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terça-feira, 9 de maio de 2017

Querida, cheguei

Daniel Alves coroou sua grande temporada com partida decisiva e golaço contra o Monaco (AP)
Faltava a confirmação. Após fazer 2 a 0 sobre o Monaco na partida de ida das semifinais da Liga dos Campeões, a Juventus levou para Turim uma vantagem considerável para não deixar a vaga na decisão escapar. E assim foi: com outro triunfo, a Velha Senhora garantiu seu lugar em Cardiff e deve reeditar a final de 1998 com o Real Madrid.

O placar até pode dar a entender que a Juve teve vida mais complicada na Itália do que no Principado de Mônaco, mas não foi bem assim. No primeiro tempo, a equipe bianconera poderia tranquilamente ter aberto uma vantagem superior a três gols, mas Subasic fez grandes defesas para evitar o massacre. Só ele conseguiu parar Dybala, Mandzukic e Daniel Alves, que tiveram atuações irretocáveis.

A partida começou com lesões para as duas equipes. Antes mesmo de a bola rolar, o marroquino Dirar, que seria improvisado na lateral direita, sentiu um desconforto no aquecimento e obrigou Leonardo Jardim a escalar Mendy, que ficaria no banco por não estar bem fisicamente – o substituto entrou na lateral esquerda e, com isso, Sidibé assumiu o lado oposto. Já a Juve teve de queimar uma mexida com menos de 10 minutos: Khedira teve uma lesão muscular (a primeira na temporada, por incrível que pareça) e Marchisio foi chamado para ocupar seu lugar.

No primeiro tempo, o Monaco ameaçou três vezes – mas só a última delas valeria. Mbappé acertou a trave e Falcao García obrigou Buffon a fazer uma defesaça, mas o jogo estava parado por impedimento. Em outra ocasião, Mendy passou por Dani Alves e cruzou forte e rasteiro para a pequena área, obrigando Chiellini a fazer um corte arriscado, mas providencial, negando ao colombiano Falcao a chance de marcar.

Caso Falcao marcasse, seria o gol de empate, pois àquele momento a Juventus já havia ampliado sua confortável vantagem. O primeiro tempo foi, basicamente, um confronto entre quem Daniel Alves achava para deixar no mano a mano com Subasic e o próprio goleiro croata. Foram duas grandes defesas do número 1 do ASM, que evitou que Mandzukic e Dybala anotassem – a Juve também teve chances com Higuaín, que teve gol bem anulado e uma cavadinha que quase cruzou a linha. Seriam três, já que Mandzukic precisou aproveitar o rebote de sua potente cabeçada para fazer 1 a 0. Era um bom presságio, pois os bianconeri venceram os 21 jogos em que Mario balançou as redes com a camisa do clube. 

Mandzukic e Daniel Alves foram gigantes ofensiva e defensivamente (LaPresse)
Daniel Alves já havia participado dos dois gols da Juve no estádio Louis II, na semana passada, e foi o responsável por achar Mandzukic na área em Turim, completando uma jogada iniciada com uma saída de bola rápida de Buffon. O camisa 23, porém, não havia se saciado. Colocado na entrada da grande área, nem esperou que a bola afastada por Subasic, após uma cobrança de escanteio, caísse no chão: emendou um chutaço de primeira e dobrou a vantagem juventina. Algum dirigente do Barcelona provavelmente socou a mesa neste momento – afinal, os blaugrana o deixaram sair da Catalunha a custo zero.

No segundo tempo, o ritmo da Juventus diminuiu um pouco – e Allegri até poupou Dybala, trocando-o aos 9 minutos por Cuadrado. Naquele momento, já estava claro que a estratégia de Jardim – que resolveu espelhar o 3-4-1-2 da Juve e, sem a bola, marcar a adversária no 4-3-3 – não havia surtido efeito e nem mesmo com as entradas de Fabinho e Lemar a remontada seria concluída.
 
Mbappé, no entanto, apareceu para colocar alguma gasolina no jogo: logo após obrigar Buffon a colocar para escanteio, completou cruzamento rasteiro de João Moutinho e diminuiu. O prodígio francês encerraria, assim, uma bela sequência dos bianconeri, que ficaram 690 minutos sem sofrer gols na Liga dos Campeões, contando a fase de grupos e o mata-mata.

A partida acabou esquentando dali para frente, com muitas discussões e uma entrada duríssima de Glik sobre Higuaín – veja aqui o pisão do polonês. Vale lembrar que o zagueiro foi capitão do Torino, rival da Juventus, e até hoje é o único jogador a ter sido expulso nos clássicos do Piemonte tanto no turno quanto no returno. Em um dos últimos atos da semifinal, Mandzukic tentou fazer justiça com as próprias mãos e levou cartão amarelo, enquanto Glik se livrou da expulsão. Após o jogo, mais calmo, o defensor do Monaco admitiu que poderia ter recebido o vermelho e se desculpou.

Em três anos, a Juventus chegou a duas finais de Champions League e Allegri tem todos os méritos. Melhorou o que Conte já havia feito, fez um grande negócio ao apostar em Daniel Alves e precisa ser reconhecido por redescobrir Mandzukic como atacante aberto pela esquerda. O croata já havia atuado dessa forma no Wolfsburg, mas sem tantos encargos defensivos e sem a mesma dedicação – aliás, deixou de ser um jogador preguiçoso, o que vai para a conta do técnico também. Tudo isso somado a uma defesa impenetrável, com Buffon e Bonucci em estado de graça e toda a garra de Chiellini. Mais o trabalho silencioso de Pjanic e Khedira, o talento de Dybala e os gols de um Higuaín finalmente decisivo em termos continentais.

Esqueçam Berlim, porque a Juve já esqueceu daquele confronto contra o Barcelona. Naquela época, chegar à final foi relativamente inesperado para a equipe, como declarou Chiellini nesta semana. Agora, não, a Velha Senhora não é finalista por sorte ou obra do acaso. Os jogadores já se enxergavam capazes de chegar a Cardiff pelo que fizeram ao longo de 2016-17 e não se intimidam por Real Madrid ou Atlético. Por sua solidez e pela sua gana de competir, a Juventus é favorita ao título europeu.

Juventus 2-1 Monaco (4-1 no agregado)
Semifinais da Liga dos Campeões (volta)

Juventus: Buffon; Barzagli (Benatia), Bonucci, Chiellini; Daniel Alves, Khedira (Marchisio), Pjanic, Alex Sandro; Dybala (Cuadrado); Higuaín, Mandzukic. Técnico: Massmiliano Allegri.

Monaco: Subasic; Raggi, Glik, Jemerson; Sidibé, João Moutinho, Bakayoko (Germain), Mendy (Fabinho); Bernardo Silva (Lemar); Falcao García, Mbappé. Técnico: Leonardo Jardim.

Local: Juventus Stadium (Turim, Itália)
Árbitro: Björn Kuipers (Holanda)
Gols: Mandzukic e Daniel Alves (J); Mbappé (M).

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