Gregucci teve uma série de trabalhos ruins e só em 2013, depois de ter sido auxiliar de Mancini no Manchester City, evoluiu: venceu a Coppa Italia da Lega Pro pela Salernitana e, em 2015-16, voltou à Alessandria, para alcançar destaque nacional: além da briga por uma vaga na Serie B, o treinador levou os grigi às semifinais da Coppa Italia. Na competição, a Alessandria passou por Palermo e Genoa e caiu contra o Milan.

Luigi Di Biagio


Idade: 44 (nascido em 1971) 
Emprego atual: Itália sub-21
Carreira como técnico: Itália sub-20 e Itália sub-21
Carreira como jogador: Lazio, Monza, Foggia, Roma, Inter, Brescia e Ascoli
Nota como técnico: 4,5
Nota como jogador: 6,5
Média: 5,5

Com 31 passagens pela seleção italiana e participação em duas Copas do Mundo e uma Eurocopa, Di Biagio foi um dos melhores volantes dos anos 1990 e início dos anos 2000. Em suas passagens por Foggia, Roma e Inter, se destacou pelo poder de marcação, qualidade nos passes e chutes potentes de fora da área. Como técnico ele trabalha, até hoje, apenas com jovens: na categoria de base de clubes romanos e, depois, nas seleções de base italianas. Pelos Azzurrini, com ótima geração, poderia estar fazendo um trabalho melhor, mas acabou eliminado na fase de grupos da Euro sub-21.

Eugenio Corini


Idade: 45 (nascido em 1970) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Portogruaro, Crotone, Frosinone e Chievo (duas vezes)
Carreira como jogador: Brescia (duas vezes), Juventus, Sampdoria, Napoli, Piacenza, Verona, Chievo, Palermo e Torino
Nota como técnico: 4
Nota como jogador: 7
Média: 5,5

Poucos jogadores trataram a bola tão bem nos anos 1990 e 2000 quanto Corini. Regista de altíssima qualidade, ele apareceu com a camisa do Brescia e passou por Juventus e Sampdoria, mas sem explodir de vez. Envelheceu como o vinho e, com as camisas de Chievo e Palermo, mostrou futebol refinado e classe nas cobranças de falta – o meia chegou a ser convocado para a seleção italiana. Após se aposentar, aos 39 anos, seu único trabalho relevante como treinador foi à frente do Chievo, nas duas oportunidades em que livrou os burros alados do rebaixamento. Afastado do futebol há um ano e meio, ainda precisa provar que fora dos campos pode ser tão bom quanto foi como atleta.

Delio Rossi


Idade: 56 (nascido em 1960) 
Emprego atual: nenhum
Carreira como técnico: Torremaggiore, Salernitana (duas vezes), Foggia, Pescara (três vezes), Genoa, Lecce, Atalanta, Lazio, Palermo (duas vezes), Fiorentina, Sampdoria e Bologna
Carreira como jogador: Forlimpopoli, Cattolica, Foggia, Vis Pesaro e Fidelis Andria
Nota como técnico: 6,5
Nota como jogador: 4
Média: 5,25

Meia de formação, Delio Rossi teve carreira pouco gloriosa como jogador, atuando apenas em equipes provincianas e passando mais tempo no Foggia, clube do qual virou torcedor. Na sua carreira como técnico, o romanholo conseguiu feitos, como o título da Serie B com a Salernitana, e emplacou boas campanhas com Lecce e Atalanta até chegar à Lazio. Passou quatro anos positivos em Roma e fez o time praticar bom futebol e conquistar uma vaga na Liga dos Campeões e uma Coppa Italia. Após deixar a capital, fez um trabalho muito bom no Palermo, levando o time à Copa Uefa e à final da copa local, mas começou a se perder em 2012, na Fiorentina, e caiu ainda mais depois que trocou socos com Ljajic.

Rolando Maran


Idade: 52 (nascido em 1963) 
Emprego atual: Chievo
Carreira como técnico: Cittadella, Brescia, Bari, Triestina, Vicenza, Varese, Catania e Chievo
Carreira como jogador: Benacense Riva, Chievo, Valdagno, Carrarese e Fano
Nota como técnico: 6,5
Nota como jogador: 4
Média: 5,25

Outro que perdeu os cabelos, Maran roeu o osso das divisões inferiores e, como capitão, ajudou o Chievo a subir da Serie C2 para a Serie B. Após pendurar as chuteiras, o ex-zagueiro também começou nas divisões inferiores e chamou a atenção do Catania após quase alcançar a elite com o Varese. Na Sicília, fez os etnei jogarem um ótimo futebol e conseguirem seu recorde de pontos na Serie A, e só em 2014 voltou para sua casa, o Chievo. Desde então, tem feito o suficiente para a equipe não correr riscos – em 2014-15, os clivensi tiveram a quarta melhor defesa do campeonato.

Domenico Di Carlo


Idade: 52 (nascido em 1964) 
Emprego atual: Spezia
Carreira como técnico: Mantova, Parma, Chievo (duas vezes), Sampdoria, Livorno, Cesena e Spezia
Carreira como jogador: Cassino, Treviso (duas vezes), Como, Ternana, Palermo, Vicenza, Lecce, Livorno e Südtirol
Nota como técnico: 5
Nota como jogador: 5,5
Média: 5,25

O meia central Mimmo Di Carlo estreou na Serie B apenas aos 29 anos e, na elite, aos 31. Já experiente, ajudou o Vicenza a ser campeão da Coppa Italia em 1997 e, aí, sumiu dos olhos dos grandes centros. Como treinador, também foi no Vêneto que ele teve seus melhores momentos, à frente do Chievo: conseguiu três vezes a salvezza e, com seu estilo defensivo e de compactação, chegou a ter uma das melhores defesas do campeonato. O ponto baixo da carreira do carequinha foi o fracasso à frente da Sampdoria: de classificada à Liga dos Campeões, a equipe acabou rebaixada. Di Carlo vai tentando colocar a carreira nos trilhos após um trabalho regular no Cesena e, atualmente, briga pelo acesso à elite pelo Spezia.

Gianni De Biasi


Idade: 59 (nascido em 1956) 
Emprego atual: Albânia
Carreira como técnico: Pro Vasto, Carpi, Cosenza, Spal, Modena, Brescia, Torino (três vezes), Levante, Udinese e Albânia
Carreira como jogador: Treviso (duas vezes), Inter, Reggiana, Pescara, Brescia, Palermo, Vicenza e Bassano Virtus
Nota como técnico: 6
Nota como jogador: 4
Média: 5

Em sua carreira como jogador, o meia De Biasi teve passagens na Serie A por Pescara e Brescia e venceu a terceira divisão com o Palermo – além de ter sido suspenso por manipulação de resultados. Após iniciar a carreira como treinador, levou o Modena da terceira à primeira divisão e comandou o Brescia na última temporada de Baggio como profissional. O treinador vêneto também foi importante para o Torino, que comandou na volta à elite e também salvou de duas quedas para a Serie B. De Biasi comanda a seleção da Albânia desde 2011 e é um dos responsáveis pela melhor fase da história das águias, que se classificaram pela primeira vez para a Eurocopa: jogarão a edição de 2016. O italiano até ganhou título de cidadão honorário albanês pelo feito.

Edy Reja


Idade: 70 (nascido em 1945) 
Emprego atual: Atalanta
Carreira como técnico: Molinella, Monselice (duas vezes), Pordenone, Pro Gorizia, Treviso, Mestre, Varese, Pescara, Cosenza, Verona, Bologna, Lecce, Brescia, Torino, Vicenza, Genoa, Catania, Cagliari, Napoli, Hajduk Split, Lazio (duas vezes) e Atalanta
Carreira como jogador: Spal, Palermo, Alessandria e Benevento
Nota como técnico: 6
Nota como jogador: 4
Média: 5

Um dos maiores globetrotters da Serie A, Reja está na ativa desde o fim dos anos 1970 e já treinou 14 equipes com passagens pela Serie A. Ele só repetiu clube uma vez (a Lazio) e foi importante para a história recente dos romanos e também do Napoli – clube em que iniciou um ciclo vencedor. Adepto dos contra-ataques e de um 3-5-2 geralmente defensivo, o técnico de origem eslovena se dá bem em times de poucos recursos e já conseguiu quatro acessos à elite – até por isso, costuma ser opção para equipes da parte mais baixa da tabela. Como jogador, teve uma carreira modesta e mais destaque pela Spal e pelo Palermo.

Roberto Stellone


Idade: 39 (nascido em 1977)
Emprego atual: Frosinone
Carreira como técnico: Frosinone
Carreira como jogador: Lodigiani, Lucchese, Parma, Lecce, Napoli, Reggina, Genoa, Torino e Frosinone
Nota como técnico: 6
Nota como jogador: 3,5
Média: 4,75

Um namoro que nunca deu certo foi o de Stellone com a Serie A. Quando era jogador profissional, o ex-atacante marcou apenas 11 gols na elite, mas na segundona costumava ir bem. Como treinador tem apenas quatro anos de experiência e apenas um trabalho, mas também arrebentou nas divisões inferiores e levou o pequeno Frosinone, de elenco limitado, da terceira à primeira divisão – o time segue na luta pela permanência. Stellone tem mostrado potencial, mas resta saber se vai conseguir se firmar entre os principais técnicos do país.