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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Adeus, Totti. Adeus, futebol

Ele. E nós, mesmo os que lá não estávamos (Foto: asroma.it)
Não atolarei você, leitor, com mais linhas e linhas sobre a despedida de Francesco Totti dos gramados. Nos últimos dias, abusei do Google Tradutor para entender o que tanto falavam desse homem em indonésio, chinês, romeno e árabe. Por isso, é desnecessário que eu discorra sobre as qualidades técnicas e atléticas de alguém cujos artigos na Wikipedia têm mais de dois metros de extensão em uma série de idiomas.

Mas escreverei. Um pouco só, e por egoísmo, mas escreverei. São uns poucos caracteres sobre esse cidadão italiano de 40 anos que jogou a vida inteira por apenas um time de futebol, uma dessas equipes medianamente fracassadas. Ele poderia ter sido milionário e famoso. Escolheu ser apenas milionário. E, bem, por causa dele o clube foi citado em indonésio, chinês, romeno e árabe. Sem o tal Francesco, Roma seria pouco mais do que o nome da capital da Itália e de um velho restaurante demodê de Brasília. Ao menos nesta semana, a Roma foi maior que qualquer Roma. Tudo por causa de um rapaz que escolheu como profissão chutar a bola dentro do gol adversário.

Dizer que apaguei vários rascunhos antes de assinar um texto sobre minha incapacidade de escrever num momento como esse é tão clichê quanto ver um gol de cobertura assinado por Francesco Totti no início dos anos 2000. Também seria egoísta falar sobre meu blecaute quando os holofotes estão em uma só pessoa, mas um cara que distribuiu tantas assistências para os companheiros ao longo da vida certamente poderia ignorar essa intromissão. Sigo, então, em primeira pessoa.

Eu, que me pensava iconoclasta, vivi uma idolatria exótica a 9 mil quilômetros de distância. Pelas minhas contas mais sinceras, o futebol me fez chorar oito vezes. Uma, em fevereiro de 2006, quando Richard Vanigli tentou tirar Totti da Copa do Mundo. As quatro últimas, quase que de uma só vez, em 28 de maio de 2017.

Não aposentem a camisa 10. Aposentem o clube. Se a burocracia não permitir que isso seja levado adiante antes do início da próxima temporada, ao menos enterrem a faixa de capitão no lugar onde Francesco Totti marcou o gol que deu à Roma seu último Campeonato Italiano.

O adeus de Totti aos gramados é meu adeus ao futebol romantizado. Chegou o momento de buscar algum sentido novo nesse esporte. E, se você chegou à última linha, estará comigo nessa jornada.

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