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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Jogadores: Sergio Porrini

Coadjuvante da Juventus, o defensor Porrini colecionou títulos em Turim (LaPresse)
Na década de 1990, uma febre italiana chegava à Terra da Rainha: dezenas de jogadores nascidos na Itália reforçaram clubes da ilha, especialmente da Premier League. Entre os muitos coadjuvantes da Serie A que foram se aventurar fora do Belpaese, alguns não chegaram a atuar na Inglaterra, mas na Escócia. Um deles foi Sergio Porrini, valente defensor que teve os melhores momentos da carreira por Juventus e Glasgow Rangers.

Porrini poderia ter feito parte de um time histórico, mas não recebeu oportunidades. Milanês de nascimento, Sergio é cria da base do Milan, a qual defendeu entre os 17 e os 20 anos, e atuou na equipe Primavera sem nunca ter disputado uma partida oficial pelos profissionais – fez apenas 20 amistosos, em 1987 e 1988. Era muito difícil ter espaço no histórico time de Arrigo Sacchi, que contava com Filippo Galli, Alessandro Costacurta, Franco Baresi e Paolo Maldini em sua linha defensiva. Com isso, Porrini foi vendido para a Atalanta.

O jogador lombardo chegou em Bérgamo com status de promessa e só estreou na Serie A em janeiro de 1990 – antes, já havia atuado na Coppa Italia. Ao todo, foram 10 partidas na temporada 1989-90, em que compartilhou os vestiários com grandes jogadores da história nerazzurra, como Evair, Claudio Caniggia, Glenn Peter Strömberg, Cesare Prandelli e Valter Bonacina. As boas atuações na temporada de estreia fizeram com que Porrini se tornasse dono de uma vaga na defesa, seja como zagueiro central ou lateral direito.

Em três temporadas em que a Atalanta fez campanhas tranquilas, a melhor foi a de 1992-93. Naquela ocasião, La Dea ficou em 8º lugar, um ponto atrás do Cagliari, classificado à Copa Uefa. Sob o comando de Marcello Lippi, Porrini foi o jogador que mais vezes entrou em campo (disputou 33 das 34 partidas da Serie A) e se destacou muito, chegando a ser convocado para a seleção italiana – o milanês defendeu os azzurri contra Malta e Estônia, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 1994.

Depois de chamar atenção, Porrini acabou se transferindo para a gigante Juventus, aos 24 anos, como parte da velha política bianconera de ter os melhores jogadores italianos do momento sob contrato. Embora não fosse técnico (longe disso), o lateral se destacava por ser muito raçudo e determinado, e era mais útil para guardar posição como defensor mais fixo pelo lado direito do que para apoiar o ataque. Sergio também tinha como forte atributo as jogadas aéreas.

Porrini começou sua trajetória em Turim como titular, sob as ordens de Giovanni Trapattoni, mas deixou de atuar com tanta frequência após a segunda temporada no antigo Delle Alpi, quando houve troca no comando técnico do clube. Lippi, seu treinador em Bérgamo, continuou lhe dando oportunidades, mas considerava outros atletas mais preparados para atuarem como titulares no lado direito da defesa – Ciro Ferrara, Massimo Carrera, Moreno Torricelli e Jürgen Kohler foram alguns dos jogadores que limitaram a utilização de Sergio nos anos de Velha Senhora.

No período de quatro anos na Juve, Porrini cansou de levantar taças. Foram oito títulos conquistados: Serie A (duas), Liga dos Campeões, Mundial Interclubes, Supercopa Uefa, Supercopa Italiana (duas) e Coppa Italia, sem falar nos dois vices da Serie A e nas vezes em que bateu na trave na Copa Uefa e na Champions. Mesmo como reserva, o zagueiro juventino se caracterizou por gols decisivos: marcou nas partidas de ida e volta da final da Coppa Italia 1994-95, contra o Parma, e o primeiro da histórica goleada por 6 a 1 sobre o Paris Saint-Germain em pleno Parc des Princes, na Supercopa europeia. Porrini também já tinha anotado um tento decisivo nas semifinais da Copa Uefa, sobre o Borussia Dortmund, mas a Juve foi derrotada pelo Parma na finalíssima.

Em quatro anos na Escócia, o italiano foi peça importante de um Rangers dominante no cenário local (Getty)
Após 138 jogos e cinco gols, o defensor deixou a Juventus e, por um valor em torno de 8 bilhões de velhas liras, acertou com o Glasgow Rangers. A Premier League da Escócia tinha tudo a ver com o seu estilo de jogo físico e cheio de garra, o que garantiria não só a idolatria da torcida, mas também uma rápida adaptação. A contratação de outros três italianos – o zagueiro Lorenzo Amoruso, o volante Gennaro Gattuso e o atacante Marco Negri – também acelerou o processo de ambientação.

Sob o comando de Walter Smith, em 1997-98, Porrini atuou como zagueiro, mas o holandês Dick Advocaat o utilizou como lateral nos anos seguintes. O habitual dualismo entre Rangers e Celtic na liga escocesa foi a tônica também durante as quatro temporadas de Porrini em Glasgow e o italiano conseguiu faturar dois títulos do campeonato e da copa locais, além de uma Copa da Liga. Em 2001, com quase 32 anos, Sergio Porrini voltou para o Belpaese.

No retorno à Itália, nada de pompa, prestígio e grandes ambições. Porrini assinou com a tradicional Alessandria, então na Serie C2, e por pouco não conseguiu levar os grigi ao acesso para a terceira divisão da Velha Bota. O defensor ainda atuou por Padova, na C1, e pelo minúsculo Pizzighettone, na terceirona e na quarta divisão – o Pice é da região de Cremona, perto de Milão. Em 2009, com 38 anos e quase uma década nos níveis inferiores do futebol da península, decidiu dar um fim na carreira como profissional.

Imediatamente após pendurar as chuteiras, o lombardo se tornou técnico do time sub-20 do próprio Pizzighettone e também teve o mesmo papel no Pergocrema. Após comandar os pequenos Colognese e Ponte San Pietro na Serie D, Porrini voltou à Atalanta, onde trabalhou como treinador do sub-17, por dois anos, e também ocupou cargos como auxiliar e colaborador técnico. Atualmente, o ex-zagueiro comanda o Crema, equipe do campeonato regional da Lombardia, na sexta divisão da Bota, e tenta passar seus conhecimentos a jogadores que estão longe dos grandes palcos do esporte.

Sergio Porrini
Nascimento: 8 de novembro de 1968, em Milão, Itália
Posição: lateral direito e zagueiro
Clubes como jogador: Milan (1986-89), Atalanta (1989-93), Juventus (1993-97), Glasgow Rangers (1997-2001), Alessandria (2001-02), Padova (2003-04), Pizzighettone (2004-09)
Títulos conquistados: Liga dos Campeões (1996), Mundial Interclubes (1996), Supercopa Uefa (1996), Serie A (1995 e 1997), Coppa Italia (1995), Supercopa Italiana (1995 e 1997), Campeonato Escocês (1999 e 2000), Copa da Escócia (1998 e 2000) e Copa da Liga Escocesa (1999).
Seleção italiana: 2 jogos e nenhum gol

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