Subscribe Twitter Facebook

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Serie B: que bruxaria é essa?

Comemoração dos jogadores do Benevento com o troféu dos play-offs (LaPresse)
Com a confirmação do acesso direto de Spal e Verona, que terminaram nas duas primeiras colocações durante a temporada regular da Serie B, a terceira vaga na elite do futebol italiano foi decidida nos emocionantes e surpreendentes play-offs. Com experiências na segundona, Cittadella, Carpi, Frosinone, Spezia e Perugia lutaram, mas foi o pequenino e estreante Benevento que conquistou um lugar ao sol em mais uma história fantástica proporcionada pela segundona. Um conto de fadas? Não, talvez uma bruxaria.

A cidade de Benevento, próximo a Nápoles, na Campânia, é conhecida como “cidade das bruxas”. Diz a lenda que quando o local foi invadido pelos lombardos, a população foi obrigada a se converter ao cristianismo. No entanto, rituais pagãos continuaram a ser realizados às escondidas e, a partir daí, nasceu a crença de que as bruxas habitavam a localidade. Na história, conta-se que mulheres eram vistas dançando em volta a uma nogueira em rituais que aconteciam nas noites de lua cheia, apavorando os moradores da região que praticavam a religião cristã.

No futebol, o Benevento aterrorizou os adversários em uma campanha histórica, apesar da simpática bruxinha estampada em seu escudo. Só o fato desta ter sido a primeira temporada em todos os tempos dos beneventani na Serie B, já seria memorável. No entanto, o time do técnico Marco Baroni investiu alto com a chegada de jogadores como Raman Chibsah (Sassuolo), George Puscas (Inter), Fabio Ceravolo (Ternana), Filippo Falco (Bologna) e Alessio Cragno (Cagliari).

A expectativa inicial era de uma campanha segura, talvez no meio da tabela, mas o ótimo pontapé inicial, com sete rodadas de invencibilidade, incluindo vitórias sobre Spal e Verona e um empate fora de casa com o Carpi, fez o torcedor do Benevento acreditar que seria possível sonhar com algo maior. O time da Campânia permaneceu durante todo o campeonato na zona de classificação aos play-offs, apesar de um período de instabilidade no segundo turno. Além dos 20 gols do artilheiro Ceravolo e das as ótimas atuações do goleiro Cragno e do ponta Amato Ciciretti, outro destaque foi o retrospecto no estádio Ciro Vigorito. Com grande apoio da torcida, os bruxos foram derrotados apenas duas vezes dentro de casa.

Técnico Marco Baroni foi responsável por organizar o Benevento (LaPresse)
Ao final do campeonato, o Benevento terminou na quinta posição, com os mesmos 65 pontos do quarto colocado Perugia, que levou vantagem no confronto direto. Se contasse apenas o desempenho dentro de campo, os giallorossi somariam 66 pontos, mas o clube foi penalizado com a perda de um ponto por atraso no pagamento de taxas. Apesar do equilíbrio na parte de cima da tabela, a punição não teve grande influência na sequência da competição.

O Benevento não teve vida fácil nos play-offs. Logo na primeira fase, a vitória por 2 a 1 contra o Spezia, teoricamente o mais fraco entre os seis participantes, foi conquistada com muito suor. Ceravolo e Puscas marcaram dois gols-relâmpago no primeiro tempo, mas o brasileiro Nenê descontou na etapa final e os campani tiveram de mostrar maturidade para segurar a pressão do adversário nos minutos derradeiros.

Na semifinal o adversário foi o Perugia. O mesmo Perugia que, durante a temporada regular, ganhou por 3 a 1 em casa e empatou sem gols como visitante contra o Benevento. No primeiro duelo, melhor para os beneventani. Vitória pelo placar mínimo no Ciro Vigorito e igualdade em 1 a 1 na Úmbria. Apesar da eliminação, o Perugia demonstrou bom poder defensivo durante a temporada, com 40 gols sofridos, a terceira melhor retaguarda da Serie B. Não por acaso nomes como o do jovem zagueiro Gianluca Mancini, negociado com a Atalanta, e do lateral esquerdo Gianluca Di Chiara se destacaram. Se não fossem os muitos empates (20 em 42 rodadas), talvez os grifoni poderiam até brigar mais acima na tabela.

Enquanto isso, na outra chave estava o Frosinone, que entrou como grande favorito na disputa dos play-offs. Os leoni terminaram o campeonato com os mesmos 74 pontos do vice-líder Verona e com nove pontos à frente do quarto colocado Perugia. Com apenas um pontinho a mais, os frusinati teriam garantido o acesso direto. Pelo desempenho no restante da competição, os canarini entraram direto na semifinal, ocasião em que enfrentaram o Carpi. As duas equipes estiveram juntas na Serie A na temporada anterior, porém, desta vez a diferença entre ambos era gritante. Com uma campanha irregular, muitas vezes fora da zona dos oito melhores colocados, os carpigiani encerraram o campeonato na sétima posição, 12 pontos abaixo do adversário. Os falconi já haviam eliminado o Cittadella na fase anterior e, diante do Frosinone, foram buscar a improvável classificação com uma vitória por 1 a 0 fora de casa depois de um empate sem gols na Emília-Romanha.

Carpi surpreendeu a chegar na final dos play-offs, mas ficou no "quase" (LaPresse)
Liderados pelo atacante Kevin Lasagna (já negociado com a Udinese), o Carpi, porém, não resistiu à força do Benevento no Ciro Vigorito na grande final dos play-offs. Depois de uma igualdade em 0 a 0 no primeiro jogo, o histórico acesso dos bruxos saiu dos pés de Puscas. O garoto com sobrenome de craque anotou o único gol da segunda partida, fazendo a cidade inteira explodir em uma festa colorida de amarelo e vermelho que vai se estender por toda a próxima temporada, quando a cidade das bruxas vai receber os melhores times de futebol do país. Mesmo se o Benevento não conseguir um feito histórico como o do Crotone, que se salvou na estreia na Serie A, o próximo ano certamente será o maior deste pequeno clube fundado em 1929 e refundado em 1953, 1990 e 2005.

O clube giallorosso ainda tem o orgulho de ter sido um dos últimos lugares em que o saudoso craque Dirceu, com passagens marcantes por Coritiba, Botafogo, Fluminense e Vasco, disputou partidas oficiais, em 1992. Com pouca expressão nacional, os stregoni estão acostumados com as terceira e quarta divisões, enquanto seu principal adversário, o Avellino, tem dez participações na Serie A entre as décadas de 1970 e 1980. Momento de dar o troco no rival, que segue estagnado na segundona, e de renovar os feitiços para a elite do futebol do Belpaese.

Seleção da Serie B
Meret (Spal); Lazzari (Spal), Vicari (Spal), Mancini (Perugia), Di Chiara (Perugia); Schiatterella (Spal), Falletti (Ternana), Bessa (Verona); Ciciretti (Benevento), Pazzini (Verona), Antenucci (Spal). Técnico: Leonardo Semplici (Spal).


Seleção da Serie B eleita pelos próprios jogadores
Cragno (Benevento); Lazzari (Spal), Bonifazi (Spal), Mancini (Perugia), Di Chiara (Perugia); Schiattarella (Spal), Dezi (Perugia); Bessa (Verona); Ciciretti (Benevento), Pazzini (Verona) e Dionisi (Frosinone). Técnico: Leonardo Semplici (Spal).

1 Comentário:

phgeografia@yahoo.com.br disse...

que post, reportagem maravilhosa

Postar um comentário