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quinta-feira, 9 de março de 2017

Os melhores jogadores italianos da Ligue 1

Verratti, Sirigu e Thiago Motta comandaram uma legião italiana em Paris (Pure People)
E lá vamos nós de novo: em mais uma edição do nosso especial sobre os jogadores italianos que fizeram sucesso em outros campeonatos europeus, é a vez de cruzarmos os Alpes e viajarmos para a França. O país pode até ter rivalidade com a Itália, mas tem muito mais coisas em comum do que a enorme variedade de queijos e vinhos. Para falar sobre os azzurri na terra dos Bleus, contamos com a colaboração de Eduardo Madeira, jornalista da Rádio Guarujá e titular do blog Europa Football e do informativo Le Podcast du Foot, especializado em futebol francês.

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Quando anotou 31 gols em uma única temporada pelo Middlesbrough, o artilheiro Fabrizio Ravanelli se credenciava a estar em qualquer equipe de ponta na Europa. O rebaixamento do clube inglês era o indício mais claro de que daria um salto na carreira e voltaria a ter o brilhantismo dos tempos de Juventus. Entretanto, o atacante de cabeça prateada optou pelo Olympique de Marseille.

Na época, ele justificou a transferência por querer estar em um time em condições de brigar por títulos e o OM seria ideal para isso. Duas temporadas e meia depois, Ravanelli deixou o clube sem erguer nenhum troféu, mas com uma idolatria impressionante, o que faz com que seja sempre muito bem-vindo até hoje ao Vélodrome.

Exemplos opostos nós observamos agora no rival Paris Saint-Germain. Também ídolos do clube, Thiago Motta e Verratti passaram a empilhar títulos na era milionária dos franceses e se fixaram entre os principais atletas do país. Hoje, Mario Balotelli, com seu histórico atribulado, tenta fazer o Nice surpreender e quebrar a hegemonia parisiense.

A trajetória dos jogadores italianos na França tem muitas dessas histórias. Algumas obscuras, de atletas desconhecidos na terra natal e que continuaram assim no exterior, mas outras tantas interessantes, como de Robert Cacchioni, que construiu toda a carreira na França e se tornou ídolo no Lyon.

Apesar de uma história não tão extensa, elencamos dez nomes de atletas italianos que conseguiram construir carreiras sólidas e se fixaram como jogadores históricos. Confira!

Critérios adotados
Para montar as listas, foi considerada a importância do jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas, grau de participação nas conquistas e respaldo atingido através da equipe. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

10º - Henri Alberto


Posição: goleiro
Clubes em que atuou: Lyon (1954-1956), Monaco (1956-1960), Sochaux (1960-1962), Grenoble (1962-1963), Ajaccio (1965-1967) e Avenir Club Avignonnais (1967-1968)
Títulos conquistados: Campeonato Francês (1961), Copa da França (1960) e Campeonato Francês da 2ª Divisão (1967)

Nascido em Paesana, Henri Alberto teve carreira totalmente desconhecida na Itália, mas bastante consistente na França. Nascido Enrico, o goleiro iniciou a carreira no Olympique Lyonnais, em 1954, nos primeiros anos de atividade do clube. O italiano gravou seu nome na história do OL em 1955, quando teve atuação monumental na vitória por 1 a 0 sobre o grande rival Saint-Étienne. Aquela foi o primeiro triunfo do clube no Geoffrey-Guichard, casa do ASSE. Pelo Lyon, atuou por duas temporadas e fez 50 jogos, até se transferir para o Monaco.

No clube monegasco, Alberto disputou posição com Abderrhamane Boubekeur e participou dos primeiros grandes títulos da equipe – no caso, o do Campeonato Francês, em 1961, e o da Copa da França, em 1960. Ele foi contemporâneo de jogadores históricos do clube, como Henri Biancheri e Michel Hidalgo. Já veterano, aos 34 anos, ainda foi campeão da segunda divisão com o Ajaccio.

9º - Andrea Raggi


Posição: lateral-direito e zagueiro
Clubes em que atuou: Monaco (2012-)
Títulos conquistados: Campeonato Francês da 2ª Divisão (2013)

Defensor de carreira sólida, mas discreta na Itália, Andrea Raggi chegou ao Monaco em 2012, após ter defendido a seleção sub-21 azzurra e clubes como Empoli, Palermo, Sampdoria, Bari e Bologna. Na época, o clube monegasco foi comprado pelo milionário russo Dimitri Rybolovlev e era treinado por Claudio Ranieri, que facilmente o tirou da segundona, onde se encontrava. Desde então, Raggi segue sendo um dos poucos que resistiu com o tempo e permanece no clube.

Atualmente, o lígure já não é mais titular absoluto, mas segue sendo uma peça útil ao técnico Leonardo Jardim, especialmente por poder atuar em todas as posições de defesa. Na quinta temporada no Louis II, Raggi acumula quase 180 jogos e nove gols pelo Monaco.

8º - Fabio Grosso


Posição: lateral-esquerdo
Clubes: Lyon (2007-2009)
Títulos: Campeonato Francês (2008), Copa da França (2008) e Supercopa Francesa (2007)

Em um dos últimos times realmente fortes do Lyon, Fábio Grosso estava entre os titulares. Não chegou a ser exatamente um protagonista, mas o cobrador do pênalti que deu o tetra para a seleção italiana foi titular absoluto e peça de confiança do último OL campeão francês, em 2008.

Embora nunca tenha chegado a ser amado pela torcida, Grosso fez 71 jogos e anotou três gols com a camisa do Lyon, tendo sido convocado para defender a Itália na Eurocopa e na Copa das Confederações durante seu biênio na França. O jogador deixou o clube em 2009 para retornar ao país natal e vestir a camisa da Juventus.

7º - Flavio Roma


Posição: goleiro
Clubes: Monaco (2001-2009 e 2012-2014)
Títulos: Copa da Liga (2003) e Campeonato Francês da 2ª Divisão (2013)

Flavio Roma chegou ao Monaco em 2001, quando tinha 27 anos e era quase desconhecido do público estrangeiro: teve temporadas boas na Serie B, por Chievo e Piacenza, e apenas uma na elite, na qual não salvou os piacentinos do descenso. Na primeira temporada na França, não rendeu no time de Didier Deschamps: sofrendo com as lesões, o italiano jogou pouco e promoveu uma disputa por posição com o senegalês Tony Sylva. No ano seguinte, porém, recuperado, tornou-se titular absoluto e manteve esse status até o término da temporada 2007-08, quando perdeu espaço para o jovem Stéphane Ruffier.

Entre 2009 e 2012, foi o terceiro goleiro do Milan e retornou ao clube francês em 2012, onde disputou duas temporadas apenas para encerrar a carreira. Ao todo, o goleiro fez quase 250 jogos com a camisa do Monaco e, como marca, carrega o status de goleiro titular e um dos líderes da equipe que foi vice-campeã europeia em 2004. Nessa fase da carreira, chamou a atenção da Itália, recebeu oito convocações para a Nazionale e chegou a entrar em campo em três amistosos.

6º - Salvatore Sirigu


Posição: goleiro
Clubes: Paris Saint-Germain (2011-2016)
Títulos: Campeonato Francês (2013, 2014, 2015 e 2016); Copa da Liga (2014, 2015 e 2016); Copa da França (2015 e 2016); Supercopa da França (2013, 2014, 2015 e 2016)

Um dos alvos da captação de Leonardo no futebol italiano, Salvatore Sirigu chegou ao PSG em 2011, ao mesmo tempo em que chegaram os cataris da Qatar Sports Investiments (QSI). Por quatro temporadas, o goleiro que brilhara no Palermo foi titular absoluto e com rendimento de alto nível – o que lhe colocava, sem exagero, como um dos principais arqueiros do continente europeu.

No período como titular em Paris, o italiano foi eleito melhor goleiro da temporada em 2013 e 2014 e ainda quebrou um recorde de Bernard Lama ao ficar 948 minutos sem sofrer gols na Ligue 1. Entretanto, Sirigu entrou em desgraça a partir da temporada 2015-2016, com a chegada de Kevin Trapp. Ele foi sumariamente colocado no banco de reservas e, nesta temporada, foi emprestado para Sevilla e, posteriormente, Osasuna, tentando retomar o bom desempenho.

5º - Robert Cacchioni


Posição: zagueiro e meio-campista
Clubes: Lyon (1970-1977) e Gazélec Ajaccio (1977-1980)
Títulos: Copa da França (1973)

Nascido em Roma, Cacchioni construiu toda a carreira na França. Defendeu o Lyon entre 1970 e 1977, sendo peça importante de um clube que estava começando a se firmar no cenário nacional. Em sete anos, atuou por mais de 200 vezes por Les Gones e ajudou a equipe a conquistar a Copa da França em 1973, a terceira em sua história.

Volante e defensor central, Cacchioni atuou ao lado de jogadores históricos do Lyon, como Raymond Domenech, Serge Chiesa e Fleury Di Nallo, se notabilizando como um dos italianos mais bem-sucedidos do futebol francês nos anos 1970. O italiano ainda atuou três anos na segunda divisão ao defender o Gazélec Ajaccio, situado na Córsega, ilha francesa vizinha da Sardenha.

4º - Marco Verratti


Posição: meio-campista
Clubes: Paris Saint-Germain (2012-)
Títulos: Campeonato Francês (2013, 2014, 2015 e 2016); Copa da Liga (2014, 2015 e 2016); Copa da França (2015 e 2016); Supercopa da França (2013, 2014, 2015 e 2016)

Uma das grandes joias do futebol italiano nos tempos recentes, Marco Verratti foi buscado pelo PSG em 2012, quando ainda estava no Pescara. Mesmo aos 20 anos, ele se destacou pelo controle de bola e o domínio no meio-campo, suficientes para ajudar a equipe treinada por Zdenek Zeman a levantar o título da Serie B naquele ano. Foi o checo, aliás, que transformou Verratti em regista, já que ele atuava mais avançado no meio-campo.

Apesar das sondagens de outros clubes, como a Juventus, por exemplo, Verratti se manteve em Paris e empilhou títulos com o milionário PSG. Além disso, o meia foi eleito jogador jovem do ano na França em 2014, melhor estrangeiro da Ligue 1 em 2015 e enquadrado na seleção da temporada em 2013, 2014, 2015 e 2016. É um verdadeiro prodígio vencedor e o presente e o futuro da seleção italiana.

3º - Fabrizio Ravanelli


Posição: atacante
Clubes: Olympique Marseille (1997-1999)
Títulos: nenhum

Consagrado por ótimas temporadas na Juventus, Fabrizio Ravanelli parou no Marseille após algo que ele mesmo considerou um “erro sério”. Falamos especificamente da transferência para o Middlesbrough, na temporada 1996-1997. O atacante declarou que não conhecia nada do clube e da estrutura. Mesmo marcando mais de 30 gols, não evitou o rebaixamento do Boro e acabou se transferindo para o OM.

Foram duas temporadas e meia na França, tendo como destaque 1998-1999. Ravanelli foi às redes 13 vezes em 29 partidas e foi peça-chave do time que foi vice-campeão da Copa Uefa, perdendo para o Parma, e do vice do Campeonato Francês, em um torneio com fina polêmico: até hoje os marselheses reclamam de uma suposta “entrega” do Paris Saint-Germain no jogo decisivo diante do Bordeaux, que se consagrou campeão naquele ano. Na metade da temporada seguinte, o italiano retornou à Velha Bota, deixando o OM com 30 gols em 84 jogos. Apesar do curto período e de nenhum troféu erguido, Ravanelli se tornou um grande ídolo do Marseille pela vontade em vestir a camisa do time em uma época de vacas magras.

2º - Thiago Motta


Posição: meio-campista
Clubes: Paris Saint-Germain (2012-)
Títulos: Campeonato Francês (2013, 2014, 2015 e 2016); Copa da Liga (2014, 2015 e 2016); Copa da França (2015 e 2016); Supercopa da França (2013, 2014, 2015 e 2016)

O ítalo-brasileiro Thiago Motta é, certamente, um dos jogadores mais bem-sucedidos do futebol europeu desse século: desde 2001 no continente, conquistou sete campeonatos nacionais e duas Ligas dos Campeões. Em Paris desde 2012, após ser adquirido junto à Inter, Motta acumulou 13 títulos pelo PSG, sob efeito da onda milionária da Qatar Sports Investiments, que abastece o clube financeiramente.

Mesmo enfrentando algumas sérias lesões, o meio-campista soma 194 partidas pelos parisienses, com 11 gols marcados. Seja no 4-4-2 de Carlo Ancelotti ou no 4-3-3 de Laurent Blanc, Motta quase sempre tinha uma vaguinha no meio-campo como meio-campista central, articulando a saída de bola parisiense. Aos 34 anos e sem o vigor físico de antes, o volante nascido em São Bernardo do Campo se encaminha para o fim da carreira, mas segue deixando o nome registrado na história do Paris.

1º - Marco Simone


Posição: atacante
Clubes: Paris Saint-Germain (1997-1999); Monaco (1999-2001 e 2002-03) e Nice (2004)
Títulos: Copa da França (1998), Copa da Liga (1998), Supercopa da França (1998) e Campeonato Francês (2000)

A megalomania do Paris Saint-Germain nas janelas de transferências sempre esteve na raiz do clube, mesmo antes de ser milionário. Fruto de uma dessas loucuras foi a contratação de Marco Simone em 1997: destaque do Milan e com reputação internacional, o italiano foi comprado em uma troca que envolveu a ida de Leonardo para a Itália. Em dois anos na capital francesa, Simone se notabilizou como o homem das decisões. No jogo final da Copa da Liga, fez o gol que levou a partida diante do Bordeaux para a prorrogação. Nos pênaltis, converteu a segunda cobrança e viu o PSG erguer o troféu, a exemplo do que foi visto na final da Copa da França diante do Lens, quando marcou o segundo gol da vitória por 2 a 1. No ano seguinte, o italiano fez um dos gols da vitória do Paris elo mesmo placar no clássico sobre o Marseille, que ajudou a tirar o título francês do grande rival.

O ponto alto de sua carreira, entretanto, foi no Monaco. Formando uma letal dupla de ataque com David Trezeguet, conquistou, em 2000, aquele que foi o último título de Campeonato Francês do time monegasco. Simone anotou 21 gols, enquanto o francês fez 22 – ou seja, 43 dos 69 gols foram dos dois. Aquele foi o último grande momento do italiano, que se desentendeu com Deschamps, perdeu espaço no Principado e voltou à Itália em 2001, emprestado ao Milan. Em sua volta ao Monaco, atuou em somente cinco partidas, antes de ter uma fracassada passagem pelo Nice, onde não fez sequer dez jogos. Apesar do fim melancólico, nenhum jogador do Belpaese foi tão decisivo na França quanto Simone, que ainda foi treinador dos alvirrubros entre 2011 e 2012. Na França, já dirigiu o Tours e hoje está à frente do Laval, da segundona.

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