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segunda-feira, 8 de maio de 2017

35ª rodada: Hexa adiado e a vaga que ninguém quer

No duelo entre Higuaín e Belotti, Juve teve festa adiada e Toro não segurou vitória histórica (LaPresse)
Chegando à reta final da temporada, a Serie A não tem parado de proporcionar partidas emocionantes e de muitos gols. A 35ª rodada teve 35 gols marcados e 10 deles vieram de um único jogo, o que mais redes balançadas teve na Itália em 2016-17 e nos últimos 12 anos. Foi nesta partida que a Lazio se tornou a única equipe a festejar um veredito neste fim de semana: a vaga na Liga Europa. A Juventus, por sua vez, poderia ter garantido o título e feito a festa do hexa no domingo, mas tropeçou no Torino e, pelo terceiro ano seguido, precisou de um gol no final para não sair derrotada em seu estádio. Apesar do empate em Turim, a vitória da Roma adiaria a celebração de qualquer jeito. Os romanos, aliás, responderam ao Napoli na briga pelo vice – os dois times precisam de pouco para garantir vaga na Liga dos Campeões.

O mesmo cenário vive a Atalanta, que precisa de somente um ponto para alcançar a façanha de voltar às competições europeias. O objeto de desejo dos bergamascos parece mais um pesadelo para Milan, Inter e Fiorentina, que tem tropeçado em sequência e parecem querer fugir da fase preliminar da Liga Europa. O sexto colocado no Campeonato Italiano garante acesso ao torneio, mas disputar os play-offs pode comprometer ganhos em turnês de verão e obrigar a equipe a voltar mais cedo das férias e a se preparar com muita antecedência. Aliás, quem pode começar a se preparar – mas para a Serie B – é o Palermo, que confirmou a queda para a segundona.

Juventus 1-1 Torino
Higuaín (Pjanic) | Ljajic

Tops: Higuaín (Juventus) e Ljajic (Torino) | Flops: Mandzukic (Juventus) e Falqué (Torino)

O raio cai três vezes no mesmo lugar: depois de Pirlo e Cuadrado, foi a vez de Higuaín aparecer nos acréscimos para manter a invencibilidade da Juventus contra o Torino em seu novo estádio. O argentino não tem o mesmo retrospecto artilheiro do ano passado, mas tem sido muito mais decisivo: fechou sua semana perfeita com um belo gol de fora da área aos 92 minutos, que se juntou à doppietta contra o Monaco. Só pode ter havido tamanho drama no dérbi por causa da dificuldade dos bianconeri em furar a defesa do Torino, e também pela boa partida de Hart, sobretudo após a expulsão de Acquah. O cartão vermelho ao ganês foi um capítulo à parte: gerou grande revolta dos visitantes, que reclamaram muito sobre a inexistência de faltas nos dois lances em que Paolo Valeri o advertiu. Na confusão, Mihajlovic entrou em campo e também acabou excluído pelo árbitro.

Com um a menos durante cerca de 30 minutos, o Torino precisou se desdobrar na marcação e mostrou grande preparo físico para aguentar as investidas de uma Juve que poupava alguns jogadores. No revezamento proposto por Allegri, descansaram Buffon, Daniel Alves, Chiellini, Alex Sandro e Higuaín – os dois últimos entraram apenas no final. O time sentiu um pouco as mudanças: Mandzukic voltou a ser centroavante e perdeu duas chances claras – nas únicas duas finalizações que teve. Khedira também desperdiçou duas oportunidades, também em jogadas criadas por Dybala. Por sua vez, o Torino fez o seu jogo, ocupando o meio-campo e levando perigo com Ljajic: o sérvio foi o autor de um golaço em uma cobrança de falta perfeita, que deixou Neto imóvel. No final das contas, o Toro não resistiu e deixou de quebrar uma série de tabus contra a rival. Como consolo, encerrou a série de 33 vitórias da Velha Senhora no Juventus Stadium e adiou a festa do hexacampeonato.

Milan 1-4 Roma
Pasalic (Ocampos) | Dzeko (Salah), Dzeko (Paredes), El Shaarawy (Dzeko) e De Rossi (pênalti)

Tops: Dzeko e Manolas (Roma) | Flops: Paletta e Mati Fernández (Milan)

E olha que foi pouco: não fossem Donnarumma e suas defesas, o Milan poderia ter deixado o San Siro de forma ainda mais melancólica. Inter e Fiorentina também perderam e a vantagem de três pontos continua, mas sem vencer há quatro rodadas e com duas derrotas desde então, até parece que o Diavolo não quer disputar a fase preliminar da Liga Europa – assim como os adversários, que estão logo abaixo. O Milan segue na sexta posição, com 59 pontos, três acima dos nerazzurri e dos viola.

A Roma, por sua vez, jogou muito bem e deu uma bela resposta à derrota no clássico contra a Lazio e à ameaça do Napoli ao vice-campeonato, uma vez que os azzurri tinham conseguido uma ultrapassagem momentânea. A Loba giallorossa tinha o jogo ganho já no primeiro tempo graças ao artilheiro Dzeko, que garantiu uma doppietta para chegar aos 27 gols e ainda atuou como pivô no passe para o terceiro, anotado por El Shaarawy – o Pequeno Faraó marcou imediatamente após o Milan ter encostado com Pasalic. Por fim, Paletta fechou mais uma atuação desastrosa da defesa rossonera, que sofre sem Romagnoli, e De Rossi converteu o pênalti que levou à expulsão do ítalo-argentino. A nota polêmica da partida ficou por conta de Spalletti: mesmo com a boa vantagem, o treinador optou por não colocar Totti em campo e, na sua provável última visita a San Siro, o capitão não se despediu em campo. No próximo fim de semana, outro jogo grande: segunda colocada, a equipe romana receberá a Juventus. Totti jogará?

Napoli 3-1 Cagliari
Mertens (Ghoulam), Mertens (Ghoulam) e Insigne (Mertens) | Diego Farias (João Pedro)

Tops: Mertens e Jorginho (Napoli) | Flops: Sau e Isla (Cagliari)

30 anos, 30 gols. No seu aniversário, Mertens mais uma vez foi protagonista e recebeu de presente duas assistências espetaculares de Ghoulam, em momentos importantes para os anfitriões terem amplo controle contra o Cagliari: o belga já havia sido carrasco dos sardos em dezembro, anotando uma tripletta na vitória por 5 a 0. Apesar do enorme domínio na tarde do San Paolo, o Napoli só chegou aos gols no início de cada tempo, depois de o argelino encontrar o baixinho belga com sua boa visão de jogo. Aos 67, depois de outra conexão entre Ghoulam e Mertens, o belga lançou Insigne, que se livrou da marcação e finalizou alto para ampliar a vantagem – nos acréscimos, o brasileiro Diego Farias recebeu passe do compatriota João Pedro e descontou. Discreto, mas fundamental, o ítalo-brasileiro Jorginho mais uma vez conduziu o controle do jogo com 206 toques e 182 passes (recordes nesta temporada), retendo 15% da posse de bola consigo, enquanto o Napoli inteiro teve incríveis 1116 toques e 950 passes, com 73% de posse ao longo do jogo. Uma vitória com personalidade para lutar pela vaga direta à fase de grupos da Liga dos Campeões.

Assim como Inter e Fiorentina, Milan tropeçou e demonstra pouca vontade de jogar a Liga Europa (LaPresse)
Lazio 7-3 Sampdoria
Keita (Milinkovic), Immobile (pênalti), Hoedt (Lulic), Felipe Anderson (pênalti), De Vrij (Biglia), Lulic (Patric) e Immobile (Keita) | Linetty (Bereszynski), Quagliarella (Regini) e Quagliarella (pênalti)

Tops: Keita e Lulic (Lazio) | Flops: Dodô e Skriniar (Sampdoria)

Mais uma overdose de gols na capital: depois de 6 a 2 no Palermo e 3 a 1 na Roma, a Lazio trucidou a Sampdoria e garantiu matematicamente uma vaga na Liga Europa. Como não poderia deixar de ser, Keita e Immobile foram os protagonistas no ataque e até Felipe Anderson saiu dos braços de Morfeu para massacrar a equipe blucerchiata. Os visitantes sofreram muito pelo fato de Skriniar ter sido expulso com menos de 20 minutos, o que levou Giampaolo a tirar o destaque Schick, abdicando da vitória e tentando evitar o pior – bom, passou longe de conseguir. A essa altura, o placar já marcava 2 a 0, porque Keita fez o gol mais rápido da Lazio na temporada, com menos de dois minutos, e Immobile converteu o primeiro dos três pênaltis assinalados no cotejo. Linetty aproveitou a desatenção da defesa adversária para descontar, mas Hoedt, Felipe Anderson e De Vrij ampliaram para 5 a 1 ainda no primeiro tempo. Depois do intervalo, um jogo de compadres até a Lazio voltar a atacar e marcar dois em cinco minutos, alcançando o 7 a 1 graças a Lulic e Immobile. Quagliarella, isolado no ataque depois da expulsão, descontou duas vezes e deu números finais à partida. Com 10 gols, o confronto se tornou não só o de placar mais movimentado da atual temporada como o de mais tentos desde 2005, quando o Parma venceu o Livorno por 6 a 4.

Udinese 1-1 Atalanta
Perica | Cristante (Gómez)

Tops: Perica (Udinese) e Cristante (Atalanta) | Flops: De Paul (Udinese) e Kurtic (Atalanta)

Ressaca matinal para a Atalanta, que foi para o Friuli desfalcada de Conti, Kessié e Freuler e jogou sem o ritmo habitual. Apesar de não ter atuado bem e não ter vencido a Udinese, o empate fora de casa foi bom para os bergamascos, diante do tropeço das equipes que estão abaixo na tabela: agora os comandados de Gasperini precisam de apenas um ponto para confirmar a vaga na Liga Europa. Em campo, em uma das poucas oportunidades criadas pelos nerazzurri, Cristante testou firme a bola que veio de escanteio cobrado por Gómez no final do primeiro tempo e marcou seu terceiro gol no campeonato. Berisha, porém, acabou entregando o empate após a volta do intervalo e Perica deu números finais para um jogo sem muita emoção.

Genoa 1-0 Inter
Pandev

Tops: Lamanna e Miguel Veloso (Genoa) | Flops: Candreva e Éder (Inter)

Você achou que a situação da Inter não poderia piorar? Agora são sete partidas sem vitórias, o que deixa os nerazzurri com o pior retrospecto da Serie A neste período, ao lado do rebaixado Pescara, e muito perto do recorde negativo do clube, datado de 1948. Em um jogo de baixíssimo nível técnico, o Genoa garantiu uma vitória inesperada e fundamental, depois de sete jogos sem triunfos, e se manteve cinco pontos acima da zona de rebaixamento. O gol solitário teve requintes de lei do ex: Miguel Veloso teve espaço para avançar e mandar um chutaço no travessão, ao qual Pandev reagiu, aproveitando a falha defensiva nerazzurra no rebote e chutando de primeira. O dramático time de Pioli poderia ter evitado o fracasso duas vezes, ambas com Candreva: o meia perdeu gol na pequena área no final do primeiro tempo e teve cobrança de pênalti defendida na etapa final, depois de "roubar" a bola de um incrédulo Gabriel. O brasileiro acabou expondo os problemas internos do clube, inclusive no vestiário, já que alguns jogadores estavam claramente irritados com outros companheiros – Kondogbia até foi expulso, tamanha revolta diante da falta de reação dos outros.

Sassuolo 2-2 Fiorentina
Politano (pênalti) e Iemmello (Politano) | Chiesa (Borja Valero) e Bernardeschi (Vecino)

Tops: Berardi (Sassuolo) e Bernardeschi (Fiorentina) | Flops: Kalinic e Sánchez (Fiorentina)

Milan e Inter ajudaram e a Fiorentina voltou a encostar, mas o time de Paulo Sousa não se ajuda. Após perder para o rebaixado Palermo, a equipe toscana agora tropeçou mais uma vez depois de sair na frente do placar. A partida começou com pressão viola: Cannavaro salvou gol em cima da linha; Kalinic teve pênalti e rebote defendidos por Consigli e, pouco depois, o garoto Chiesa concluiu a gol uma jogada de Borja Valero. Com a vantagem, os visitantes relaxaram e os anfitriões, liderados por Berardi, cresceram para colocar água no vinho florentino. Mas foi com Politano e ajuda da arbitragem que a virada veio: o atacante converteu pênalti inexistente, que resultou na expulsão de Rodríguez, e dez minutos depois, bateu o escanteio finalizado por Iemmello, autor do milésimo gol desta edição da Serie A. Apesar da festa, o jogo não estava acabado e Bernardeschi, que substituiu o lesionado Badelj no início do jogo, empatou nos acréscimos, amenizando o tropeço viola.

Até logo, Palermo: Diamanti e companhia não conseguiram evitar queda para a segundona (Getty)
Chievo 1-1 Palermo
Pellissier (pênalti) | Goldaniga

Tops: Sorrentino (Chievo) e Jajalo (Palermo) | Flops: Birsa (Chievo) e González (Palermo)

Saiu o segundo rebaixado na Itália: o Palermo volta para a Serie B depois de três anos. Os sicilianos bem que tentaram, mas pararam no ex-rosanero Sorrentino e também na própria incompetência, que acompanhou o time em um péssimo ano. Em Verona, depois de primeiro tempo fantasma, Pellissier abriu o placar em cobrança de pênalti e marcou seu nono gol na temporada, chegando à sua melhor marca desde 2011, quando fez dois a mais. Apesar de todas as tentativas do Palermo, o empate saiu apenas no final da partida, depois de uma cobrança de falta de Diamanti e sobra aproveitada pelo zagueiro Goldaniga. O paciente, ao menos, parou de sofrer: o empate não foi suficiente para adiar um rebaixamento que era somente uma questão de tempo.

Empoli 3-1 Bologna
Croce, Pasqual e Costa | Verdi

Tops: Pasqual e Costa (Empoli) | Flops: Krafth e Krejci (Bologna)

Antes tarde do que nunca. O Empoli levava o campeonato em banho-maria e ficou meses sem vencer, mas percebeu a reação do Crotone e voltou a jogar futebol: na sequência, derrubou logo Fiorentina e Milan. Nesta semana, os bons ares foram renovados na pequena cidade da Toscana, uma vez que os azzurri lançaram projeto para renovar o velho estádio Carlo Castellani e ainda comemoraram o reencontro com as vitórias em casa após cinco meses ao baterem o Bologna com autoridade. O resultado mantém a vantagem de quatro pontos para os calabreses, com nove ainda a serem disputados, e a tabela é levemente favorável ao Empoli. O meio-campista Croce abriu o placar logo aos cinco minutos, mas os bolonheses empataram pouco depois com Verdi, protagonista na campanha que levou o Empoli de volta à elite, em 2013-14. Ainda no primeiro tempo, Pasqual acertou chute espetacular de fora da área e fez 2 a 1, enquanto logo depois do intervalo o zagueiro Costa marcou o gol da tranquilidade.

Pescara 0-1 Crotone
Tonev

Tops: Trotta e Ferrari (Crotone) | Flops: Benali e Brugman (Pescara)

Nas últimas seis rodadas nenhum outro time pontuou mais que o Crotone: 14 pontos, com quatro vitórias e dois empates. Uma sequência espetacular do time da Calábria, que parecia morto na zona de rebaixamento, mas aos trancos e barrancos tenta a salvezza. A arrancada talvez não seja suficiente no final das contas, por causa das vitórias de Empoli e Genoa, mas a equipe treinada por Davide Nicola mostra muita determinação. Afinal, o elenco claramente não tinha condições de competir na elite do futebol italiano, mas conseguiu grandes resultados e derrubou a dupla Inter e Milan, por exemplo. No Adriatico, contra o rebaixado Pescara, o time rossoblù chegou à vitória somente aos 71 minutos, quando Tonev aproveitou o passe de Trotta e finalizou de fora da área.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 34ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Lamanna (Genoa); Rossettini (Torino), Manolas (Roma), Pasqual (Empoli); Keita (Lazio), Jorginho (Napoli), Lulic (Lazio), Ghoulam (Napoli); Mertens (Napoli), Dzeko (Roma), Immobile (Lazio). Técnico: Maurizio Sarri (Napoli).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

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