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terça-feira, 30 de agosto de 2016

[Especial Romadas #1] Uma semana perfeita de iniciação ao romanismo

Pintura rupestre de 15 mil anos atrás retrata caçador que esqueceu de afiar a própria lança: primeira romada? (Wikimedia)

Vamos tirar logo um impulso do peito: a Roma é patética. Doa a quem doer – dói em quem escreve –, mas mais vale carregar a verdade como um fardo a trazer contorcionismos lógicos que neguem o explícito. A Roma é, sim, patética. Talvez o tenha sido desde sempre; talvez seja coisa da pós-modernidade, ou da Revolução Cultural Chinesa. Tanto faz. Acontece que "pipocar", "amarelar" e "entregar a paçoca" não traduzem precisamente a dramédia que alicerça toda a capacidade de fechamento narrativo do clube em questão. Apenas o romar sintetiza o romar.

Há anos, talvez já mais de uma década, propusemos – eu e Braitner Moreira, criador e arquiduque do Quattro Tratti –, a romada, do verbo romar, como o subgênero das infelicidades súbitas quando tudo parece conspirar a favor, do 2 a 0 imperdível à classificação encaminhada. Desde então, com inúmeros casos contabilizados, a romada se tornou popular entre alguns quatorze fãs de futebol italiano por aqui. Pois nada, nada é mais característico aos giallorossi do que um bom e velho desastre, e não há semana de introdução ao romanismo mais precisa do que esta. Vejam a derrota para o Porto, na terça-feira, valendo vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões. Diante de um empate fora de casa em 1 a 1, bastaria segurar um placar fechado, ou vencer em casa. Aqui entram os meandros:
  • Romar não significa perder para o Porto;
  • Romar não significa cair da Liga dos Campeões antes mesmo de ela começar;
  • Romar não significa nem mesmo ser goleado em casa pelo Porto, com a vaga (e, subsequentemente, o orçamento) mais importante da temporada em jogo;

Romar significa entrar em campo com a classificação a seu favor, levar um gol aos oito minutos; perder o capitão com cartão vermelho no primeiro tempo; perder outro defensor com outro cartão vermelho aos 50 minutos; sofrer o gol definitivo porque o goleiro emulou Fábio Costa na final da Libertadores e abandonou a meta que deveria proteger e, por fim; receber o golpe final num lance em que o principal zagueiro adquire escoliose. Oras, todo o processo dos noventa minutos se configura como um tragédia conceitual de humor autodepreciativo – da angústia se extrai a romada.

Processo esse que se completou no domingo, quando a Roma abriu dois a zero de vantagem sobre o Cagliari. Enganou-se quem havia interpretado a aposentadoria de Daniele Conti, ex-romanista e, claro, eterno carrasco capitolino, como um bom presságio: o Cagliari naturalmente empatou. O primeiro gol do adversário veio do ex Borriello (quarto nos últimos quatro jogos contra a Roma); o segundo, quase nos acréscimos (!), após entregada bisonha do próprio capitão Florenzi (!!), da cabeça do jogador mais baixo em campo (1.69m!!! Curiosamente, não o primeiro gol de cabeça de Sau nos giallorossi). Se a Roma fosse um filósofo prussiano de séculos atrás, esta semana seria o livro Introdução ao filósofo prussiano de séculos atrás.

Imagens das mais recente romadas: tudo seria chocante se fosse novidade. (EPA)
Sczczesny: difícil de escrever; impossível de entender.

Após o 2x2, Spalletti aproveita o arrependimento da existência para treinar prancha abdominal.
(Se a Roma fosse um convidado no jantar de sogros que ainda não conhece, ela se comportaria perfeitamente até a sobremesa, e então proporia uma discussão sobre o aborto. Se a Roma fosse a carreira de um músico, seria a carreira de Syd Barrett. Se a Roma fosse uma compra pela internet, ela seria um produto extraviado. Se a Roma fosse um momento da Fórmula-1, seria o "hoje não, hoje não, hoje sim!". Se a Roma fosse um Deus ex machina olímpico, seria o padre irlandês em Atenas. Se a Roma fosse um desfecho de videogame, seria o desfecho de Mass Effect 3. Se a Roma fosse um atentado terrorista, seria nenhum atentado terrorista, pois atentados são coisa séria, e a Roma é uma gigantesca piada.)

Podemos elucubrar justificativas racionais para a natureza da romada. A imensa pressão da cidade, por exemplo, não corresponde ao tamanho médio do clube, o qual sem Totti seria apenas uma Lazio. Roma vive de expectativas imensas em orçamentos baixos; anseios calorosos em elencos limitados; críticas severas em boatos fofoqueiros. Isso tudo certamente atrapalha.

Podemos, também, sugerir explicações mais simples e, portanto, divertidas: a Roma é amaldiçoada, fornecendo argumentos anuais para que ateus reconsiderem a existência. Como aquela simples analogia na qual se alteram as moscas, mas não o dejeto, o diarreico DNA romanista permanece o alvo da piada – técnico algum é capaz de incutir a famosa mentalità vincente no elenco. Para reforçar como isso tudo não é viagem nossa, os anglófonos da Chiesa Di Totti hoje tratam o fenômeno pela frase "Roma happened", isto é, Roma aconteceu.

Romadas são explicação parcial para a condição de eterno vice da equipe giallorossa. Se analisarmos atentamente, seu desempenho na Serie A no século 21 é o mais regular da Itália: desconsiderando 2000, o time da capital foi vice em 2002, 2004, 2006, 2007, 2008, 2010, 2014 e 2015. Oito é coisa pra cacete, ainda mais quando comparado ao número títulos da Roma no século 21, isto é, um. Em 2001. Desde então, Inter, Milan e Juventus passaram o bastão entre si várias vezes, com o grupo Totti & Os Esquecíveis sempre chegando com milissegundos de distância.

Aos que sonham com alguma mudança de paradigma, esqueçam. O campeão, pois, é sempre "x", e a Roma é sempre o resultado de "x – y", sendo "y" uma variável mística diretamente envolvida com a perda de pontos bobos. Esse número tem intrigado os matemáticos italianos desde Leonardo da Vinci. Na temporada 2016/17, não será diferente: invista em casas de apostas quando o dois a zero for favorável; invista em derrotas elásticas nos confrontos decisivos, principalmente se europeus. Quando essa equipe (talentosa, reforçada, numerosa) cair nas oitavas de final da Liga Europa para algum clube eslovaco – não que algo congênere já tenha acontecido –, lembraremos de que, afinal, a Roma é patética. O fim de agosto foi mera amostra.



Na parte 2 do Especial Romadas, uma lista masoquista de situações expressivas em que a equipe romou. Ao contrário da defesa romanista, fique atento.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

2ª rodada: Uma Inter marcha lenta

A cara de quem tem muito trabalho pela frente: Banega e a Inter necessitam de adaptação (Getty)
Na rodada que antecede a pausa para a data Fifa, a Serie A já caminha para a abertura da vantagem da Juventus na liderança: em duas rodadas, a Velha Senhora é uma das quatro equipes a manter 100% de aproveitamento, ao lado de Sassuolo, Genoa e Sampdoria. Por sua vez, a Inter, uma de suas adversárias, tropeçou novamente, e mostrou que precisa percorrer um longo caminho para que possa competir em alto nível no topo da tabela. Se Roma e Milan tropeçaram, Napoli, Fiorentina e Torino se recuperaram em um fim de semana de muitos gols (32).

Inter 1-1 Palermo
Icardi (Candreva) | Rispoli

Tops: Banega (Inter) e Rispoli (Palermo) | Flops: Santon (Inter) e Nestorovski (Palermo)

A partida poderia ter sido bastante fácil para a Inter contra o frágil Palermo, mas acabou se tornando mais um tropeço dos nerazzurri, que tiveram outra atuação ruim. O time sofre muito com a preparação física horrível da pré-temporada e não tem o ritmo para desenvolver um jogo mais intenso e organizado, assim como o treinador De Boer ainda se adapta ao elenco e ao futebol italiano, tentando implementar seus métodos.

Entre a falta de qualidade, o time de Ballardini se sacrificou e competiu em San Siro, chegando ao gol em lance de sorte, mas resistindo à pressão dos anfitriões. Depois de abrir o placar com um chute de Rispoli, desviado em Santon, o time rosanero vacilou feio ao deixar Icardi sozinho na pequena área em cruzamento de Candreva, mas conquistou importante e improvável resultado. Já a Inter vai ter que trabalhar bastante na pausa para a data Fifa, contando ainda com desfalques importantes dos selecionáveis. A ver como João Mário, Gabriel e algum outro provável contratado se encaixarão no time.

Lazio 0-1 Juventus
Khedira (Dybala)

Tops: Felipe Anderson (Lazio) e Khedira (Juventus) | Flops: Biglia (Lazio) e Mandzukic (Juventus)

Ainda sem ritmo, mas mostrando força, organização e desequilíbrio individual, a Juventus é a única entre os favoritos a permanecer 100% no campeonato. Na capital, foi sólida defensivamente como sempre e dessa vez contou com um Dybala mais participativo e mais entrosado com Dani Alves e Khedira. Foi numa jogada clássica da equipe que saiu o único gol: recuo do argentino para lançar o alemão, sempre buscando inteligentes desmarques e infiltrações na área adversária. Movimento, domínio e finalização de centroavante do artilheiro juventino na temporada – os bianconeri continuam invictos quando ele está em campo. A Lazio fez partida de muito sacrifício, marcando agressivamente e causando desconforto para a Velha Senhora. Como resultado, teve atuação muito superior à da primeira rodada (mesmo que tenha saído com a vitória frente a Atalanta), mas não teve criatividade e a mesma atitude quando tentou atacar a irretocável defesa bianconera.

Napoli 4-2 Milan
Milik, Milik (Callejón), Callejón, Callejón | Niang (Suso), Suso

Tops: Milik e Mertens (Napoli) | Flops: Abate e De Sciglio (Milan)

Dries Mertens' on fire, your defence is terrified, nanah. Que início de temporada do baixinho belga. Depois da participação decisiva na primeira rodada, Mertens roubou o lugar de Insigne, em má fase e não convocado para a seleção, e novamente aproveitou a oportunidade. No San Paolo, destruiu a defesa rossonera e foi o protagonista da noite, apesar dos artilheiros Milik e Callejón. Mas não foi tão fácil para o time do técnico Sarri, que foi expulso pela enésima vez em seu período azzurro, durante o quente segundo tempo. O Milan fez jogo duro, teve boa estratégia e anulou o ótimo meio-campo napolitano. Assustou com o primeiro gol, levou o segundo em escanteio, mas voltou a reagir no segundo tempo e empatou em quatro minutos, aproveitando o desempenho ruim da defesa adversária, especialmente do fora de forma Reina. Prevaleceu, porém, a agressividade anfitriã e os erros ainda piores da defesa milanista – sem falar nas expulsões de Kucka e Niang, algo que mostrou o destempero da equipe. Donnarumma, primeira vez convocado para a seleção, fez mais uma ótima partida.

Cagliari 2-2 Roma
Borriello e Sau (Isla) | Perotti (pênalti) e Strootman (Dzeko)

Tops: Di Gennaro (Cagliari) e Dzeko (Roma) | Flops: Padoin (Cagliari) e Salah (Roma)

Tudo se encaminhava para uma ótima vitória fora de casa, com um gol marcado nos minutos iniciais, novamente com Perotti cobrando pênalti, e o segundo logo após a volta do intervalo – Strootman voltou a balançar as redes após cerca de três anos. Apesar disso, se transformou em mais uma romada. A equipe de Luciano Spalletti começou bem a temporada, com empate fora de casa no play-off da Liga dos Campeões e goleada na estreia da Serie A, mas fecha o mês e vai para a data Fifa em uma situação bastante desconfortável, eliminada da principal competição continental e cedendo vantagem nos minutos finais. O Cagliari conquistou seu primeiro ponto com gosto especial, mostrando que pode confiar na dupla Borriello e Sau, decisiva para a aguerrida busca pelo empate.

Fiorentina 1-0 Chievo
Sánchez (Ilicic)

Tops: Alonso, Sánchez e Ilicic (Fiorentina) | Flops: Dainelli (Chievo)

A Fiorentina segue sem impressionar – muito pelo contrário –, mas dessa vez conquistou a vitória. Contra o chato Chievo, sempre muito bem organizado e sólido, conquistou os três pontos com um improvável gol de cabeça do colombiano Sánchez, que estreou como titular e marcou, com assistência de Ilicic. O esloveno, para variar, foi o jogador mais criativo de uma equipe que não teve outras grandes oportunidades, apesar da boa participação de Tello, Valero e Kalinic. Atenção para as saídas dos lesionados Tatarusanu e Vecino, todos substituídos ainda no primeiro tempo, assim como o volante colombiano, no segundo tempo.

Torino 5-1 Bologna
Belotti (De Silvestri), Belotti (De Silvestri), Martínez (Benassi), Baselli (Boyé), Belotti (Molinaro) | Taïder

Tops: De Silvestri e Belotti (Torino) | Flops: Oikonomou e Gastaldello (Bologna)

Super Torino, super Belotti. A equipe de Sinisa Mihajlovic e o jovem bomber (convocado para a seleção e agora artilheiro do campeonato, com quatro gols), não tiveram piedade de um lento e desordenado Bologna. Mesmo sem dominar o jogo, o Torino teve o controle da bola, foi sólido defensivamente e muito eficiente durante os ataques. A goleada, por incrível que pareça, poderia ser ainda maior, já que Mirante evitou pelo menos outros dois ou três gols, incluindo um pênalti cobrado por Belotti. O "Galo", no entanto, estava inspirado e anotou três vezes aproveitando os apoios dos laterais e a incrível desorganização defensiva do time de Roberto Donadoni. Os grenás poderão incomodar.

Crotone 1-3 Genoa
Palladino | Gakpé (Ntcham), Pavoletti (Miguel Veloso), Pavoletti (Izzo)

Tops: Palladino (Crotone) e Pavoletti (Genoa) | Flops: Simy (Crotone) e Ocampos (Genoa)

Quem diria que o Genoa de Ivan Juric seria o líder do campeonato. Com duas vitórias por 3 a 1, todas de virada, está na frente de Juventus, Sampdoria e Sassuolo, todos com a mesma campanha, mas com saldo de gols menor. O time genovês fez primeiro tempo ruim e por pouco não levou a pior: embalado por Palladino, o Crotone acertou a trave duas vezes e marcou justamente com a antiga promessa da Juventus. A reação do time visitante veio no segundo tempo, e foram cruciais as orientações e mudanças do treinador grifone. Em jogada do jovem Ntcham, Gakpé empatou e logo em seguida Pavoletti deu as caras – ou melhor, apareceu com a cabeça. Um cenário que deve se repetir ao longo da temporada é o das faltas cobradas por Miguel Veloso para finalização do bomber – e foi assim que o gol da virada foi marcado. Dez minutos depois, para garantir a vitória, novamente o camisa 19 anotou e definiu o placar. Vale lembrar que o Crotone mandou seu primeiro jogo longe da sua casa, já que o estádio Ezio Scida está em reformas: a partida foi realizada no estádio Adriatico, de Pescara.

Sampdoria 2-1 Atalanta
Quagliarella (pênalti), Barreto (Muriel) | Kessié

Tops: Muriel (Sampdoria) e Kessié (Atalanta) | Flops: Paloschi e Carmona (Atalanta)

A exemplo de seu rival local, a Sampdoria também surpreende pelo início vitorioso. São vitórias fundamentais para dar tranquilidade e confiança à equipe de Marco Giampaolo, em meio ao caos organizacional da direção de Massimo Ferrero. Importante salientar o início de temporada de Muriel, que finalmente promete vingar e corresponder às altas expectativas. O colombiano novamente foi protagonista e, apesar de não ter marcado, participou dos gols que deram a virada e a vitória em casa, além de ter mandado uma bola na trave. A Atalanta de Gasperini segue sem vencer, mas teve duas derrotas apertadas e um estilo bastante agressivo. Chama a atenção também o oportunismo do jovem volante Kessié, que já soma três gols na Serie A.

Sassuolo 2-1 Pescara
Defrel (Duncan), Berardi | Manaj (Mitrita)

Tops: Duncan e Berardi (Sassuolo) | Flops: Peluso (Sassuolo) e Memushaj (Pescara)

No ritmo de Berardi, o Sassuolo teve mês de agosto perfeito. O time está invicto na temporada, se classificou para a fase de grupos da Liga Europa e está no topo da tabela da Serie A, logo atrás de Genoa e empatado com Juventus e Sampdoria. O jovem atacante calabrês está em ótima fase, com sete gols em seis partidas e teve ótima noite contra o Pescara, marcando o gol da vitória, depois de Defrel abrir o marcador. Mas a equipe de Massimo Oddo também foi muito bem e fez grande partida, apesar da derrota. Agressivo e técnico, o jovem time teve mais posse de bola e maior número de finalizações, e pecou justamente no momento do gol. Manaj, promissor albanês emprestado pela Inter, descontou já nos minutos finais, completando jogada do romeno Mitrita.

Udinese 2-0 Empoli
Felipe e Perica

Tops: Karnezis (Udinese) e Saponara (Empoli) | Flops: Zapata (Udinese) e Laurini (Empoli)

Com direito a Samir na lateral esquerda, ótima atuação de De Paul e decisivas defesas de Karnezis, a Udinese conquistou importante vitória em casa. Os três pontos foram conquistados graças aos gols nos extremos da partida: Felipe abriu o placar após escanteio, aos três minutos, e Perica ampliou já com quatro minutos de acréscimos na etapa final. Saponara reagiu e fez grande partida, acertou a trave, deu passes para finalização, driblou bastante, mas tudo isto não foi o suficiente para evitar a derrota do lanterna do campeonato – algo que o Empoli está acostumado, já que foi assim nas últimas quatro participações na Serie A. O time toscano se manteve na elite com Sarri e Giampaolo, mas conseguirá com Martusciello, assistente dos ex-treinadores?

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 1ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Karnezis (Udinese); De Silvestri (Torino), Benatia (Juventus), Salamon (Cagliari), Milic (Fiorentina); Khedira (Juventus), Sánchez (Fiorentina); Berardi (Sassuolo), Milik (Napoli), Mertens (Napoli); Belotti (Torino). Técnico: Sinisa Mihajlovic (Torino).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

sábado, 27 de agosto de 2016

Jogadores: Francesco Baiano

Útil e pouco badalado, Baiano foi um dos bons atacantes da Serie A nos anos 1990 (Brivido Sportivo)
O que é que o Baiano tem? Além de ter nascido bem longe da Bahia, o atacante Francesco Baiano conseguiu destaque no futebol da Itália por causa de seu estilo insinuante: atuando especialmente pelos flancos, o jogador ambidestro, rápido e habilidoso se consolidou como uma máquina de fazer gols, principalmente com as camisas de Fiorentina e Foggia.

Nascido em Nápoles, Baiano entrou nas categorias de base do Napoli no início dos anos 1980 e em 1984-85 foi agregado ao elenco principal do clube partenopeu. A estreia com a camisa azzurra, porém, só aconteceu na temporada seguinte: aos 17 anos, ele foi colocado em campo pelo técnico Ottavio Bianchi em um jogo da Coppa Italia, contra a Salernitana. Naquela temporada, Baiano fez quatro partidas na Serie A.

Muito jovem, o atacante não teria muito espaço no time, já que Andrea Carnevale, Bruno Giordano e Diego Maradona eram os titulares do ataque napolitano. Dessa forma, Baiano foi emprestado ao Empoli e, com algumas assistências e dois gols marcados em 26 partidas, ajudou os toscanos, estreantes na Serie A, a permanecerem na elite.

Em 1987, o atacante retornou ao Napoli, que foi campeão durante sua passagem pelo Empoli, mas não encontrou espaço novamente: apesar de ter atuado na Copa dos Campeões contra o Real Madrid, Baiano só fez um jogo pela Serie A e outras partidas pela Coppa Italia. Pouco aproveitado, o jogador foi emprestado para equipes da Serie B outras três vezes até o final do seu contrato e vestiu as camisas de Parma, Empoli (pela segunda vez) e Avellino. O grande destaque individual aconteceu com os empoleses, em 1988-89, temporada em que anotou 14 gols, mas não evitou a queda dos azzurri para a Serie C1.

As atuações na segundona não foram suficientes para que o Napoli decidisse apostar no prata da casa como substituto de Carnevale, negociado com a Roma. Enquanto Andrea Silenzi e Giuseppe Incocciati aterrissavam no clube de Fuorigrotta, Baiano foi vendido para o Foggia, também da Serie B. No clube apuliano, que tinha acabado de contratar o técnico Zdenek Zeman, o atacante de 22 anos iniciava o período mais frutífero de sua carreira.

Boas apresentações com a camisa do Foggia levaram o napolitano à seleção italiana (Gerardo Parrella)
Sob as ordens de Zeman, Baiano teve um verdadeiro boom em suas atuações. O técnico checo, conhecido por dar treinamentos estafantes e exigir um futebol extremamente ofensivo, formou um tridente de ataque com o jogador napolitano e outros dois atletas sem grande histórico, ainda entre os 21 e 22 anos. Giuseppe Signori e Roberto Rambaudi, que atuavam na Serie C1, estavam no clube desde 1989 e, com a companhia de Baiano, deslancharam. O Foggia conquistou o título da segunda divisão graças aos 48 gols do trio, um número superior ao de 16 times do torneio – os satanelli, claro, tiveram o melhor ataque da Serie B, com 67 tentos. Baiano balançou as redes 22 vezes e se sagrou artilheiro do torneio.

Com a camisa da equipe rossonera da Apúlia, Baiano começou a consolidar sua forma de atuar. Ambidestro e muito veloz, ele jogava pelo lado direito do campo de ataque e não entrava tanto na área, mas Zeman resolveu aproximá-lo do gol, já que ele era bastante dinâmico, se movimentava bem e era um finalizador excepcional. Essa mudança fez do habilidoso atacante uma das figuras fundamentais do Milagre de Foggia e nas ótimas apresentações da Zemanlândia na Serie A.

Na volta à elite, em 1991, o atacante napolitano foi o grande nome da histórica campanha dos satanelli, que ficaram com a 9ª posição na Serie A e por pouco não se classificaram para a Copa Uefa. Baiano foi o terceiro colocado na artilharia do campeonato, com 16 gols, ficando atrás somente de lendas, como Marco van Basten e Roberto Baggio. No mesmo ano, ele recebeu duas convocações para a seleção italiana e enfrentou Noruega e Chipre, em jogos válidos pelas Eliminatórias para a Euro 1992.

O ótimo desempenho na Apúlia fez com que Baiano recebesse uma proposta da Fiorentina, clube pelo qual mais vezes entraria em campo na carreira – 119 jogos. Na primeira temporada, a dupla de ataque com Gabriel Batistuta até teve bons números: 16 gols para o argentino e 10 para o italiano, que ainda liderou a lista de assistências, com 12 passes para os companheiros balançarem as redes. Os dois ajudaram os gigliati a ficarem algum tempo na vice-liderança da Serie A, mas o time florentino, que vivia fase negativa nos aspectos econômico e técnico, caiu de rendimento e foi rebaixado para a Serie B. Isso fez com que o napolitano perdesse a oportunidade de seguir na seleção italiana.

A Fiorentina voltou à elite imediatamente após a queda, mas, por causa de uma séria lesão, Baiano pouco foi utilizado na campanha. Nos anos posteriores, o técnico Claudio Ranieri fez do napolitano coadjuvante e garçom para Batistuta, o que diminuiu sua média de gols. Ainda assim, o ex-jogador do Foggia continuou como titular e, com 14 gols, foi o vice-artilheiro da equipe em 1995-96 – ano em que a viola foi terceira colocada na Serie A e levou a Coppa Italia. De quebra, ainda ganhou a Supercopa Italiana e ajudou a Fiorentina a chegar às semifinais da Recopa em seu último ano em Florença.

O atacante do Derby County foi um dos muitos italianos a atuarem
na Inglaterra na década de 1990 (Premier League)
Depois do sucesso na Bota, Baiano se transferiu para a Inglaterra, aos 29 anos. Naqueles anos, a Premier League recebia muitos jogadores italianos, como Gianluca Vialli e Gianfranco Zola, que foram pioneiros e abriram as portas para o atacante da Fiorentina e tantos outros. Baiano, no entanto, acertou com o pequeno Derby County, juntamente com o compatriota Stefano Eranio, do Milan.

Os Rams tinham retornado à elite na temporada anterior e formaram um time interessante, que conseguiu superar as expectativas e alcançou a 9ª posição no Campeonato Inglês 1997-98 e a 8ª no seguinte. Baiano foi eleito pela torcida o melhor jogador do Derby em sua primeira temporada no clube, superando alguns colegas, como Rory Delap, Paulo Wanchope, Deon Burton e Igor Stimac. Pudera, foram 12 gols marcados no bom ano dos alvinegros – no segundo ano em Pride Park, o camisa 27 anotou outros seis.

Em novembro de 1999, perto de completar 32 anos, Baiano retornou à Itália e fechou com o Ternana, da Serie B. Nunca mais voltaria a atuar em alto nível, nem pelos rossoverdi nem pelo time ao qual se transferiu meses depois – a Pistoiese, que defendeu por dois anos e que caiu para a Serie C1 em 2002. O fim da passagem pelos arancioni não tirou Baiano da Toscana: ele assinou com a pequeníssima Sangiovannese, que atuava na quarta divisão. Durante sua presença de seis temporadas, tanto como jogador quanto como auxiliar técnico, a equipe atuou na terceirona, o máximo que atingiu em quase 90 anos de existência.

Baiano aposentou-se apenas aos 41 anos, depois de uma temporada como jogador e técnico do Sansovino, time semi-amador da Toscana. Nos anos seguintes, o ex-jogador foi auxiliar de Giuseppe Sannino em Varese, Siena, Palermo e Chievo, além de comandante do Scandicci, da Serie D, por um curto período de tempo. Hoje, Baiano vive na Toscana, região que adotou após o sucesso que obteve na Fiorentina.

Francesco Baiano
Nascimento: 24 de fevereiro de 1968, em Nápoles, Itália
Posição: atacante
Clubes: Napoli (1984-86 e 1987), Empoli (1986-87 e 1988-89), Parma (1987-88), Avellino (1989-90), Foggia (1990-92), Fiorentina (1992-97), Derby County (1997-99), Ternana (2000), Pistoiese (2000-02), Sangiovannese (2002-08) e Sansovino (2008-09)
Títulos: Serie B (1991 e 1994), Coppa Italia (1996) e Supercopa Italiana (1996)
Seleção italiana: 2 jogos e nenhum gol

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Guia da Serie B 2016-17

Um dos favoritos ao acesso, Verona conta com o capitão Pazzini para voltar à elite (L'Arena)
Início de temporada, mas sem muitos motivos para festa. Um forte terremoto atingiu a parte central da Itália e deixou cerca de 250 mortos e milhares de desabrigados, mas a Serie B será iniciada nesta sexta, com a partida entre Spezia e Salernitana. Apesar do luto, preparamos o guia da competição, que terá a participação de 22 clubes de 12 diferentes regiões do país, com três favoritos ao acesso – além de seis outras equipes que correrão por fora em busca de uma vaga na Serie A. Confira a análise.

Os favoritos

Verona
Destaques: Giampaolo Pazzini (atacante) e Federico Viviani (meia)
Principais contratações: Simone Andrea Ganz (a, Juventus) e Antonio Caracciolo (z, Brescia)
Técnico: Fabio Pecchia

Lanterna da última Serie A, o Verona aparece como principal candidato ao título da segundona. Pecchia, ex-auxiliar de Rafa Benítez, é o recordista de rebaixamentos na elite como jogador, mas tem grandes chances de fazer o caminho oposto como técnico. Substituto do experiente Luigi Delneri, o treinador deverá fazer a equipe superar as saídas de peças importantes, como Toni, Gollini, Moras, Samir, Emanuelson e Ionita e se reconstruir em volta de Pazzini, um dos jogadores mais gabaritados da Serie B. O centroavante herdou a faixa de capitão e será uma das esperanças de um elenco que continua forte: tem Nícolas (goleiro destaque do Trapani em 2015-16), os defensores Caracciolo, Bianchetti e Helander, os meias Rômulo, Viviani, Bessa, Greco, Wszolek e os atacantes Siligardi, Ganz, Luppi, Juanito e Fares. Grupo forte o suficiente para colocar os butei de volta na primeira divisão.

Bari
Destaques: Giuseppe De Luca (atacante) e Mattia Cassani (lateral direito)
Principais contratações: Mattia Cassani (ld, Sampdoria) e Migjen Basha (v, Lugano)
Técnico: Roberto Stellone

Desde a queda para a Serie B, em 2011, a fanática torcida dos galletti sonha com a volta para a elite. Um dos clubes mais tradicionais do sul da Itália, o Bari não montou um elenco tão competitivo quanto o do ano passado, por questões financeiras, mas apostou no competente técnico Stellone para enfim consumar o sonho do acesso. O treinador já conseguiu fazer o modesto Frosinone subir à elite sem nenhum jogador de renome e pode fazer o mesmo com os biancorossi. Peças importantes como Contini, Donkor, Donati, Gemiti, Porcari, Rosina, Lazzari, Sansone e Puscas foram embora, mas a equipe se agarra à técnica de De Luca, aos gols de Maniero, Fedato e Monachello e à experiência de Moras, Cassani, Basha e Valiani para tentar subir. Outros jogadores interessantes do elenco são o brasileiro Raphael Martinho e o lateral Sabelli.

Carpi
Destaques: Kevin Lasagna (atacante) e Cristian Zaccardo (zagueiro)
Principais contratações: Leonardo Blanchard (z, Frosinone) e Andrea Catellani (a, Spezia)
Técnico: Fabrizio Castori

Bate e volta? Um dos estreantes da última Serie A, o Carpi caiu com dignidade e tem grande potencial de conseguir sua segunda participação na elite. A equipe emiliana prossegue sob o comando do técnico Castori e manteve quase todo o elenco que disputou a primeira divisão, incluindo destaques, como Zaccardo, Lasagna, Pasciuti, Lollo, Di Gaudio, Letizia, Belec e Romagnoli e também. Reforçados pelo bom zagueiro Blanchard e pelo atacante Catellani, os carpigiani podem batalhar por uma vaga direta primeira divisão.

Experiente defensor Cassani chegou ao Bari como um dos principais reforços dos galletti (Getty)
Correm por fora

Trapani
Destaques: Bruno Petkovic (atacante) e Igor Coronado (atacante)
Principais contratações: Mihai Balasa (ld, Crotone) e Luca Crecco (v, Lazio)
Técnico: Serse Cosmi

O Trapani teve o melhor ataque da última Serie B – excluindo-se os times que subiram para a elite – e é no forte dueto ofensivo que a equipe, terceira colocada e eliminada nos play-offs em 2015-16, deposita suas fichas novamente. O folclórico e motivador Cosmi continuará apostando em um 3-5-2 de muita movimentação, com Petkovic e o brasileiro Igor Coronado (às vezes, substituído pelo italiano Citro) como grandes terminais das jogadas. A contratação do ótimo ala romeno Balasa promete fazer do time siciliano ainda mais eficiente pelo flanco direito e brigar mais forte pelo inédito acesso.

Frosinone
Destaques: Daniel Ciofani (atacante) e Francesco Bardi (goleiro)
Principais contratações: Nicolò Brighenti (z, Vicenza) e Andrea Cocco (a, Pescara)
Técnico: Pasquale Marino

De volta à série cadetta após uma participação digna na elite, o Frosinone perdeu o técnico Stellone para o Bari e decidiu colocar suas fichas no kamizake Marino. O ofensivo treinador, que estava no Vicenza e tem passagens por Catania, Udinese e Parma, chegou pedindo algumas peças que foram importantes na campanha que quase levou os vicentinos para a elite, como os defensores Ariaudo e Brighenti e o atacante Pescara. Entre os jogadores importantes da campanha na Serie A, os frusinati perderam Leali, Pavlovic, Blanchard, Ajeti, Chibsah, Tonev, mas conseguiram manter parte do time, incluindo o ótimo goleiro Bardi e vários outros nomes, como os irmãos Ciofani, Paganini, Gucher, Soddimo e Kragl. Reforços, efetivamente, são poucos, mas a torcida sonha em poder assistir partidas da Serie A no estádio Matusa outra vez.

Spezia

Destaques: Pietro Iemmello (atacante) e Nenê (atacante)
Principais contratações: Pietro Iemello (a, Foggia) e Alessandro Piu (a, Empoli)
Técnico: Domenico Di Carlo

O Spezia foi campeão simbólico da Itália em um campeonato ocorrido na II Guerra Mundial, mas nunca disputou a primeira divisão na era dos pontos corridos. A equipe vem forte para buscar a estreia na elite e, depois de boas campanhas na Coppa Italia e de ser eliminado por três anos seguidos nos play-offs de acesso para a Serie A, espera conseguir sorte melhor desta vez. O time é treinado pelo experiente Di Carlo e desfez a colônia croata que tinha – sobrou apenas Budan, ex-jogador e diretor esportivo –, dando espaço para muitos italianos. Os experientes Terzi (zagueiro), Pulzetti (meia) e Nenê (aquele mesmo, atacante brasileiro, ex-Cagliari) serão alguns dos destaques do time, juntamente ao goleador Iemmello, formado pela Fiorentina e de grande sucesso pelo Foggia, na terceira divisão.

Cosmi guiará mais uma vez o Trapani a um inédito acesso (AP)
Brescia
Destaques: Antonio Caracciolo (atacante) e Giampiero Pinzi (volante)
Principais contratações: Giampiero Pinzi (v, Chievo) e Federico Bonazzoli (a, Sampdoria)
Técnico: Cristian Brocchi

Nenhuma equipe disputou mais vezes a Serie B do que o Brescia – 58 vezes. O time lombardo, no entanto, tem chances de voltar a disputar a primeira divisão, algo que não acontece desde 2010-11, e aposta no técnico Brocchi, que estava no Milan, para se reerguer. O ex-volante dos rossoneri tem experiência nas categorias de base e terá a sua disposição a juventude dos zagueiros Coly e Somma e dos atacantes Morosini, Bonazzoli e Camara, bons prospectos para as andorinhas. Os líderes do time devem ser os veteranos Caracciolo e Pinzi, com ampla experiência na elite e muita vontade de atuarem de novo no primeiro escalão.

Cesena
Destaques: Milan Djuric (atacante) e Camillo Ciano (atacante)
Principais contratações: Michael Agazzi (g, Milan) e Antonio Balzano (ld, Cagliari)
Técnico: Massimo Drago

Assim como o Bari, o Cesena investiu bastante no último ano (em termos de Serie B), mas não obteve resultados em campo – acabou caindo nos play-offs. Os romanholos perderam o meio-campista Sensi, um dos destaques da última segundona, além de outras peças importantes, como Magnússon, Kessié, Valzania, Improta, Rosseti e Renzetti, e não fizeram contratações de peso – as mais importantes foram as chegadas de Agazzi e Balzano, citadas acima, além das do meia Cinelli, do zagueiro Perticone e do atacante Rodríguez. O estilo mais low-profile pode casar com o esquema ofensivo do técnico Drago, em seu segundo ano pelos cavalos marinhos.

Novara
Destaques: Andrej Galabinov (atacante) e Gianluca Sansone (atacante)
Principais contratações: Gianluca Sansone (a, Bari) e Tomasz Kupisz (m, Brescia)
Técnico: Roberto Boscaglia

O Novara bateu na trave na última temporada e, assim como em 2015-16, tenta surpreender e alcançar os play-offs de acesso. O time piemontês perdeu alguns jogadores importantes, como o veterano atacante González e seu parceiro Evacuo, mas conseguiu se reforçar com alguns jogadores que fizeram uma boa Serie B, como o atacante Sansone (Bari), o meia Kupisz (Brescia), o zagueiro Calderoni (Latina) e o xerife artilheiro Scognamiglio (Trapani). O técnico Boscaglia, ex-Trapani e Brescia, ainda tem em mãos peças interessantes, como Mantovani e Troest na defesa, Bolzoni, Viola, Faragò e Casarini no meio e Galabinov no ataque. Os azzurri incomodarão.

Virtus Entella, do atacante Caputo, tenta inédito acesso para a Serie A (Entella.it)
Os outros
A Serie B é um campeonato equilibradíssimo, o que faz com que a diferença de pontos e de qualidade técnica entre os classificados aos play-offs de acesso à primeira divisão e os que brigam para não cair seja pequena. Nesse contexto, times que já surpreenderam antes, como a Virtus Entella ou o Latina, tem chances de encostarem no pelotão de cima, já que tem alguns jogadores de qualidade. Times tradicionais, como Ascoli, Avellino, Perugia e Vicenza, também sonham com a possibilidade de lutarem na metade de cima da tabela.

Entre os times que subiram para a segundona – Spal, Benevento, Pisa e Cittadella –, o Benevento é o que mais tem possibilidades de surpreender: os campanos, conhecidos como "as bruxas", fizeram uma série de contratações de jogadores jovens, como Chibsah, Puscas, Venuti, Cragno e Camporese. Outro time que pode fazer uma campanha superior à de 2015-16 é a Salernitana, que brigou para não cair e agora sonha com o sucesso do tridente formado por Donnarumma, Coda e Rosina, sob as ordens do técnico Sannino. Pro Vercelli e Ternana, que completam o elenco de times da Serie B, brigam para não cair.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

1ª rodada: Tudo será como antes?

A eficiência de Higuaín deu a primeira vitória da temporada à pentacampeã Juventus (Getty)
Enfim, ela voltou! Após longos meses de férias e pré-temporada, a Serie A começou em ritmo de amistosos e com muitos gols: foram 32 em 10 partidas, nenhum 0 a 0 e somente um empate. Juventus e Roma mostraram que continuam com a mesma fome da última temporada, ao passo que Napoli e Inter, esta última com um choque de realidade, já somaram o seu primeiro tropeço. Estreias acima da média também para Milan, Lazio, Sassuolo e Pescara. Confira no nosso primeiro resumo de 2016-17.

Juventus 2-1 Fiorentina
Khedira (Chiellini), Higuaín | Kalinic (Ilicic)
Tops: Khedira e Asamoah (Juventus) | Flops: Alex Sandro (Juventus) e Tatarusanu (Fiorentina)

No fim acabou sendo mais sofrido do que deveria, mas a Juventus começou o campeonato muito bem, segura de não ter que repetir mais um início lento, como na última temporada. Embora sem ritmo, intensidade ideias, o time de Allegri controlou à sua maneira a Fiorentina de Sousa. Entre defesa posicional, muito compacta e organizada, guardando sua área com maestria, e forte marcação pressão, sufocando a boa troca de passes do adversário e criando chances a partir daí, a Velha Senhora poderia ter goleado facilmente.

Enquanto Dani Alves e Dybala já mostraram bom entrosamento pela direita, com os ótimos apoios de Khedira, o gol surgiu em uma jogada de equipe típica, com Alex Sandro abrindo a defesa e Asamoah e Dybala arrastando defensores. Assim, Chiellini subiu para apoiar e cruzar na medida para o desmarque de Khedira, livre na pequena área viola. Os rivais de Florença chegaram a melhorar no segundo tempo e empataram com Kalinic, mas Higuaín deu a primeira amostra do porquê o clube pagou tanto por seus gols, garantindo a primeira vitória na temporada já na estreia, em seu primeiro toque na bola.

Roma 4-0 Udinese
Perotti (pênalti), Perotti (pênalti), Dzeko (Nainggolan), Salah
Tops: Perotti e Dzeko (Roma) | Flops: Karnezis e Danilo (Udinese)

O efeito Perotti. Até o intervalo, a Roma era dominante, mas pouco efetiva no ataque contra uma Udinese sem muito o que destacar. Quando o argentino entrou no lugar de El Shaarawy, tudo mudou: o time entrou nos eixos de verdade e as coisas fluíram naturalmente, enquanto a defesa adversária passava por apuros e cedia a goleada. Duas vezes de pênalti, Perotti abriu o marcador para também dar tranquilidade ao time, que manteve a mesma pegada de quando terminou a última temporada, com um belo futebol, sabendo como controlar o jogo com e sem a posse de bola.

No meio-campo, Nainggolan manteve o nível de sempre, Paredes e Strootman surgiram bem para suprir a ausência do regista da orquestra de Spalletti, Pjanic. Outra boa participação foi a do estreante Bruno Peres, que deu a mesma intensidade de Florenzi na lateral – aliás, quase inteiramente nova, a defesa esteve segura contra uma Udinese muito pobre. O time friulano reúne jovens talentos no banco, mas com Iachini joga com brucutus pouco produtivos. Deve continuar sofrendo nas próximas rodadas.

Milan 3-2 Torino
Bacca (Abate), Bacca (Niang), Bacca (pênalti) | Belotti (Molinaro), Baselli (De Silvestri)
Tops: Bacca e Donnarumma (Milan) | Flops: Paletta (Milan) e Padelli (Torino)

Muito bem no primeiro tempo, conseguindo reunir posse de bola e produtividade ofensiva, o Milan de Montella começou vitorioso e com dois ótimos indicativos: Donnarumma salvando e Bacca marcando. O colombiano forçou saída, mas acabou permanecendo e na primeira rodada marcou sua primeira tripletta em Milão, dando importante passo para seguir como o artilheiro que a equipe rossonera tanto precisa em uma época de transição. Embora tenha perdido Ljajic lesionado logo no começo, o Torino de Mihajlovic mostrou força e qualidade para se recuperar: no segundo tempo, equilibrou o jogo, buscou o empate com o bomber Belotti, mas voltou a sofrer com Bacca, duas vezes. A equipe grená contou com um empolgante Baselli e por muito pouco não levou o empate – por muito pouco, diga-se, através das mãos de Donnarumma. O jovem gigante salvou a cobrança de pênalti cometida por Paletta (expulso) no último lance do jogo e garantiu a primeira vitória do time de Milão.

Pescara 2-2 Napoli
Benali (Verre), Caprari (Zampano) | Mertens (Valdifiori), Mertens (Hysaj)
Tops: Benali (Pescara) e Mertens (Napoli) | Flops: Coda (Pescara) e Albiol (Napoli)

O Pescara naturalmente é um candidato ao rebaixamento, mas na primeira rodada a equipe do técnico Oddo deu um indicativo importante que pode transformar o estádio Adriatico em um inferno para os visitantes. A defesa preocupa, mas o jovem meio-campo e ataque mostram entrosamento e diversão, com toques rápidos, boa movimentação e agressividade. A pouco veloz e desatenta defesa napolitana não conseguiu acompanhar os biancazzurri, assim como parecia não esperar a forte marcação adversária no seu campo – em especial, Albiol foi um desastre. A recuperação da equipe de Sarri só veio quando Mertens, o melhor 12º jogador do campeonato, entrou no lugar de um apático Insigne. Em três minutos, o belga empatou a partida com uma doppietta e liderou a reação do time, que quase conseguiu a virada, mas também comemorou o empate após início tão lento.

Chievo 2-0 Inter
Birsa (Cacciatore), Birsa
Tops: Birsa e Cacciatore (Chievo) | Flops: Ranocchia e Icardi (Inter)

De Boer tinha destacado a má forma física da equipe, mas só quando a bola rolou para valer é que deu para perceber o atraso interista na preparação: a equipe perdeu dois meses fazendo turnê e só decidiu mudar algo duas semanas antes de o campeonato começar. E quando iniciou, o choque de realidade mostrou que o novo treinador não precisa apenas consertar pequenos erros, mas sim criar algo novo, porque quase nada foi feito na pré-temporada. Os nerazzurri encontraram no Chievo do técnico Maran uma equipe organizada, compacta e agressiva, tudo que eles não tem sido nos últimos anos. Os anfitriões controlaram o jogo sem a bola e marcaram quando a defesa adversária (leia-se Ranocchia) deu oportunidade, ambas as vezes em bonitos gols de Birsa. Ainda há muito para se trabalhar na Pinetina: De Boer disse que a verdadeira Inter só poderá ser vista em quatro meses.

Atalanta 3-4 Lazio
Kessié (Conti), Kessié, Petagna (Conti) | Immobile (Milinkovic-Savic), Hoedt (Biglia), Lombardi, Cataldi (Basta)
Tops: Kessié (Atalanta) e Immobile (Lazio) | Flops: Sportiello (Atalanta) e Marchetti (Lazio)

O caos total tomou o gramado do estádio Atleti Azzurri d'Italia, em Bérgamo. Com 33 minutos, a Lazio vencia por 3 a 0 e, por mais incrível que seja, não jogava bem – muito pelo contrário. A cada ataque surgiam os gols contra a desatenta defesa anfitriã (um aspecto clássico dos times do técnico Gasperini), mas o jogo ainda não estava ganho. O time da casa cresceu aos poucos e encostou no placar graças ao garoto Kessié, que marcou duas vezes em quatro minutos, aproveitando, dessa vez, a desorganização defensiva visitante. Dramático, o final do jogo ainda teve o quarto gol laziale com Cataldi, enquanto Petagna voltou a dar esperanças aos torcedores da Atalanta nos acréscimos. No fim, 3 a 4 e o primeiro jogo louco nesta Serie A.

Palermo 0-1 Sassuolo
Berardi (pênalti)
Tops: Posavec (Palermo) e Berardi (Sassuolo) | Flops: Rajkovic (Palermo) e Defrel (Sassuolo)

Cinco gols em quatro partidas. Começo pra lá de animador para Berardi, que deve mesmo assumir o protagonismo e ser a chave do sucesso do Sassuolo na temporada. O atacante tem correspondido, assim como outros jovens destaques na partida e no começo de temporada, os italianos Antei, Sensi e Politano. No Renzo Barbera, o time de Di Francesco controlou e dominou o jogo com a posse de bola, atropelando o Palermo de Ballardini, nervoso e desorganizado. O placar só não foi maior graças ao goleiro Posavec, autor de sete defesas.

Genoa 3-1 Cagliari
Ntcham (Rincón), Laxalt (Veloso), Rigoni (Lazovic) | Borriello (Sau)
Tops: Laxalt e Rincón (Genoa) | Flops: Capuano (Cagliari)

Um bom começo para Juric na Serie A: substituindo seu mestre, Gasperini, o croata entregou um time mais técnico que o do antecessor, mas menos agressivo. O time da casa, no entanto, precisou levar o gol de Borriello para transformar o domínio em vitória. Após sair atrás no placar com o gol do seu ex-jogador, o Genoa melhorou a pontaria e contou com os jovens Ntcham e Laxalt para a rápida virada em dois minutos, através do experiente e bom meio-campo formado por Rincón e Veloso. O bomber Pavoletti nem precisou decidir, embora tenha contribuído com bons apoios, assim como Ocampos foi bastante participativo. Decepcionante mesmo foi o Cagliari de Rastelli, completamente entregue à pressão adversária e sem criatividade para responder, ainda que tenha aberto o marcador. A dupla Sau-Borriello terá bastante peso e muita responsabilidade para que os sardos conquistem pontos.

Empoli 0-1 Sampdoria
Muriel (Álvarez)
Tops: Muriel e Torreira (Sampdoria) | Flops: Saponara e Maccarone (Empoli)

Visitando sua ex-equipe, o técnico Giampaolo conquistou importante vitória na estreia pela Sampdoria. Em meio ao caos da direção do clube, o treinador tem uma equipe técnica em mãos, boa o bastante para seguir seu trabalho na Toscana e montar um time interessante. Mas o mais importante foram as respostas de Muriel e Álvarez: os mais talentosos também são jogadores que pecam pela falta de atitude em muitos momentos, e devem superar isso para sair da mediocridade e corresponder ao talento que têm. O gol da vitória chegou com a participação dos dois e com belíssima finalização do colombiano. A Samp encontrou um Empoli muito modificado em relação à última temporada, e que, para piorar, não teve Saponara e Maccarone em um bom dia – o carequinha chegou até a ser expulso. Ainda mais enfraquecido, o time toscano deve brigar contra o rebaixamento.

Bologna 1-0 Crotone
Destro (Dzemaili)

Tops: Destro (Bologna) e Cordaz (Crotone) | Flops: Verdi (Bologna) e Simy (Crotone)

Simples e eficiente – talvez nem tanto na última parte. O Bologna poderia ter vencido com muito mais tranquilidade, mas esbarrou em boa atuação do veterano Cordaz e na sua própria falta de pontaria ao desperdiçar várias chances e acertar a trave duas vezes. Decisivo o gol marcado aos 86 minutos através de Destro, que começa a temporada fazendo o que dele se espera: descomplicar partidas. O time de Donadoni teve bom rendimento e foi muito seguro e consistente atrás, superando com tranquilidade a presença física do grandalhão Simy, de quase 2 metros de altura, enquanto a juventude do meio-campo e ataque deu uma nova dinâmica à equipe. Com tempo e entrosamento, mantendo essa organização, os felsinei devem pensar em ir além de uma salvezza tranquila. Já o Crotone...

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.
Seleção da rodada
Donnarumma (Milan); Cacciatore (Chievo), Acerbi (Sassuolo), Chiellini (Juventus), Laxalt (Genoa); Khedira (Juventus), Kessié (Atalanta); Perotti (Roma), Birsa (Chievo), Mertens (Napoli); Bacca (Milan). Treinador: Rolando Maran (Chievo).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Guia da Serie A 2016-17, parte 2

Amanhã a bola rolará pela primeira vez na Serie A 2016-17. Na quarta, publicamos a primeira parte do nosso guia da temporada, com as análises de dez das equipes que disputarão o Italiano. Hoje, na véspera da rodada inaugural, trazemos nossos últimos pitacos. Confira!

Lazio


Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (70.634 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Biancocelesti, Biancazzurri, Aquilotti
Principal rival: Roma
Participações na Serie A: 74
Títulos: dois
Na última temporada: 8ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Maurício, Wallace e Felipe Anderson
Técnico: Simone Inzaghi (2ª temporada)
Destaque: Lucas Biglia
Fique de olho: Alessandro Murgia
Principais chegadas: Jordan Lukaku (le, Oostende), Ciro Immobile (a, Torino) e Wallace (z, Braga)
Principais saídas: Miroslav Klose (a, sem clube), Stefano Mauri (m, sem clube) e Antonio Candreva (mat, Inter)
Time-base (4-3-3): Marchetti; Basta, De Vrij, Wallace, Radu; Parolo, Biglia, Lulic; Felipe Anderson, Immobile (Djordjevic), Keita.

Não passa impune quem sonha com Jorge Sampaoli e Marcelo Bielsa e acorda, de última hora e assustado, com Simone Inzaghi. A ambiciosa estratégia inicial caiu por terra depois da negativa de El Loco e provocou uma reviravolta nos bastidores do clube: o presidente Claudio Lotito efetivo Inzaghi, antes interino, mas a falta de experiência do técnico e a perda de importantes peças do elenco deixam a exigente torcida celeste insatisfeita com os rumos do time em 2016-17.

No atual estado das coisas, a Lazio corre por fora por uma vaga na Liga Europa e dificilmente poderá brigar por algo além disso. De uma vez só, a equipe sofreu um duro golpe: perdeu a experiência, a liderança e a qualidade de jogadores como Candreva, Klose e Mauri, além de coadjuvantes como Konko, Matri, Gentiletti e Onazi. Se para rechear o elenco de peças úteis para o elenco, como Leitner, Bastos e Jordan Lukaku, os aquilotti não perderam tempo, a busca por novos protagonistas foi menos frutífera. O brasileiro Wallace chega para ocupar uma vaga como titular absoluto na defesa e pode ajudar a equipe a reduzir os erros no setor, juntamente com De Vrij, ao passo que Immobile promete ser um ótimo substituto para Klose. O tridente ofensivo pode incomodar bastante, principalmente se Keita mantiver a boa fase do último ano e Felipe Anderson recuperar a boa forma. No mais, os romanos seguem confiando no maestro Biglia como o cérebro da equipe.

Milan


Cidade: Milão (Lombardia)
Estádio: San Siro (80.018 lugares)
Fundação: 1899
Apelidos: Rossoneri, Diavolo
Principais rivais: Inter e Juventus
Participações na Serie A: 83
Títulos: 18
Na última temporada: 7ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Gabriel, Rodrigo Ely e Luiz Adriano
Técnico: Vincenzo Montella (estreante)
Destaque: Carlos Bacca
Fique de olho: Manuel Locatelli
Principais chegadas: Leonel Vangioni (le, River Plate), Gianluca Lapadula (a, Pescara) e José Sosa (m, Besiktas)
Principais saídas: Alex (z, sem clube), Jérémy Ménez (mat, Bordeaux) e Mario Balotelli (a, Liverpool)
Time-base (4-3-3): Donnarumma; Abate, Zapata, Romagnoli, De Sciglio (Antonelli, Vangioni); Kucka, Montolivo, Bertolacci; Niang (Sosa), Bacca, Bonaventura.

Os torcedores do Milan deverão esperar um pouco mais para ver o clube voltar a viver uma fase tão esplendorosa quanto sua história. No aguardo pelo investimento de um grupo chinês, em uma longa negociação que ainda está em vias de ser concluída, o Diavolo passa por reformulação nos comandos administrativo e técnico do time. Em relação ao projeto de futebol, a chegada de Montella é um bom sinal de que as coisas podem melhorar no médio prazo: o treinador fez ótimo trabalho na Fiorentina, não se encontrou na Sampdoria, mas finalmente chega a um clube de peso para mostrar que é capaz de confirmar o que dele se esperava. Hoje, se conseguir classificar o Milan a uma competição europeia, já terá cumprido o objetivo mínimo.

Os rossoneri pouco se mexeram no mercado até agora (por causa da indefinição quanto à compra do clube) e só fecharam com reforços modestos. Na defesa, setor que ainda é carente, os promissores Donnarumma e Romagnoli devem ficar sobrecarregados mesmo após as contratações do argentino Vangioni e do paraguaio Gómez, além da volta de Paletta. Montella quase não vê mudanças nas opções que terá em mãos para outras posições, como o meio-campo e o ataque: somente Lapadula, artilheiro da última Serie B, e o argentino Sosa, ex-Bayern Munique e Napoli, surgem como novidades. Pelo menos Honda perdeu o status de titular e Bacca e Bonaventura prosseguem no elenco.

Napoli


Cidade: Nápoles (Campânia)
Estádio: San Paolo (60.240 lugares)
Fundação: 1926
Apelidos: Azzurri, Partenopei
Principais rivais: Verona, Juventus, Inter e Milan
Participações na Serie A: 71
Títulos: dois
Na última temporada: 2ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Rafael Cabral e Allan
Técnico: Maurizio Sarri (2ª temporada)
Destaque: Marek Hamsík
Fique de olho: Roberto Insigne
Principais chegadas: Piotr Zielinski (mat, Empoli), Emanuele Giaccherini (m, Bologna) e Arkadiusz Milik (a, Ajax)
Principais saídas: Gonzalo Higuaín (a, Juventus) e Gabriel (g, Milan)
Time-base (4-3-3): Reina; Hysaj, Albiol (Tonelli), Koulibaly, Ghoulam; Allan, Jorginho (Zielinski), Hamsík; Callejón (Giaccherini), Milik (Gabbiadini), Insigne.

A saída de Higuaín surpreendeu o Napoli, mas o time soube utilizar bem os 90 milhões de euros que a Juventus pagou pelo maior goleador de uma edição da Serie A. Nenhum camisa 9 clássico foi contratado, mas os azzurri fizeram uma boa pré-temporada e empolgaram a torcida para o campeonato que virá. Um dos que realizaram grandes atuações nos amistosos foi Gabbiadini, que vai brigar com o polonês Milik para herdar a lacuna deixada por Higuaín: nenhum dos dois atua muito fixo na área, o que sugere que Sarri vai redesenhar a fase ofensiva dos partenopei, favorecendo mais ainda as inserções de Hamsík, Callejón e Insigne, e dando espaço aos novos contratados Giaccherini e Zielinski.

Depois de manter quase todas as suas principais peças, o time napolitano está mais completo do que na última temporada e é um dos mais fortes candidatos a vaga na Liga dos Campeões. Em que pese a raiva da torcida com o Pipita, o elenco e o staff técnico não podem se contaminar negativamente pelo clima de vendetta, mas certamente haverá muito olho gordo torcendo por tropeços da Juventus. Se a Velha Senhora vacilar, o Napoli promete estar atento para incomodá-la.

Palermo


Cidade: Palermo (Sicília)
Estádio: Renzo Barbera (36.349 lugares)
Fundação: 1900
Apelidos: Rosanero, Aquile
Principal rival: Catania
Participações na Serie A: 29
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 5ª colocação)
Na última temporada: 16ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Davide Ballardini (2ª temporada)
Destaque: Oscar Hiljemark
Fique de olho: Roland Sallai
Principais chegadas: Ilija Nestorovski (a, Inter Zapresic), Carlos Embalo (m, Brescia) e Slobodan Rajkovic (z, Darmstadt)
Principais saídas: Franco Vázquez (mat, Sevilla), Alberto Gilardino (a, Empoli) e Stefano Sorrentino (g, Chievo)
Time-base (4-3-2-1): Posavec; Rispoli (Morganella, Struna, Vitiello), Goldaniga, González (Rajkovic), Lazaar; Hiljemark, Jajalo, Chochev; Quaison, Trajkovski (Embalo); Nestorovski.

Abre o olho, Palermo. Se o time rosanero fez uma campanha nefanda na última temporada e escapou do rebaixamento na bacia das almas, a promessa é de mais sofrimento em 2016-17. A permanência do fraco técnico Ballardini já poderia ser um indicativo pouco alvissareiro, mas o mercado modesto e as saídas dos três melhores jogadores e principais responsáveis pela salvezza (Sorrentino, Vázquez e Gilardino) pioram ainda mais a situação dos sicilianos. Alerta vermelho.

Com a saída de tantos jogadores importantes, o peso fica nas costas de jogadores que são jovens, mas que tem boa qualidade técnica – isto é, se não forem vendidos até o fechamento da janela. Goldaniga, Hiljemark, Lazaar, Chochev e Embalo são bons coadjuvantes, mas há muitas dúvidas sobre a capacidade (psicológica, sobretudo) que eles têm para carregar uma frágil equipe nas costas. Para completar, o goleiro Posavec é bem inexperiente e não há goleiros de lastro para fazer sombra para ele. A combinação de fatores perigosos para o time do intempestivo presidente Maurizio Zamparini combinam com o gênio do cartola: uma bomba-relógio prestes a estourar.

Pescara


Cidade: Pescara (Abruzzo)
Estádio: Adriatico (20.515 lugares)
Fundação: 1936
Apelidos: Biancazzurri, Delfini
Principais rivais: Lazio, Roma, Ancona e Ascoli
Participações na Serie A: 7
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 12ª colocação)
Na última temporada: 4ª posição na Serie B; promovido através dos play-offs
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Massimo Oddo (3ª temporada)
Destaque: Gianluca Caprari
Fique de olho: Rey Manaj
Principais chegadas: Bryan Cristante (v, Palermo), Rey Manaj (a, Inter) e Albano Bizzarri (g, Chievo)
Principais saídas:  Gianluca Lapadula (a, Milan), Rolando Mandragora (v, Juventus) e Daniele Verde (mat, Avellino)
Time-base (4-3-3): Bizzarri (Fiorillo); Zampano (Crescenzi), Fornasier, Gyömbér (Zuparic), Biraghi; Verre, Cristante (Brugman), Memushaj; Benali, Manaj (Cocco), Caprari.

De volta à elite após o rebaixamento de 2013, o pequeno Pescara tenta se superar para não ser um time ioiô – somente uma vez os golfinhos não foram rebaixados após conquistarem o acesso. O tetracampeão Oddo é o treinador dos biancazzurri há mais de dois anos e conhece bem o elenco, que ganhou poucos reforços de peso – com exceção de Bizzarri, chegaram somente jovens de potencial –, mas pratica um futebol ofensivo e bem organizado. Pode surpreender na elite.

A equipe do Abruzzo perdeu sua principal peça, o ítalo-peruano Lapadula, artilheiro da última Serie B, e pode precisar reforçar o ataque, ainda que Manaj tenha demonstrado ter futuro com a camisa da Inter. O setor mais forte do time, o meio-campo, perdeu o ótimo volante Mandragora, que retornou à Juve após empréstimo, mas pode se virar bem com a força de Memushaj e os talentosos Verre, Brugman e Cristante. A lógica é tentar arrancar bem na primeira parte da Serie A, acumular uma gordurinha e se reforçar pontualmente em janeiro para buscar uma histórica permanência.

Roma


Cidade: Roma (Lácio)
Estádio: Olímpico de Roma (70.634 lugares)
Fundação: 1927
Apelidos: Giallorossi, Lupi, A Maggica
Principais rivais: Lazio e Juventus
Participações na Serie A: 84
Títulos: três
Na última temporada: 3ª posição
Objetivo: vaga na Liga dos Campeões
Brasileiros no elenco: Alisson, Bruno Peres, Juan Jesus, Emerson Palmieri e Gerson
Técnico: Luciano Spalletti (2ª temporada)
Destaque: Francesco Totti
Fique de olho: Abdullahi Nura
Principais chegadas: Alisson (g, Internacional), Juan Jesus (z, Inter) e Thomas Vermaelen (z, Barcelona)
Principais saídas: Seydou Keita (v, El-Jaish), Lucas Digne (le, Barcelona) e Miralem Pjanic (m, Juventus)
Time-base (4-3-3): Szczesny (Alisson); Florenzi (Bruno Peres), Manolas, Juan Jesus (Fazio), Vermaelen; Nainggolan, De Rossi, Strootman (Paredes); Salah, Perotti (Totti, Dzeko), El Shaarawy.

Desde que Spalletti voltou à Roma, o time subiu muito de produção. A Loba chega em 2016-17 sem quatro jogadores importantes – Pjanic, Digne, Keita e Maicon –, mas dá a impressão de que pode crescer coletivamente e atingir a maturidade em seu futebol. Sem o armador bósnio para tirar coelhos da cartola, a diretoria parece confiar na recuperação de Strootman, na boa temporada de Paredes pelo Empoli e em minutos dados a Gerson, contratado junto ao Fluminense.

As características do meio-campo romano tendem a mudar bastante sem Pjanic. A expectativa é de que a equipe tenha muita força e passes curtos no setor, enquanto o ataque deve garantir muita velocidade, trocas de posição e gols – isso quando Dzeko não estiver em campo, claro. Velocidade e espírito lutador, aliás, devem ser a tônica da equipe em outros setores, já que Florenzi e Bruno Peres devem voar pela lateral direita e Manolas e Juan Jesus são defensores bastante rápidos. Tudo isso para que Totti, em seu último ano como jogador, aproveite os minutos que receberá para desequilibrar e balançar as redes o máximo que puder.

Sampdoria


Cidade: Gênova (Ligúria)
Estádio: Luigi Ferraris (36.703 lugares)
Fundação: 1946
Apelidos: Blucerchiati, Doria, Samp
Principal rival: Genoa
Participações na Serie A: 60
Títulos: um
Na última temporada: 15ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco:  Dodô
Técnico: Marco Giampaolo (estreante)
Destaque: Fabio Quagliarella
Fique de olho: Patrik Schick
Principais chegadas: Bruno Fernandes (mat, Udinese), Karol Linetty (m, Lech Poznan) e Luca Cigarini (m, Atalanta)
Principais saídas: Roberto Soriano (m, Villarreal), Fernando (v, Spartak Moscou) e Lorenzo De Silvestri (ld, Torino)
Time-base (4-3-1-2): Viviano; Sala (Pedro Pereira), Silvestre, Skriniar, Dodô (Regini); Linetty, Cigarini, Barreto (Ivan); Bruno Fernandes (Álvarez); Muriel, Quagliarella.

Depois de sofrer mais do que o devido na última Serie A, a Sampdoria espera fazer uma campanha tranquila, visando ocupar a parte superior da tabela. Mas, ainda assim, não há tanta tranquilidade nos bastidores, visto que Cassano foi barrado e não deve permanecer, mesmo tentando buscar um acordo com a diretoria – ele gosta bastante de atuar em Gênova e gostaria de encerrar a carreira pelo clube.

Giampaolo é o novo técnico, substituindo Montella, e chega à equipe após o sucesso com o Empoli. Seu grande objetivo é se consolidar como treinador de gabarito no país, repetindo o futebol atrativo que desenvolveu na Toscana. Para tal, além de Cassano, ele não terá à disposição alguns jogadores importantes da última campanha, como os selecionáveis Soriano e De Silvestri e o bom volante Fernando. Reconstruída, a equipe blucerchiata muda as características de seu meio-campo, que ganha em cadência e geometria com Cigarini e Linetty, e mais velocidade à frente, com o trequartista Bruno Fernandes. A entrosada dupla formada por Muriel e Quagliarella promete ser uma das mais prolíficas de todo o campeonato.

Sassuolo


Cidade: Sassuolo (Emília-Romanha)
Estádio: Città del Tricolore (23.717 lugares)
Fundação: 1920
Apelidos: Neroverdi, Sasòl
Principal rival: Modena
Participações na Serie A: 4
Títulos: nenhum (melhor desempenho: 6ª colocação)
Na última temporada: 6ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: nenhum
Técnico: Eusebio Di Francesco (5ª temporada)
Destaque: Domenico Berardi
Fique de olho: Stefano Sensi
Principais chegadas: Stefano Sensi (m, Cesena), Luca Mazzitelli (m, Brescia) e Alessandro Matri (a, Lazio)
Principais saídas: Sime Vrsaljko (ld, Atlético de Madrid), Nicola Sansone (a, Villarreal) e Alessandro Longhi (le, Pisa)
Time-base (4-3-3): Consigli; Gazzola (Letschert), Cannavaro, Acerbi, Peluso; Missiroli (Sensi, Pellegrini), Magnanelli, Duncan; Berardi, Matri, Defrel (Politano).

Será possível para o Sassuolo repetir o feito histórico da última temporada? A equipe emiliana vem de uma ótima 6ª posição e de classificação à sua primeira competição europeia, quando poucos acreditavam que algo assim pudesse acontecer e não seria obra do acaso  se os neroverdi voltassem a ocupar a parte mais alta da tabela. O grande objetivo para o time treinado por Di Francesco é se manter na elite outra vez, mas os neroverdi já se acostumaram a ter ambições maiores e a superarem a si mesmos.

O foco do mercado era manter Berardi, seu grande craque, e isso foi cumprido, embora a segunda peça do tridente tenha sido vendida: depois de Zaza, Sansone foi atuar em uma equipe de maior expressão. Para compensar a saída, a diretoria neroverde aposta em um atacante experiente e que rende bem em times menos badalados: titular e com bons garçons, Matri terá a oportunidade de voltar a ser o goleador dos tempos de Cagliari. Se ainda falta repor a saída do ótimo lateral Vrsaljko, o meio-campo emiliano deve ser envolvente, com o talentoso Sensi fazendo o contraponto à força física do trio Missiroli, Magnanelli e Duncan. Ele pode dar qualidade técnica e assumir o papel de regista que falta ao time de Di Francesco.

Torino


Cidade: Turim (Piemonte)
Estádio: Olímpico de Turim (28.140 lugares) 

Fundação: 1906
Apelidos: Toro, Granata
Principais rivais: Juventus, Sampdoria, Roma
Participações na Serie A: 73
Títulos: sete
Na última temporada: 12ª posição
Objetivo: vaga na Liga Europa
Brasileiros no elenco: Danilo Avelar e Leandro Castán
Técnico: Sinisa Mihajlovic (estreante)
Destaque: Andrea Belotti
Fique de olho: Sasa Lukic
Principais chegadas: Adem Ljajic (a, Inter), Iago Falqué (a, Roma) e Lorenzo De Silvestri (ld, Sampdoria)
Principais saídas: Ciro Immobile (a, Lazio), Kamil Glik (z, Monaco) e Bruno Peres (ld, Roma)
Time-base (4-3-3): Padelli; De Silvestri (Zappacosta), Maksimovic (Rossettini), Moretti (Castán), Molinaro (Avelar); Acquah (Benassi), Vives, Baselli; Iago, Belotti, Ljajic.

O ciclo Ventura acabou, mas o Torino promete continuar sendo um time sólido e capaz de brigar por vagas em competições europeias. Os grenás perderam para a seleção italiana o treinador que liderava uma equipe da Serie A por mais tempo (cinco anos), mas mostraram ambição ao anunciar Mihajlovic como seu substituto. Algo interessante para a gestão do presidente Urbano Cairo, que tem conseguido reerguer o Toro passo a passo e, mais uma vez, dá condições para que o time do Piemonte possa incomodar os mais ricos e competir por vaga europeia. 

O treinador sérvio precisará administrar perdas importantes, como as do artilheiro Immobile, do capitão e líder da zaga Glik e do motorzinho Bruno Peres. A partir disso, Miha terá que mostrar sua habitual competência para renovar os ânimos dos grenás, reconstruindo o time a partir de um bom material humando: os sólidos De Silvestri, Leandro Castán, Baselli e os talentosos Falqué e Ljajic – além de Maksimovic, que pode acabar negociado. O grande destaque da trupe de Turim é o jovem artilheiro Belotti, que tem tudo para crescer ainda mais nesta temporada e buscar seu espaço na seleção.

Udinese


Cidade: Údine (Friul-Veneza Júlia)

Estádio: Friuli (25.144 lugares)

Fundação: 1896

Apelidos: Bianconeri, Friulani e Zebrette

Principais rivais: Venezia
 e Triestina
Participações na Serie A: 44
Títulos: nenhum (melhor desempenho: vice-campeã)
Na última temporada: 17ª posição
Objetivo: escapar do rebaixamento
Brasileiros no elenco: Danilo, Felipe, Samir, Edenílson, Lucas Evangelista, Ryder Matos e Ewandro
Técnico: Giuseppe Iachini (estreante)
Destaque: Danilo
Fique de olho: Andrija Balic
Principais chegadas: Rodrigo De Paul (mat, Racing), Ewandro (a, Atlético-PR) e Adalberto Peñaranda (a, Granada)
Principais saídas: Antonio Di Natale (a, sem clube), Bruno Fernandes (mat, Sampdoria) e Zdravko Kuzmanovic (m, Málaga)
Time-base (3-5-2): Karnezis; Heurtaux (Angella), Danilo, Felipe (Samir); Widmer (Edenílson), Badu (Fofana), Lodi, Hallfredsson (Kone), Adnan (Armero); Zapata, Théréau (Peñaranda, De Paul).

Não espere ver a Udinese brilhar após a saída de Di Natale. O craque era um dos únicos focos de talento de uma equipe que tem decaído anos após ano e que, mais uma vez, ficará contente se não cair para a segunda divisão. As chances de o belo novo estádio Friuli sediar partidas da Serie B cresceram muito depois que o presidente Giampaolo Pozzo direcionou a maior parte de seus investimentos para Watford e Granada.

Uma das amostras da baixa expectativa para 2016-17 é que o treinador contratado para a temporada é Iachini, especialista em equipes da parte baixa da tabela. A equipe que mais brasileiros têm na Itália (sete, no total) tem no capitão Danilo o líder de uma defesa que deverá ir a campo com três homens e ficar bastante exposta ao longo do ano. Sem Bruno Fernandes e Di Natale, os friulanos contarão com o talento de vários meias-atacantes e atacantes, como De Paul, Ewandro e Peñaranda, mas a dificuldade será encaixá-los no esquema tático. Para garantir a permanência, Iachini terá de achar um lugar para eles no time e fazê-los criar entrosamento com Zapata e Théréau, esperanças de gols.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Jogadores: Dennis Bergkamp

O craque holandês ganhou uma Copa Uefa pela Inter, mas não foi nem de longe
o brilhante artilheiro dos tempos de Arsenal (imago)
Talvez o mais talentoso jogador holandês depois de Marco van Basten, Dennis Bergkamp fez parte da geração pós-Euro 1988, competição em que a Holanda faturou o título. Foi com o atacante que entrou para a história do Arsenal, que a Oranje fez seu melhor desempenho em Copas desde o mítico “Carrossel Holandês” – superado pela geração de 2010 e igualado em 2014. Uma promessa que despontou cedo, nas categorias de base do Ajax, uma das mais promissoras da Europa, que tinha tudo para brilhar no maior campeonato do mundo nos anos 1990, a Serie A. Infelizmente, para a Inter, isso não se confirmou.

Bergkamp subiu ao time principal do Ajax com apenas 17 anos, graças ao aval de Johan Cruyff. Após quatro gols na temporada de estreia, pouco a pouco foi desfilando categoria e belos tentos pelos campos holandeses e de toda a Europa, alcançando a artilharia da liga nacional em três oportunidades – em 1991, anotou 29 gols e dividiu os louros com Romário. Bergkamp ganhou fama por um drible até então único no futebol, na qual chamava dois jogadores para a marcação, segurava a bola entre os pés e pulava no meio deles para sair com a bola à frente.

O jogador batizado em homenagem ao escocês Denis Law rapidamente chegou à seleção holandesa, logo depois da queda repentina da Oranje na Copa do Mundo de 1990. Com apenas 22 anos, o atacante fez parte do time semifinalista na Eurocopa de 1992, ao lado de van Basten, Ruud Gullit e Frank Rijkaard, e marcou três gols na competição. No mesmo ano, apareceu internacionalmente com o título da Copa Uefa, vencida contra o Torino em finais bastante duras.

A boa impressão deixada com as camisas de Ajax e Holanda chamou a atenção de diversos clubes, entre eles Milan e Barcelona (então treinado por Cruyff), mas foi a Internazionale que levou o atacante, que assinou juntamente com o compatriota Wim Jonk, meia que também atuava pelos Godenzonen. A escolha pela Bota foi uma forma de repetir o sucesso de muitos conterrâneos, segundo o próprio atacante: "Eu sempre tive a vontade de atuar na Itália. Não quis ir ao Milan porque lá já tinha Gullit, van Basten e Rijkaard. Fiquei entre Juventus e Inter e escolhi o time de Milão confiando nas pessoas que me contrataram", disse em 2011, numa entrevista para a revista inglesa Four Four Two.
 
Como era de seu costume, Cruyff deu um pitaco sobre a transferência: à época, ele disse que a escolha do seu pupilo era precipitada, uma vez que o estilo de jogo de Bergkamp "não se encaixava no estilo defensivo do nerazzurri". O jogador, porém, considerou que os sete anos e 122 gols pelo clube de sua cidade eram suficientes para que ele pudesse se adaptar a um esquema de ataque similar ao do Ajax e, então, brilhar na Itália.

Em agosto de 1993, Bergkamp, principal reforço dos nerazzurri, fez sua estreia pela equipe, diante a Reggiana, mas passou em branco. O primeiro gol na Itália só sairia uma semana depois, numa partida ante a Cremonese, antecipando as dificuldades previstas por Cruyff. O holandês não conseguia se entrosar e não tinha um bom relacionamento com o técnico Osvaldo Bagnoli, criticado pelo esquema defensivista e por uma série de erros táticos.

Na Serie A, a técnica do ótimo atacante não foi suficiente para que a parceria com o uruguaio Rubén Sosa desse certo. Bergkamp, terceiro colocado na Bola de Ouro de 1992 e segundo em 1993, fez oito gols no campeonato, mas somente três com a bola rolando – os outros cinco foram de pênalti – e foi afetado pelo momento muito negativo da Inter. Bagnoli foi demitido por conta dos maus resultados e deu lugar a Gianpiero Marini, treinador da equipe sub-20, responsável por conduzir a Beneamata a uma 13ª posição e à permanência na primeira divisão por apenas um ponto. Foi a pior campanha dos nerazzurri em toda a história.

Em nível europeu, porém, a Inter teve o que comemorar – Bergkamp também, visto que oito de seus 18 gols em 1993-94 foram marcados na Copa Uefa. O alto atacante loiro foi o grande destaque dos milaneses na conquista do título continental (segundo na história do clube) e se sagrou artilheiro da competição. Entre os melhores momentos do holandês no torneio, destacam-se a tripletta na primeira fase, contra o Rapid Bucareste, e também os gols fundamentais contra Norwich (oitavas de final) e Cagliari (semifinal).

Melhor momento de Bergkamp com a camisa interista foi na Copa Uefa (Getty)
Na temporada seguinte, Bergkamp não se encontrou em Milão. Quando se esperava que ele se ambientasse mais ao time após o bom desempenho na Copa Uefa e na Copa do Mundo de 1994, o holandês praticamente se apagou. Em uma temporada de baixo rendimento do ataque nerazzurro, em que apenas Sosa foi bem, Bergkamp e Darko Pancev decepcionaram: cada um fez somente quatro gols. Apesar de tudo, a Inter concluiu a Serie A na 6ª posição.

A imprensa italiana era bastante crítica de Dennis, que tinha sido uma contratação badalada, mas não rendia vestindo azul e preto – a pressão se intensificou especialmente após a boa campanha com a seleção holandesa no Mundial de 1994. Sua má relação com a mídia teve como estopim o momento em que o prêmio "Bonde da semana" passou a se chamar "Bergkamp da semana". Definitivamente, seu estilo de dribles curtos e chutes de média distância não encaixou no futebol italiano.

O clima também não estava bom nos bastidores da Inter, já que Bergkamp potencializou sua fobia por voar nos Estados Unidos e toda uma logística tinha de ser montada ao redor dele. O pavor de viajar de avião se instaurou de vez na vida do atacante quando, um jornalista que viajava junto com o elenco da Holanda brincou que uma bomba estaria a bordo da aeronave, após um problema na decolagem. Desde então, passou a ir aos jogos por meio terrestre ou então deixava de jogar para não ter de viajar. 

Após a compra do clube por Massimo Moratti, em 1995, a saída do holandês foi colocada como possibilidade para a reformulação do elenco. Sem ambiente na Itália e com uma proposta em mãos, Dennis trocou Milão pelo Arsenal, em um negócio que rendeu cerca de 7,5 milhões de libras para os italianos – que ainda lucraram com sua venda. Bergkamp não se importou nem um pouco em ter uma redução salarial por abrir mão de voar.

Os torcedores do Arsenal também não se importaram. Em 11 anos e 423 jogos, entre 1995 e 2006, Dennis Bergkamp marcou 120 gols. Mais que isso, a contratação mais cara do clube à época fez história sob o comando de Arsène Wenger e através de uma fantástica parceria com Thierry Henry. Foi com essa tríade que os Gunners dividiram a soberania da Premier League nos anos 1990 e 2000 com o Manchester United.

Alcançando sua melhor forma com a camisa do Arsenal, Bergkamp foi o grande destaque da seleção holandesa que chegou até as quartas de final da Euro 1996 e às semifinais da Copa de 1998, ocasião em que caiu nos pênaltis para o Brasil. Em 2000, a Holanda sediou a Eurocopa e Bergkamp esteve novamente junto com a Oranje, naquela que foi sua última competição com a laranja. Por ironia do destino, sua seleção foi eliminada nos pênaltis contra a Itália.

O holandês continuou jogando no Arsenal (e fazendo golaços) até se aposentar em 2006, com 37 anos. Em sua autobiografia, ele descartou qualquer possibilidade de seguir carreira como treinador pelo simples fato de jamais querer viajar de avião novamente. Seu único trabalho após pendurar as chuteiras tem sido como auxiliar técnico do Ajax, onde ajuda a formar craques da sua estirpe. Se qualquer um que sair da base da equipe de Amsterdã for 10% do que Bergkamp foi, já teremos um jogador de alto nível.

Dennis Nicolaas Maria Bergkamp

Nascimento: 10 de maio de 1969, em Amsterdã, Holanda
Posição: atacante
Times em que atuou: Ajax (1986-93), Inter (1993-95) e Arsenal (1995-2006)
Títulos conquistados: Campeonato Holandês (1990), Copa da Holanda (1987 e 1993), Copa dos Campeões da Uefa (1987), Copa Uefa (1992 e 1994), Campeonato Inglês (1998, 2002 e 2004), Copa da Inglaterra (1998, 2002, 2003 e 2005) e Supercopa da Inglaterra (1998, 1999, 2002 e 2004)
Seleção holandesa: 79 jogos e 37 gols