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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

11ª rodada: O grande ex

Higuaín marcou contra o Napoli, seu antigo time, e ampliou liderança da Juve (Getty)
A 11ª rodada tinha como grande acontecimento o jogo entre Juventus e Napoli, que sempre envolve muita rivalidade e tem ficado ainda mais apimentado por conta da luta dos dois times pelas posições mais altas na tabela. Dessa vez, o confronto tinha um ingrediente a mais: seria o primeiro jogo de Higuaín contra sua antiga equipe. Claro, a lei do ex foi colocada à prova e o Pipita marcou o gol que decidiu a partida a favor da Velha Senhora e contra os comandados do "paizão" Sarri – a quem abraçou calorosamente antes do jogo. Além disso, a rodada teve vitórias de Milan, Lazio e Fiorentina, além de tropeços de Roma e Inter.

Juventus 2-1 Napoli
Bonucci e Higuaín | Callejón (Insigne)

Tops: Bonucci e Higuaín (Juventus) | Flops: Pjanic (Juventus) e Ghoulam (Napoli)

O Napoli foi agressivo, incomodou e atacou, mas a Juventus venceu. Praticamente invencível contra os azzurri em Turim – perdeu somente sete vezes –, a Velha Senhora novamente não esteve na melhor forma, porém conquistou o resultado e abriu cinco pontos na liderança. Se o time de Allegri já nada de braçada, a equipe de Sarri está no pelotão abaixo, na 5ª posição. Menos mal para os sulistas que a atuação foi interessante, com uma boa mostra de defesa adiantada e marcação pressão – o treinador, porém, errou ao tirar Insigne e Hamsík de campo quando precisava marcar gols.

O primeiro tempo transcorreu sem gols, mas em menos de cinco minutos os times balançaram as redes duas vezes na segunda etapa. Depois de Ghoulam afastar mal a bola após escanteio, Bonucci aproveitou a sobra para encher o pé e abrir o placar, com um golaço. E da mesma forma, a defesa anfitriã teve momento de desatenção e Insigne lançou Callejón dentro da área, para o espanhol empatar a partida sem deixar a pelota cair. Coube, então, à lei do ex determinar o placar: Higuaín aproveitou sobra de bola para bater de canhota, marcar contra seu antigo clube (não comemorou) e garantir mais uma vitória.

Empoli 0-0 Roma
Tops: Paredes (Roma) e Skorupski (Empoli) | Flops: Salah (Roma) e Saponara (Empoli)

Tem ex que marca gol contra, mas também tem o que impede gols. Skorupski foi a grande estrela da tarde na Toscana para evitar outra derrota do Empoli. Os anfitriões foram massacrados e embora também tenham assustado outro goleiro polonês (Szczesny), é difícil acreditar como mantiveram o zero no placar. Dzeko novamente esteve dominante, mas perdeu as várias oportunidades criadas por Paredes – Nainggolan, El Shaarawy e Salah, o último em dia especialmente ruim, certamente sentido a falta de Florenzi, também não conseguiram marcar. Aliás, curioso como Spalletti substituiu o versátil jogador italiano: no 4-2-3-1 que se torna 3-4-1-2, o canhoto Emerson atuou pela direita e o recuperado Rüdiger ficou na esquerda, na mesma função de Juan Jesus. Ainda que o brasileiro tenha tido bom desempenho, na prática não houve grande resultado. Afinal, a Roma apenas empatou e viu a Juventus aumentar a vantagem.

Milan 1-0 Pescara
Bonaventura

Tops: Bonaventura e Donnarumma (Milan) | Flops: Sosa e Bacca (Milan)

No ritmo de Bonaventura, o Milan chegou à surpreendente marca de sete vitórias em onze rodadas, nem de longe um projeção realista no início da temporada. O time de Montella, na verdade, não tem jogado muito bem e nem mesmo parece ter um planejamento montado pelo ex-treinador da Fiorentina, mas se mantém competitivo e conta com o camisa 5 para ganhar jogos. Se Bacca está fora de forma e Niang é muito impreciso, o versátil meia-atacante cria e finaliza com muita competência, como no único chute que passou por Bizzarri – uma cobrança de falta por baixo da barreira, no melhor estilo Pirlo e Ronaldinho. Do outro lado, Donnarumma novamente foi decisivo para suportar a pressão do ótimo Pescara de Oddo, que continua sem vencer e está cada vez mais próximo na zona de rebaixamento.

Sampdoria 1-0 Inter
Quagliarella (Linetty)

Tops: Quagliarella e Torreira (Sampdoria) | Flops: Icardi e João Mário (Inter)

Um time sem comando é q melhor descrição da Inter. Depois de apresentar melhora e em seguida sofrer sequência de derrotas, De Boer não conta mais com o apoio dos jogadores, que não seguem suas instruções e parecem um bando em campo, atacando sem coerência e defendendo sem organização. Cenário perfeito para a Sampdoria, que embalou depois da vitória no dérbi contra o Genoa e preferiu poupar jogadores contra a Juventus justamente para tê-los em forma diante da Inter. Os dorianos dominaram o meio-campo, com o jovem Torreira, e  destruíram a defesa interista através de contra-ataques, com Bruno Fernandes, Muriel e Quagliarella – não fossem Handanovic e Miranda, as coisas poderiam ter sido piores ainda para a Beneamata no Marassi. Em 14 partidas, o holandês acumula sete derrotas e sua saída é apenas questão de tempo: De Boer se tornará mais uma bode expiatório da confusão gestão no futebol da Inter, que melhora financeiramente, mas se perde na gestão do futebol, caminhando para o novo treinador em seis anos.

Lazio 2-1 Sassuolo
Lulic (Keita) e Immobile (Radu) | Defrel (Politano)

Tops: Felipe Anderson e Lulic (Lazio) | Flops: Terranova e Dell'Orco (Sassuolo)
De forma similar ao Milan, a Lazio não empolga, mas vence. Inzaghi conseguiu controlar os ânimos e egos em meio à confusa gestão do clube e tem explorado bem as características do quarteto que tem gerado tantas vitórias e a ótima quarta colocação, com 21 pontos para os laziale. Felipe Anderson, Immobile, Lulic e Keita: todas as seis vitórias na temporada vieram com participação desse grupo de jogadores, que impõem grande ritmo quando atacam e conseguem gols. Contra o desfalcado Sassuolo de Di Francesco, modificado em um 5-3-2 que não trouxe necessariamente solidez defensiva e tirou força no ataque, Lulic abriu o placar após jogada de Keita, e Immobile ampliou logo em seguida, após desvio de Radu em escanteio batido por Felipe Anderson. Os visitantes responderam rápido com jogadas de Matri e Politano e um gol Defrel, mas ficaram nisso e seguiram a sina de não vencer fora de casa.

Atalanta 3-0 Genoa
Kurtic (Gagliardini), Kurtic (Petagna) e Gómez (Petagna)

Tops: Kurtic e Petagna (Atalanta) | Flops: Ntcham e Burdisso (Genoa)

No confronto entre mestre e aprendiz, melhor para o experiente Gasperini contra o novato Juric: eles eram adversários pela primeira vez depois de mais de oito anos trabalhando juntos por Crotone, Genoa, Inter e Palermo. A Atalanta prevaleceu a partir da sua força, tanto por jogar em casa, como pelo físico de seus jogadores. O reflexo disso pode ser verificado nos dois primeiros gols, no final do primeiro tempo: a partir das recuperações de Gagliardini, substituto de Kessié, Kurtic contou com os apoios de Petagna para mostrar a ótima fase que vive. O esloveno tem funcionado como uma espécie de Kucka 2.0, imitando o comportamento do eslovaco do Milan quando este jogava sob as ordens de Gasp no Genoa – mas Kurtic é ainda mais completo, uma vez que é mais dinâmico e técnico que o milanista, mais físico. Papu Gómez, com belo chute de fora da área, decretou a vitória que exalta o extraordinário mês da equipe de Bérgamo, que não perde há seis partidas e tem cinco vitórias nesse período. Argentino de nascimento, Gómez está no radar de Ventura para a seleção italiana – o treinador inclusive assistiu ao jogo in loco.

Bologna 0-1 Fiorentina
Kalinic (pênalti)

Tops: Ilicic e Rodríguez (Fiorentina) | Flops: Gastaldello e Mbaye (Bologna)

Ainda instável, aos poucos o time de Paulo Sousa vai voltando a vencer. O futebol segue muito horizontal, mas a vitória que coloca a equipe na sétima posição teve contribuição importante de dois jogadores que vinham em má fase: se a Fiorentina joga mal é porque Ilicic e Kalinic não estão bem. No Derby dell'Appennino, os dois foram protagonistas nas ações de perigo dos visitantes – o esloveno acertou a trave duas vezes e o croata marcou o gol da vitória. Seguindo sua habitual irregularidade, o time de Donadoni mais uma vez esteve mal e não contou com Verdi e Krejci em bom dia, mas especialmente perdeu o comando com nova expulsão de Gastaldello – a segunda no mês –, por pênalti convertido por Kalinic, no primeiro tempo.

Crotone 2-0 Chievo
Trotta (pênalti) e Falcinelli (Sampirisi)

Tops: Cordaz e Ferrari (Crotone) | Flops: Hetemaj e Inglese (Chievo)

Enfim a primeira vitória na Serie A para o novato Crotone – e quem diria, contra o sólido Chievo, que não teve bom desempenhou em outubro. Neste dia histórico para os rossoblù, Trotta e Falcinelli marcaram os gols do time de Nicola nos extremos dos dois tempos, já nos acréscimos, graças a falhas de Hetemaj: o finlandês foi protagonista no pênalti do primeiro gol e no erro que levou ao segundo. Apesar dos gols, foi a defesa do time da Calábria que chamou atenção. Contra o físico time de Maran, muito bom nas bolas paradas, o veterano Cordaz foi fundamental para cortar cruzamentos, enquanto a dupla Ceccherini e Ferrari dominou os atacantes adversários. No final, os três pontos não bastaram para tirar o time calabrês da lanterna, mas dão gás para Nicola, já ameaçado no cargo.

Udinese 2-2 Torino
Théréau (Widmer), Zapata | Benassi (Belotti), Ljajic (De Silvestri)

Tops: Zapata (Udinese) e Ljajic (Torino) | Flops: Kums (Udinese) e Rossettini (Torino)

A Udinese buscava sua terceira vitória consecutiva e o Torino seu segundo sucesso fora de seus domínios. Os dois times ficaram perto disso, mas o jogo acabou empatado na Dacia Arena – ou estádio Friuli, para os puristas. Melhor no primeiro tempo, o Toro chegou ao gol depois que Belotti fez o pivô e acionou a infiltração de Benassi com uma bela assistência. Depois de boas defesas de Karnezis, a equipe de Údine reagiu após o intervalo, quando Théréau se antecipou a Rossettini e desviou cruzamento para as redes e chegou à virada 10 minutos depois, depois que Zapata aproveitou rebote. No entanto, Ljajic deu números finais ao placar e coroou seu ótimo mês de outubro.

Cagliari 2-1 Palermo
Dessena (Di Gennaro), Dessena (Sau) | Nestorovski (Rispoli)

Tops: Dessena (Cagliari) e Rispoli (Palermo) | Flops: Aleesami e Hiljemark (Palermo)

No jogo que fechou a rodada, show de Dessena. Na volta ao time titular do Cagliari após 11 meses no estaleiro por uma fratura na tíbia, o capitão foi o dono do jogo e, com dois belos gols oriundos de cruzamentos, levou sua equipe ao meio da tabela, com 16 pontos. Os sardos poderiam ter feito mais gols, mas levaram azar em chances claras criadas por Padoin, Bruno Alves e Sau. O macedônio Nestorovski continua sendo a única nota positiva do fraco Palermo, penúltimo colocado com 6 pontos.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 10ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Skorupski (Empoli); Dessena (Cagliari), Bonucci (Juventus), Ferrari (Crotone), Lulic (Lazio); Felipe Anderson (Lazio), Kurtic (Atalanta), Torreira (Sampdoria), Bonaventura (Milan); Quagliarella (Sampdoria), Petagna (Atalanta). Técnico: Gian Piero Gasperini (Atalanta).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Os 5 maiores técnicos da história do Bologna

Na beca: o carequinha Felsner marcou a história do Bologna, clube que ajudou a evoluir (Museo di Pignacca)
Há poucas coisas no mundo com as quais o torcedor do Bologna tem mais intimidade do que com fotos em preto e branco. Há um motivo forte para isso: quase todas as glórias do time emiliano aconteceram no passado, em tempos de raríssimos registros fotográficos e audiovisuais em cores. Consequentemente, poucos treinadores conseguiram se destacar no clube após os anos 1970, o que deixa nossa lista mais bianconera do que rossoblù.

Fundado em 1909, o Bologna teve 69 técnicos desde então. O primeiro deles foi Hermann Felsner, ídolo do clube e sobre quem falamos melhor no nosso "top 5" – um ano depois do austríaco, um brasileiro, Achille Gama, treinou o clube brevemente. Na era do "preto e branco", os emilianos tiveram alguns bons treinadores que não chegaram a ficar entre os cinco maiores em nosso ranking, como Giuseppe Viani (1952-56) e Luis Carniglia, que brigou pelo scudetto em 1966 e 1967. Edmondo Fabbri, treinador da Itália na vexaminosa campanha da Copa do Mundo de 1966, foi bem pelos rossoblù e, em três anos (1969-72), venceu a Coppa Italia e a Copa da Liga Anglo-Italiana, ambas em 1970.

A partir da década de 1980, os felsinei passaram por muitas dificuldades e entraram em decadência, o que fez com que os treinadores que passaram pelo estádio Renato Dall'Ara desde então obtivessem destaque pela identificação com a torcida nas tentativas de reerguer o Bologna ou por surpreenderem na Serie A.

Entre estes, podemos citar o lendário Carlo Mazzone, treinador que em mais partidas comandou equipes no Campeonato Italiano: Sor Carletto teve três passagens pela Emília-Romanha e, na segunda delas (1998-99), conseguiu vencer a Copa Intertoto e impressionou ao ser semifinalista da Coppa Italia e da Copa Uefa. Seu sucessor, Francesco Guidolin, passou quatro anos à frente dos petroniani e foi capaz de manter a equipe na elite sem sofrimento, alcançando até mesmo a melhor posição rossoblù desde a década de 1960 – feito enorme, considerando que os bolonheses chegaram a jogar a terceirona anos antes.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.

5º - Renzo Ulivieri


Período no clube: 1994-98 e 2005-07
Títulos conquistados: Serie C1 (1995) e Serie B (1996)

Ulivieri é o único que você verá em foto colorida neste texto. Uma de suas cores favoritas, inclusive, é o vermelho, já que ele é esquerdista convicto, fato que até o ajudou a se aproximar de parte da torcida do Bologna, notoriamente de esquerda. Conhecido por sempre utilizar um pesado casaco, o toscano começou cedo em sua carreira como treinador (aos 24 anos) e rodou por times amadores e categorias de base até ter seu primeiro emprego como profissional: em 1974,  aos 33 anos fechou com o Empoli, então na terceira divisão. Somente 20 anos depois, quando já era um dos treinadores mais rodados da Itália é que Ulivieri chegou ao Bologna. Naquela época o clube bolonhês vivia o auge de sua crise financeira, tinha decretado falência e se encontrava na Serie C1, terceirona italiana.

A partir de sua chegada, Ulivieri promoveu uma revolução: montou o time em volta de dois meias habilidosos, Cristiano Doni e Carlo Nervo (que se tornaria ícone rossoblù) ,e conquistou dois acessos consecutivos graças aos títulos das séries C1 e B. A ascensão continuou na Serie A, uma vez que o treinador ganhou alguns reforços e, logo na primeira temporada, levou os felsinei à sua melhor colocação no campeonato desde os anos 1960 – um sétimo lugar. Ulivieri ainda surpreendeu o Belpaese por ter levado um time sem estrelas a duas semifinais seguidas da Coppa Italia (1996 e 1997) e, sobretudo, por ter ajudado Roberto Baggio a colocar a carreira nos trilhos. Sob as ordens do toscano, o craque marcou 22 vezes no Campeonato Italiano 1997-98 e superou algumas desavenças nos bastidores para ganhar vaga no elenco italiano para o Mundial da França. Ulivieri ainda teve passagem menos gloriosa pelo clube do Dall'Ara pouco antes de se afastar do futebol masculino – hoje se dedica ao desenvolvimento da modalidade feminina e é presidente da Associação Italiana de Treinadores.



Período no clube: 1972-76 e 1977-79
Títulos conquistados: Coppa Italia (1974)

O ítalo-argentino Pesaola foi ídolo do Napoli e muito importante na Fiorentina, mas também teve destaque no Bologna, time que comandou por seis temporadas – ficou mais tempo somente em Nápoles. O treinador nascido em Buenos Aires acabou tendo poucas chances de brigar por títulos nas duas passagens pelos felsinei, já que a última geração de ouro do clube estava envelhecida e o time já dava sinais de que tinha problemas financeiros. Ainda assim, Pesaola levantou uma taça e revelou jogadores importantes, como os meias Eraldo Pecci e Franco Colomba.

O Petisso assinou pela primeira vez com o Bologna em 1972, assumindo a responsabilidade de treinar jogadores experientes como Giacomo Bulgarelli e Giuseppe Savoldi. Nos quatro primeiros anos na Emília-Romanha, Pesaola deixou a equipe apenas em posições intermediárias na Serie A – três vezes na sétima e uma na nona –, mas conquistou a Coppa Italia, em 1974, passando por Napoli, Milan e Inter nas fases de grupos e batendo o Palermo na final. Depois de voltar a Nápoles e ficar somente um ano na Campânia, Pesaola retornou ao clube petroniano, que sonhava apenas com a permanência na elite naqueles anos. Objetivo cumprido sob a batuta do baixinho e do seu inseparável sobretudo de pele de camelo.



Período no clube: 1935-38
Títulos conquistados: Serie A (1936 e 1937) e Torneio Internacional da Expo Paris (1937)

Húngaro e judeu, Weisz foi um dos milhões de mortos pela barbárie nazista ao longo da II Guerra Mundial: foi assassinado em uma câmara de gás no campo de concentração de Auschwitz, depois de quatro anos de prisão. O treinador poderia ter escrito uma história ainda mais rica no Bologna se não tivesse precisado abandonar a Itália em 1938, por causa do endurecimento do regime fascista e da perseguição de Benito Mussolini a qualquer pessoa de origem judaica. Ainda assim, Weisz é dono de um feito único: conduziu o Bologna a dois scudetti consecutivos, algo que aconteceu na história do clube somente sob seu comando.

Weisz, que já havia faturado um scudetto com a Inter, acertou com o Bologna em meados da temporada 1934-35 e, depois de conduzir a equipe a um 6º lugar, começou a dar seu toque pessoal ao time rossoblù. Com conceitos próprios da escola húngara de futebol, o treinador formou uma equipe que marcou época e foi bicampeã italiana, em 1936 e 1937 – aquele time tinha jogadores importantes, como os ítalo-uruguaios Michele Andreolo, Francisco Fedullo e Raffaele Sansone, além dos goleadores Carlo Reguzzoni e Angelo Schiavio. Em 1937, seu Bologna ainda bateria o Chelsea em Paris, vencendo o Torneio Internacional da Expo Universal de Paris, um dos poucos torneios continentais existentes à época. Pouco depois de iniciar o campeonato 1938-39 no comando do clube, Árpád Weisz teve de deixar o cargo porque foi instituída uma lei que proibia que judeus pudessem trabalhar. Anos após seu falecimento, o treinador foi homenageado com uma placa em uma das torres do estádio Renato Dall'Ara.

2º - Fulvio Bernardini


Período no clube: 1961-65
Títulos conquistados: Serie A (1964) e Copa Mitropa (1962)

Um homem que mexia com as massas: a foto deixa clara a idolatria que Fulvio Bernardini conquistou durante os quatro anos que treinou o Bologna. Em 1961, o romano já era campeão italiano quando acertou com os felsinei (venceu no fim da década de 1950, com a Fiorentina), mas não foi a primeira opção do presidente Renato Dall'Ara para o cargo – ele preferia Nereo Rocco e seu catenaccio. No fim das contas, teve de se contentar com um técnico de estilo totalmente diferente, adepto de um futebol bem jogado e de jogadores de "pés bons" no meio-campo. Fiel a seu estilo, o "Dautar" dirigiu o Bologna na campanha do último scudetto de sua história, conquistado graças aos meias Giacomo Bulgarelli e Helmut Haller, verdadeiros craques com e sem a bola nos pés. Eles eram encarregados de criar o suficiente para que os atacantes Ezio Pascutti e Harald Nielsen marcassem os gols dos rossoblù.

Era difícil competir com os estelares elencos de Inter e Milan naquela época, mas Bernardini conseguiu colocar o Bologna na disputa. Em seus dois primeiros anos, a equipe rossoblù ficou na 4ª posição da Serie A e conquistou uma taça e um vice da Copa Mitropa – antiga competição continental, que inspirou a criação da Liga dos Campeões. Foi no terceiro ano no estádio Comunale que o romano finalmente alcançou a grande glória com os veltri, fazendo os jogadores citados acima crescerem de rendimento – e também arrumando a defesa, que tinha Francesco Janich e Paride Tumburus como nomes mais sólidos. O título de 1963-64 veio de forma suada e com um caminho cheio de percalços: jogadores da equipe foram acusados de doping e Bernardini chegou a ser suspenso por ter, supostamente, os induzido ao uso de substâncias proibidas (a inocência de todos foi provada depois). O presidente Dall'Ara faleceu na reta final do campeonato e os rossoblù ainda precisaram vencer a Inter no famoso spareggio – foi a única vez que a Serie A teve de ser decidida em um jogo-desempate em campo neutro. O último ano do Dautar em Bolonha acabou marcado por uma campanha abaixo do esperado no Italiano e também na Copa dos Campeões, o que ocasionou a não renovação do seu contrato pelo sucessor de Dall'Ara após a conclusão dos torneios.

1º - Hermann Felsner


Período no clube: 1920-31 e 1938-42
Títulos conquistados: Serie A (1925, 1929, 1939 e 1941)

Ficar mais de 15 anos à frente de uma equipe não é pouca coisa – longe disso. O austríaco Felsner é a alma do Bologna e, por uma ironia do destino, até mesmo seu sobrenome remete ao clube e à cidade: felsinei é um dos gentílicos informais para os nascidos em Bolonha, já que o primeiro nome da localidade, dado pelos etruscos em 534 a.C., foi Felsna. Uma daquelas coincidências que só acrescentam um ar poético para o carequinha, artífice de quatro dos sete scudetti dos rossoblù. Homem refinado, o vienense Felsner era advogado e instrutor de ginástica, além de ter se especializado em futebol na Inglaterra – algo raro à época. Contratado aos 31 ano como primeiro técnico do Bologna, em 1920, chegou à Itália portando monóculo e pince-nez, dando ao time a mesma elegância que emanava. Graças a isso, recebeu os apelidos de "mago" e "doutor".

Representante da escola danubiana, Hermann Felsner valorizava o toque de bola e o futebol ofensivo, além de ter sido um dos primeiros a estudar as características detalhadas dos jogadores. Foi graças a ele que o atacante Felice Gasperi se tornou um dos grandes laterais bolonheses e que Angelo Schiavio foi não só um dos maiores goleadores dos anos 1920 e 1930 como um dos ícones da história petroniana. Em sua primeira passagem pela Emília-Romanha, o austríaco foi duas vezes campeão italiano (e três vezes vice) e fez os veltri serem conhecidos como "o time que fazia o mundo tremer". Quando retornou para substituir Weisz, em 1938, o treinador faturou mais dois scudetti e um vice em quatro temporadas antes de se aposentar – em 1948, retornou para um breve trabalho no Livorno. O Bologna foi tão grande quanto Felsner permitiu.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

10ª rodada: A força da natureza

Artilheiro da Europa, Dzeko volta a ser aquele dos tempos de Wolfsburg e comanda a Roma (Getty)
Poucas vezes no futebol o planeta Terra interferiu tanto em uma rodada quanto neste meio de semana na Itália. Um terremoto na parte central do país interrompeu uma partida, por alguns minutos, e um dilúvio atrasou outro duelo por cerca de uma hora. No entanto, a força da natureza que mais impressionou na 10ª jornada foi o ataque da Roma, que devastou a defesa do Sassuolo e manteve o time na vice-liderança da Serie A, dois pontos a menos que a implacável Juventus. A rodada ainda teve como destaques a vitória do guerreiro Genoa sobre o jovem Milan, o reencontro da Inter com a vitória e mais três pontos nas contas de Napoli e Lazio. Confira.

Sassuolo 1-3 Roma
Cannavaro (Politano) | Dzeko (Salah), Dzeko (pênalti), Nainggolan

Tops: Politano (Sassuolo) e Dzeko (Roma) | Flops: Lirola (Sassuolo) e Strootman (Roma)

O melhor ataque da Itália atacou novamente. O tridente que faz as defesas tremerem e anotou 26 gols em 10 jogos comandou a virada da Roma sobre o bom Sassuolo, treinado por Di Francesco, ex-jogador giallorosso, e teve em Dzeko o seu grande destaque outra vez. Artilheiro da Serie A com 10 gols, média de um por partida, o bósnio voltou a ser o goleador dos tempos de Wolfsburg e está no ápice de sua forma física. Se Florenzi, que rompeu os ligamentos do joelho, ficará de molho por quatro meses, ao menos os giallorossi têm em Dzeko, Salah, El Shaarawy e Nainggolan outros pilares em grande momento.

A Roma saiu atrás ainda no primeiro tempo. Pouco após Defrel levar perigo, Politano criou boa jogada pelo lado direito e cruzou na cabeça de Cannavaro, que não deu chances a Szczesny. Os romanos acertaram o travessão com Nainggolan e tiveram cabeçada de Dzeko tirada em cima da linha antes do intervalo, mas só na segunda etapa é que os gols saíram. O empate apareceu depois de Salah puxar contra-ataque e servir Dzeko, que só teve o trabalho de finalizar – o centroavante ainda virou 16 minutos depois, convertendo perfeitamente um pênalti ingênuo de Lirola. Aproveitando rebote, Nainggolan fechou o placar.

Juventus 4-1 Sampdoria
Mandzukic (Cuadrado), Chiellini (Pjanic), Pjanic, Chiellini (Cuadrado) | Schick (Praet)

Tops: Chiellini e Cuadrado (Juventus) | Flops: Skriniar e Budimir (Sampdoria)

No dia dos retornos de Chiellini e Marchisio aos gramados, festa completa para a Juventus. A Velha Senhora foi a campo no seu típico 3-5-2 e, pela primeira vez, com o trio de meias dado como titular (Khedira, Marchisio e Pjanic), mas não tinha Dybala (lesionado) e se deu ao luxo de poupar Buffon e Barzagli. Allegri ainda fez uma experiência improvável: Daniel Alves atuou a partida quase toda como zagueiro, liberando Cuadrado pelo flanco direito. O colombiano, aliás, foi um dos nomes do jogo, com duas assistências. Chiellini, por sua vez, anotou uma doppietta com a camisa bianconera pela segunda vez na carreira.

Apesar do placar elástico, a Juve nem precisou ser brilhante para vencer a Sampdoria de Giampaolo. Com menos de 10 minutos a Senhora já havia feito dois gols, ambos provenientes de bolas alçadas na área, e ficou fácil de dominar a adversária – embora Schick tenha tentado dar vida ao jogo após um erro defensivo da Juventus, no segundo tempo. Em um dia no qual Higuaín foi mal, coube a Pjanic e Cuadrado resolverem a parada na reta final do duelo: o bósnio anotou o terceiro, depois de uma confusão na área, e o ex-jogador da Fiorentina deu mais uma assistência para Chiellini garantir a manutenção dos bianconeri na liderança da Serie A.

Genoa 3-0 Milan
Ninkovic (Rincón), Kucka (contra), Pavoletti (Laxalt)

Tops: Rincón e Rigoni (Genoa) | Flops: Paletta e Poli (Milan)

Uma dura volta à realidade. Depois de bater a Juventus com méritos e diminuir a diferença para a líder do campeonato, o Milan visitou o Genoa, sofreu uma derrota fragorosa e caiu para a quarta posição. É normal que uma equipe recheada de jogadores jovens e que poupou titulares tenha oscilado, mas o domínio ao qual a equipe treinada por Montella foi submetido mostra que alguns reservas não estão à altura dos que jogam sempre. Mas mostra também que o croata Juric pode fazer um grande trabalho em Gênova: o Grifone reagiu bem à derrota no dérbi local e, com 15 pontos, é o sétimo colocado.

A vitória genoana foi construída desde cedo: aos 10 minutos, Ninkovic aproveitou cruzamento de Rincón e a condição dada pelo desatento Honda para fazer 1 a 0. Com Poli improvisado na lateral direita e o meia japonês pelo mesmo lado, o Milan não teve consistência contra um Genoa muito aguerrido no meio-campo, dominado por Rincón e Rigoni. No segundo tempo, a justíssima expulsão de Paletta só aumentou o abismo entre as equipes e possibilitou ao time da casa ampliar no Marassi – poderia ser 4 a 0, mas houve um gol anulado. O destaque do final da partida ficou com o belo gol do artilheiro Pavoletti, que entortou Romagnoli antes de anotar.

Inter 2-1 Torino 
Icardi, Icardi (Palacio) | Belotti

Tops: Icardi (Inter) e Belotti (Torino) | Flops: Murillo (Inter) e Ljajic (Torino)

Desde 2013 o roteiro é clichê: imersa em dificuldades, a Inter é salva por Icardi. Dessa vez, a equipe nerazzurra entrou em campo pressionada contra o ótimo Torino de Mihajlovic e tinha no técnico De Boer um homem com a corda no pescoço. O artilheiro argentino, porém, o manteve no emprego, ao menos por enquanto, e ratificou seus excelentes números com a camisa do clube: Icardi tem uma média superior a um gol a cada dois jogos pelo clube e, em 2016-17, já tem oito gols em 10 jogos – mais do que todos os outros colegas de time, que somam cinco.

Apesar do placar apertado, a Beneamata foi amplamente superior aos visitantes, que surpreenderam por não terem jogado com seu habitual espírito guerreiro. O primeiro tempo foi todo da Inter, que chegou ao gol após enfiada de Candreva e erro de Hart, mas uma trapalhada de Murillo, na segunda etapa, permitiu que Belotti empatasse. Brozovic desperdiçou uma série de chances cara a cara com o goleiro inglês e o Toro buscou a virada, após a entrada de Maxi López, mas as atuações negativas de Falqué (substituído pelo próprio argentino) e Ljajic (com problemas intestinais) minaram as oportunidades dos grenás. No finalzinho, Icardi fez um golaço e tirou os nerazzurri do sufoco.

Napoli 2-0 Empoli
Mertens (Callejón), Chiriches (Hamsík)

Tops: Mertens (Napoli) e Skorupski (Empoli) | Flops: Pucciarelli e Krunic (Empoli)

Mertens jogando demais como falso 9, apesar de falta de presença de área fazer o time demorar mais a marcar. Chiriches não errou um passe sequer

Depois de duas derrotas seguidas na Serie A (e mais uma na Liga dos Campeões) nada melhor do que conquistar duas vitórias em sequência às vésperas do grande duelo contra a Juventus. Diante da equipe que o revelou para o mundo Sarri não contava com Milik e Gabbiadini e mais uma vez experimentou, com sucesso, Mertens como falso 9: o belga levou muito perigo a Skorupski, embora o gol tenha demorado a sair. O polonês fez muitas defesas importantes, mas foi incapaz de pegar o chute à queima-roupa do atacante, no início do segundo tempo. O gol que definiu o resultado saiu dos pés do zagueiro Chiriches, que já vinha fazendo uma partida muito sólida – não errou passe algum. Enquanto os napolitanos assumiram a terceira posição, o Empoli de Martusciello segue na zona de rebaixamento.

Lazio 4-1 Cagliari
Keita (Lulic), Immobile (pênalti), Immobile, Felipe Anderson | Wallace (contra)

Tops: Immobile e Felipe Anderson (Lazio) | Flops: Padoin e Borriello (Cagliari)

Quem lembra de Klose quando Immobile está a todo vapor? Com oito gols, o atacante é o vice-artilheiro da Serie A, ao lado de Icardi, e foi o maior destaque da fácil vitória sobre o Cagliari, em Roma: além de ter marcado duas vezes, ele se movimentou bastante e sofreu um pênalti. Ajudando a garantir o quinto lugar para o time de Inzaghi também tiveram boas atuações os extremos Keita e Felipe Anderson, sempre muito perigosos pelos flancos – apesar de ser segundo colocado em assistências nesta Serie A, o brasileiro não vinha marcando gols e encerrou um jejum que durava seis meses. O Cagliari, por sua vez, lamenta o pênalti perdido por Borriello, a partida ruim de Isla e a falha bisonha de Padoin no terceiro gol dos laziali – foram justamente três dos mais experientes jogadores contratados nesta janela que decepcionaram na quarta. O time treinado por Rastelli sofreu nove gols nos dois últimos jogos e precisa melhorar defensivamente.

Fiorentina 1-1 Crotone
Astori | Falcinelli

Tops: Vecino (Fiorentina) e Stoian (Crotone) | Flops: Tatarusanu (Fiorentina) e Rohdén (Crotone)

Fiorentina e chuva não combinam. A equipe toscana, que já teve a partida contra o Genoa adiada pelo mau tempo, por pouco não protagonizou mais um episódio do gênero: o dilúvio que caiu em Florença fez com que a partida ficasse interrompida por cerca de 1 hora, mas o árbitro Gavillucci manteve o duelo com o Crotone de pé. Para o time da casa, talvez tivesse sido melhor a realização da partida em outro dia, já que Paulo Sousa atribuiu o tropeço ao temporal – um mero álibi, já que a Viola não tem jogado bem e está apenas no meio da tabela. Inclusive, os florentinos precisaram ir buscar o empate, que veio apenas por causa de um erro defensivo dos calabreses, já no final. Uma falha de Tatarusanu e Rodríguez também proporcionou o gol de Falcinelli, ainda no início, e quase deu ao lanterna Crotone a primeira vitória na Serie A.

Pescara 0-1 Atalanta
Caldara (Freuler)

Tops: Fornasier (Pescara) e Caldara (Atalanta) | Flops: Brugman (Pescara) e Paloschi (Atalanta)

O início periclitante ficou para trás. Se a Atalanta de Gasperini começou a temporada com quatro derrotas nas cinco primeiras partidas, hoje esta mesma equipe pode comemorar uma vitória que a leva para a sexta posição na tabela, com 16 pontos. Embora a grande aposta para este ano, o atacante Paloschi, continue rendendo muito menos que o esperado, a juventude do volante Kessié e do zagueiro Caldara vem dando conta do recado – o defensor, inclusive, não apenas marcou o gol como criou perigo outras vezes para o goleiro Bizzarri. A partida, que chegou a ficar paralisada durante três minutos por causa de um tremor de terra, teve domínio total dos visitantes. O insinuante Pescara de Oddo dessa vez jogou mal e deixou o atacante Manaj muito isolado. Assim, quase não teve chances de marcar.

Chievo 1-1 Bologna
Mbaye (contra) | Pulgar (Sadiq)

Tops: Hetemaj (Chievo) e Da Costa (Bologna) | Flops: Birsa (Chievo) e Mounier (Bologna)

Chievo e Bologna tem dois dos ataques menos produtivos de toda a Itália e fizeram jus a isto no Marcantonio Bentegodi. O empate era o resultado mais provável para as duas equipes, que agora têm, respectivamente, dois e três resultados iguais em sequência. Os mandantes foram mais produtivos e exigiram defesas importantes do goleiro brasileiro Da Costa, mas foi o Bologna que saiu na frente, já no segundo tempo: o chute de Pulgar desviou em Spolli e enganou Sorrentino. De forma parecida saiu o gol dos clivensi, mas dessa vez Mbaye colocou contra o próprio patrimônio. No final, Floro Flores quase anotou de falta e Da Costa fez defesa importante frente a Pellissier.

Palermo 1-3 Udinese
Nestorovski | Théréau (Widmer), Fofana, Fofana (Badu)

Tops: Nestorovski (Palermo) e  Fofana (Udinese) | Flops: Sallai (Palermo) e Angella (Udinese)

No jogo solitário que fechou a rodada, nesta quinta, a Udinese deu mais um indicativo do crescimento que vem tendo sob o comando de Delneri. Os friulanos começaram perdendo o confronto direto da parte baixa da tabela com o Palermo, mas souberam reagir graças ao Théréau de sempre e, principalmente, a uma promissor francês, emprestado pelo Manchester City: o meia central Fofana marcou dois golaços e ajudou os bianconeri a se afastarem da zona de rebaixamento – local em que o Palermo se encontra agora. Após trabalho promissor com o Foggia, o técnico De Zerbi vai se queimando à frente de um péssimo time montado pelo presidente Zamparini.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 9ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Da Costa (Bologna); Cuadrado (Juventus), Caldara (Atalanta), Chiriches (Napoli), Chiellini (Juventus); Rincón (Genoa), Rigoni (Genoa), Fofana (Udinese); Immobile (Lazio), Dzeko (Roma), Icardi (Inter). Técnico: Ivan Juric (Genoa).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Os 5 maiores técnicos da história do Parma

Ancelotti e Scala ajudaram a construir a grandiosidade, hoje esquecida, do Parma (Stadio Tardini)
Peixe fora d'água? Quase isso. Diferentemente de outros times italianos sobre os quais falamos aqui no site e dos quais elegemos os maiores treinadores, o Parma não tem uma história recheada de glórias. Somente nos últimos 30 anos, a partir do final da década de 1980, é que o clube começou a entrar em evidência no futebol do Belpaese e da Europa. Seu período de ouro coincide com o aporte de capital feito pela família Tanzi, dona da Parmalat e, portanto, é natural que os técnicos de sucesso dos crociati pertençam aos anos posteriores ao patrocínio da multinacional especializada em laticínios.

Ao todo, 91 técnicos já passaram pelo clube e há informações confusas sobre quem foi o primeiro comandante parmense. O primeiro mais conhecido foi Guido Ara, hexacampeão italiano pela Pro Vercelli no início do século XX, e técnico da equipe nos anos 1920. Somente no fim da década de 1970, com treinadores como Giorgio Sereni e Cesare Maldini, é que o clube começou a ser mais visto, em tempos de Serie B.

Além dos cinco escolhidos pelo blog e dos treinadores citados acima, treinadores dos últimos anos merecem ser citados como técnicos que marcaram a história do Parma. Claudio Ranieri é um deles, por ter evitado um rebaixamento quase certo, em 2007, enquanto Francesco Guidolin e Roberto Donadoni foram capazes de ensaiar o renascimento dos gialloblù, e fizeram um time com as contas apodrecidas competir com os grandes na Serie A. Não é para qualquer um: merecem respeito.

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.

5º - Cesare Prandelli


Período no clube: 2002-04
Títulos conquistados: nenhum

Prandelli não conquistou nenhum título na Emília-Romanha, mas foi muito importante em um período difícil da história do clube. Técnico do Parma por apenas duas temporadas, foi no comando dos gialloblù que seu estilo de futebol ofensivo, com posse de bola e com muita movimentação no ataque começou a ter resultados efetivos. O lombardo conseguiu fazer isso mesmo em meio ao desmanche pelo qual a equipe passava após a bancarrota da Parmalat, que culminou em uma interdição e posterior falência do clube.

No primeiro ano em Parma, Prandelli levou a equipe ao 5º lugar com um verdadeiro show da dupla de ataque, formada por dois atacantes que, à época, eram jovens revelações: juntos, Adriano e Adrian Mutu marcaram 33 gols e ajudaram os crociati a se classificarem à Copa Uefa. A crise se agravou e Prandelli perdeu o romeno na intertemporada e o brasileiro em janeiro de 2004, mas ainda assim conseguiu um novo 5º lugar, fazendo o time se readaptar e jogar em função de Alberto Gilardino, outro atacante que começava a dar frutos. O feito de Prandelli, contratado pela Roma depois do biênio positivo, foi um dos últimos relevantes na história do Parma.



Período no clube: 1985-87 e 2001
Títulos conquistados: Serie C1 (1986)

Sacchi é conhecido por ter sido ídolo do Milan e divisor de águas na história não só dos rossoneri, mas do futebol. O que poucos sabem é que ele também elevou o Parma de patamar e começou a ser reconhecido como um treinador de boas ideias no Ennio Tardini. O romanholo chegou ao clube após treinar os juvenis do Cesena e da Fiorentina, além dos profissionais do Rimini, em uma época anterior ao aporte de capital da Parmalat, quando a equipe estava na Serie C1, e no primeiro ano garantiu o título da terceirona e o acesso à Serie B. 

Em seu segundo ano nos crociati, apareceu para o mundo ao surpreender e eliminar o Milan da Coppa Italia em pleno San Siro – foram duas vitórias sobre os rossoneri, uma na fase de grupos e outra nas quartas de final. Àquela época, os ducali atuavam num 4-4-2 bem ofensivo e cheio de movimentação, com ou sem a bola, na estreia do meio-campo em losango: uma "revolução copérnica", como chamaram os jornais da época, com as premissas que consolidaria no clube presidido por Silvio Berlusconi. Em janeiro de 2001, Sacchi voltou ao Parma, mas 20 dias depois se demitiu por causa de crises de hipertensão, que o obrigaram a se aposentar como técnico. No mesmo ano, recebeu um cargo na diretoria do clube, o qual ocupou até 2003. 



Período no clube: 1996-98
Títulos conquistados: nenhum

Don Carletto tinha tudo para ser o maior treinador da história do Parma, mas boa parte da torcida ficou decepcionada com seu trabalho. Na época, Ancelotti ainda não tinha o currículo que tem hoje – ainda estava em início de carreira e não havia levantado taças como técnico –, mas o fato de ter nascido na região e ter sido revelado pelo clube gerou expectativas de que ele pudesse ser uma bandeira parmense. Se esperava que ele pudesse repetir sua carreira vitoriosa como jogador, em que brilhou por Roma e Milan, como comandante do Parma. Ancelotti até se tornou uma lenda, mas bem longe do Tardini, que hoje recebe o clube em partidas da melancólica terceira divisão.

Objetivamente, Ancelotti teve dois anos bons pelo clube emiliano. Logo em sua temporada de estreia na Serie A (em seu primeiro ano como treinador, Carletto levou a Reggiana da segundona à elite), ele não sentiu a pressão de substituir Nevio Scala e conduziu o Parma ao vice-campeonato italiano, apenas dois pontos atrás da Juventus – até hoje, é o melhor resultado dos ducali na competição. Se esperava que o time, conduzido pela qualidade de Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro, Lilian Thuram, Dino Baggio, Enrico Chiesa, Hernán Crespo e outros desse o famoso salto de qualidade, mas isso não ocorreu: o Parma caiu na fase de grupos da Liga dos Campeões (classificou-se o Borussia Dortmund, treinado por Scala), nas semifinais da Coppa Italia e ficou apenas em 5º na Serie A. Ancelotti acabou não tendo o contrato renovado apenas por maior ambição da diretoria.

2º - Alberto Malesani


Período no clube: 1998-2001
Títulos conquistados: Copa Uefa (1999), Coppa Italia (1999) e Supercopa Italiana (1999)

A demissão de Ancelotti levou um treinador de currículo modesto ao Tardini: Alberto Malesani. Quando assumiu o Parma, aos 44 anos, o veronês tinha – entre técnico das categorias de base, do time profissional e auxiliar – uma década de serviços prestados ao Chievo, clube que levou da Serie C1 à B e manteve na segundona por três anos. No trabalho seguinte, à frente da Fiorentina, conseguiu um 5º lugar e a classificação à Copa Uefa, mas o gênio forte gerou brigas frequentes com Edmundo e o presidente Vittorio Cecchi Gori, o que ocasionou sua saída. Melhor para o Parma, que escolheu um técnico que se inspirava no Futebol Total holandês, utilizava um insinuante 3-4-3 e tinha feito seu time dar show em Florença em 1997-98.

A aposta da família Tanzi se provou acertada no primeiro momento. Nos dois anos e meio em que dirigiu a equipe gialloblù, Malesani aproveitou os jogadores de ótima qualidade contratados pela Parmalat e, com craques em todos os setores, se tornou o último técnico multivencedor do clube. A primeira temporada foi excepcional, com o time voando baixo graças ao tridente formado por Chiesa, Crespo e Faustino Asprilla ou Abel Balbo, que era municiado por Juan Sebastián Verón: os títulos da Coppa Italia e da Copa Uefa, sobre Fiorentina e Marseille, respectivamente, foram conquistados com méritos. Porém, a vitória na Supercopa Italiana no início de 1999-2000 foi o último momento glorioso daquele time, que teve o desempenho na Serie A como seu calcanhar de Aquiles. Apesar de ter um elenco forte à disposição, Malesani nunca conseguiu fazer os ducali competirem pelo título (a melhor colocação foi o 4º lugar, em 1998-99), o que fez com que a torcida pegasse no seu pé e a diretoria começasse a ficar insatisfeita. O comandante vêneto acabou demitido em janeiro de 2001.



Período no clube: 1989-1996
Títulos conquistados: Copa Uefa (1995), Supercopa Uefa (1993), Recopa Uefa (1993) e Coppa Italia (1992)

O Parma é o que é graças a Nevio Scala. O treinador nascido na província de Padova, no Vêneto, teve uma boa carreira como jogador – vestiu as camisas de Milan, Roma, Fiorentina e Inter –, mas ainda era inexperiente quando assumiu o cargo de treinador do Parma. Em 1989, ano em que chegou à Emília-Romanha, tinha somente um trabalho no futebol profissional: levou a Reggina à Serie B e por pouco não conseguiu um histórico acesso à primeira divisão. A diretoria da Parmalat, que estava começando a investir seriamente no clube gialloblù, resolveu dar uma chance àquela aposta, que diferentemente de seus antecessores, Zdenek Zeman e Arrigo Sacchi, preferia uma abordagem "à italiana", inspirada no catenaccio. Com este estilo, Scala fez o Parma conseguir pela primeira vez o acesso à Serie A e o colocou no mapa do futebol mundial, transformando-o em uma potência europeia. 

O Parma esteve sob o comando de Scala na primeira divisão durante seis anos e chegou a brigar pelo scudetto, mas não amadureceu o suficiente para superar a 3ª posição. No entanto, os piores resultado foram honrosos 6º lugares, em 1991-92 (temporada em que o time conquistou a Coppa Italia) e no último ano do treinador no clube. Os ducali conseguiram a classificação para competições continentais em todas campanhas da gestão Scala e foi justamente em torneios Uefa que deram o seu melhor: os parmenses estiveram presente em três finais consecutivas e venceram duas delas – a Recopa de 1993 e a Copa Uefa de 1995 – e também venceram uma Supercopa Europeia. Nos seus anos no Tardini, Scala foi premiado com muitos reforços de peso, mas soube gerenciar duas frentes distintas: o ótimo estrategista lidava com craques de nível mundial, mas também transformou jogadores acostumados a jogar as divisões inferiores, como Lorenzo Minotti, Luigi Apolloni e Alessandro Melli, em peças convocáveis para a seleção italiana. Ídolo da torcida, ele foi ovacionado com cerca de 10 minutos de aplausos em sua última partida, em 1996, e quase 20 anos depois retornou a Parma como presidente, na tentativa de reerguer o clube gialloblù.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

9ª rodada: Os pestinhas

Juventude do Milan deixa a torcida esperançosa por um futuro melhor (Getty)
O Milan é apelidado de Diavolo por seus torcedores. Quando os diabos são comandados por jogadores de menos de 20 anos tomamos a liberdade poética de apelidar esta geração de "os pestinhas". Pois bem, com exibições fantásticas dos garotos Donnarumma e Locatelli, os rossoneri aprontaram diante dos veteranos da Juventus, a Velha Senhora, e diminuíram a vantagem bianconera na liderança: agora, a Juve tem apenas 2 pontos a mais que Milan e Roma. A 9ª rodada teve 33 gols e, até agora, foi a mais movimentada do campeonato 2016-17. Contribuíram para isso mais uma goleada romanista, o placar bailarino em Cagliari-Fiorentina, o empate entre Torino e Lazio, a reação do Napoli e mais uma derrota da Inter. Confira o resumo do fim de semana.

Milan 1-0 Juventus
Locatelli (Suso)

Tops: Donnarumma e Locatelli (Milan) | Flops: Higuaín e Cuadrado (Juventus)

Quem diria que, após o mercado mais caro dos últimos tempos, a Juventus cairia em San Siro para os dois times em baixa de Milão, algo que não acontecia desde 2009-10, uma época dramática para os bianconeri. Depois da Inter, foi a vez de o Milan vingar tanto tempo apanhando da rival, além de quebrar um tabu de quatro anos sem vencer no confronto pelo campeonato e em casa. Mais incrível ainda é que jogadores nascidos em 1998 (Locatelli) e 1999 (Donnarumma) foram protagonistas na conquista do jovem Diavolo. Na segunda derrota na temporada, a equipe de Allegri viu a diferença na liderança ser diminuída para dois pontos justamente para o adversário de sábado, que agora está invicto há seis partidas.

Depois do primeiro gol como profissional contra o Sassuolo, no início do mês, Locatelli acabou assumindo a titularidade depois da grave lesão do capitão Montolivo. Ainda longe da maturidade, com apenas 18 anos, o meio-campista tem lidado bem com a pressão e fez partida sólida diante do forte meio-campo juventino. Apesar disso, foi seu segundo gol que realmente fez brilhar sua estrela: e que gol, em lindo chute da entrada da área, sem qualquer chance para Buffon. O veterano goleiro juventino, aliás, ainda viu seu xará menor de idade ser decisivo no final – Donnarumma só não parou o gol mal anulado de Pjanic, que deixou os visitantes na bronca. O erro da arbitragem não serve como álibi para o desempenho da Velha Senhora, que perdeu muita criatividade sem Dybala, que se lesionou e foi substituído ainda no primeiro tempo por Cuadrado. O colombiano não foi bem como segundo atacante e isolou Higuaín, que mais uma vez nem sequer acertou o gol.

Roma 4-1 Palermo
Salah (Dzeko), Paredes, Dzeko (Florenzi), El Shaarawy (Salah) | Quaison (Goldaniga)

Tops: Salah e Dzeko (Roma) | Flops: Juan Jesus (Roma) e Posavec (Palermo)

O melhor ataque do campeonato deu mais uma amostra da sua força, que aparece especialmente em casa. Para se ter ideia, entre Serie A e Liga Europa, os giallorossi marcaram mais de três gols em seis partidas e tem Dzeko liderando o ranking europeu de jogadores com mais gols e assistências somados: artilheiro da Serie A, com oito gols, tem também três passes para os companheiros marcarem.

 Dessa vez, contra o fraquíssimo Palermo, a Loba contou a ajuda de Posavec para marcar seus dois primeiros gols, com Salah e Paredes, os jogadores mais criativos e essenciais para o sistema de Spalletti. Novamente Dzeko foi decisivo e depois da assistência para o egípcio, marcou o terceiro graças a uma assistência de Florenzi, que deveria descansar, mas teve que sair do banco para substituir um desastroso Juan Jesus. Quaison descontou no final do jogo, mas El Shaarawy respondeu tranquilizando e assegurando mais uma vitória.

Atalanta 2-1 Inter
Masilello (Kurtic) e Pinilla (Atalanta) | Éder (Brozovic)

Tops: Kurtic e Kessié (Atalanta) | Flops: Icardi e João Mário (Inter)

Bipolar, a Inter chega a uma sequência de três derrotas consecutivas, posterior a uma sequência de vitórias. Apesar dos resultados negativos, o time de De Boer mostrava crescimento como equipe e melhorava seu jogo, mas, novamente, a pressão por vitórias e melhor posição na tabela pesaram. Além das críticas da imprensa e falta de respeito com o holandês, os jogadores mais experientes da equipe pediram para o comandante mudar alguns conceitos. Não sabemos ao certo se o treinador seguiu o conselho ou se os jogadores simplesmente fizeram o que queriam. O fato é que, diante da Atalanta, histórica asa negra interista, a Beneamata teve sua pior atuação no campeonato e foi completamente dominada pela equipe física e intensa de Gasperini, que dominou a partir de Kurtic e Kessié e com os alas ganhando todas as bolas.

Sem Banega e Candreva, além da postura diferente, a Inter jamais conseguiu ter controle e trocar passes no campo adversário e nem mesmo finalizou no primeiro tempo, que terminou com 1 a 0 no placar, graças ao gol de Masiello, aos 9 minutos, Pouco após o intervalo, Éder empatou com golaço em cobrança de falta improvisada com Brozovic, e quase virou, com lance de sorte. No entanto, Santon fez pênalti estúpido e o ex-interista Pinilla marcou o gol da vitória. Um episódio que reflete bem a confusão na gestão e em campo que a Inter vive. A Dea, que não tem nada a vez com isso, já tem quatro vitórias e 13 pontos, enquanto Gasperini pode respirar mais confortável depois de sequência ruim que quase o derrubou de um projeto interessante.

Crotone 1-2 Napoli
Rosi (Claiton) | Callejón, Maksimovic (Strinic)

Tops: Callejón e Maksimovic (Napoli) | Flops: Martella (Crotone) e Gabbiadini (Napoli)

Apesar da expulsão e da má atuação de Gabbiadini, o Napoli voltou a vencer após três derrotas. Longe de jogar bem, até mesmo porque atuou mais de 60 minutos com um a menos, a equipe de Sarri cumpriu seu dever e bateu o novato Crotone ainda no primeiro tempo, com Callejón e Maksimovic. A vitória deixa os napolitanos ainda próximos da dupla Roma e Milan e diminui a desvantagem para a Juventus.

Em campo, Callejón e Mertens acertaram bastante o gol de Cordaz, autor de cinco defesas, mas os dois gols no primeiro tempo foram suficientes para assegurar a vitória. Não para um jogo tranquilo, já que os anfitriões reagiram na segunda etapa e ameaçaram o gol de Reina, mas marcaram seu gol muito tarde, já aos 89 minutos, com Rosi. O rodado lateral foi o autor do primeiro gol dos squali em seu estádio em uma partida da Serie A. Enfim liberado após reformas, o estádio Ezio Scida será uma arma a mais para os calabreses tentarem a improvável salvezza.

Cagliari 3-5 Fiorentina
Di Gennaro (Murru), Capuano (Di Gennaro), Borriello (Di Gennaro) | Kalinic (Tello), Bernardeschi (Kalinic), Bernardeschi (Ilicic), Kalinic (Bernardeschi), Kalinic (Tello)

Tops: Di Gennaro (Cagliari) e Kalinic (Fiorentina) | Flops: Storari (Cagliari) e Tatarusanu (Fiorentina)

O caos foi visto ontem na Sardenha. Em sete partidas, a Fiorentina de péssima campanha tinha míseros seis gols marcados, reflexo de um jogo horizontal até demais de Paulo Sousa. Nesse domingo, porém, a viola aproveitou a confusão e relaxamento dos anfitriões para marcar quatro vezes em 20 minutos, a partir do tridente formado por Kalinic, Bernardeschi e Tello.

O croata, que já tinha se redimido na quinta-feira na Liga Europa, contribuiu quatro vezes, com três gols e uma assistência. O italiano, melhor jogador no início de temporada lento, fez dois e deu outra assistência. Já o espanhol, também apático nas primeiras rodadas, entregou dois cruzamentos precisos para abrir e fechar o marcador dos visitantes. O Cagliari, por sua vez, teve péssimo desempenho defensivo e viu a sequência de três vitórias interrompidas. De qualquer forma, Di Gennaro teve tanto destaque quanto os adversários goleadores, já que foi autor de um gol e duas assistências. Cria do Milan, finalmente o meio-campista de 28 anos vai despontando na Serie A.

Torino 2-2 Lazio
Falqué (Zappacosta), Ljajic (pênalti) | Immobile (Felipe Anderson), Murgia (Felipe Anderson)

Tops: Falqué (Torino) e Felipe Anderson (Lazio) | Flops: Baselli (Torino) e Keita (Lazio)

Havia certa expectativa sobre o confronto entre Torino e Lazio, e as equipes de Mihajlovic e Inzaghi responderam com um jogo caótico, entre indas e vindas e muitos contra-ataques em alto ritmo, mas pobre tecnicamente – o que explica as várias perdas de posse de bola e passes errados. Este é um cenário que exaltas as forças de ambos, mas foi exatamente a falta de precisão e concentração que evitaram que alguém saísse com a vitória em Turim.

Os anfitriões abriram o placar com o espanhol Falqué, jogador grená com maior participação em gols no campeonato (cinco gols e três assistências), enquanto os visitantes viraram a partir do brasileiro Felipe Anderson, autor de duas assistências (agora líder no quesito com quatro). O medalhista de ouro brasileiro contribuiu para o ex-granata Immobile marcar golaço de voleio e o jovem Murgia virar, com seu primeiro gol como profissional. Até o início da prorrogação do segundo tempo, os laziale venciam, mas Cataldi fez pênalti e coube a Ljajic, outro ex-romanista, castigar a Lazio. Resultado que mantém as equipes empatadas na parte superior da tabela, em 5º e 6º lugares, respectivamente, e que dá ao Toro seu melhor início de temporada desde a histórica gestão de Mondonico, em 1992-93.

Sampdoria 2-1 Genoa
Muriel (Quagliarella) e Izzo (contra) | Rigoni (Edenílson)

Tops: Muriel e Silvestre (Sampdoria) | Flops: Izzo e Orbán (Genoa)

Cumprindo as expectativas, Sampdoria e Genoa protagonizaram mais um ótimo Derby della Lanterna. Dessa vez, por incrível que pareça, o jogo não foi nem tão físico e nervoso, mas acabou sendo bastante movimentado. O time de Giampaolo surpreendeu com postura mais cautelosa, buscando contra-ataques e mudando sua estratégia tradicional de controle e posse de bola – cenário que ajudou bastante Muriel a ser o melhor em campo e exigir bastante de Perin. Com a bola, o time de Juric (que, suspenso, viu o jogo das tribunas) teve dificuldade criativa, mesmo porque não tem jogadores com capacidade para apoiar um jogo de mais mais controle, com exceção de Miguel Veloso.

Sem vencer havia seis rodadas, os dorianos triunfaram a partir de Muriel e Quagliarella: o colombiano abriu o placar, mas o Genoa empatou em uma jogada fotocópia, quando Rigoni desviou cruzamento rasteiro. Quagliarella poderia se consagrar, já que deu assistência no primeiro gol e sofreu pênalti questionável, mas teve cobrança defendida por Perin. O goleiro, no entanto, falhou e espalmou erradamente um cruzamento, que bateu em Izzo e sacramentou a vitória rival. Interessante ainda destacar a participação de Puggioni, veterano goleiro reserva dos blucerchiati, que fez sua estreia no clube do qual é fervoroso torcedor e no qual foi revelado em 1999 justamente no clássico da cidade.

Bologna 1-1 Sassuolo
Verdi | Matri

Tops: Verdi (Bologna) e Cannavaro (Sassuolo) | Flops: Krejci (Bologna) e Iemmello (Sassuolo)

Quem diria que Verdi, depois de tantos anos de desempenhos apagados na Serie A, seria o único argumento ofensivo do Bologna de Donadoni. Pois o talentoso ponta criado pelo Milan novamente foi o destaque dos rossoblù, abrindo o placar com golaço de falta aos 10 minutos e exaltando sua ambidestria, ao bater com o pé direito. Apesar disso, o camisa 9 não foi seguido pelos companheiros, que atuaram em ritmo lento e foram pouco participativos. Já o Sassuolo deu outra mostra de como joga mal fora de casa, e pouco fez até o empate de Matri, que surgiu totalmente do acaso e a partir da fatal desconcentração adversária.

Udinese 3-1 Pescara
Théréau (pênalti), Théréau e Zapata (pênalti) | Aquilani (Caprari)

Tops: Théréau e Fofana (Udinese) | Flops: De Paul (Udinese) e Benali (Pescara)

Nada mal o início do trabalho de Delneri em Údine. Depois da boa partida contra a Juventus, os friulanos venceram em casa e superaram cinco partidas sem vitória. Contra o Pescara, o veterano Théréau, que renovou contrato recentemente, mais uma vez foi o grande destaque da Udinese e marcou dois gols – Kums, Fofana e Zapata também tiveram bom desempenho. No time de Oddo, que tem apenas uma vitória (no tribunal) em nove rodadas, preocupa a falta de resultados diante do bom futebol apresentado, especialmente por Caprari. O jogador formado na Roma e já adquirido pela Inter, acertou a trave dos anfitriões, deu bastante trabalho e passou para Aquilani marcar o único gol dos visitantes. Pouco para evitar a quarta derrota da equipe que mais empatou no campeonato – também quatro vezes.

Empoli 0-0 Chievo
Tops: Costa (Empoli) e Gamberini (Chievo) | Flops: Maccarone (Empoli) e Castro (Chievo)

Que péssimo início de temporada do Empoli: reflexo de um apático Saponara, melhor jogador da equipe. O time do iniciante treinador Martusciello tem apenas uma vitória e chegou a míseros seis pontos com o empate, o que o mantém estacionado na zona de rebaixamento. O Chievo também não viveu um dia bom, especialmente por causa da má atuação de Birsa, principal fonte criativa do time. Os zagueiros Costa e Gamberini acabaram como tímidos destaques, assim como os goleiros Skorupski e Sorrentino, que também não tiveram tanto trabalho. Em um raro lance de perigo, o Chievo pediu gol, mas esqueceu que na Itália a tecnologia é usada para decidir lances assim – foi até engraçado ver o argentino Castro argumentando com o árbitro. Na rodada mais movimentada do campeonato, um 0 a 0 chato protagonizado pelo Chievo não é surpresa, mas a equipe de Maran segue no topo, na 7ª posição com 14 pontos.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 8ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Donnarumma (Milan); Maksimovic (Napoli), Silvestre (Sampdoria), Romagnoli (Milan); Bernardeschi (Fiorentina), Linetty (Sampdoria), Kessié (Atalanta), Locatelli (Milan), Salah (Roma); Dzeko (Roma), Kalinic (Fiorentina). Técnico: Vincenzo Montella (Milan)

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Os 5 maiores técnicos da história do Napoli

Pesaola, ao centro, foi um dos que lograram sucesso no Napoli como jogador e técnico (Ansa)
Figurões: não trabalhamos. Ao longo de seus 90 anos de existência, o Napoli teve 65 treinadores e pouquíssimos deles chegaram ao clube com um currículo cheio de títulos. Portanto, a história azzurra foi construída passo a passo juntamente com técnicos "sem pedigree", que quase sempre já tinham identificação com o clube como jogadores ou que fizeram sucesso somente no San Paolo.

Além dos nossos cinco escolhidos para a lista final, outros técnicos tiveram relevância para o Napoli. Anton Kreutzer foi o primeiro treinador azzurro, mas foi Eraldo Monzeglio que venceu o primeiro título do clube (uma Serie B, em 1950), nos sete anos que ficou em Fuorigrotta. Amedeo Amadei e Rino Marchesi também conseguiram bons resultados na Campânia, ao passo que Edoardo Reja é bastante respeitado por ter levado os sulistas da terceira para a primeira divisão, na crescente do renascimento napolitano nos anos 2000. Maurizio Sarri, atualmente no comando do time, já merece ser mencionado por causa da excelente campanha em 2015-16 e caminha para entrar no hall dos cinco maiores.

Curiosamente, o Napoli é o time da Velha Bota que teve mais treinadores brasileiros: foram quatro, no total. O primeiro deles foi Paulo Innocenti, que comandou o clube em 1943 – o gaúcho também teve a honra de ter sido o primeiro capitão da equipe, que defendeu de 1926 a 1937. Também comandaram os napolitanos Angelo Sormani e Cané (de forma interina), além do nosso quinto colocado. Vamos à lista!

Critérios
Para montar as listas, o Quattro Tratti levou em consideração a importância de cada técnico na história do clube, do futebol italiano e mundial. Dentro desses parâmetros, analisamos os títulos conquistados, a identificação com a torcida e o dia a dia do clube (mesmo após o fim da carreira), respaldo atingido através da passagem pela equipe, grau de inovação tática e em métodos de treinamento e, por fim, prêmios individuais.



Período no clube: 1973-76 e 1978-80
Títulos conquistados: nenhum

Pouco conhecido no Brasil, o mineiro Luís Vinícius de Menezes se transformou em Luís Vinício quando trocou o Botafogo pelo Napoli, ainda como jogador. Atacante de faro de gol e raro poder de finalização, Vinício se tornou ídolo dos azzurri nos anos 1950 e, ao virar técnico partenopeu, duas décadas depois, teve tanta importância quanto teve como jogador. Em sua primeira passagem como treinador pela Campânia, conquistou um terceiro lugar (1973-74) e um vice-campeonato (1974-75) da Serie A, igualando os melhores resultados dos napolitanos até aquele momento.

Em seus três primeiros anos comandando a equipe de Nápoles, Luís Vinício aplicou um estilo de jogo ofensivo, "à holandesa", aproveitando ao máximo os brasileiros Cané e Sergio Clerici, que formavam a espinha dorsal do Napoli juntamente aos italianos Antonio Juliano, Giuseppe Bruscolotti e Tarcisio Burgnich. Além das boas campanhas no Campeonato Italiano, o ex-atacante por pouco não faturou a Coppa Italia em 1976: os azzurri bateram o Verona, mas o treinador natural de Belo Horizonte havia deixado a equipe ao fim da Serie A e não a comandou na fase final da copa, tendo sido substituído pelos auxiliares Alberto Delfrati e Rosario Rivellino. A segunda chance de Vinício sob a sombra do Vesúvio não foi das melhores, mas ainda assim o carinho da torcida permanece – Luís Vinício, inclusive, continua vivendo em Nápoles e costuma assistir a equipe no San Paolo, mesmo aos 85 anos.

4º - Walter Mazzarri


Período no clube: 2009-13
Títulos conquistados: Coppa Italia (2012)

Sem pedigree, Mazzarri é um dos vira-latas que conseguiram devolver a imponência ao Napoli. Muitos podem olhar torto para o toscano, principalmente depois que ele saiu chamuscado de sua pobre passagem pela Inter, mas não há como negar que WM foi um dos grandes responsáveis por fazer o time azzurro trilhar um dos melhores momentos de sua existência, atrás apenas da era de ouro maradoniana. Mazzarri deixou legado em Nápoles: o bom trabalho de Maurizio Sarri em Fuorigrotta atualmente só é possível porque o sósia de Dustin Hoffmann iniciou um projeto sólido anos antes, continuado pelo nada carismático Rafa Benítez. Os conceitos táticos e a abordagem filosófica do esporte são diferentes, mas foi o treinador nascido em Livorno que impregnou uma mentalidade vencedora e batalhadora na equipe, que passou a brigar por títulos desde sua chegada.

Quando Mazzarri aterrisso em Nápoles, o time partenopeo estava na Serie A havia apenas dois anos, depois de um período razoável nas divisões inferiores. Logo de cara, o treinador limpou a bagunça deixada por Roberto Donadoni e implementou seu 3-5-2, baseado em muita combatividade no meio-campo, rápidas transições e contragolpes laterais fortíssimos. Depois de oito meses no San Paolo, já obteve um bom resultado: 6ª posição e vaga na Liga Europa. Dali em diante, só fez a equipe crescer, baseando-se sobretudo no tridente formado por Ezequiel Lavezzi, Edinson Cavani e pelo capitão Marek Hamsík. Os feitos do toscano incluem duas classificações à Liga dos Campeões – que o clube só havia disputado com Maradona em campo –, um vice-campeonato da Serie A e uma taça da Coppa Italia, além de partidas memoráveis contra a rival Juventus. Cinco anos memoráveis para ele, que viveu o auge da carreira na Campânia, e para a torcida.

3º - Alberto Bigon


Período no clube: 1989-91
Títulos conquistados: Serie A (1990) e Supercopa Italiana (1990)

Se Albertino Bigon fosse um músico, seu Napoli teria sido um one hit wonder. O treinador vêneto estava na hora certa e no local certo, no único trabalho realmente relevante de toda sua carreira: foi ele o responsável por dirigir o Napoli nos dois últimos anos do ciclo maradoniano, o grande momento da história azzurra. Antes de treinar a equipe de Fuorigrotta, Bigon havia apenas passado pela Reggina e salvado o Cesena do rebaixamento em duas edições da Serie A e nem mesmo após o título italiano sua carreira decolou. De saída do Napoli, em 1991, foi treinar o Lecce na Serie B e depois disso foi pouco procurado por outros times – na Itália, dirigiu rapidamente Udinese, Ascoli e Perugia, e também rodou por Suíça, Grécia e Eslovênia.

Pouca importa agora se os acertos de Alberto Bigon em seus dois anos em Nápoles foram golpe de sorte ou se a genialidade de Diego Maradona e Careca foram as únicas responsáveis pelos títulos da Serie A e da Supercopa Italiana. Fato é que o paduano soube aproveitar a base deixada por Ottavio Bianchi e continuou fazendo o time executar bem a sua adaptação da zona mista, com líbero, três zagueiros, três volantes e liberdade para Maradona, Careca e Bruno Giordano. Na temporada do bi napolitano, a equipe de Bigon fez excelente primeiro turno, mas viu o favorito Milan de Arrigo Sacchi e Marco van Basten ultrapassá-la – justo o Diavolo, time o qual Albertino defendeu, como meio-campista, por 10 anos. Graças a uma vitória por 3 a 0 sobre os rossoneri e alguns tropeços do time de Milão, o Napoli foi campeão por dois pontos de vantagem. Após um 8º lugar em 1990-91, Bigon acabou sendo demitido.



Período no clube: 1962-63, 1964-68, 1976-77 e 1982-83
Títulos conquistados: Coppa Italia (1962), Copa dos Alpes (1966) e Copa da Liga Ítalo-Inglesa (1976)

Nascido na Argentina, tal qual Maradona, Pesaola também foi um grande ídolo do Napoli. Apelidado de "Baixinho" – petisso, em espanhol –, ele vestiu a camisa do clube por oito anos e ainda treinou os campanos em quatro oportunidades, o que aumentou ainda mais sua identificação com o clube e o fez se tornar uma verdadeira bandeira azzurra. Pesaola, que se dizia um argentino de alma napolitana, teve seus dois primeiros períodos como treinador em Nápoles como os mais frutíferos. Ele assumiu o time na Serie B e, além de obter o acesso à primeira divisão, e ainda deu ao Napoli o seu primeiro título relevante, a Coppa Italia de 1962. O Petisso acabou deixando o time após divergências com a diretoria, que culminaram no rebaixamento, mas retornou em 1964 para fazer os azzurri entrarem definitivamente no hall dos grandes times da Itália.

Pesaola tirou o time da segundona outra vez e, na volta à elite, ganhou os reforços de José Altafini e Omar Sívori, que se juntaram a Cané e Juliano para formar a espinha dorsal de um time fortíssimo, o melhor da história do clube até Maradona aparecer. O Petisso fez os partenopei jogarem um futebol bonito, ofensivo e eficaz, que deu ao clube a taça da Copa dos Alpes e a chance de brigar pelo scudetto – em três anos, o Napoli foi quarto, terceiro e segundo colocado da Serie A. O treinador natural de Buenos Aires passou quase 10 anos rodando pela Itália, mas como era um motivador nato, foi chamado outras duas vezes para apagar incêndios na Campânia. A última temporada rendeu a Pesaola uma de suas mais marcantes lembranças: antes dos pênaltis cobrados por Moreno Ferrario, ele se agarrava a um terço e fechava os olhos. Tanta dedicação e amor às cores azuis fizeram com que o ítalo-argentino fosse selecionado para o Hall da Fama do Napoli.

1º - Ottavio Bianchi


Período no clube: 1985-89 e 1992-93
Títulos conquistados: Serie A (1987), Coppa Italia (1987) e Copa Uefa (1989)

O maior treinador da história do Napoli só poderia ser o responsável pela melhor equipe azzurra de todos os tempos e o mais vitorioso a passar pelo Vesúvio – três títulos, tal qual Pesaola. Bresciano de nascimento, Ottavio Bianchi foi um bom meia dos anos 1960 e 1970 e atingiu seu auge com a camisa do Napoli, justamente treinado por Pesaola. Como treinador, o lombardo chegou a Nápoles depois de vencer a Serie C1 com a Atalanta e realizar trabalhos dignos na elite em times de província, como Avellino e Como. Sem currículo estelar, foi uma aposta do presidente Corrado Ferlaino, que fez do carequinha sua aposta pessoal em substituição a Rino Marchesi, que não repetiu seu primeiro biênio e obteve apenas uma 8ª posição em 1984-85, mesmo com Maradona à sua disposição. El Diez já era um dos principais jogadores do mundo àquela época e Bianchi usou isso a seu favor.

O lombardo rapidamente fez os azzurri melhorarem de produção com a utilização de um 3-4-1-2 de bastante proteção defensiva e liberdade aos atacantes, mas foi a partir das chegadas de Andrea Carnevale e Fernando De Napoli, em 1986, que o time partenopeu se tornou imparável. Com mais solidez, o trio Ma-Gi-Ca (Maradona, Giordano e Carnevale) liderava a equipe, que conquistou com méritos e folga a Coppa Italia e, principalmente, o scudetto – o primeiro da história de um clube do sul e dos napolitanos. Eleito melhor técnico do país em 1987, Bianchi ainda ganhou o reforço de Careca para conduzir o Napoli ao título da Copa Uefa, em 1989, e aos vices da Serie A (1988 e 1989) e da Coppa Italia (1989). Em 1992-93, época menos badalada na Campânia, ainda retornou para tirar o clube de uma situação delicada e fazer um campeonato tranquilo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Italianos na Europa, semana 3: Testes para cardíacos

Buffon voltou a ser Superman e foi fundamental para vitória da Juve sobre o Lyon (AP)
A semana dos times italianos nas competições continentais pode ser definido com uma célebre expressão cunhada pelo narrador Galvão Bueno: foi teste para cardíaco, amigo. Em especial, Juventus, Napoli, Inter e Roma viveram momentos mais estressantes, com distintos desfechos.

O time que teve percalços primeiro nesta rodada europeia foi a Juventus, que visitou o Lyon na terça-feira, pela Liga dos Campeões. Já se sabia que a Velha Senhora teria um jogo complicado no Stade des Lumières, mas o OL colocou a equipe italiana contra as cordas, exigindo que Buffon fizesse uma partida impecável, do início ao fim. O lendário goleiro falhou algumas vezes nas últimas semanas, mas voltou a seu nível e calou quem ousou dá-lo como acabado. Clark Kent voltou a ser Superman.

Gigi começou sua série de defesaças pegando um pênalti. Bonucci agarrou Diakhaby na área e Buffon voou no canto esquerdo para espalmar a cobrança de Lacazette e se tornar o segundo na lista dos goleiros que mais penalidades defenderam na Liga dos Campeões – quatro. No início do segundo tempo, o camisa 1 ainda fez um milagre ao, já caído, colocar para escanteio um chute à queima-roupa de Fekir, que ainda desviou em Bonucci.

Pouco após a defesaça, a Juve viu sua vida ficar mais complicada, por causa da expulsão de Lemina. Com isso, o Lyon pressionou ainda mais e obrigou Buffon a afastar o perigo mais uma vez, colocando seus reflexos para funcionarem diante de uma forte cabeçada de Tolisso. Quatro minutos depois, a história do jogo mudou: Cuadrado havia substituído Dybala e, em um contragolpe, fez um belíssimo gol. O colombiano tirou a marcação para dançar e acertou um chutaço quase sem ângulo, sem chances para Anthony Lopes.

Nos 20 minutos de jogo restantes a equipe treinada por Max Allegri soube cozinhar e administrar o resultado, que a mantém na ponta do Grupo H. A Juventus tem 7 pontos, assim como o Sevilla, que saiu vitorioso contra o Dinamo Zagreb. Os croatas são lanternas do grupo, sem um pontinho sequer, e o Lyon vem na terceira posição, com 3.

Candreva marcou seu primeiro com a camisa da Inter e manteve a equipe viva na Liga Europa (Getty)
Ufa!
Foi muito sofrido, mas a Inter conseguiu vencer o bom time do Southampton para exorcizar o fantasma do San Siro e voltar a ter chances de classificação à próxima fase da Europa League. Os italianos seguem na lanterna do Grupo K, com 3 pontos, mas estão muito mais próximos dos adversários: Hapoel Be’er Sheva e Southampton possuem 4 pontos e o Sparta Praga ocupa a liderança, com 6.

Em nenhum momento o time treinado por De Boer se mostrou superior ao treinado por Puel. O primeiro tempo viu domínio completo dos Saints, que colocaram a Inter contra as cordas com uma marcação pressão e muito gás. Na segunda etapa, porém, a Beneamata equilibrou o jogo e chegou ao gol com uma jogada de linha de fundo, construída, pasmem, exclusivamente por italianos: Santon avançou e cruzou rasteiro para que Candreva acertasse um belo chute no ângulo. Primeiro gol do ex-esterno da Lazio com a camisa nerazzurra.

Depois do gol a Inter mostrou mais confiança, apesar de pressionada. O Southampton voltou a crescer apenas depois da expulsão de Brozovic, que fez com que o time da casa recuasse e quase cedesse o empate. Handanovic precisou operar dois milagres, diante de van Dijk e Austin, e Nagatomo ainda tirou uma bola em cima da linha. Uma vitória importante, mas sem que o time merecesse. Ao menos dá moral para o futuro na competição.

Ainda na Liga Europa, Fiorentina e Sassuolo conseguiram resultados satisfatórios fora de casa. A equipe violeta venceu o Slovan Liberec com tranquilidade, na República Checa: o 3 a 1 e os dois gols de Kalinic podem ser o ponto de partida para espantar a má fase do atacante da equipe como um todo. A equipe lidera o Grupo J, com 7 pontos, ao passo que Paok e Qarabag dividem a segunda posição, com 4 pontos, e o Liberec é o lanterna, com 1.

Por sua vez, o Sassuolo não foi nada brilhante e, graças a um gol contra, arrancou um ponto importante fora de casa para seguir vivo no complicado Grupo F – hoje, o líder é o Genk, com 6 pontos, e o Athletic Bilbao é o último, com 3; Sassuolo e Rapid Vienna tem 4. No returno, os neroverdi disputam duas partidas em casa e largam com boas chances de passarem ao mata-mata da competição.

Totti brilhou de novo, mas a Roma tropeçou no Austria Vienna (Getty)
Os reis do desperdício
Poderia ser dia de festa para a Roma, já que Totti chega a seu centésimo jogo pela equipe em competições Uefa. Tudo caminhava para o final feliz, uma vez que o capitão deu duas magistrais assistências de trivela – já são cinco passes para gol na Liga Europa – e a Loba vencia por 3 a 1. No entanto, uma autêntica romada tomou conta do Olímpico e o Austria Vienna empatou a partida em menos de cinco minutos.

É verdade que foram os austríacos que saíram em vantagem, depois que Juan Jesus perdeu bola no campo de defesa e, com belo voleio, Holzhauser fez o primeiro. Pouco depois, porém, a Roma empatou com o primeiro de três golaços: Gerson, escalado por Spalleti mais recuado, como meia pela esquerda, deu um lançamento que seria tranquilamente assinado por seu homônimo mais famoso, campeão mundial em 1970 pelo Brasil, e El Shaarawy encobriu o goleiro Almer.

Dali para frente, espaço para o show de Totti e a "debâcle" romanista. O quarentão achou o ítalo-egípcio com um outro lindíssimo lançamento e o Faraó El Shaarawy so teve o trabalho de dominar e, com a direita, colocar o ângulo. O ritmo mais baixo após o intervalo não impediu que Totti acionasse a infiltração de Florenzi com sua trivela mágica e assistisse seu discípulo fulminar o goleiro austríaco, sem deixar a bola cair no chão. Na reta final da partida, a defesa giallorossa dormiu, permitindo que Prokop e Kayode, em um espaço de três minutos, decretassem o 3 a 3 final. As duas equipes lideram o Grupo E com 5 pontos, seguidos por Astra Giurgiu (3) e Viktoria Plzen (2).

A verve esbanjadora também foi a tônica da atuação do Napoli diante do Besiktas, pela Champions. A equipe do sul do Belpaese começou a rodada com a chance de ser a primeira equipe da história da competição a garantir a classificação às oitavas de final com apenas três partidas disputadas, mas saiu amargurada. Precisava vencer os turcos (perdeu) e torcer para que Dynamo Kyiv e Benfica empatassem (os encarnados levaram). Os azzurri continuam líderes do Grupo B, com 6 pontos, mas ligaram o sinal de alerta, já que Besiktas e Benfica agora têm 4 pontos.

O Napoli nunca esteve à frente do placar contra os turcos no San Paolo. Logo aos 12 minutos, aliás, o lateral brasileiro Adriano aproveitou uma desatenção da zaga napolitana para abrir o placar, forçando a reação dos partenopei. Sarri ousou ao escalar Mertens como centroavante e o belga aproveitou bem a chance, sendo a principal fonte de perigo dos donos da casa – foi do baixinho o gol de empate, aparecendo na área para escorar cruzamento, como um autêntico 9. O primeiro tempo, no entanto, acabou com vitória parcial do Besiktas. Assim como contra o Benfica, Jorginho errou passe crucial e permitiu que Aboubakar ficasse na cara do gol e só deslocasse Reina.

Pouco após o intervalo, o Napoli teve pênalti a seu favor, mas Insigne bateu mal e Fabrício defendeu – Lorenzinho até chorou na saída de campo, sentindo a responsabilidade. Os azzurri empataram pouco depois, em outra penalidade (esta, convertida por Gabbiadini, substituto de Insigne), e se o empate não seria o melhor dos resultados, o nigeriano Aboubakar fez questão de piorar a situação napolitana, fazendo 3 a 2. O Napoli perdeu as três últimas partidas e o presidente Aurelio De Laurentiis se mostrou bastante irritado com algumas escolhas de Sarri nestes jogos. Cheiro de crise no ar.