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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Balanço de inverno, parte 1

Sassuolo tem sofrido com lesões e, sem Berardi, está na parte baixa da tabela (Getty)
Uma folga para recuperar as energias. Até 7 de janeiro, a Serie A fica paralisada por conta das festividades do fim de ano e, durante esta pausa, publicamos nosso tradicional balanço de inverno. Em nosso especial, trazemos um resumo sobre o que as 20 equipes produziram nas primeira metade do Campeonato Italiano e uma projeção do que vem por aí. Nosso especial está dividido em duas partes, com 10 times cada uma: começamos com as equipes localizadas da 20ª à 11ª posição e, no próximo texto, falaremos sobre o restante. Feliz ano novo e boa leitura!

Publicado também na Trivela.

Pescara


20ª posição. 18 jogos, 9 pontos. 1 vitória, 6 empates, 11 derrotas. 14 gols marcados, 33 sofridos.
Maior sequência positiva: dois jogos sem perder, duas vezes
Maior sequência negativa: 16 jogos sem vencer, desde a 2ª rodada
Time-base: Bizzarri; Zampano (Crescenzi), Campagnaro, Fornasier (Gyömbér), Biraghi; Memushaj, Brugman, Cristante (Aquilani); Benali, Verre (Manaj); Caprari.
Treinador: Massimo Oddo
Destaque: Gianluca Caprari, atacante
Artilheiro: Gianluca Caprari, com 3 gols
Garçom: Francesco Zampano, com 3 assistências
Decepção: Alberto Aquilani, meia
Expectativa: Não ser rebaixado

Ao que tudo indica, o Pescara vai continuar com sua sina de ioiô – em suas seis outras participações na Serie A, só não foi rebaixado uma vez. A equipe da região central da Itália chegou à elite prometendo um futebol ofensivo e organizado, mas deixou a desejar, após um início de temporada promissor, do ponto de vista do volume de jogo apresentado. O time treinado por Massimo Oddo chegou a dificultar as vidas de Napoli, Inter, Torino e Roma, mas não foi capaz de conseguir nenhuma vitória com a bola rolando. O único triunfo aconteceu por causa da escalação irregular de um jogador por parte do Sassuolo.

Embora alguns jogadores façam um bom campeonato (casos de Bizzarri, Biraghi e de Caprari, destaque da equipe), o Pescara tem perdido estímulos para continuar lutando. A diretoria não pensa em demitir Oddo, que está em seu terceiro ano de trabalho, mas precisará de reforços importantes, especialmente no meio-campo e no ataque – sobretudo porque a principal contratação desta temporada, o rodado Aquilani, não se encaixou e já se despediu. Se quiserem vislumbrar qualquer mudança de cenário, os golfinhos precisarão de uma mudança total de postura e de golpes certeiros no mercado.

Crotone


19ª posição. 17 jogos, 9 pontos. 2 vitórias, 3 empates, 12 derrotas. 14 gols marcados, 32 sofridos.
Maior sequência positiva: dois jogos sem perder, na 10ª e 11ª rodadas
Maior sequência negativa: 10 jogos sem vencer, entre a 1ª e a 10ª rodadas
Time-base: Cordaz; Rosi, Ceccherini, Ferrari, Martella; Rohdén, Capezzi, Crisetig (Barberis), Palladino; Trotta (Stoian), Falcinelli.
Treinador: Davide Nicola
Destaque: Gian Marco Ferrari, zagueiro
Artilheiro: Diego Falcinelli, com 5 gols
Garçom: Marcus Rohdén, com 2 assistências
Decepção: Bruno Martella, lateral esquerdo
Expectativa: Não ser rebaixado

O Crotone estreou na Serie A sabendo que sua permanência para mais uma temporada na elite seria um feito enorme, que beirava o improvável. Após metade do campeonato já ter sido disputada, o sonho rossoblù parece distante, visto que os calabreses foram derrotados em 12 das 17 partidas em que entraram em campo. O baixíssimo aproveitamento da equipe treinada por Davide Nicola não sugere um futuro glorioso, sobretudo porque o Crotone não tem um elenco com larga experiência na primeira divisão e também não tem muitos recursos para contratar reforços.

Os pitagóricos podem se ressentir de não terem atuado em seu estádio, o Ezio Scida, até a 9ª rodada – a praça esportiva estava sendo reformada para ser apta a receber jogos da Serie A e a equipe mandou suas partidas em Pescara. As duas únicas vitórias do Crotone foram conquistadas em seu território, no qual o aproveitamento é de quase 47% – contra 17,6%, se considerarmos todas as rodadas. A proximidade com seus torcedores pode ser uma das chaves para a façanha dos tubarões, que tem em Cordaz, Ferrari, Martella, Palladino e Falcinelli os seus pilares. Entre estes, somente o lateral esquerdo barbudo precisa voltar a atuar no nível da segundona, competição em que foi um dos melhores jogadores.
Palermo


18ª posição. 18 jogos, 10 pontos. 2 vitórias, 4 empates, 12 derrotas. 16 gols marcados, 35 sofridos.
Maior sequência positiva: dois jogos sem perder, duas vezes
Maior sequência negativa: 11 jogos sem vencer, entre a 4ª e a 16ª rodadas (9 derrotas em série)
Time-base: Posavec; Thiago Cionek, Andelkovic, Goldaniga; Rispoli, Hiljemark, Bruno Henrique (Jajalo), Gazzi (Chochev), Aleesami; Diamanti (Quaison); Nestorovski.
Treinadores: Davide Ballardini (1ª e 2ª rodadas), Roberto De Zerbi (3ª-14ª) e Eugenio Corini (15ª em diante)
Destaque: Ilija Nestorovski, atacante
Artilheiro: Ilija Nestorovski, com 7 gols
Garçom: Alessandro Diamanti, com 3 assistências
Decepção: Aleksandar Trajkovski, meia-atacante
Expectativa: Não ser rebaixado

Desde a última temporada o Palermo tem flertado com as posições mais baixas da tabela. Se em 2015-16 a equipe siciliana escapou da degola somente nas últimas rodadas, terá mais trabalho na atual edição da Serie A, já que frequentou a zona do rebaixamento em 17 das 18 rodadas já disputadas. Está chegando a conta pelo ambiente atribulado nos bastidores do clube, incendiado pela gestão do presidente Maurizio Zamparini, que frita técnicos e jogadores. Ainda assim, o Palermo tem um elenco com qualidade superior à que está sendo traduzida em campo.

O início do campeonato foi lento, pois a equipe estava sob o comando do desacreditado Ballardini, tinha negociado Gilardino, Sorrentino e Vázquez e demorado para trazer reforços mais pesados, como Bruno Henrique e Diamanti, que só chegaram perto do fechamento da janela. Embora os dois não estejam fazendo a melhor das temporadas, são peças em que se fiar – assim como Hiljemark, Chochev e Goldaniga, muito abaixo do que podem demonstrar. Depois de um período de incertezas sob o comando do inexperiente técnico De Zerbi, os rosanero apresentaram uma melhora em seu futebol a partir da chegada de Corini, que foi ídolo do clube como jogador. O ex-regista deverá manter o time focado para voltar bem da pausa festiva e fazer o elenco se mirar no exemplo de Nestorovski: o atacante macedônio foi contratado com alguma desconfiança e se tornou o artilheiro da equipe, com sete gols. Falta transformar isso em pontos.

Empoli


17ª posição. 18 jogos, 14 pontos. 3 vitórias, 5 empate, 10 derrotas. 10 gols marcados, 26 sofridos.
Maior sequência positiva: dois jogos sem perder, quatro vezes
Maior sequência negativa: oito jogos sem vencer, entre a 4ª e a 11ª rodadas
Time-base: Skorupski; Veseli (Laurini), Bellusci, Costa, Pasqual; Krunic (Tello), Dioussé, Croce; Saponara; Pucciarelli, Maccarone (Gilardino).
Treinador: Giovanni Martusciello
Destaque: Lukasz Skorupski, goleiro
Artilheiro: Levan Mchedlidze, com 3 gols
Garçom: Guido Marilungo, com 2 assistências
Decepção: Alberto Gilardino, atacante
Expectativa: Não ser rebaixado

Disparado o pior ataque da Serie A, o Empoli só não está em situação mais complicada porque Pescara, Crotone e Palermo fazem temporada ainda mais desastrosa. A linha de frente é formada por alguns bons jogadores, como os veteranos Maccarone e Gilardino e as realidades Saponara e Pucciarelli, mas nenhum deles vem em boa fase – tanto é que os medíocres Marilungo e Mchedlidze chegaram a assumir a titularidade na reta final de 2016 e corresponderam mais. Para sonhar com uma permanência mais tranquila, o treinador Martusciello, porém, precisará contar com a melhora no futebol de seus principais jogadores. No atual cenário, apenas o Empoli parece capaz de tropeçar o suficiente para permitir que um dos três últimos colocados consigam respirar.

O técnico da equipe azzurra da Toscana foi auxiliar de Sarri e Giampaolo, mas não tem conseguido fazer seus comandados atuarem de forma semelhante ao proposto por seus antecessores. Além do momento negativo das peças já citadas, a equipe se ressente das saídas de Tonelli, Zielinski e Paredes – apenas Mário Rui foi bem substituído por Pasqual – e da irregularidade de alguns jovens jogadores, como Barba, Dioussé e Tello. Com a fragilidade do time, quem vai se destacando é o goleiro Skorupski, segundo na lista dos que mais fizeram defesas na temporada – com 68 intervenções, perde somente para Cordaz, do Crotone, que tem 72.

Sassuolo


16ª posição. 18 jogos, 17 pontos. 5 vitórias, 2 empates, 11 derrotas. 24 gols marcados, 33 sofridos.
Maior sequência positiva: dois jogos sem perder, duas vezes
Maior sequência negativa: seis jogos sem vencer, entre a 9ª e a 14ª rodadas
Time-base: Consigli; Lirola (Gazzola), Antei (Cannavaro), Acerbi, Peluso; Biondini (Mazzitelli, Sensi), Magnanelli, Pellegrini; Ragusa (Ricci), Defrel, Politano.
Treinador: Eusebio Di Francesco
Destaque: Grégoire Defrel, atacante
Artilheiro: Grégoire Defrel, com 6 gols
Garçom: Matteo Politano, com 3 assistências
Decepção: Alessandro Matri, atacante
Expectativa: Meio da tabela

O álibi para a má campanha do Sassuolo na Serie A é de fácil assimilação: as lesões dizimaram o elenco neroverde e ainda atingiram quase todos seus principais jogadores. Maiores destaques dos emilianos em 2015-16, Berardi e Duncan não entram em campo desde as rodadas iniciais do campeonato (o atacante fez duas partidas e o volante, cinco), sem falar que Cannavaro, Biondini, Politano e Magnanelli desfalcam ou desfalcarão o time por muito tempo e em jogos cruciais da temporada. Sem peças já acostumadas à sua filosofia de trabalho, o técnico Di Francesco viu a qualidade na execução de sua proposta de jogo cair bastante. Os retornos de Berardi, Duncan, Politano e Cannavaro, previstos para janeiro, devem dar novo fôlego à equipe.

Apesar de tudo, o Sassuolo ainda demonstra em algumas oportunidades o futebol vistoso que o fez sensação da Itália nas últimas temporadas, principalmente graças a Defrel e Pellegrini. Na maior parte do tempo, porém, o goleiro Consigli tem ficado muito exposto e está sendo bastante exigido: nem ele nem o bom zagueiro Acerbi tem conseguido evitar que o time tenha a terceira pior defesa do campeonato. Conquistar uma vaga na Liga Europa outra vez está fora dos planos no Mapei Stadium, mas dificilmente o Sassuolo correrá riscos de rebaixamento. Isolado na tabela, a equipe tem sete pontos a mais que o Palermo, que abre a zona da degola, mas seis a menos que o Cagliari, 14º.

Bologna


15ª posição. 17 jogos, 20 pontos. 5 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 17 gols marcados, 22 sofridos.
Maior sequência positiva: dois jogos sem perder, duas vezes
Maior sequência negativa: sete jogos sem vencer, entre a 6ª e a 12ª rodadas
Time-base: Da Costa (Mirante); Torosidis (Krafth), Gastaldello, Maietta, Masina; Dzemaili, Nagy, Taïder; Verdi, Destro, Krejci.
Treinador: Roberto Donadoni
Destaque: Ladislav Krejci, meia-atacante
Artilheiros: Mattia Destro e Simone Verdi, com 4 gols
Garçons: Ladislav Krejci e Federico Viviani, com 2 assistências
Decepção: Godfred Donsah, meia
Expectativa: Meio da tabela

Bom, mas nem tanto. Treinado por um grande profissional e com uma série de jogadores promissores e de qualidade, o Bologna poderia estar em melhor situação na Serie A. Donadoni montou um time tão sólido quanto o de 2015-16, mas somente em alguns momentos o viu atuar em nível acima ao da temporada anterior. Isto que chama a atenção, pois o elenco tem revelações como Masina, Helander, Pulgar, Nagy, Verdi, Krejci, Sadiq, Viviani e Donsah – este último tem atuado pouco – e outros jogadores que surgiram bem e mantém um nível razoável, como Destro, Gastaldello, Dzemaili, Taïder e Mirante – o goleiro ficou afastado por problemas cardíacos, mas se recuperou. Dificilmente a equipe da Emília-Romanha brigaria por algo além de uma posição confortável no meio da tabela, mas os torcedores rossoblù desejam uma regularidade maior nas atuações, já que os jogadores podem render mais e levar o time a uma melhor classificação na tabela.

Nas oportunidades em que impressionaram, os bolonheses mostraram um bom futebol graças aos pés de Verdi e Krejci: os dois talentosos fantasistas dão criatividade ao time e ainda marcam seus gols, se infiltrando entre os zagueiros adversários ou arriscando de fora da área. Resta aos felsinei torcerem para que a pausa de inverno dê mais tempo de trabalho ao time e que Destro suba de produção na segunda parte do campeonato, tal qual aconteceu na última temporada. Um melhor aproveitamento no último terço do campo é o que se espera de um elenco tão qualificado.


Cagliari


14ª posição. 18 jogos, 23 pontos. 7 vitórias, 2 empates, 9 derrotas. 27 gols marcados, 42 sofridos.
Maior sequência positiva: três vitórias seguidas, entre a 6ª e a 9ª rodadas
Maior sequência negativa: três jogos sem vencer, duas vezes
Time-base: Storari; Pisacane, Ceppitelli, Bruno Alves, Murru; Isla, Tachtsidis, Padoin; Di Gennaro (Barella); Borriello, Sau.
Treinador: Massimo Rastelli
Destaque: Marco Borriello, atacante
Artilheiro: Marco Borriello, com 7 gols
Garçons: Davide Di Gennaro, Marco Sau e Mauricio Isla, com 3 assistências
Decepção: Artur Ionita, meia
Expectativa: Meio da tabela

O desempenho do Cagliari vai sendo mais ou menos como o esperado e o time vai ficando no meio da tabela, com poucas chances de voltar à segunda divisão. Mesmo assim, o ambiente na Sardenha está em ebulição: a torcida ficou bastante insatisfeita com as atuações do time em alguns jogos e também exigiu a retirada da braçadeira de capitão do goleiro Storari; muitos jogadores estão em conflito com o técnico Rastelli, que também não é unanimidade entre os torcedores. Com isso, o presidente Giulini se mostrou bastante chateado e até cogita vender o clube.

Dentro de campo, o grande problema – talvez o único realmente relevante – é a defesa, pior do campeonato com sobras: o Cagliari só não sofreu gol em um jogo, contra a Atalanta, e ainda amargou cinco goleadas. Ainda assim, o ataque é bastante produtivo (só passou em branco quatro vezes) e contou com Di Gennaro e Borriello em grande fase, segurando as pontas enquanto João Pedro e Diego Farias estavam no estaleiro. A dupla brasileira está começando a ter ritmo de jogo e ajudará na segunda fase da temporada, se integrando a um elenco capacitado – e que ainda tem Ionita, Dessena e Isla rendendo menos do que podem. A impressão que se tem é que, se Rastelli deixar o comando, os problemas extracampo se resolverão mais facilmente e os casteddu poderão tirar a geladeira das costas para jogarem melhor.

Sampdoria


13ª posição. 18 jogos, 23 pontos. 6 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 21 gols marcados, 24 sofridos.
Maior sequência positiva: cinco jogos sem perder, entre a 11ª e a 15ª rodadas
Maior sequência negativa: seis jogos sem vencer, entre a 3ª e a 8ª rodadas
Time-base: Puggioni (Viviano); Sala (Pedro Pereira), Silvestre, Skriniar, Regini; Barreto, Torreira, Linetty; Praet; (Bruno Fernandes, Álvarez); Quagliarella, Muriel.
Treinador: Marco Giampaolo
Destaque: Karol Linetty, meia
Artilheiro: Luis Muriel, com 6 gols
Garçons: Karol Linetty, Vasco Regini e Fabio Quagliarella, com 3 assistências
Decepção: Antonio Cassano, atacante
Expectativa: Meio da tabela

A Sampdoria precisou aprender a levar uma nova vida sem Soriano, Fernando, De Silvestri (negociados) e Cassano (barrado). Conseguiu. Os blucerchiati não almejam nada além de um campeonato tranquilo no meio da tabela, mas tem conseguido complicar a vida de adversários mais fortes, como Inter, Roma, Fiorentina e Torino. Após demorar um pouco para assimilar a proposta de Giampaolo, o time se acertou e não deve correr grandes riscos em 2017.

A boa execução da filosofia do treinador se deve à insinuante dupla de ataque formada por Muriel e Quagliarella, capaz de aliar velocidade, técnica e ótimo poder de finalização – Praet e Schick também tem ajudado muito o setor ofensivo. Parêntese: embora o estilo de Cassano não se encaixe no time, impressiona o fato de o barês não ter tentado convencer o treinador de sua utilidade – continua acima do peso, por exemplo. O ataque é o que mais chama a atenção no time doriano, mas o principal setor dos genoveses é o forte meio-campo. O experiente Barreto, a promessa Torreira e o ótimo polonês Linetty conseguem equilibrar o jogo e impor um ritmo de marcação forte, ao mesmo tempo que são capazes de distribuir bolas com qualidade. É a chave do futebol da Samp, que costumeiramente sai rápido em contra-ataques, aproveitando as características de suas peças.

Genoa


12ª posição. 18 jogos, 23 pontos. 6 vitórias, 5 empates, 7 derrotas. 21 gols marcados, 22 sofridos.
Maior sequência positiva: quatro jogos sem perder, entre a 5ª e a 8ª rodadas
Maior sequência negativa: três jogos sem vencer, duas vezes
Time-base: Perin; Izzo, Burdisso, Muñoz (Orbán); Lazovic (Edenílson), Rincón, Miguel Veloso, Laxalt; Rigoni, Simeone, Ocampos (Pavoletti, Ninkovic).
Treinador: Ivan Juric
Destaque: Giovanni Simeone, atacante
Artilheiro: Giovanni Simeone, com 6 gols
Garçom: sete jogadores, com 2 assistências
Decepção: Lucas Ocampos, atacante
Expectativa: Meio da tabela

Pouca coisa mudou no estilo de jogo do Genoa de 2015-16 para o da atual temporada, já que a lacuna da saída de Gasperini foi preenchida por um de seus discípulos, o croata Juric. Usando o mesmo 3-4-3 do seu antecessor, o treinador acrescentou mais agressividade ao time e deu novas funções a Rincón e Rigoni – o segundo foi até avançado para atuar na ponta direita. A perseverança na marcação e na pressão aos adversários são nuances de um forte trabalho no coletivo, que também tem reflexos na construção das jogadas. Não à toa, sete jogadores rossoblù já deram dois passes para gols nesta temporada.

A coletividade tem dado frutos e gerado alguns resultados positivos, como as vitórias incontestáveis sobre Milan e Juventus – esta última, em um dos melhores jogos do campeonato. O ataque do Vecchio Balordo, que era capitaneado por Pavoletti, em 2016-17 mudou de dono: o centroavante teve problemas físicos que o afastaram de campo por parte da temporada e foi bem substituído por Cholito Simeone, rapidamente adaptado ao futebol italiano. Em relação a Pavoletti, o argentino oferece mais movimentação e um jogo pelo chão com mais velocidade. É mais adaptado ao estilo frenético de Juric e, por isso, o Genoa deverá vender o atacante italiano ao Napoli já em janeiro. Para um time que corre poucos riscos e não tem ambição de se classificar para a Liga Europa, capitalizar é a melhor saída.

Udinese


11ª posição. 18 jogos, 25 pontos. 7 vitórias, 4 empates, 7 derrotas. 24 gols marcados, 24 sofridos.
Maior sequência positiva: quatro jogos sem perder, desde a 15ª rodada
Maior sequência negativa: cinco jogos sem vencer, entre a 5ª e a 8ª rodadas
Time-base: Karnezis; Widmer, Danilo, Felipe, Samir (Wagué, Adnan); Badu (Hallfredsson, Jankto), Kums, Fofana; De Paul, Théréau, Zapata.
Treinadores: Giuseppe Iachini (até a 7ª rodada) e Luigi Delneri (da 8ª em diante)
Destaque: Cyril Théréau, atacante
Artilheiro: Cyril Théréau, com 8 gols
Garçom: Silvan Widmer, com 4 assistências
Decepção: Rodrigo De Paul, meia
Expectativa: Meio da tabela

Uma das pequenas surpresas da temporada. A Udinese tem atravessado momentos difíceis nos últimos anos, desde o corte de investimentos feito pela família Pozzo, e se esperava que não ficasse muito longe da zona de rebaixamento. Esse roteiro até ia se cumprindo quando Iachini era o treinador, mas a troca no comando e a efetivação do friulano Delneri acabou dando novo fôlego à equipe, atualmente localizada em uma zona confortável da tabela. A dupla de ataque formada por Théréau e Zapata está funcionando bem e deve garantir pontos suficiente para que os bianconeri continuem no mesmo patamar.

Curiosamente, Delneri tem contado mais com jogadores que já estavam no elenco anteriormente do que com contratações feitas nesta temporada – os jovens De Paul, Ewandro e Peñaranda, por exemplo, não deram mostras de talento ainda, sendo que o argentino é titular. Dos novos contratados, Kums é irregular no meio-campo e Samir começou a ser utilizado nos últimos jogos do ano, como lateral esquerdo. Somente Fofana brilha de fato, atuando com qualidade de uma área à outra, participando bastante do jogo e marcando belos gols. De resto, os pilares continuam os mesmos de outrora: Karnezis, Widmer, Danilo, Badu, Théréau e Zapata são as peças de confiança do experiente treinador em mais uma jornada bem sucedida.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Jogadores: Giuseppe Bruscolotti




Grande bandeira do Napoli, o lateral Bruscolotti emprestou sua força à equipe por 16 anos (Tifo Napoli)
Poucos cidadãos no mundo são tão bairristas e amam tanto sua terra natal quando as pessoas nascidas em Nápoles. Na belíssima cidade banhada pelo Mar Tirreno, torcer para o Napoli é um dos maiores componentes da identidade local: por todos os cantos se veem as cores do clube e os garotinhos que jogam bola pelas vilas querem representar o time de Fuorigrotta. Por isso, um dos fatos mais curiosos do futebol italiano é que, proporcionalmente, existem poucos jogadores nascidos na capital da Campânia que tenham sido bandeiras napolitanas. Entre os tantos adotados pela massa azzurra e que se apaixonaram pela cidade está Giuseppe Bruscolotti, eterno capitão da equipe.

Bruscolotti não é natural de uma localidade distante de Nápoles, como tantos outros que brilharam pelos partenopei: nasceu a 150 quilômetros da "Cidade das 500 cúpulas", em Sassano, na província de Salerno. Peppe começou no futebol perto de casa, atuando pelos times juvenis da Pollese, uma equipe amadora do vilarejo vizinho de Polla. Aos 19 anos, no início da década de 1970, o lateral direito subiu de patamar e assinou com um dos times profissionais da Campânia, o Sorrento.

Na maravilhosa Península Sorrentina, Bruscolotti começou a chamar atenção. Ainda que fosse muito jovem, foi titular na era de ouro dos rossoneri: destaque do esquema do técnico Giancarlo Vitali, participou ativamente da histórica campanha do único acesso do time à Serie B, em 1970-71. O treinador, que foi jogador importante do Napoli na década de 1950, era amante do catenaccio e conseguiu montar um sistema que sofreu apenas 12 gols na Serie C, contando com o forte poder de marcação de Peppe pela lateral direita.

No ano seguinte Vitali foi treinar a Salernitana, mas Peppe continuou sendo peça-chave do Sorrento: só não atuou em duas partidas e, embora tenha feito uma boa competição, não conseguiu evitar o rebaixamento da equipe. Bruscolotti trocaria de time após a queda dos costieri, naquela que seria a última transferência de sua carreira, ainda que tivesse somente 21 anos. Entre 1972 e 1988, o defensor vestiria apenas a camisa do Napoli, time que ajudou a levar ao topo da Itália, escrevendo alguns de seus mais gloriosos capítulos.

Quando Peppe acertou com o Napoli, a equipe ainda era uma média que, às vezes, incomodava as gigantes: em 11 oportunidades havia ficado entre os cinco primeiros da Serie A e tinha sido vice-campeã uma vez, em 1968. A torcida estava ligeiramente desconfiada com o presidente Corrado Ferlaino, que cedeu dois pilares do time vice-campeão à Juventus – Dino Zoff e José Altafini – e estava investido em jovens, como Bruscolotti, mas o mal estar foi passando com o tempo. Após estrear com a camisa azzurra diante da Ternana, em 1972, o lateral ganhou a titularidade da equipe treinada por Giuseppe Chiappella, que chegou aàs semifinais da Coppa Italia naquela ocasião. Porém, foi sob o comando do brasileiro Luís Vinício, que ficou no clube de 1973 a 1976, que Bruscolotti e o Napoli decolaram.

Nos três anos em que Vinício foi o técnico do time do San Paolo, Bruscolotti foi um dos líderes de uma defesa fortíssima, que teve média inferior a um gol sofrido por partida. Após um terceiro lugar em 1973-74, o Napoli contratou o experiente zagueiro Tarcisio Burgnich, que se juntou a Peppe e formou uma dupla muito sólida pelo lado direito da defesa. Com os dois, os azzurri foram semifinalistas da Coppa Italia e vice-campeões italianos (apenas dois pontos atrás da Juventus) em 1975 e levantaram a copa local no ano seguinte. Era, até aquele momento, um dos períodos de maior destaque da equipe em nível nacional.

Peppe já encantara a torcida naquele momento, por ser capaz de anular adversários do calibre de Gianni Rivera, Sandro Mazzola e Gigi Riva, graças a muita determinação e, às vezes, faltas mais duras. Embora não fosse muito alto (tinha 1,81m), Bruscolotti era um muro e raramente perdia confrontos corpo a corpo ou divididas: por ser comum os atacantes rivais esbarrarem nele e caírem no chão sem que ele se abalasse, os torcedores do Napoli apelidaram o defensor como "Pal 'e Fierro" – em português, "viga de ferro".

O carinho dos napolitanos por Bruscolotti só aumentava. Em 1975-76, temporada em que os azzurri eram comandados pelo ídolo Bruno Pesaola, o lateral marcou dois gols importantíssimos – considerando que ele fez somente 11 em 16 anos de casa, dá para dizer que a média é boa. Peppe balançou as redes contra o Anderlecht na partida de ida das semifinais da Recopa Uefa – na volta, os azzurri acabaram eliminados – e na decisão da Copa da Liga Anglo-Italiana, contra o Southampton. Nessa ocasião, levantou mais uma taça pelo Napoli.

Bruscolotti foi um dos poucos a quem Maradona se curvou na carreira: El Pibe o respeitava (Altro Napoli)
Bruscolotti se manteve firme como uma rocha no time titular do Napoli nos anos que se passaram. No final da década de 1970 e início de 1980, os partenopei quase sempre ocuparam a parte alta da tabela e incomodaram na Coppa Italia, mas não conquistaram títulos. Ainda assim, Peppe – que também atuava como zagueiro, se necessário – continuou se destacando, pois formou um forte trio de defesa com Ruud Krol e Moreno Ferrario.

Em 1982, um episódio definiu sua dedicação e empenho pelo clube. O Napoli brigava contra o rebaixamento e Peppe estava afastado dos gramados por causa de uma hepatite viral. Sabendo que poderia contar com o defensor, o técnico Pesaola pediu que ele atuasse apenas 10 minutos contra a Sampdoria, em Gênova: Bruscolotti, que não estava completamente recuperado, ficou em campo por 70 e deixou o campo comunicando ao treinador que estava bem. Na temporada seguinte, com mais de 10 anos de clube, em 1983 Pal 'e Fierro voltou a ostentar faixa de capitão da equipe: entre 1978 e 1980, a herdou de Antonio Juliano e, mas nos três anos seguintes a havia cedido a Claudio Vinazzani.

O lateral direito só deixaria a braçadeira em definitivo em 1986, para dá-la a Diego Armando Maradona – e sob uma condição: o argentino deveria levar o scudetto a Nápoles. A promessa de Dieguito se cumpriu e a temporada 1986-87 foi de alegria dupla em Fuorigrotta, já que o Napoli conseguiu conquistar a Serie A e a Coppa Italia.

O Pibe d'Oro não se esqueceu de Bruscolotti, com quem desenvolveu uma grande amizade, e em uma de suas primeiras entrevistas, ainda no calor da comemoração, fez questão de salientar o peso do companheiro na conquista: "uso a faixa de capitão, mas nosso verdadeiro líder é Beppe". Pal 'e Fierro foi um dos poucos neste mundo a quem Maradona escutava e era provavelmente o único que podia repreendê-lo por seu comportamento inadequado sem provocar uma briga. Dentro de campo e nos vestiários, Bruscolotti era uma peça fundamental do Napoli de Ottavio Bianchi. E não só, pois durante os 16 anos no San Paolo, Peppe foi um jogador de grupo: até mesmo sua esposa Mary contribuía, pois buscava reunir esposas e namoradas dos jogadores para formar um grupo homogêneo e coeso.

No ano seguinte à dobradinha na Itália, Bruscolotti faria sua última temporada como profissional e entraria em campo somente dez vezes – seu herdeiro, Ciro Ferrara, já estava pronto para sucedê-lo. Ao todo, o campano realizou 511 partidas com a camisa do Napoli, número que nunca foi superado: ninguém mais usou o uniforme azul do que o lateral. Seu único dissabor foi não ter atuado pela seleção italiana: foi convocado três vezes, mas não entrou em campo, já que havia uma enorme concorrência na Nazionale naqueles tempos.

Após se aposentar, com 37 anos recém-completados, Bruscolotti não quis seguir carreira como técnico ou dirigente. Chegou a ser responsável pela relação entre o Napoli e seus torcedores e cartola do diletante Gladiator por um breve tempo, mas seu temperamento sanguíneo e taciturno o afastava das luzes da ribalta. Ele preferia ser discreto e efetivo: com Maradona, abriu uma escolinha para crianças carentes em San Sebastiano al Vesuvio, na região metropolitana de Nápoles. Ao mesmo tempo, teve um restaurante no lindo bairro de Posillipo, cujo nome homenageava o dia do primeiro scudetto do Napoli: 10 maggio 1987. Hoje, é dono de uma casa de apostas localizada próxima ao estádio San Paolo e também atua esporadicamente com análises esportivas.

Giuseppe Bruscolotti
Nascimento: 1º de junho de 1951, em Sassano, Itália
Posição: lateral direito
Clubes em que atuou: Sorrento (1970-72) e Napoli (1972-88)
Títulos: Serie A (1987), Coppa Italia (1976 e 1987), Copa da Liga Anglo-Italiana (1976) e Serie C (1971)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

O velho e o moço

No outono da presidência de Berlusconi, um Milan repleto de jovens volta a conquistar um título (LaPresse)
Cinco anos atrás Silvio Berlusconi começava a reduzir seus investimentos no Milan, logo depois da conquista da Supercopa Italiana. Era o prenúncio do processo que se desenrolaria nos anos seguintes e culminaria com a venda do clube para um grupo de investidores chineses. Desde o já distante ano de 2011, a equipe vinha sofrendo para encontrar um norte e parece que, finalmente, conseguiu: o título da própria Supercopa, sobre a Juventus, foi marcado pela participação decisiva de jovens jogadores. Um recomeço com tantas caras novas, justo no momento em que o octogenário Berlusconi deixa a cena.

Antes de se licenciar do comando rossonero, o Cavaliere conseguiu deixar uma herança positiva. O título da Supercopa Italiana e a boa campanha na Serie A não são acaso: Berlusconi finalmente deixou a herança que queria no Milan. Durante anos ele desejou construir uma equipe à semelhança daquela que fez história no fim dos anos 1980 e nos anos 1990, com muitos jogadores de qualidade formados em casa e, não sendo possível, ao menos um grande número de italianos. 

Hoje, o time tem Donnarumma (17 anos), Locatelli (18), De Sciglio (24), Calabria (20) e Abate criados em Milanello; e Romagnoli (21), Paletta, Bonaventura, Bertolacci, Poli, Montolivo e Lapadula como jogadores italianos de importante participação. Entre os estrangeiros importantes, quase todos na mais tenra idade, como Suso, Niang e Pasalic. Sem falar em Montella, um dos mais promissores técnicos do Belpaese, à frente do projeto técnico. São os pilares para fazer o Milan grande de novo.

A defesaça de Donnarumma no pênalti cobrado por Dybala (Getty)
O jogo
O Milan teve problemas para chegar a Doha, capital do Qatar, mas é a Juventus que não se dá bem na metrópole do Oriente Médio – pela segunda vez, foi derrotada na Supercopa no palco da decisão desta sexta. Dentro de campo, os rossoneri pareciam mais confortáveis, a ponto de Donnarumma mostrar frieza e tranquilidade para driblar Sturaro na grande área. O "veterano de 17 anos" ainda fez um milagre minutos depois, mas Chiellini acabou com a brincadeira e fez o primeiro gol da final, em uma cobrança de escanteio. O Milan, porém, não se intimidou.

No primeiro tempo, um lance fortuito acabou sendo fundamental para o decorrer da partida. Alex Sandro era um dos melhores em campo, mas se lesionou e foi substituído por Evra. Suso vinha encontrando dificuldades com o brasileiro, pois ele subia bastante e o obrigava a não se concentrar somente no ataque – além disso, o ex-jogador do Santos estava marcando bem o espanhol. Sobre Evra, o meia rossonero teve plena liberdade e, em uma das oportunidades criadas, deu o passe para empatar o jogo: cruzou na cabeça de Bonaventura, que se antecipou a Lichtsteiner e só cutucou para as redes.

Na volta para o intervalo, o Milan foi superior à Juve. Logo nos primeiros minutos, acertou o travessão com uma cabeçada de Romagnoli e, por pouco, não virou com um carrinho de Bacca – o colombiano também obrigou Buffon a fazer uma defesa à queima-roupa. A entrada de Dybala no lugar de Pjanic chegou a equilibrar as ações, mas não resultou em gols para a Juventus. Para Allegri, o teste feito com o tridente formado por La Joya, Higuaín e Mandzukic, organizados em um 4-3-1-2, foi interessante. Dybala fica confortável como trequartista, pois tem muito talento para dar o último passe e também é um bom finalizador da entrada da área.

A igualdade no placar levou à prorrogação, que teve mais chances para a Juventus – a Velha Senhora preferia definir o título com a bola rolando, enquanto o Diavolo estava satisfeito com o desenrolar da partida. Se Bacca perdeu uma chance com o gol aberto, na primeira metade do tempo extra, a Juve teve um gol bem anulado de Evra e um "pênalti em movimento" perdido por Dybala: o argentino recebeu na altura da marca da cal, mas isolou. 

Nas penalidades, foi justamente La Joya que desperdiçou a cobrança decisiva. Méritos totais para Donnarumma, no entanto: a estrela rossonera defendeu com a mão trocada e pode celebrar, como protagonista, o primeiro título da carreira. Um título que costuma valer pouco, mas que foi comemorado com fulgor, com o choro do menino Locatelli. Uma taça levantada por milanistas, totalmente identificados com as cores do clube, e que podem estar iniciando um novo período de glórias para o time vermelho e preto.

Juventus 1-1 Milan (3-4 nos pênaltis)
Juventus: Buffon; Lichtsteiner, Rugani, Chiellini, Alex Sandro (Evra); Khedira, Marchisio, Sturaro (Lemina); Pjanic (Dybala); Mandzukic, Higuain. Técnico: Massimiliano Allegri.

Milan: Donnarumma; Abate (Antonelli), Paletta, Romagnoli, De Sciglio; Kucka, Locatelli (Pasalic), Bertolacci; Suso, Bacca (Lapadula), Bonaventura. Técnico: Vincenzo Montella.

Local: Estádio Jassim Bin Hamad Stadium, em Doha, QatarÁrbitro: Antonio Damato
Gols: Chiellini (18') e Bonaventura (38') 
Pênaltis perdidos: Lapadula, Mandzukic e Dybala.

18ª rodada: O mundo dá voltas

Banega e Icardi foram importantes na vitória da Inter sobre a Lazio (LaPresse)
Se alguém dissesse, dois meses atrás, que a Inter entraria em 2017 com chances reais de brigar por uma vaga na Liga dos Campeões, provavelmente esta pessoa receberia olhares enviesados e, quiçá, acompanhamento psicoterapêutico. O fato é que, neste momento, os nerazzurri podem sonhar com isto, pois estão somente cinco pontos atrás da zona classificatória ao torneio continental. Em uma rodada em que apenas oito jogos foram realizados (por causa da Supercopa Italiana, Crotone-Juventus e Milan-Bologna foram adiados), o grande destaque foi exatamente a performance interista sobre a forte Lazio, que se mantém bem colocada. Roma, Fiorentina, Napoli, Atalanta, Torino, Cagliari e Sassuolo também mostraram aspectos interessantes. Confira.

Inter 3-0 Lazio
Banega, Icardi (D'Ambrosio), Icardi (Banega)

Tops: Icardi (Inter) e Felipe Anderson (Lazio) | Flops: Perisic (Inter) e Wallace (Lazio)

Nesta mesma altura da última Serie A, a Inter recebia a Lazio em casa e ia para a pausa de fim de ano imersa em crise,. Como o mundo dá voltas, o cenário é completamente diferente agora, e a torcida nerazzurra festejará o Natal e o ano novo em lua de mel com Pioli, Banega, Icardi e até com os criticados Kondogbia e D'Ambrosio. Efeitos de uma das melhores atuações da Beneamata em anos, responsável por fazer cair uma série de números negativos: não vencia três jogos sem sofrer gols desde 2015 e não vencia sete jogos seguidos em casa havia seis anos. Para completar, a equipe tem o artilheiro do campeonato: Icardi, autor de 14 gols, chegou a sua sexta doppietta no certame.

No dia em que o centroavante argentino brilhou – bem acionado por Banega, outro que vai desabrochando –, outros dois colegas de setor, estes brasileiros, foram falados. Ao passo que o Imperador Adriano foi homenageado por diretoria e torcida, Gabriel recebeu minutos em campo e mostrou técnica e vontade. Foi elogiado por Pioli, mas também foi aconselhado a tentar ser mais objetivo. O treinador sabe o que fala, já que soube explorar as fraquezas do adversário, que conhece tão bem: obrigou a Lazio a sair jogando com chutões e, no limite, soube conter Felipe Anderson, o melhor dos celestes nesta quarta. O resultado coloca a Inter a apenas cinco pontos da zona Champions e quatro abaixo dos laziali.

Fiorentina 3-3 Napoli
Bernardeschi, Bernardeschi, Zárate (Bernardeschi) | Insigne, Mertens, Gabbiadini (pênalti)

Tops: Bernardeschi (Fiorentina) e Mertens (Napoli) | Flops: Salcedo (Fiorentina) e Maksimovic (Napoli)

Um dos grandes jogos deste campeonato não poupou emoções e intensidade até o último suspiro – embora a arbitragem do sempre confuso Tagliavento tenha tentado estragar o espetáculo. O fato é que nenhum dos times pode sair plenamente satisfeito do gramado do Artemio Franchi, já que a vitória esteve muito próxima tanto de um como de outro. Melhor no primeiro tempo, o Napoli saiu na frente com um golaço (irregular) de Insigne, e pouco sofreu com os avanços de uma Fiorentina de poucas ideias.

Na volta do intervalo, porém, Bernardeschi contou com a sorte pra empatar, em cobrança de falta, e colocou fogo no jogo: a viola ficou perto de virar, mas um erro crasso de Tomovic permitiu a Mertens fazer 2 a 1. Uma alegria comemorada por pouco tempo, já que o camisa 10 florentino acertou um chute de rara felicidade após o reinício da peleja e empatou. 13 minutos depois, o craque achou Zárate com um lançamento primoroso e o argentino, sem querer facilitar, fez um golaço, sem deixar a bola cair. No entanto, Salcedo cometeu um erro grave e, aos 94, caiu na cavada de pênalti de Mertens: Gabbiadini converteu, no último lance do jogo. O resultado deixa o Napoli em terceiro, com 35 pontos, e a Fiorentina em nono, com 27.

Roma 3-1 Chievo
El Shaarawy, Dzeko, Perotti (pênalti) | De Guzmán (Izco)

Tops: Fazio (Roma) e Sorrentino (Chievo) | Flops: Salah (Roma) e Dainelli (Chievo)

A Roma se assustou, mas conseguiu manter o 100% de aproveitamento em casa e o contato com a Juventus, que lidera com quatro pontos de frente e uma partida a menos. Nada parecia ser mais tipicamente romanista do que obrigar o goleiro Sorrentino a fazer uma série de defesas complicadas para, depois, tomar um gol bobo: após cruzamento de Izco, De Guzmán se antecipou a Bruno Peres e abriu o placar para o Chievo. O inédito 3-4-3 da Roma se mostrava propositivo, mas débil pelos flancos na parte defensiva, até que El Shaarawy empatou a partida antes do intervalo, em cobrança de falta. O gol colocou a equipe da Cidade Eterna nos eixos e, logo após a volta para o segundo tempo, o Pequeno Faraó criou a jogada que terminou no gol de Dzeko. O bósnio ainda acertou a trave, mas o gol que sacramentou a vitória saiu somente no final: Perotti sofreu pênalti e, pela quinta vez, converteu uma cobrança nesta Serie A.

Atalanta 2-1 Empoli
Kessié (Gómez), D'Alessandro | Mchedlidze (Dimarco)

Tops: Kessié (Atalanta) e Skorupski (Empoli) | Flops: Petagna (Atalanta) e Gilardino (Empoli)

A belíssima Atalanta de Gasperini precisou que sua maior joia tirasse dois coelhos da cartola para vencer o Empoli, num complicado confronto ocorrido na terça-feira. Na fria noite de Bérgamo, o Empoli conseguiu sair na frente graças ao georgiano Mchedlidze, que ganhou uma vaga como titular e vai correspondendo: o centroavante substituiu Maccarone novamente e chegou a seu terceiro gol em dois jogos. Foi aí que Kessié surgiu: o marfinense saiu do banco no intervalo, quando a partida ainda estava empatada, mas o volume de jogo que deu aos nerazzurri só se materializou na metade do segundo tempo, 23 minutos depois que os toscanos abriram o placar. Kessié foi o autor do gol de empate e foi fundamental na blitz da Dea, acertando ainda uma bola na trave e sendo o autor da jogada individual que deu no gol marcado por D'Alessandro. Se a Atalanta é sexta colocada, deve muito ao volante.

Torino 1-0 Genoa
Belotti (Ljajic)

Tops: Belotti (Torino) e Izzo (Genoa) | Flops: Zappacosta (Torino) e Ocampos (Genoa)

Certo clima de Libertadores era esperado para o confronto entre dois dos times de estilo mais físico da Serie A – até que foi assim, mas o que houve de mais similar ao torneio sul-americano foram as bolas que os gandulas do Torino fizeram sumir em certa etapa do jogo. Em campo, um Genoa muito modificado criou de forma errática, mas chegou a assustar Hart em algumas ocasiões, ao passo em que os grenás arrancaram a vitória graças a um gol de centroavante de Belotti. O Gallo aproveitou cruzamento de Ljajic, se infiltrou e guardou sem piedade, decretando o fim da sequência de três derrotas. No fim, recorde para o Torino, que alcançou o máximo de pontos em um primeiro turno desde que o presidente Cairo iniciou sua gestão. Recorde também para o Genoa, que escalou o atacante Pellegri: a joia da base igualou Amadei (jogador da Roma nos anos 1930) como o mais jovem a estrear na Serie A, com 15 anos e 280 dias.

Cagliari 4-3 Sassuolo
Sau, Borriello (Diego Farias), Diego Farias, Diego Farias | Adjapong (Mazzittelli), Pellegrini, Acerbi (pênalti)

Tops: Diego Farias (Cagliari) e Sensi (Sassuolo) | Flops: Pisacane (Cagliari) e Defrel (Sassuolo)

Cagliari e Sassuolo fizeram um dos jogos mais frenéticos desta Serie A, com direito a sete gols, uma defesa incrível e duas viradas – o time da casa saiu na frente, levou a virada antes do intervalo e só arrancou a vitória na reta final do segundo tempo. A partida, absolutamente maluca, teve uma primeira etapa nervosa, com a expulsão de Pellegrini logo após seu gol e a reação exasperada de Dessena, capitão cagliaritano, que deixou o campo chutando uma placa de publicidade – Sau, outro jogador sardo, também ficou nervoso após substituição e não cumprimentou o técnico Rastelli, já no segundo tempo. Em uma partida em que o bravo Sassuolo, desfalcado por nove jogadores, quase conseguiu interromper a sequência de derrotas (agora são três), o brilho foi do brasileiro Diego Farias, ex-neroverde. O habilidoso atacante passou grande parte do jogo escondido, mas apareceu para decidir o jogo, com uma assistência e dois gols.

Palermo 1-1 Pescara
Quaison | Biraghi (pênalti)

Tops: Quaison (Palermo) e Gyömbér (Pescara) | Flops: Gazzi (Palermo) e Campagnaro (Pescara)

Um empate para os times chorarem abraçadinhos. O Palermo esteve bem perto de garantir a sua primeira vitória caseira em 18 rodadas, mas acabou sendo frustrado por um pênalti nos acréscimos, que definiu o empate do Pescara – um resultado que não serve para nenhum dos dois, pois as duas equipes continuam na zona de rebaixamento. O time rosanero abriu o placar ainda no primeiro tempo, depois que Quaison recebeu lançamento de Diamanti e transformou uma pressão estéril em vantagem, com um belo gol. Após o intervalo, o Pescara foi atrás da reação, mas só balançou as redes aos 89 – o gol de Fornasier, porém, foi mal anulado por impedimento. Somente aos 93 é que saiu o empate: Biraghi converteu pênalti cometido por Bruno Henrique em Caprari.

Sampdoria 0-0 Udinese
Tops: Skriniar (Sampdoria) e Danilo (Udinese) | Flops: Bruno Fernandes (Sampdoria) e De Paul (Udinese)

Quase um pacto de não agressão no Luigi Ferraris. Sampdoria e Udinese entraram em campo bastante modificadas pelos técnicos Giampaolo e Delneri, que apostaram em um rodízio para preservar a energia dos elencos. Se isso quebrou o ritmo do jogo, por uma leve falta de entrosamento entre os jogadores, as atuações negativas daqueles que deveriam criar – Bruno Fernandes, Muriel, De Paul e Théréau, por exemplo – facilitaram as vidas dos zagueiros, que se impuseram com certa facilidade e mantiveram o zero no placar. Enquanto a Sampdoria deixou para trás a sequência de duas derrotas, a Udinese não conseguiu alcançar sua quarta vitória consecutiva.

*Por causa da decisão da Supercopa Italiana, os jogos entre Crotone e Juventus e Milan e Bologna foram adiados para o dia 8 de fevereiro.

**Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 17ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Handanovic (Inter); Rossettini (Torino), Miranda (Inter), Fazio (Roma), D'Ambrosio (Inter); Banega (Inter), Kessié (Atalanta); Bernardeschi (Fiorentina), El Shaarawy (Roma), Diego Farias (Cagliari); Icardi (Inter). Técnico: Stefano Pioli (Inter).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.


terça-feira, 20 de dezembro de 2016

17ª rodada: A velha campeã de inverno

Decisivo, Higuaín levou a Juve a uma liderança ainda mais folgada (Ansa)
Campeã de inverno. De novo. A implacável Juventus segue firme e forte rumo ao hexa e, após bater a segunda colocada Roma, já tem sete pontos na liderança da Serie A – faltando duas rodadas para o fim do primeiro turno, já garantiu o título simbólico. Agora, a equipe treinada por Allegri partirá em busca de outro troféu, o da Supercopa Italiana, que disputará com o Milan no dia 23. Por isso, os jogos das equipes contra Crotone e Bologna, respectivamente, foram transferidos desta quinta para o dia 8 de fevereiro.

A 17ª rodada da Serie A superou 30 gols marcados, algo que tem sido corriqueiro no campeonato – 474 gols foram anotados até agora, resultando em uma média de 2,78 gols/jogo. Neste momento, cinco jogadores já superaram a marca de 10 tentos anotados: Dzeko, Icardi, Belotti (12), Higuaín e Mertens (10). O belga, aliás, deu um show no jogo que colocou Napoli novamente na zona de classificação para a Champions League, graças ao tropeço do Milan frente à surpreendente Atalanta. O fim de semana ainda teve vitórias de Lazio Inter e Fiorentina; acompanhe.

Juventus 1-0 Roma
Higuaín

Tops: Higuaín e Rugani (Juventus) | Flops: Gerson e Rüdiger (Roma)

Mais um daqueles jogos que ajudam a entender a supremacia da Juventus na Serie A. Contra o principal adversário nos últimos anos (desde sua ascensão e a decadência dos times de Milão), a Velha Senhora sofreu, mas venceu: passou pela Roma graças a Higuaín, novamente decisivo em meio às dúvidas sobre sua forma física. Com isso, a Juve abriu sete pontos na liderança, garantiu o título de campeã do inverno e chegou a 100 pontos no ano solar de 2016, um recorde que somente o time de Conte havia atingido.

Em uma partida aquém das qualidades da equipe, os bianconeri souberam controlar os visitantes e tiveram um sistema bastante organizado, da defesa ao ataque. Rugani neutralizou Dzeko, Alex Sandro desequilibrou no fraco lado direito romanista, Khedira e Sturaro venceram os duelos no meio-campo, Mandzukic dominou Fazio e Higuaín superou Manolas diversas vezes, como no único gol, aos 14 minutos de bola rolando. No segundo tempo, Allegri mudou duas vezes, com Cuadrado no lugar do lesionado e apagado Pjanic, e novamente com Barzagli no lugar de Lichtsteiner, o que lhe deu ainda mais força na defesa para segurar a pressão do final do jogo. Mesmo assim, Buffon trabalhou pouco (apesar de duas intervenções decisivas) e foi Szczesny quem teve trabalho com Higuaín e Sturaro. O polonês manteve seu time na disputa durante toda a partida.

Napoli 5-3 Torino
Mertens (Callejón), Mertens (pênalti), Mertens, Chiriches (Callejón) e Mertens (Callejón) | Belotti, Rossettini e Falqué (pênalti)

Tops: Mertens e Insigne (Napoli) | Flops: Reina (Napoli) e Ljajic (Torino)

De volta à zona de classificação para a Liga dos Campeões, o Napoli mais uma vez contou com o artilheiro Mertens. Confortável como centroavante, depois dos difíceis testes iniciais, o belga é o símbolo de um time que ataca muito bem e encontra ótimas soluções para desmanchar as defesas adversárias. A vítima da vez foi o Torino de Mihajlovic, que combina físico e técnica na frente, mas tem defensores que não acompanham o ritmo do resto do time, especialmente os lentos zagueiros. Com os meio-campistas marcando alto para pressionar a saída, Hamsík e Insigne tiveram bastante espaço para receber entre as linhas e carregar para Callejón, Insigne e Mertens desequilibrarem.

Ainda assim, foi na bola parada que os gols saíram, pelo menos os primeiros. Em 22 minutos o marcador já tinha 3 a 0 para os anfitriões, com três de Mertens: ele completou cruzamento de Callejón após escanteio curto, anotou o segundo em bela cobrança de pênalti e ampliou logo depois, em rebote na pequena área. Os visitantes reagiram apenas no segundo tempo, aproveitando também as deficiências defensivas dos napolitanos, e Belotti guardou o seu, se juntando a Dzeko e Icardi na artilharia do campeonato. Em contra-ataque, Chiriches surpreendeu com ótima corrida e posicionamento para aproveitar novo passe de Callejón, mas Rossettini novamente voltou a assustar a torcida no San Paolo, contando com uma falha de Reina. Então, o grande gol da rodada, senão do ano na Itália, o quarto de Mertens: o baixinho belga fintou dois defensores e encobriu Hart, que ficou olhando, surpreendido. Seguindo o ritmo louco, Falqué fez outro belo gol de pênalti, fechando o marcador. O resultado levou os napolitanos à terceira posição, enquanto o Toro caiu para a 9ª.

Lazio 3-1 Fiorentina
Keita (Milinkovic-Savic), Biglia (pênalti) e Radu (Immobile) | Zárate

Tops: Marchetti e Biglia (Lazio) | Flops: Ilicic e Kalinic (Fiorentina)

Na certeza que fechará o ano e o primeiro turno na zona europeia, a Lazio segue se recuperando após uma pré-temporada conturbada. Simone Inzaghi, com simplicidade e trabalho, lidera um time que tem problemas táticos e certa deficiência técnica, mas a partir do físico compete em alto nível para conquistar pontos fundamentais. Depois da derrota doída para a maior rival, chegou a duas vitórias seguidas e venceu a Fiorentina, adversária direta na briga por um lugar na Europa. Para isso, contou com um Marchetti decisivo no gol – defendendo pênalti para manter a vantagem no placar – e com o capitão Biglia, que aproveitou os desfalques de Borja Valero e Badelj para recuperar a forma com grande atuação. O argentino foi importante sem a bola e fundamental para converter a penalidade que deu o segundo gol à equipe. Keita, um inferno para defesa visitante, marcou o primeiro, e Immobile, mal no jogo, apareceu em contra-ataque na reta final do jogo para dar assistência para o tento de Radu. Na melancolia viola, Zárate, substituiu o apagado Ilicic (que perdeu pênalti no final do primeiro tempo,) e fez valer a lei do ex cinco minutos após entrar, mas não foi o bastante para superar Marchetti, decisivo com outras quatro defesas.

Milan 0-0 Atalanta
Tops: Romagnoli (Milan) e Caldara (Atalanta) | Flops: Lapadula (Milan) e Gómez (Atalanta)

Assustado diante da forte marcação da Atalanta, o Milan teve bastantes problemas no sábado, em San Siro. No duelo entre Montella e Gasperini, o planejamento do treinador de cabelo branco prevaleceu, ainda que a vitória não tenha ocorrido. Sem saída de bola pelo chão, os rossoneri também não tiveram soluções pelo alto e, enquanto Caldara controlou Lapadula, Suso e Bonaventura estiveram longe do gol, sem opções de desmarque – Niang e Bacca, que poderiam oferecer isto, entraram apenas nos últimos instantes do jogo. Os visitantes agrediram com Conti e Spinazzola abertos e Gagliardini e Kessié por dentro, mas pararam em Petagna, Kurtic e Gómez, que foram participativos, mas imprecisos. Antes terceiro, o Diavolo caiu para a quinta posição, a última da zona europeia, mas ainda mantém certa vantagem para os times logo abaixo. Por sua vez, a Dea viu a Inter se aproximar, e agora tem apenas dois pontos de diferença.

Sassuolo 0-1 Inter
Candreva

Tops: Acerbi (Sassuolo) e Candreva (Inter) | Flops: Ricci (Sassuolo) e Perisic (Inter)

Aos trancos e barrancos, a Inter segue tentando recuperação em uma temporada praticamente perdida. Em meio ao planejamento ruim para este ano e na espera por investimentos ainda maiores da Suning para o próximo verão, o time deve buscar pelo menos uma vaga na Liga Europa. Longe da disputa por vaga na Liga dos Campeões, a equipe acumula duas vitórias seguidas e aproveitou tropeços da Atalanta e da Fiorentina para se aproximar da zona europeia. Na Emília-Romanha, novamente o time de Pioli não esteve bem defensivamente e teve que recorrer às defesas de Handanovic, enquanto o ataque produziu, mas também não teve precisão. Icardi não acertou o gol nenhuma vez, Perisic perdeu duas chances claras e coube a Candreva e João Mário lideraram o time. Logo no início do segundo tempo, depois de chute rebatido do português, a bola desviou em Icardi e sobrou para Candreva marcar o único gol da partida, que ainda teve a expulsão de Felipe Melo – acredite se quiser, por erro da arbitragem – e quatro minutos para Gabriel Barbosa, que ainda recebeu cartão amarelo.

Chievo 2-1 Sampdoria
Meggiorini (Castro) e Pellissier (pênalti) | Schick (Regini)

Tops: Meggiorini e Radovanovic (Chievo) | Flops: Puggioni e Sala (Sampdoria)

Para assegurar sua sagrada 10ª posição, o Chievo bateu a Sampdoria contando com a colaboração do ex-gialloblù Puggioni, decisivo nos dois gols dos anfitriões. O veterano goleiro fez pênalti, depois de erro de Sala, e já havia falhado no primeiro, marcado por Meggiorini. O atacante teve grande atuação e dominou a fraca defesa doriana, que sofreu ainda o 101º gol de Pellissier na Serie A. Os visitantes bem que tentaram, mas faltou pontaria e criatividade, mesmo com tantos jogadores talentosos no meio-campo e no ataque – estes sucumbiram diante da defesa veterana de Maran. Schick marcou tarde, já nos acréscimos da etapa final, graças a uma rara assistência de Regini.

Udinese 2-0 Crotone
Théréau (Jankto) e Théréau (Zapata)

Tops: Théréau e Hallfredsson (Udinese) | Flops: De Paul (Udinese) e Palladino (Crotone)

Nas últimas três rodadas, ninguém pontuou tanto como Juventus, Napoli e... Udinese. Com Gigi Delneri, o time friulano ganhou vida nova e segue recuperação na busca por um ano mais tranquilo, depois do caos que tomou conta da equipe nos anos que sucederam a saída de Guidolin. A equipe já tem 24 pontos, um a menos que o Chievo, e está em 11º, após estar próximo da zona de rebaixamento. Contra o Crotone, Théréau novamente foi decisivo para mais uma vitória bianconera: quanto mais velho, melhor fica o francês, atuando de forma bastante confortável na ponta esquerda. O veterano de 33 anos abriu o placar após cobrança de falta de Jankto, outro promissor meio-campista descoberto pelo clube, e voltou às redes após o intervalo, dessa vez aproveitando assistência de Zapata. Diante do jogo físico do fraco adversário, a defesa anfitriã esteve intacta com boa exibição de todos do setor, especialmente Angella e Samir, dominantes no jogo aéreo. Uma cena curiosa no jogo foi a expulsão do goleiro Cordaz, do Crotone, por ter pegado a bola com as mãos fora da área, por acreditar que a partida estava paralisada.

Genoa 3-4 Palermo
Simeone (Rigoni), Simeone (Izzo) e Ninkovic (Simeone) | Quaison (Nestorovski), Goldaniga (Diamanti), Rispoli (Andelkovic) e Trajkovski (Nestorovski)

Tops: Simeone (Genoa) e Nestorovski (Palermo) | Flops: Perin (Genoa) e Thiago Cionek (Palermo)

Como transformar um jogo tranquilo em uma derrota em casa para o pior time do campeonato, estrelando Genoa Cricket and Football Club. Se o primeiro tempo foi mais duro que o previsto, Cholito desequilibrou após o intervalo: anotou seu segundo gol na peleja e descolou uma assistência para Ninkovic. O placar marcava 3 a 1 para o time da casa, mas a perda de Miguel Veloso – lesionado ainda na primeira etapa – dificultou o controle do jogo, ainda que o goleiro Posavec tenha salvado o Palermo quatro vezes. Tirando forças sabe-se lá de onde, a equipe de Corini reagiu, primeiro com Goldaniga, completando falta de Diamanti pouco depois do terceiro gol grifone. A virada foi mais dramática, já nos últimos minutos, aos 88 e 90. Rispoli empatou, em uma bola levantada na área, e os macedônios Trajkovski e Nestorovski protagonizaram o gol da vitória, que, ainda assim, não muda muito a situação dos sicilianos, afundados na zona de de rebaixamento. Os genoveses se irritaram, tiveram Perin expulso, por agressão a um adversário, e perderam a chance de se aproximar da zona europeia.

Pescara 0-3 Bologna
Masina (Viviani), Dzemaili (Gastaldello) e Krejci (pênalti)

Tops: Viviani e Masina (Bologna) | Flops: Verre e Crescenzi (Pescara)

Seguindo seu calvário, o Pescara conseguiu um feito impressionante: fazer o Bologna vencer fora de casa pela primeira vez no campeonato. Em outras oportunidades, o time de Oddo ainda jogava bem, apesar de não vencer, mas agora nem isso: o elenco perde confiança a cada tropeço e agora amarga a lanterna da Serie A. Sem muito trabalho, o time de Donadoni controlou o jogo com Viviani, responsável por manter a posse de bola e criar as principais oportunidades. Como no primeiro gol, marcado por Masina após escanteio, logo aos seis minutos. A expulsão de Verre, aos 15, facilitou tudo para os visitantes, que voltaram às redes aos 40 com Dzemaili, em chute de fora da área. O terceiro e último veio no segundo tempo, com Krejci convertendo pênalti. O irregular Bologna vinha de três rodadas sem vencer, mas abriu onze pontos de vantagem para a zona de rebaixamento.

Empoli 2-0 Cagliari
Mchedlidze (Marilungo) e Mchedlidze (Marilungo)

Tops: Mchedlidze e Skorupski (Empoli) | Flops: Storari e João Pedro (Cagliari)

Se os titulares não dão resposta e gols, que entrem os reservas. E Martusciello teve sucesso na mudança do ataque: saíram Maccarone e Pucciarelli e entraram Mchedlidze e Marilungo – o veterano Gilardino, anteriormente testado, não tem convencido. O centroavante georgiano foi fatal: nas únicas duas finalizações, dois gols, ambas em assistências do companheiro italiano, que o achou na grande área aos 8 e aos 72 minutos. Para manter o clean sheet e dar tranquilidade, Skorupski, que pouco participou em um jogo com poucas oportunidades, salvou pênalti cobrado pelo brasileiro João Pedro. Com a vitória e as derrotas de Crotone e Pescara, o Empoli voltou a abrir vantagem para as últimas posições, agora com cinco de diferença. Diferença que dá a chance dos toscanos respirarem e curtirem momentaneamente o fim de ano. Martusciello comerá o panetone.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 16ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Marchetti (Lazio); Rugani (Juventus), Caldara (Atalanta), Romagnoli (Milan); Candreva (Inter), Biglia (Lazio), Viviani (Bologna), Masina (Bologna); Simeone (Genoa), Théréau (Udinese), Mertens (Napoli). Técnico: Luigi Delneri (Udinese).

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O rei dos neologismos

Definitivamente, Brera era melhor com as palavras do que com a bola no pé (Gazzetta dello Sport)
Um dos personagens mais importantes da história do futebol italiano nunca precisou entrar em campo ou estar ligado a um clube para alcançar este mérito. Você pode não saber, mas muitos dos termos que são utilizados regularmente em conversas, transmissões ou textos sobre o esporte da Velha Bota foram criados por Gianni Brera, o mais importante jornalista esportivo do país. Em um 19 de dezembro, em 1992, o lombardo falecia, mas deixava o seu enorme legado: o rei dos neologismos é, para a Itália, o que Nelson Rodrigues ou João Saldanha são para o Brasil.

Breve biografia
Giovanni Luigi Brera nasceu em San Zenone al Po, uma cidadezinha da Lombardia localizada às margens do rio Pó e a 60 quilômetros da grande Milão. Ainda menino, se mudou para a metrópole e começou a se envolver com suas duas paixões: o futebol e a escrita. A partir dos 15 anos, Brera foi lateral do time de seu liceu em campeonatos municipais e chegou também a defender a seleção milanesa em torneios regionais – além de ter passado pela escolinha do Milan, embora fosse um fanático torcedor do Genoa. No ano seguinte, também começou a ter sucesso na mídia impressa.

O precoce Gianni, de 16 anos, escrevia artigos para a seção esportiva de uma publicação semanal e chamava a atenção por sua forma inovadora de escrever. Gianni amava a palavra, mas queria seguir carreira como jogador – algo que seria difícil, pois já tinha idade avançada para ser selecionado em categorias de base. Assim, acabou convencido por seu pai e sua irmã a terminar os estudos em Pavia, cidade próxima a San Zenone.

Antes mesmo de se formar em Ciências Políticas pela Universidade de Pavia, em 1943, Brera já trabalhava no Guerin Sportivo, uma das principais publicações esportivas da Itália e a mais longeva do mundo (foi fundada em 1912). Gianni foi contratado em 1937, aos 18 anos, e logo se destacou como um dos grandes nomes do jornal, que só na década de 1970 viraria revista. Embora já fosse um jornalista conhecido, Brera precisou servir ao exército italiano durante a II Guerra Mundial como paraquedista, mas se refugiou na Suíça (neutra no conflito) em 1944 para fugir do monitoramento da Gestapo, a polícia política alemã. Grangiuàn se opunha ao nazifascismo e, com sua inteligência e conhecimento de estratégias do inimigo, ajudou os partisans a sabotarem diversas missões dos soldados de Adolf Hitler e Benito Mussolini nos Alpes.

Com o fim da guerra, Gianni Brera pode voltar a fazer o que melhor sabia: jornalismo. Em 1945, ele ganhou a oportunidade de trabalhar na Gazzetta dello Sport, o mais importante diário esportivo do Belpaese, e quatro anos depois, se tornaria um dos diretores da "rósea". Ele tinha somente 30 anos e, até hoje, ninguém ocupou um cargo tão alto com esta idade na imprensa italiana. 

Dali em diante, Brera circulou com prestígio nos maiores veículos de mídia impressa (Il Giorno, Il Giornale, La Repubblica, L'Équipe e novamente pelo Guerin e pela Gazzetta) e também foi comentarista de televisão, nos programas Il processo del lunedì e L'Accademia di Brera – o segundo, apresentado por ele, fazia um trocadilho com a homônima famosa escola de Belas Artes de Milão. O jornalista chegou a se candidatar duas vezes a cargos políticos, pelos partidos Socialista e Radical, mas não se elegeu.

Brera morreria em 1992, aos 73 anos, em um acidente de automóvel – um carro que vinha no sentido oposto perdeu o controle e se chocou com o carro do jornalista, matando os três ocupantes do veículo. Casado com Rina Gramegna, eles viveram juntos por quase 50 anos e tiveram quatro filhos – três deles seguiram carreira artística, como pintor (Carlo), escritor (Paolo) e músico (Franco). Após sua morte, a família doou seu enorme acervo de livros a bibliotecas públicas e seus pertences (máquinas de escrever, roupas e cachimbos) a museus e a leilões beneficentes. Todo mês, familiares deixam em seu túmulo em San Zenone um cigarro toscano, o seu favorito. Além disso, como forma de homenagem, a arena cívica de Milão recebeu seu nome em 2002.

Brera, seu inseparável fumo, o documentarista e jornalista Gianni Minà e o treinador Nereo Rocco (Pinterest)
O estilo e as ideias de Grangiuàn
Inovador e moderno, Brera conhecia muito sobre a língua italiana e sabia como ninguém mesclar sua veia literária para criar narrativas romantizadas (até eruditas) sobre o futebol, um tema extremamente popular. Neste sentido, seus maiores méritos foram o de introduzir palavras ou expressões comuns da língua italiana ou de seus dialetos e adaptá-las ao mundo do futebol, além de ter sido um onomaturgo – um verdadeiro criador de neologismos e jogos de palavras, talento digno de um profundo conhecedor do vernáculo. Apesar disso, tinha gente que não gostava – como o multiartista Pier Paolo Pasolini, também amante do futebol, que escreveu em 1970 que a linguagem de Brera era "de segunda divisão".

De posse de suas indefectíveis máquinas de escrever Olivetti, Brera produziu muitos termos famosos, alguns deles presentes em nosso glossário e até mesmo dicionarizado na língua italiana ou mesmo em outras. Os exemplos mais clássicos são a palavra "libero", adotada mundialmente para se referir aos zagueiros que tinham liberdade de movimentação, ou mesmo a expressão "Derby d'Italia", que designa o clássico entre Inter e Juventus. Os apelidos "Cavaliere" para Silvio Berlusconi, "Beneamata", para a Inter, e "Vecchio Balordo", para o Genoa, também são obras do lombardo – veja a lista completa de terminologias e apelidos no final do texto.

Com sua personalidade resoluta, Brera acreditava piamente no catenaccio como forma de expressão ideal para o futebol italiano. Nos anos 1950 e 1960, quando Nereo Rocco, Helenio Herrera e Gipo Viani colocavam o esquema em ação, o jornalista elaborava análises sobre o assunto em seus textos – era uma espécie de teórico do ferrolho. Metódico, ele sempre preferia os esquemas defensivos e filosofia baseada em poupança de energia e transições em contra-ataque (ou "contropiede", em sua linguagem), elementos que ele considerava ideais ao biotipo físico italiano – coisas que ele adaptava de seus estudos políticos, econômicos e de táticas de combates.

Seu apreço incondicional pelo catenaccio fazia com que ele criticasse muito jogadores talentosos, mas que ajudavam pouco no trabalho de marcação. Por isso, Brera muitas vezes questionou a utilidade de craques como Gianni Rivera, Giancarlo Antognoni e Evaristo Beccalossi para seus clubes – e até para a seleção. Sua ideia coletiva e defensivista de futebol encontrou ferrenhos adversários entre admiradores destes jogadores, torcedores e personagens do meio do futebol, mas também na própria imprensa – um deles foi o jornalista Gino Palumbo, um autêntico representante da "escola napolitana", que pregava um estilo de jogo mais ofensivo. Fato é que, ainda hoje, há muitos críticos e também seguidores de Brera (os "brerini") nos meios de comunicação e também entre torcedores e treinadores. Ele fez escola e suas ideias ainda pautam debates.

Gianni também deu algumas bolas fora na carreira. Bancou que a Itália não ganharia a Copa do Mundo de 1982 e prometeu publicamente que andaria a pé de sua casa até um santuário religioso na Lombardia. Um mês depois que a seleção de Enzo Bearzot faturou o tricampeonato, ele chamou a imprensa para fotografá-lo no trajeto, vestido a caráter, com roupa de peregrino em penitência. Brera também foi um ferrenho crítico do Milan de Arrigo Sacchi, que venceu tudo o que podia.

Outra grande importância do jornalista para o mundo do futebol foi a recuperação do documento que atestava a fundação do Genoa (o clube mais velho da Itália) em 1893. A ata que instituiu a agremiação lígure andava sumida, mudando de donos, até que Brera a obteve e a guardou em seus arquivos. Após o falecimento do mais ilustre torcedor rossoblù, seus filhos devolveram o documento ao clube, que o expõe em seu museu.

Na fase final da carreira, Brera também se dedicou à televisão (Q Code Magazine)
O inventor
Quem deu tantos apelidos na carreira, também recebeu alguns. Brera era chamado de Gran Lombardo pelos colegas e também foi até retratado em um livro. Grangiuàn ("grande Gianni", em dialeto lombardo), foi um personagem baseado em Brera, presente no livro Azzurro Tenebra, de Giovanni Arpino – o romance contava a falimentar campanha da Itália no Mundial de 1974. Duas alcunhas que não dão conta de todo o universo criativo de Brera, que apresentamos abaixo.

Apelidos criados por Brera
Accaccone (agázão, em referência às iniciais HH) para Helenio Herrera,
Accacchino (agazinho, idem) para Heriberto Herrera,
Beneamata (a bem-amada) para a Inter
il Cavaliere (o lorde) para Silvio Berlusconi,
Penna Bianca (pena branca) para Armando Picchi,
il Rosso Volante (o vermelho voador) para Eugenio Monti,
Baron Tricchettracche (o barão barulhento) para Franco Causio,
Abatino (frangote) para Gianni Rivera (cunhado por Livio Berruti, difundido por ele),
Rombo di Tuono (barulho do trovão) para Gigi Riva,
Schopenhauer para Osvaldo Bagnoli,
Pulicione o Puliciclone para Paolo Pulici,
Bonimba para Roberto Boninsegna,
Piper para Gabriele Oriali,
Piscinin para Franco Baresi,
Simba para Ruud Gullit,
Re Puma e Prestipedatore para Diego Maradona,
Massinissa para Pietro Paolo Virdis,
Deltaplano para Walter Zenga,
Stradivialli para Gianluca Vialli (em referência ao violino Stradivarius, criado em Cremona, cidade de Vialli),
Mazzandro para Sandro Mazzola,
Basletta para Giovanni Lodetti,
Felix-de-Mondi ou Nuvola Rossa (nuvem vermelha) para Felice Gimondi,
Vecchio Balordo (velho tolo) para o Genoa,
Derby d'Italia para o duelo Inter-Juventus,
Conileone (coelho-leão) para José Altafini.

Termos cunhados pelo jornalista
Atipico: o jogador de características pouco usuais para a função que desempenha em campo.
Centrocampista: meio-campista, a rigor. Quando Brera criou o termo, os meias eram chamados de "mediano" ou "mezz'ala" pelos italianos.
Contropiede: contrapé, literalmente, e contra-ataque, no significado real. O termo tem origem na segunda fase das danças nas tragédias gregas.
Cursore: alas que conduzem a bola em alta velocidade e de forma objetiva, como uma seta (cursor).
Disimpegnare: afastar a bola da área de defesa, às vezes lançando ou apenas passando para um companheiro.
Euclideo: para Brera, o futebol obedece a normas da geometria euclidiana. Daí os italianos começaram a chamar os jogadores com capacidade de organizar o jogo de "geômetras" ou dizem que eles são capazes de "dar geometria" à equipe.
Eupalla: deusa protetora do futebol e do jogo bonito, criada por ele ao juntar um radical grego (eu; bom) e a palavra "palla" (bola, em italiano).
Goleador: o termo existe em português, mas gol em italiano é "rete". A palavra surgiu a partir da língua espanhola e do toureiro ("toreador").
Incornare: chifrar a bola; fazer um gol com uma cabeçada potente, aproveitando cruzamento.
Intramontabile: sinônimo de jogador que conserva seu condicionamento físico e vitalidade até o final de uma longa carreira.
Libero: o defensor que não faz marcação individual e sobe ao ataque; palavra dicionarizada também em alemão, espanhol, francês, inglês e português.
Melina: segurar a bola, cadenciar ou cozinhar o jogo. O termo tem origem em um jogo de mesmo nome, similar ao "bobinho" brasileiro, mas praticado com um chapéu.
Padania: esse não tem a ver com futebol, mas com geopolítica. A planície padana ocupa a região norte da Itália e Brera começou a se referir a ela como se fosse um país (a Padânia). Hoje existe até uma seleção regional, que disputa campeonatos não regulamentados pela Fifa, e até movimentos separatistas.
Pretattica: estratégia de um treinador, que consiste em blefar e esconder as cartas para o jogo seguinte.
Rifinitura: outra palavra de origem grega. A rifinitura é o ato de dar o último passe para a conclusão da jogada (meias ofensivos são geralmente chamado de "rifinitori" na Itália).