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segunda-feira, 20 de março de 2017

29ª rodada: Trinca de ases

Esforço mínimo: Juventus marcou logo no início e venceu a Sampdoria com facilidade (LaPresse)
Antes da pausa na Serie A para a data Fifa de março, o campeonato viu poucas alterações na tabela. Enquanto Juventus, Roma e Napoli venceram suas partidas e mantiveram as mesmas distâncias entre si na briga pelo scudetto, Lazio e Inter tropeçaram e praticamente encerraram a disputa por vagas na Liga dos Campeões – a Juve está mais que garantida na competição, mas romanos e napolitanos ganharam mais folga neste fim de semana. Por sua vez, Milan e Atalanta recuperaram terreno e seguem sonhando com a classificação para a Liga Europa. Acompanhe o resumo da 29ª rodada.

Sampdoria 0-1 Juventus
Cuadrado (Asamoah)

Tops: Quagliarella (Sampdoria) e Rugani (Juventus) | Flops: Regini (Sampdoria) e Lemina (Juventus)

Antes de a temporada começar seria difícil prever que esta partida entre Sampdoria e Juventus entraria para a história. Mas não foi pelo que os times produziram em campo que este jogo será lembrado, mas pela quebra de um recorde por parte de um mito: Buffon superou Boniperti e chegou aos 39.712 minutos com a camisa da Velha Senhora, mais do que qualquer outro atleta. Do campo, Super Gigi foi poucas vezes chamado em causa (a não ser em jogadas criadas por Quagliarella) e foi um espectador de luxo de mais uma vitória do seu time. Allegri poupou algumas peças, mas pode contar com sólidas demonstrações de Rugani, Asamoah, Daniel Alves, Khedira e Cuadrado: o colombiano esteve imparável pela ponta direita e, aos 7 minutos, ainda fez o gol do triunfo, que manteve a Juventus com sete pontos à frente da Roma. Dybala sentiu um desconforto muscular e teve de ser substituído, mas não preocupa para o decorrer da temporada.

Roma 3-1 Sassuolo
Paredes (Salah), Salah, Dzeko (Strootman) | Defrel (Berardi)

Tops: Dzeko (Roma) e Defrel (Sassuolo) | Flops: Bruno Peres (Roma) e Letschert (Sassuolo)

Vencer é a única opção para a Roma continuar sonhando com algo além de uma vaga na Liga dos Campeões na temporada – e Spalletti foi bem claro quanto a isso ao fim do jogo deste domingo. O Sassuolo não é presa fácil e, desde que chegou à elite, dificultou a vida dos romanos em todos os confrontos – neste, não foi diferente, embora a equipe da casa tenha sabido contornar a situação. Logo nos minutos iniciais Defrel recebeu assistência de Berardi e abriu o placar, mas a reação da equipe giallorossa foi quase imediata, com um bonito gol de Paredes. O jogo ofensivo e franco dos dois times dava ares imprevisíveis ao resultado, mas Salah desequilibrou a partida ao vencer o duelo contra Letschert, assim como El Shaarawy levou vantagem sobre o holandês quando caiu em seu setor: foi assim que o time romano virou. No segundo tempo, a entrada de Dzeko deu nova dinâmica ao time da casa, que passou a segurar mais a bola no campo ofensivo e a testar mais o goleiro Consigli. O bósnio colocou os visitantes neroverdi contra as cordas e foi o responsável por desferir o golpe final, aos 68 minutos..

Empoli 2-3 Napoli
El Kaddouri, Maccarone (pênalti) | Insigne, Mertens, Insigne (pênalti)

Tops: Skorupski (Empoli) e Insigne (Napoli) | Flops: Costa (Empoli) e Ghoulam (Napoli)

Na segunda visita de Sarri ao Carlo Castellani desde que trocou o Empoli pelo Napoli, irritação por parte do treinador. O estrategista partenopeo reclamou de jogar no horário do almoço e ainda ficou bravo pela péssima atuação de seu time no segundo tempo: após abrir 3 a 0 e ainda ter desperdiçado um pênalti em 38 minutos de bola rolando, o Napoli voltou desligado do intervalo e permitiu que o pior ataque do campeonato colocasse uma vitória fácil em risco. Depois de Mertens e Insigne terem aberto vantagem, os azzurri da Campânia só ficaram observando a reação dos azzurri da Toscana, que viram El Kaddouri marcar, em cobrança de falta, e Maccarone dar trabalho à defesa e ainda converter uma penalidade. Menos mal para a torcida napolitana é que, depois de ter sofrido o segundo gol, o time finalmente acordou e soube fechar a casinha. A rodada ainda foi positiva para o Napoli em termos de garantir a vaga na Champions League, já que Lazio e Inter tropeçaram.

Torino 2-2 Inter
Kondogbia, Candreva (Ansaldi) | Baselli (Moretti), Acquah (Iturbe)

Tops: Acquah (Torino) e Kondogbia (Inter) | Flops: Hart (Torino) e Perisic (Inter)

No duelo entre os goleadores Belotti e Icardi, as fortes marcações das defesas fizeram com que a dupla passasse em branco. No entanto, o estádio Olímpico Grande Torino foi palco de um jogo que não apenas teve quatro gols, mas também muitas chances para as duas equipes e que, talvez, tenha sido o melhor do fim de semana. O Torino voltou a fazer uma partida digna dos preceitos de Mihajlovic e mostrou determinação, ritmo alto e muita força física para tentar parar uma Inter que vinha embalada por goleadas e que, embora tenha sofrido mais do que nas últimas semanas, teve uma atuação razoável. Pelo lado do Torino, Hart falhou feio duas vezes e estragou os esforços de Acquah, Lukic e Baselli, as "formiguinhas" do meio-campo e melhores na peleja. Pelo lado nerazzurro, Gagliardini esteve abaixo de sua forma habitual, mas Kondogbia fez uma ótima partida, coroada com um gol, e foi inexplicavelmente sacado por Pioli na metade do segundo tempo. Ainda que tenha errado nas substituições, o treinador poderia ter comemorado os três pontos se Perisic não tivesse desperdiçado tantas chances. O empate em Turim em si não é um resultado anormal, mas a Inter precisava da vitória para sonhar com a LC. Agora ficou muito difícil retornar ao torneio continental.

Milan 1-0 Genoa
Mati Fernández (Lapadula)

Tops: Deulofeu e Mati Fernández (Milan) | Flops: Taarabt e Hiljemark (Genoa)

Jogo de um time só em San Siro. Precisando da vitória para manter vivas as chances de classificação a alguma competição europeia, o Milan teria de se superar para bater o Genoa, já que iria a campo com sete desfalques. O início da partida não levou bons presságios para os rossoneri, já que Bertolacci sentiu uma lesão muscular com apenas alguns segundos de bola rolando e precisou ser substituído. Só que este foi o único percalço pelo qual o Diavolo passou no sábado: Deulofeu fez mais uma ótima partida e foi o motorzinho da equipe, entrando facilmente em sintonia com Lapadula e Mati Fernández. O centroavante italiano – que participa de um gol de sua equipe a cada 94 minutos em campo – deu uma bela assistência para Mati marcar o gol solitário da partida, embora o Milan tenha criado o suficiente para balançar mais as redes. Agora, a equipe lombarda está apenas dois pontos abaixo da zona de acesso à Liga Europa.

Atalanta 3-0 Pescara
Gómez (Hateboer), Grassi (Gómez), Gómez (Kessié)

Tops: Gómez e Freuler (Atalanta) | Flops: Coda e Zampano (Pescara)

Nada melhor para curar um 7 a 1 do que ter pela frente o lanterna do campeonato. Diante da pior defesa da Serie A, a Atalanta nem fez sua partida mais brilhante, mas soube conter o ímpeto ofensivo do time de Zeman e apenas administrar uma partida em que era franca favorita. A grande forma de Papu Gómez voltou a chamar atenção de novo: o argentino marcou dois gols, chegou a 11 na temporada, e ainda participou do gol do volante Grassi, emplacando sua quinta assistência. Sexta colocada, com os mesmos 55 pontos da Inter, a equipe treinada por Gasperini ainda teve duas estreias positivas: Hateboer foi titular pela primeira vez e deu passe para o primeiro gol, ao passo que o promissor goleiro Gollini assumiu o posto de Berisha e deu mais segurança à defesa.

Cagliari 0-0 Lazio
Tops: Bruno Alves (Cagliari) e Radu (Lazio) | Flops: Diego Farias (Cagliari) e Keita (Lazio)

O sexto melhor ataque da Serie A contra a terceira pior defesa do campeonato – que sofreu cinco goleadas em casa nesta temporada. Os três pontos poderiam ser favas contadas para a Lazio, mas a defesa do Cagliari teve seu melhor desempenho em 2016-17 e ergueu um muro em frente ao goleiro Rafael, que pouco trabalhou neste domingo. Bruno Alves, Isla e Pisacane mostraram muita garra e posicionamento apurado para conter o time da capital, mas vale salientar que o técnico Simone Inzaghi foi "traído" pelo dia apagado de seus atacantes. Keita, Felipe Anderson e Immobile produziram muito pouco e não conduziram a Lazio à aprovação em um exame que nem poderia ser considerado uma verdadeira prova de fogo – na verdade, o Cagliari poderia até ter vencido, mas Diego Farias desperdiçou chance clara. O tropeço laziale afastou o time da zona Champions: agora o Napoli tem vantagem de seis pontos sobre a quarta colocada.

Crotone 0-1 Fiorentina
Kalinic (Saponara)

Tops: Cordaz (Crotone) e Kalinic (Fiorentina) | Flops: Tonev (Crotone) e Sánchez (Fiorentina)

Kalinic deve ter algum pacto com a "zona Cesarini", o "Fergie time" ou qualquer apelido que você queira dar aos acréscimos. Mais uma vez no apagar das luzes o croata salvou a Fiorentina de tropeçar nas próprias pernas e em mais uma atuação pobre – na teoria, a viola ainda sonha com uma vaga europeia, mas os 48 pontos a deixam sete atrás de Atalanta e Inter. A equipe de Paulo Sousa fez o óbvio na Calábria e tomou as rédeas contra o Crotone, obrigando Cordaz a exibir seus dotes e fazer boas defesas, mas até o 90º minuto o placar era de 0 a 0 e cada time tinha acertado uma bola na trave – os rossoblù, com Falcinelli, e os toscanos com Ilicic. Foi aí que Saponara deu a Kalinic a chance de marcar seu 14º gol nesta Serie A e decidir o jogo.

Bologna 4-1 Chievo
Verdi (Krejci), Dzemaili (Di Francesco), Dzemaili (Verdi), Di Francesco (Maietta) | Castro (Inglese)

Tops: Di Francesco e Dzemaili (Bologna) | Flops: Cesar e Frey (Chievo)

Nesta partida entre duas equipes sem ambições no campeonato, o placar foi absolutamente inesperado: nos últimos anos, Bologna e Chievo tem feito partida de poucos gols e nesta temporada seus ataques estão entre os piores da Serie A. Pois bem, coube a Dzemaili, Di Francesco e Verdi criar um roteiro bem diferente para o que se imaginava para o decorrer da tarde no Renato Dall'Ara. Foram os veroneses de Maran que abriram o placar, ainda no primeiro tempo, graças ao argentino Castro, mas os bolonheses de Donadoni voltaram com outra atitude após o intervalo. A entrada de Di Francesco e a saída de Destro mudaram o time, que conseguiu marcar quatro gols em meia hora: Verdi fez o primeiro, aos 61, e depois o Bologna só cresceu, ao ponto de marcar duas vezes nos acréscimos. Quem diria, hein?

Udinese 4-1 Palermo
Théréau (Samir), Zapata, De Paul, Jankto | Sallai (Aleesami)

Tops: Zapata e Samir (Udinese) | Flops: González e Goldaniga (Palermo)

Nem mesmo contra um time sem aspirações no campeonato o Palermo consegue pontuar. Diante da Udinese, a equipe siciliana até conseguiu largar na frente, depois que uma boa jogada de Aleesami pela beirada esquerda do gramado acabou no gol de Sallai. Ainda no primeiro tempo, a Udinese empatou, usando também a força do seu lado esquerdo, que contou com Samir e Jankto inspirados. Na segunda etapa, os friulanos simplesmente destruíram os rosanero em menos de 20 minutos: o colombiano Zapata, com moral após receber a primeira convocação para a seleção cafetera, foi destaque do jogo, ganhando os duelos na área e ajudando o time. Ele marcou o segundo e ainda participou do gol de De Paul, ao passo que Jankto fechou o placar e só aumentou o drama palermitano.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 28ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Cordaz (Crotone); Maietta (Bologna), Rugani (Juventus), Bruno Alves (Cagliari), Samir (Udinese); Mati Fernández (Cagliari), Dzemaili (Bologna), Strootman (Roma), Di Francesco (Bologna); Gómez (Atalanta); Dzeko (Roma). Técnico: Gian Piero Gasperini (Atalanta).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo [em breve].

sexta-feira, 17 de março de 2017

Italianos na Europa, semana 10: Senhora... Senhora!

A bola e a joia: Dybala classificou a Juve e será fundamental contra o Barcelona (Reuters)
Título livremente inspirado neste meme aqui.

Só restou a Velha Senhora. O mais forte time italiano dos últimos anos é o único sobrevivente entre as seis equipes do Belpaese que participaram das competições europeias na temporada 2016-17. Após a eliminação protocolar contra o Porto, a Juventus não terá vida fácil nas quartas de final da Liga dos Campeões: enfrentará o Barcelona, contra o qual foi derrotada na final da competição, dois anos atrás.

Os times costumam fazer confrontos equilibrados – em fases classificatórias da Champions League nunca um time saiu vencedor no tempo normal –, mas pode ser o momento para a revanche bianconera. Afinal, embora o Barça esteja motivado pela sensacional classificação com direito a virada nos acréscimos e 6 a 1 sobre o Paris Saint-Germain, é inegável que o time de Messi, Neymar, Suárez e Iniesta já atravessou momentos de maior solidez. Justamente o atributo que sobra na equipe treinada por Allegri e embalada por uma fortíssima espinha dorsal: Buffon, Bonucci, Daniel Alves, Alex Sandro, Khedira, Dybala e Higuaín.

Diante do Porto, na terça-feira, a Juventus entrou em campo com o regulamento debaixo do braço e com uma folgada vantagem – uma vez que tinha vencido a partida de ida por 2 a 0 no Estádio do Dragão. Quase que no piloto automático, a Velha Senhora não forçava o ritmo e estava satisfeita com um confronto físico, quase estéril no meio-campo. Até que, no final do primeiro tempo, em cobrança de escanteio, Casillas deu rebote e o gol acabou ficando quase aberto – não fosse Maxi Pereira, que evitou um gol dos donos da casa ao saltar com os braços à frente do corpo. Pênalti claríssimo e expulsão para o uruguaio.

Depois que Dybala converteu a cobrança e o Porto precisava marcar três gols e com um jogador a menos, a passagem dos italianos à próxima fase já estava sacramentada: Buffon praticamente assistiu de camarote ao restante do jogo e só viu um chute de Tiquinho Soares lhe ameaçar. Classificação incontestável.

Desilusão no Olímpico: Roma e Lyon fizeram dois jogaços e os franceses levaram a melhor (Getty)
Final antecipada, mas sem o vice
Roma e Lyon fizeram dois dos melhores jogos de toda a temporada europeia até aqui. O duelo franco entre as equipes de Luciano Spalletti e Bruno Génésio ficou marcado por futebol propositivo, alto número de chances de gol criadas e houve quem dissesse que italianos e franceses fizeram uma final antecipada da Liga Europa. Pois bem, eliminada pelo OL ainda nas oitavas, a Roma ficou longe do vice-campeonato, mas saiu da competição de cabeça erguida, pelo que apresentou.

Tal qual no Stade des Lumières, a partida no Olímpico começou em ritmo frenético. Aos 6 minutos, Rüdiger acertou a trave e, na sequência da jogada, Salah obrigou Anthony Lopes a fazer uma defesa plástica para mandar a bola para escanteio. Só que, embora a Roma mandasse no jogo, foi o Lyon que abriu o placar, complicando a vida dos donos da casa: em ação muito parecida com a do jogo de ida, o zagueiro Diakhaby apareceu na área e, mais uma vez, balançou as redes dos giallorossi.

A reação romana veio a cavalo e também em cruzamento na área. De Rossi cobrou falta com perfeição: seu lançamento milimétrico achou Strootman, que só desviou para as redes. O holandês teve a chance de marcar o seu segundo gol no jogo, mas Lopes – que fez grande partida –, fez dupla defesa em finalizações consecutivas do meio-campista. Ainda no primeiro tempo, o arqueiro português fez uma defesa importante, em chute colocado de Dzeko. Foi uma das poucas oportunidades do bósnio, que esteve sumido na partida.

Enquanto Dzeko pouco tocava na bola, Anthony Lopes dava seu show: assim que as equipes voltaram do intervalo, o goleiro defendeu um chute forte de Nainggolan. Ele só não conseguiu impedir que a pressão da Roma embaralhasse os pensamentos dos zagueiros, aturdidos pelo ritmo intenso aplicado pela Loba. Após Morel quase mandar contra o próprio patrimônio foi Tousart quem fez gol contra, ao tentar cortar cruzamento vindo da direita. Naquele setor, inclusive, El Shaarawy entrou com todo o gás e foi mais efetivo que Bruno Peres, que não estava 100% fisicamente.

O Pequeno Faraó levou a Roma a outro nível de jogo, cada vez com mais pressão – apenas aumentada após a entrada de Perotti, minutos depois. El Shaarawy fez uma bela jogada, mas finalizou a centímetros do gol (levando Spalletti à loucura) e ainda teve impedimento mal marcado, em lance que Dzeko concluiu para as redes.

Do lado do Lyon, Cornet teve duas ótimas chances em contra-ataques, mas isolou a primeira e obrigou Alisson a fazer uma defesaça na segunda: o brasileiro, um dos melhores em campo, mostrou tempo de bola e foi nos pés do francês, dando fim a um contra-ataque de três contra um. Alisson ainda fez defesaças diante de Tolisso e Fekir e foi para a área no último lance da partida – na confusão, Jallet tirou gol de El Shaarawy em cima da linha. Um jogo para ser recordado, principalmente pelos torcedores da Roma: estes lamentarão para sempre que Lacazette tenha tido a felicidade de marcar um golaço nos últimos minutos da partida de ida e arruinado os planos de um título europeu nesta temporada.

quinta-feira, 16 de março de 2017

Jogadores: Massimo Oddo

Tetracampeão mundial, Oddo teve carreira sólida com as camisas de Lazio e Milan (The Gentleman Ultra)
Quem o julga pelo futebol certamente esqueceu que ele ganhou tudo o que um atleta profissional poderia ganhar na Itália e na Europa. Massimo Oddo nunca foi um lateral espetacular, capaz de marcar época na Serie A, especialmente quando o comparamos com seu antecessor no Milan – ninguém menos que Cafu. No entanto, é inegável que o jogador italiano teve uma carreira cheia de títulos, como a do brasileiro.

Massimo estava predestinado a ser esportista. Nascido em uma família de atletas, ele é filho de Francesco Oddo, ex-jogador e treinador, e neto de Giovanni Oddo, campeão universitário de salto triplo. O jogador veio ao mundo em Pescara, na época em que seu pai militava pelo clube do Abruzzo, e começou sua vida como jogador nas categorias de base do Renato Curi, pequena equipe da região. Após ser campeão italiano sub-17, Massimo se transferiu para o Milan, em 1993. No entanto, ele não se juntaria às feras campeãs europeias e precisou de mais dois anos na equipe Primavera até subir ao time principal.

Apesar de ter concluído sua formação pelo Diavolo, Oddo sequer fez sua estreia com a camisa rossonera, o que só viria a acontecer apenas 12 anos depois. O jogador protagonizou uma verdadeira saga nas divisões inferiores e foi emprestado durante anos a times menores como Fiorenzuola, Prato, Lecco e Monza. Depois de se destacar em sua segunda pelo Monza e marcar quatro gols na Serie B – todos de falta, sua especialidade –, o lateral direito foi comprado pelo Napoli, que também disputava o torneio.

Oddo fez 36 jogos pelo clube napolitano, com um gol marcado, e ajudou o time do sul da Bota a retornar à elite. Sua estreia na Serie A, porém, aconteceria graças a um rival dos partenopei: o Hellas Verona, que o contratou junto ao Napoli. Em 2000-01, Oddo fez 32 partidas pelos mastini, anotou quatro gols (todos de pênalti) e atingiu, aos 24 anos, os primeiros grandes momentos de sua carreira. O lateral direito – que também podia ser improvisado como zagueiro central – ganhou notoriedade por sua força física, apoio potente, qualidade nos cruzamentos e nas bolas paradas, além de incontestável senso de liderança.

Oddo e Toni disputam espaço em um clássico entre Verona e Vicenza do início dos anos 2000 (Getty)
Na temporada 2001-02, o Verona foi rebaixado, mas Oddo havia consolidado seu nome no rol dos mais promissores laterais do país, a ponto de chamar atenção da Lazio, clube pelo qual escreveria as mais bonitas páginas de sua história como atleta. Massimo atuou pelo clube da capital durante cinco temporadas, se tornando inclusive capitão da equipe. Na Cidade Eterna, ele também mostrou sua agilidade como lateral, mas sobretudo aprimorou sua potência física e a habilidade nas cobranças de falta, que logo o fizeram ganhar espaço na seleção italiana. Na primeira convocação azzurra após a Copa do Mundo de 2002, o nome do jogador de Pescara estava na lista de Giovanni Trapattoni.

Oddo fez parte de fases opostas da Lazio. Em um primeiro momento, chegou a ganhar títulos, como o da Coppa Italia de 2004, e disputou também a Liga dos Campeões; embora também tenha vivido alguns dramas com os biancocelesti – como a possibilidade de rebaixamento nas temporadas 2004-05, em campo, e 2005-06, com as sanções infligidas ao clube pelo envolvimento no Calciopoli. Ainda assim, foi vestindo a camisa laziale que se tornou um membro frequente da seleção italiana: fez parte dos elencos da Euro 2004 e da Copa do Mundo de 2006. Tetracampeão mundial com a Nazionale, o lateral entrou em campo no segundo tempo da partida contra a Ucrânia, nas quartas de final da competição.

Além de ter sido titular absoluto da Lazio, Massimo Oddo também se tornou capitão da equipe, após a saída de Fabio Liverani, em 2006. O lateral foi o símbolo do torcedor em campo e, não à toa, até hoje tem o carinho da Curva Nord. “A história não pode ser esquecida. Passei cinco anos na Lazio e fui capitão daquela equipe. Algo que vou levar para sempre”, disse. Em janeiro de 2007, a Lazio vivia delicada situação financeira e cedeu a uma oferta do Milan, que consistia em quase 8 milhões de euros mais o passe de Pasquale Foggia. Após 135 partidas e 17 gols com a camisa biancoceleste, Oddo voltava ao clube de Via Turati.

Em Milão, Oddo chegou para suprir carência de Cafu, lesionado. Embora tivesse seu futebol ora contestado pela torcida, rapidamente assumiu a titularidade e deu continuidade a uma história que começou anos antes. Atuou em 18 oportunidades em seus primeiros meses, sendo, inclusive, o titular na final da Champions League 2006-07, conquistada na revanche dos rossoneri sobre o Liverpool. Na temporada seguinte, já com o retorno de Cafu às atividades, manteve sua posição de titular durante boa parte da campanha milanista, participando de 32 jogos e faturando títulos importantes, como o da Supercopa Uefa e do Mundial Interclubes.

Oddo passou pelo Milan como juvenil, mas só estreou com a camisa rossonera aos 30 anos (Getty)
Em 2008, o jogador aceitou uma oferta do Bayern de Munique, clube ao qual foi emprestado por um ano e em que atuou ao lado do compatriota Luca Toni. A passagem pelo futebol alemão não foi tão frutífera para Oddo, que acabou perdendo espaço na Squadra Azzurra por causa da pouca utilização na Baviera – logo ele, que começara a gestão de Roberto Donadoni como dono da lateral direita da seleção italiana. Com a conclusão do contrato com os bávaros, retornou ao Milan e disputou mais duas temporadas, porém sem a mesma regularidade de outrora. Ainda assim, ganhou seu único scudetto, em 2011.

Reserva, Oddo fez apenas 21 jogos neste período e encerrou seu vínculo com os rossoneri na temporada 2011-12: ele tinha apenas mais um ano de contrato e foi cedido ao Lecce. No Via del Mare, o lateral direito teve seus últimos momentos como atleta profissional e, embora os salentini tinham sido rebaixados, Oddo encerrou a carreira dignamente, aos 36 anos.

Depois de deixar os gramados, Massimo rapidamente estudou e, após ganhar seu certificado como técnico profissional, iniciou sua carreira como treinador na base do Genoa, em agosto de 2013. No ano seguinte, retornou a sua cidade natal ao fechar contrato para ser treinador da equipe Primavera (sub-20) do Pescara. Com a demissão de Marco Baroni, na penúltima rodada da Serie B 2014-15, Oddo assumiu a equipe principal dos delfini e assumiu um cargo que, outrora, pertencera a seu pai. Até hoje, Francesco e Massimo formam a única dupla de pais e filhos a terem dirigido o mesmo time na história do futebol italiano.

Oddo assumiu o Pescara com a tarefa de, nos jogos que restavam, tentar levar o time aos play-offs de acesso para a primeira divisão. Ele conseguiu classificar o time para os jogos eliminatórios e fez páreo duro com o Bologna na final dos confrontos, mas os felsinei conseguiram retornar à elite por causa de critérios de desempate. O desempenho da equipe sob o seu comando agradou e ele foi mantido no cargo, elevando o patamar do Pescara e alcançando um improvável, mas incontestável acesso à Serie A.

Embora seja amado em Pescara e tivesse a confiança da diretoria, Oddo teria de fazer um milagre para manter a equipe na elite, já que o elenco ficava muito atrás do necessário para obter a salvezza. Com isso, a passagem do treinador na elite não durou nem uma temporada e, devido aos maus resultados, Oddo entrou em acordo com a diretoria para rescindir seu contrato com os biancoazzurri. Seu trabalho acabará sendo lembrado também pelas lágrimas derramadas durante a goleada que os pescareses sofreram diante do Torino: como se não visse soluções para melhorar a equipe, Massimo chorou no banco de reservas.

De férias até junho de 2017, no mínimo, Oddo agora espera uma nova chance para provar que pode ser vencedor como técnico, tal qual foi como atleta. Seu sonho de treinar o Milan segue vivo, uma vez que o clube sempre lhe deu apoio e até mesmo o parabenizou oficialmente, quando conseguiu os primeiros sucessos na nova fase da carreira. Recentemente, inclusive, o ex-lateral foi visto no centro de treinamentos da equipe Primavera dos rossoneri. Será que sua história com o clube de Milanello ainda não terminou?

Massimo Oddo

Nascimento: 14 de junho de 1976, em Pescara, Itália
Posição: lateral direito
Clubes como jogador: Renato Curi (1992-93) Milan (1993-95, 2007-08 e 2009-11), Fiorenzuola (1995-96), Prato (1996-97), Lecco (1997-98), Monza (1996 e 1998-99), Napoli (1999-2000), Verona (2000-02), Lazio (2002-07), Bayern Munique (2008-09) e Lecce (2011-12)
Títulos conquistados: Coppa Italia (2004), Serie A (2011), Supercoppa (2011), Uefa Champions League (2007), Supercopa da Uefa (2007), Mundial Interclubes (2007) e Copa do Mundo (2006)
Clubes como treinador: Pescara (2015-17)
Seleção italiana: 34 jogos e 1 gol

quarta-feira, 15 de março de 2017

Clubes italianos tentam vencer a burocracia para inaugurarem novos estádios

Projeto original do novo estádio da Roma, que já teve de ser
alterado por solicitação da prefeitura (Divulgação)
As últimas semanas foram cheias de novidades no extracampo do futebol italiano. A começar pela reeleição do presidente da Federação Italiana de Futebol – FIGC, Carlo Tavecchio, que terá mandato até 2020. Apoiado pela maior parte dos grandes clubes do país, o dirigente teve como um dos mantras na campanha a candidatura da Itália para sediar a Euro 2028. Proposta ousada, tendo em vista a situação financeira e estrutural do país, que também impacta no futebol – em especial, nos estádios.

Atualmente, apenas quatro no país estão na categoria 4 da Uefa, maior nível técnico de classificação medido pela administradora do futebol europeu: Olímpico (Roma), San Siro (Milão), Olímpico Grande Torino e Juventus Stadium (Turim). De forma geral, a última grande reforma nas praças futebolísticas do Belpaese aconteceu para a Copa do Mundo de 1990. Quase três décadas se passaram e muito pouco mudou.

Entre os estádios usados no Mundial, o Olímpico de Roma e o San Siro tiveram algumas reformas, estão na maior categoria da Uefa, mas ainda tem uma estrutura envelhecida – principalmente se os compararmos com outros grandes palcos do futebol europeu. Ambos continuam recebendo grandes jogos: a arena de Milão hospedou a final da Liga dos Campeões em 2016 e a romana será uma das sedes da itinerante Euro 2020, com jogos da fase de grupos e das quartas de final.

Enquanto o Delle Alpi (Turim) nem existe mais, Marcantonio Bentegodi (Verona), Renato Dall'Ara (Bolonha) e San Nicola (Bari) estão não estão em boas condições – especialmente o último, que teve problemas graves nos últimos anos. O Sant'Elia (Cagliari), um dos maiores elefantes brancos daquele Mundial, chegou a ser interditado pela prefeitura da cidade sarda e, após uma série de intervenções foi reaberto: adaptado, com três arquibancadas de metal em cima da pista de atletismo, está liberado para receber apenas ¼ da sua capacidade total.

Com fachada feita nos anos 1950 e renovada para a Copa de 1990, o San Siro é um dos mais
charmosos estádios do mundo, mas pode melhorar (Divulgação)
Pela participação dos clubes mandantes e concessionários em competições internacionais, os estádios Artemio Franchi (Florença), Luigi Ferraris (Gênova), Renzo Barbera (Palermo) e San Paolo (Nápoles) tiveram pequenas reformas nas tribunas e nos vestiários, mas as estruturas continuam obsoletas. O Friuli (Údine), hoje Dacia Arena, foi o único a ter sido remodelado – na verdade, reconstruído. Muito pouco sobrou do simpático estádio, que ganhou um belo visual e agora é de propriedade da Udinese, sob concessão de 100 anos junto à prefeitura.

>>> Saiba mais: Como a Copa de 90 ajudou a frear o futebol na Itália

A arena no nordeste italiano foi uma das primeiras de propriedade privada do país, diretamente ligada aos clubes – e ainda é uma das três da primeira divisão, ao lado das casas de Juve e Sassuolo. Pioneira, a Juventus acertou em cheio com o seu J-Stadium e abriu os olhos do outros clubes da Serie A. Em tempos de crise, com as prefeituras abarrotadas de dívidas e preocupadas com problemas sociais mais urgentes, os estádios não tiveram renovação ou reformas necessárias e se tornaram um dos principais motivos para a evasão dos torcedores e a queda de público do campeonato.

Por isso, depender do governo – em qualquer instância, municipal, regional ou nacional – não é mais uma opção para os clubes italianos. A Juventus aproveitou muito bem o terreno comprado junto à prefeitura de Turim para construir um centro esportivo e comercial, que vai muito além da arena, para dar uma experiência muito melhor para torcedores e turistas e aumentar a própria arrecadação. Pela força política da família Agnelli, conseguir o terreno e investidores não foi tão complicado, mas a burocracia italiana tem frustrado projetos similares.

Se, por um lado, a Udinese conseguiu construir seu estádio com o apoio de sua patrocinadora e o novato Sassuolo ganhou da patrocinadora Mapei sua casa (ainda que a alguns quilômetros de sua cidade), Inter, Milan, Roma e Napoli são exemplos de clubes grandes que esbarraram na burocracia. As prefeituras não têm sido favoráveis para os projetos de locais que poderiam mudar a cidade e ajudar a recuperar o crescimento. Porque, mesmo com investidores e planejamentos prontos, precisam do terreno e da aprovação do conselho municipal.

Fiorentina: o presidente Della Valle observa a maquete do estádio que o clube quer construir (La Repubblica)
Por exemplo, a Inter já estruturou um projeto para fazer uma grande reforma no San Siro, transformando o terceiro anel em uma área comercial, sem cadeiras, e realizando a renovação de todos os setores, banheiros, áreas de convivência e da parte externa do "Scala del Calcio". Claro, tornando o estádio de sua propriedade, ou em conjunto com o Milan. Hoje, os clubes administram o Giuseppe Meazza através de um consórcio e devem se reportar ao Conselho Municipal, além de pagar nove milhões de euros por ano pela concessão exclusiva de um estádio que não gera dividendos a não ser em dias de jogos.

O impasse está na aprovação do conselho local, mesmo que já exista o posicionamento favorável do prefeito Giuseppe Sala. Outro fator importante é a indefinição societária do Milan, em meio às negociações entre Fininvest e Sino-Europe Sports na passagem de propriedade do clube. A própria agremiação rossonera planejou há dois anos seu próprio estádio, na área de Portello, mas desistiu e recentemente teve que pagar cinco milhões de euros de indenização à prefeitura – o processo previa o ressarcimento de 40 milhões, mas as partes chegaram a um acordo.

Se no centro financeiro da Itália a burocracia emperra os projetos, na caótica capital não é diferente. Depois de muita luta, a Roma conseguiu uma abertura com a prefeita Virginia Raggi e relançou o plano de abrir sua nova casa até 2022, juntamente com uma grande área comercial que teria investimentos de cerca de 2 bilhões de euros, sendo 400 milhões destinados ao estádio com capacidade para 52 mil espectadores e possibilidade de expansão para 60 mil. O projeto teve de ser readequado por questões ambientais e por pedido da prefeitura: entre as modificações, as duas torres comerciais que seriam construídas na vizinhança não existirão mais.

Por sua vez, o Napoli, na figura do seu presidente, Aurelio De Laurentiis, tem travado uma guerra com o conselho municipal napolitano, que rejeitou os planos de reestruturação do San Paolo e não colabora com o clube na busca por uma área para construir um novo estádio. A falta de apoio dos municípios é um problema corriqueiro, de norte a sul da Velha Bota.

Na semana passada, a bola da vez foi a Fiorentina, que finalmente lançou o projeto de uma nova arena. O “Renascimento viola”, se inspira no histórico da cidade de Florença, berço do Renascimento italiano, e prevê uma arena para 40 mil espectadores a um custo de 420 milhões de euros e que deve levar dois anos para ser construída, a partir de 2019. O belo projeto do clube é audacioso, mas não há nenhuma certeza de que irá avante. Por enquanto, é apenas mais um entre tantos projetos.

O estádio Renato Dall'Ara e a histórica Torre de Maratona: é mais trabalhoso recuperar
um estádio com valor arquitetônico tão único (Tutto Bologna Web)
Outro clube que também está pensando em se renovar é o Cagliari, que também anunciou na última semana um plano para desocupar o Sant’Elia, antes de demoli-lo e construir um novo estádio no mesmo local. Enquanto erguem sua nova casa, os sardos pretendem usar as três arquibancadas de metal instaladas na pista de atletismo do estádio e a arquibancada principal da Is Arenas – outra praça cagliaritana já utilizada pelo clube, durante a interdição do Sant'Elia – e assim construir um campo improvisado no estacionamento, com lugar para pouco mais de 16 mil espectadores. Segundo o clube, o conselho municipal e o governo da região deram o aval e os trabalhos serão iniciados em abril.

Atalanta, Empoli e Torino já divulgaram planos para casas próprias, mas após mais de um ano desde que os projetos vieram à tona, muito pouco foi feito. O time de Turim, na verdade, decidiu transformar o histórico estádio Filadelfia em um complexo esportivo, com um campo principal para acomodar 4 mil lugares e campos secundários para treinamentos da equipe principal e Primavera, que mandará seus jogos lá. O Toro também transferiu a sede do clube para o local, e fará um museu e uma pousada para o setor juvenil. Já o Bologna e seus ambiciosos sócios tiveram a primeira aprovação para reformar o Renato Dall’Ara, um dos estádios mais antigos da Itália e conhecido mundialmente pela Torre de Maratona, que fica em uma das tribunas e foi concluída em 1929.

Entre projetos frustrados e novos anúncios, os clubes italianos tentam dar um passo importante para voltarem à grandeza, mas por enquanto esbarram na burocracia, na própria incompetência: na falta de dinheiro em caixa, faltam soluções criativas. Se a Udinese planeja ter lucro com seu estádio daqui a cinco anos, a Suning parece ter outras ideias para a Inter e os torcedores laziali estão em guerra com o presidente Lotito. Em meio a um ambiente de insegurança e com tantas realidades diferentes, ao menos os primeiros passos começam a ser dados. Resta saber se a caminhada continuará ou se acabará como grande parte dos projetos de arenas nos últimos anos: natimorta.

segunda-feira, 13 de março de 2017

28ª rodada: Beligerância e artilharia pesada

Às armas: rodada quente da Serie A acirrou rivalidades com a Juventus, cada vez mais líder (LaPresse)
Pega fogo, cabaré. A 28ª rodada do Campeonato Italiano começou com o clássico entre Juventus e Milan, agitado por mais uma polêmica arbitragem e terminou com uma alta média de gols: 3,2 por jogo. Confira como a Juve manteve a tranquilidade na ponta e também as vitórias de Roma e Napoli sobre rebaixados em potencial, a goleada impressionante da Inter sobre a Atalanta e mais um resultado positivo para a Lazio em sua caminhada rumo à Europa.

Juventus 2-1 Milan
Benatia (Daniel Alves), Dybala (pênalti) | Bacca (Deulofeu)

Tops: Dybala (Juventus) e Donnarumma (Milan) | Flops: Barzagli (Juventus) e Sosa (Milan)

"Sempre eles!", saiu esbravejando um irritadíssimo Donnarumma, indignado com o polêmico pênalti marcado no quarto minuto dos acréscimos do segundo tempo de Juventus e Milan. Gigio, que fez uma grande partida, recheada de defesas de alto nível (inclusive uma segundos antes da penalidade), estava frustrado com o gol marcado por Dybala, no apagar das luzes no J Stadium. A frase proferida por ele também encheu a boca dos rivais da Juve em toda a Itália, mas não apaga um fato: a Velha Senhora somou mais três pontos em uma partida importante e manteve a soberania na Serie A.

Antes de a bola tocar na mão de De Sciglio e o árbitro de linha Daniele Doveri iniciar as discussões na Velha Bota, a Juve não fazia uma partida brilhante, embora Dybala fosse muito perigoso e Donnarumma se esforçasse para segurar o empate. Dominante, mas sem grandes destaques individuais, a equipe bianconera saiu na frente depois que Benatia completou um passe por elevação de Daniel Alves. Pelos milanistas era Deulofeu quem tentava incendiar a partida, o que conseguiu após grande jogada e passe para Bacca, em impedimento milimétrico, empatar. No segundo tempo, com a saída de Barzagli e entrada de Lichtsteiner, o espanhol não teve a mesma facilidade no setor e a Juve cresceu, obrigando Donnarumma a trabalhar – a sequência de defesas sobre Khedira e Higuaín foi incrível. Com ajuda ou não da arbitragem, a Juve transformou o domínio no gol que decidiu a partida e continuou com oito pontos de vantagem na liderança, ao passo que o Milan perdeu contato com o pelotão que busca a Europa.

Inter 7-1 Atalanta
Icardi, Icardi (pênalti), Icardi (Banega), Banega (Candreva), Banega (Candreva), Gagliardini (Banega), Banega | Freuler

Tops: Icardi e Banega (Inter) | Flops: Berisha e Zukanovic (Atalanta)

Contra todas as expectativas, a Inter deu uma de Alemanha e atropelou a Atalanta, uma de suas rivais locais. A partida tinha tudo para ser complicada para o time de Milão: era confronto direto por vaga europeia contra sua asa negra, treinada por Gasperini, um técnico que nunca escondeu a vontade de revanche a cada partida contra a equipe que lhe descartara como um "professor pardal". Impecável e dominante, a Beneamata de Pioli deu uma lição de futebol aos orobici, que só puderam observar o atropelamento, construído ainda na primeira etapa.

A gestão Pioli parece chegar em seu auge: desde que o treinador chegou a Inter tem uma média de pontos equivalente a de times que brigariam pelo scudetto e a atuação diante da Atalanta coroou também o nível de futebol apresentado. O crescimento de produção de El Tanguito Banega parece a grande prova disto: o recital do meia, autor de três gols (pela primeira vez na carreira) e duas assistências, coincidiu com o instinto matador de Icardi, que anotou uma tripletta em um espaço de nove minutos, e a verve trabalhadora de Candreva, Gagliardini e Kondogbia. Enquanto a Inter apresentou o melhor de si, a Atalanta viu peças importantes sucumbirem: Berisha fez sua primeira defesa aos 86 minutos, enquanto Rafael Tolói, Caldara, Zukanovic e Kessié foram simplesmente engolidos. Ainda assim, a torcida bergamasca lotou o centro de treinamentos da equipe para apoiar a equipe após a goleada. Pudera: a vaga na Liga Europa ainda é possível – enquanto para a Inter, o sonho é alcançar a Liga dos Campeões.

Palermo 0-3 Roma
El Shaarawy (Grenier), Dzeko (Nainggolan), Bruno Peres (Strootman)

Tops: Aleesami (Palermo) e Nainggolan (Roma) | Flops: Sallai (Palermo) e Salah (Roma)

Ainda vice-líder. Spalletti promoveu algumas mudanças no time titular da Roma, depois do cansativo jogo da Liga Europa em Lyon, e se não viu a sua equipe brilhar, ao menos saiu satisfeito por um resultado elástico contra o Palermo, virtual rebaixado – e que "estreava" seu novo presidente, o jornalista, humorista e empresário Paul Baccaglini. Os rosanero assustaram logo no início, quando Nestorovski ia contando com uma falha grotesca de Szczesny para abrir o placar, mas a arbitragem assinalou impedimento de Aleesami no lance. Ainda no primeiro tempo, El Shaarawy recebeu passe de Grenier, que estreava como titular, e abriu o placar. Após o intervalo os donos da casa puseram pressão e quase empataram, mas dessa vez Szczesny respondeu com defesas seguras. Foi aí que Dzeko, que entrou no segundo tempo, marcou um bonito gol e deu a tranquilidade necessária para os visitantes. Bruno Peres ainda marcou o terceiro na reta final da partida e fechou a conta no Renzo Barbera.

Napoli 3-0 Crotone
Insigne (pênalti), Mertens (pênalti), Insigne (Jorginho)

Tops: Insigne (Napoli) e Cordaz (Crotone) | Flops: Pavoletti (Napoli) e Dussenne (Crotone)

No dia em que completou 200 jogos pelo Napoli, Insigne foi o grande destaque de uma vitória folgada, mas nada brilhante dos azzurri sobre o virtual rebaixado Crotone. Diante de um San Paolo lotado, a equipe partenopea encontrou dificuldades por causa da boa exibição do goleiro Cordaz e pela má fase de Pavoletti, que ainda não marcou nenhum gol em sete jogos pelo clube. Após Insigne cavar e converter uma penalidade, a partida se abriu um pouco para o time da casa, mas foi somente após Sarri sacar o centroavante contratado junto ao Genoa para dar espaço a Mertens que o time se soltou de verdade. Hamsík se atirou e conseguiu um segundo pênalti, convertido pelo belga, e pouco depois Jorginho deu um lindo passe para Insigne marcar sua doppietta e fechar o placar. Vale destacar que a equipe conseguiu ter 81% de posse de bola, mas não a transformou em uma goleada ainda maior. O melhor Napoli da temporada nem chegou perto de ser visto neste domingo ensolarado na Campânia.

Show de Banega e Icardi manteve a Inter sonhando com uma vaga na Liga dos Campeões (Getty)
Lazio 3-1 Torino
Immobile, Keita, Felipe Anderson (Lulic) | Maxi López (Iturbe)

Tops: Keita (Lazio) e Iturbe (Torino) | Flops: Milinkovic-Savic (Lazio) e De Silvestri (Torino)

No duelo entre os goleadores Immobile e Belotti, melhor para o laziale: Ciro colocou a lei do ex em prática e abriu o caminho para uma suada vitória da equipe romana, que continua na quarta colocação e viva por uma vaga na Champions. Após um primeiro tempo de raras chances, os gols saíram após o intervalo: começou com Immobile, aproveitando cruzamento de Basta desviado pela defesa, enquanto o Torino empatou com Maxi López, em cabeçada esperta. As duas equipes buscavam ataques laterais, seja com Felipe Anderson ou Iturbe, mas foi Keita quem decidiu o jogo: o senegalês marcou de fora da área, em chute de rara felicidade, e ainda contribuiu para o gol derradeiro, marcado por Felipe Anderson. Difícil entender porque Inzaghi prefere que ele comece a maior parte das partidas no banco de reservas.

Genoa 0-1 Sampdoria
Muriel

Tops: Muriel e Schick (Sampdoria) | Flops: Ntcham e Pinilla (Genoa)

O Derby della Lanterna costuma ser muito quente dentro e fora do campo, mas dessa vez Genoa e Sampdoria fizeram uma partida morna e sem expulsões – a não ser uma entrada dura de Burdisso sobre Muriel, que fez o colombiano sangrar, não houve mais lances ríspidos. Melhor em campo, a formação blucerchiata teve no habilidoso Schick e no cada vez mais maduro Muriel as suas grandes peças para desestabilizar a defesa adversária. Pouco depois de acertar a trave, foi exatamente o atacante colombiano que aproveitou o erro de passe de Ntcham para anotar o único gol do clássico. O francês, que havia sido decisivo a favor de seu time nos dois últimos fins de semana, parece ter se inspirado em um doriano, Toninho Cerezo, e cruzou a bola na entrada de sua área. Fatal e histórico: havia 57 anos que a Samp não vencia os dois clássicos da cidade na mesma temporada.

Fiorentina 1-0 Cagliari
Kalinic (Tello)

Tops: Bernardeschi (Fiorentina) e Borriello (Cagliari) | Flops: Rodríguez (Fiorentina) e João Pedro (Cagliari)

Era dia de festa em Florença pelos 90 anos da Fiorentina e as homenagens a estrelas do passado do clube foram a nota mais feliz do dia violeta. Isso porque a equipe treinada por Paulo Sousa escapou por pouco de um tropeço contra o Cagliari: o gol de Kalinic foi marcado somente nos acréscimos do segundo tempo, graças a uma pequena falha do goleiro Rafael. Antes, Borriello importunou a defesa da casa e Sau perdeu uma incrível chance de abrir o placar para os sardos – acabou acertando a trave, mesmo bem próximo ao gol. Os três pontos não escondem o quanto o treinador português parece ter perdido a mão do seu elenco: na reta final do jogo ele decidiu sacar Bernardeschi, o craque do time na temporada e um dos poucos a mostrarem lucidez neste domingo.

Sassuolo 0-1 Bologna
Destro (Dzemaili)

Tops: Dzemaili e Destro (Bologna) | Flops: Berardi e Aquilani (Sassuolo)

Sem objetivos no campeonato, Sassuolo e Bologna fizeram um confronto familiar – literalmente. Enquanto Eusebio Di Francesco comandava os neroverdi à beira do campo, seu filho Federico fazia mais uma boa partida pelo bolonheses. Foi exatamente o atacante que saiu vitorioso neste domingo, graças ao solitário gol marcado por Destro, que encerrou um jejum de um mês sem balançar as redes. Se do lado do Sassuolo Berardi ainda parece fora de forma e Aquilani decepcionou, pelo Bologna Dzemaili mostrou outra vez a sua importância. O suíço será uma perda do time para a próxima temporada, uma vez que já assinou contrato com o Montréal Impact, da MLS.

Chievo 4-0 Empoli
Inglese (Cacciatore), Pellissier (Birsa), Birsa (Inglese), Cesar

Tops: Birsa e Cacciatore (Chievo) | Flops: Bellusci e Dioussé (Empoli)

Levar 4 a 0 do Chievo é para poucos e o Empoli sabe disso: só não será rebaixado por pura incompetência de Pescara, Crotone e Palermo. Pior ataque do campeonato – somente 15 gols, menos que os seis primeiros goleadores da Serie A –, o time azzurro se esforça para ampliar os números negativos também na defesa. Dessa vez, porém, o Chievo teve muitos méritos para alcançar o placar elástico: Birsa não tomou conhecimento do promissor volante Dioussé e dominou as ações na intermediária, ao passo que Inglese usou seu porte físico para ser soberano na grande área. Como os clivensi tem um lateral que é muito bom no apoio, o experiente Cacciatore, ficou fácil vencer a maior parte dos duelos em todos os setores do campo e ganhar a partida com facilidade.

Pescara 1-3 Udinese
Muntari | Zapata (Jankto), Jankto (Hallfredsson), Théréau (Jankto)

Tops: Jankto e Samir (Udinese) | Flops: Bovo e Bruno (Pescara)

O bom e velho Zeman. Após aplicar um sonoro 5 a 0 no Genoa na estreia do técnico checo, o Pescara chegou a sua terceira derrota consecutiva – duas delas por 3 a 1. Dominante em toda a partida, a Udinese contou com o jovem Jankto (outro checo em destaque no Adriatico) para abrir 3 a 0 com facilidade e garantir a sua primeira vitória após cinco jogos sem triunfo. Já aos 20 minutos, Jankto participou de jogada ensaiada e levantou na área para Zapata marcar seu segundo gol em uma semana, deixando para trás o jejum. Após o intervalo, o meia eslavo apareceu novamente, dessa vez para completar uma cobrança de falta e fazer o segundo e, cinco minutos depois, para tabelar com Théréau e deixar o francês em condições de fazer o terceiro. O experiente Muntari descontou, já no final, fazendo valer a lei do ex, enquanto a torcida da Udinese ainda reviu o promissor goleiro Scuffet. Ele surgiu bem três anos atrás, mas estagnou, e ganhou oportunidade ao substituir Karnezis, que lesionou a mão direita.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 27ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Donnarumma (Milan); Cacciatore (Chievo), Benatia (Juventus), Hoedt (Lazio), Ansaldi (Inter); Candreva (Inter), Banega (Inter), Gagliardini (Inter), Jankto (Udinese); Birsa (Chievo), Insigne (Napoli); Icardi (Inter). Técnico: Stefano Pioli (Inter).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.

quinta-feira, 9 de março de 2017

Italianos na Europa, semana 9: Amarga sensação

Caiu em pé: Napoli mais uma vez jogou bem, mas não superou o Real Madrid (Foto Mosca)
Infelizmente não deu. O placar no jogo de ida tornava a missão difícil, mas o Napoli fez o que estava a seu alcance para tentar passar pelo Real Madrid. Embora tenha tido bons momentos, a equipe da Campânia sucumbiu à força de Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos e companhia limitada e acabou eliminada da Liga dos Campeões. O agregado de 6 a 2 até dá a entender que houve desequilíbrio no confronto das oitavas de final, mas os azzurri foram capazes de fazer o seu jogo na ida e na volta, o que já é um enorme mérito.

Assim como no Santiago Bernabéu, a partida no San Paolo terminou 3 a 1 para os merengues. Tal qual na capital espanhola, começou com o Napoli na frente e propondo o jogo, colocando o Real Madrid na roda em diversas partes da primeira etapa. Algo digno do show proporcionado pela torcida partenopea, que lotou o estádio e fez ecoar em Fuorigrotta os gritos de incentivo à equipe. No entanto, havia Sergio Ramos no meio do caminho.

O Napoli conseguiu manter a vantagem no placar até o intervalo – por mais tempo do que foi capaz em Madrid. Na volta dos vestiários, porém, os madrilenhos chegaram decididos a fazer o gol de Mertens parecer obra do acaso. Em duas jogadas aéreas, aos 51 e aos 57 minutos, Ramos surgiu imperioso para anotar o que seria seu doblete – se a Uefa não tivesse atribuído o segundo tento a Mertens, que desviou a bola antes que ela ultrapassasse a meta de Reina. A missão, que era dificílima, tornou-se impossível – os azzurri precisariam de quatro gols – e Morata, aos 90, deu o golpe de misericórdia, provocando a torcida e lembrando do seu passado juventino.

O presidente De Laurentiis foi duro com Sarri após a partida do Bernabéu, mas elogiou a equipe dessa vez. Sem pedir desculpas ao treinador, se disse privilegiado por ver o Napoli poder jogar de forma tão bonita contra um time poderoso como o Real Madrid e se referiu à atuação como "lição de futebol". Com um elenco tão jovem e gabaritado, adequado à filosofia do seu mentor, os azzurri poderão dar mais e mais aulas ao longo dos próximos anos na Champions.

Roma chegou a ter vantagem na França, mas permitiu a virada e a tranquilidade ao Lyon (Reuters)
Se o futebol de Sarri parece um metrônomo, de tão calculado e com passes tão precisos, Lyon e Roma protagonizaram um verdadeiro caos criativo no Parc OL. O duelo entre duas das melhores equipes da Liga Europa aconteceu cedo, ainda nas oitavas de final, e cumpriu com o esperado: muita intensidade, qualidade técnica à toda e muitas chances criadas e concluídas a gol, em um confronto de duas viradas no placar. Ao todo, a rede balançou seis vezes na França, quatro a favor dos donos da casa e duas para os visitantes.

Logo no início, a Roma tentou colocar pressão para cima do goleiro Anthony Lopes, mas foi o Lyon que saiu na frente, aos 8 minutos. Em uma jogada de falta ensaiada, Diakhaby apareceu livre no segundo pau para aproveitar uma casquinha dada na bola na primeira trave. O jovem zagueiro, porém, passou de herói a vilão em 12 giros do relógio e escorregou bem na frente de Salah, quando tinha a jogada sob controle. O egípcio avançou com sua habitual velocidade e só deslocou Lopes para empatar a peleja. Lá e cá, o jogo acabou indo para o intervalo com a Roma em vantagem, graças a mais um gol de cabeça de Fazio nesta temporada.

No retorno para o intervalo, a equipe treinada por Bruno Génésio simplesmente dominou os comandados de Luciano Spalletti. Aos 47 minutos, com os times ainda frios, Lacazette e Tolisso tabelaram bonito e o volante acertou um bonito chute, sem chances para Alisson. O goleiro brasileiro ratificaria ao longo de todo o segundo tempo que não está fora de forma, com defesas fundamentais para manter o empate, negando Ghezzal, Lacazette e Valbuena. 

No entanto, Fékir, que entrou na segunda etapa, fez uma grande jogada pouco depois de substituir Mammana e acertou um chute de rara felicidade, virando o placar aos 74. A partida ganharia em intensidade e em nervosismo, com chances para os dois lados, mas com leve superioridade dos lioneses. Alisson garantia o 3 a 2, que não era o pior resultado do mundo para a Roma, já que um simples 1 a 0 na Cidade Eterna na próxima semana seria o suficiente para a classificação. Lacazette, porém, mostrou que está no auge do seu futebol e, no segundo minuto de acréscimo, acertou um petardo no ângulo e decretou o 4 a 2 como placar final da partida. 

O que sobra é um resultado bastante amargo para os romanos, que agora veem sua vida muito mais complicada para a volta. A frustração giallorossa nesta noite vai para a conta de Spalletti, que demorou para mexer na equipe (e foi mal nisso) e ainda morreu com uma substituição para fazer – El Shaarawy só entrou em campo após o gol do atacante francês. Com isso, a Roma chega a três derrotas seguidas, que podem comprometer o seu destino nas três competições que disputa: além do fracasso no Parc OL, a equipe caiu para a Lazio na ida das semifinais da Coppa Italia e perdeu em casa para o Napoli, vendo a Juventus abrir vantagem na Serie A. Te cuida, Luciano.

Os melhores jogadores italianos da Ligue 1

Verratti, Sirigu e Thiago Motta comandaram uma legião italiana em Paris (Pure People)
E lá vamos nós de novo: em mais uma edição do nosso especial sobre os jogadores italianos que fizeram sucesso em outros campeonatos europeus, é a vez de cruzarmos os Alpes e viajarmos para a França. O país pode até ter rivalidade com a Itália, mas tem muito mais coisas em comum do que a enorme variedade de queijos e vinhos. Para falar sobre os azzurri na terra dos Bleus, contamos com a colaboração de Eduardo Madeira, jornalista da Rádio Guarujá e titular do blog Europa Football e do informativo Le Podcast du Foot, especializado em futebol francês.

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Quando anotou 31 gols em uma única temporada pelo Middlesbrough, o artilheiro Fabrizio Ravanelli se credenciava a estar em qualquer equipe de ponta na Europa. O rebaixamento do clube inglês era o indício mais claro de que daria um salto na carreira e voltaria a ter o brilhantismo dos tempos de Juventus. Entretanto, o atacante de cabeça prateada optou pelo Olympique de Marseille.

Na época, ele justificou a transferência por querer estar em um time em condições de brigar por títulos e o OM seria ideal para isso. Duas temporadas e meia depois, Ravanelli deixou o clube sem erguer nenhum troféu, mas com uma idolatria impressionante, o que faz com que seja sempre muito bem-vindo até hoje ao Vélodrome.

Exemplos opostos nós observamos agora no rival Paris Saint-Germain. Também ídolos do clube, Thiago Motta e Verratti passaram a empilhar títulos na era milionária dos franceses e se fixaram entre os principais atletas do país. Hoje, Mario Balotelli, com seu histórico atribulado, tenta fazer o Nice surpreender e quebrar a hegemonia parisiense.

A trajetória dos jogadores italianos na França tem muitas dessas histórias. Algumas obscuras, de atletas desconhecidos na terra natal e que continuaram assim no exterior, mas outras tantas interessantes, como de Robert Cacchioni, que construiu toda a carreira na França e se tornou ídolo no Lyon.

Apesar de uma história não tão extensa, elencamos dez nomes de atletas italianos que conseguiram construir carreiras sólidas e se fixaram como jogadores históricos. Confira!

Critérios adotados
Para montar as listas, foi considerada a importância do jogador na história dos clubes que defendeu, qualidade técnica do atleta versus expectativa, identificação com as torcidas, grau de participação nas conquistas e respaldo atingido através da equipe. Listas são sempre discutíveis, é claro, e você pode deixar a sua nos comentários!

10º - Henri Alberto


Posição: goleiro
Clubes em que atuou: Lyon (1954-1956), Monaco (1956-1960), Sochaux (1960-1962), Grenoble (1962-1963), Ajaccio (1965-1967) e Avenir Club Avignonnais (1967-1968)
Títulos conquistados: Campeonato Francês (1961), Copa da França (1960) e Campeonato Francês da 2ª Divisão (1967)

Nascido em Paesana, Henri Alberto teve carreira totalmente desconhecida na Itália, mas bastante consistente na França. Nascido Enrico, o goleiro iniciou a carreira no Olympique Lyonnais, em 1954, nos primeiros anos de atividade do clube. O italiano gravou seu nome na história do OL em 1955, quando teve atuação monumental na vitória por 1 a 0 sobre o grande rival Saint-Étienne. Aquela foi o primeiro triunfo do clube no Geoffrey-Guichard, casa do ASSE. Pelo Lyon, atuou por duas temporadas e fez 50 jogos, até se transferir para o Monaco.

No clube monegasco, Alberto disputou posição com Abderrhamane Boubekeur e participou dos primeiros grandes títulos da equipe – no caso, o do Campeonato Francês, em 1961, e o da Copa da França, em 1960. Ele foi contemporâneo de jogadores históricos do clube, como Henri Biancheri e Michel Hidalgo. Já veterano, aos 34 anos, ainda foi campeão da segunda divisão com o Ajaccio.

9º - Andrea Raggi


Posição: lateral-direito e zagueiro
Clubes em que atuou: Monaco (2012-)
Títulos conquistados: Campeonato Francês da 2ª Divisão (2013)

Defensor de carreira sólida, mas discreta na Itália, Andrea Raggi chegou ao Monaco em 2012, após ter defendido a seleção sub-21 azzurra e clubes como Empoli, Palermo, Sampdoria, Bari e Bologna. Na época, o clube monegasco foi comprado pelo milionário russo Dimitri Rybolovlev e era treinado por Claudio Ranieri, que facilmente o tirou da segundona, onde se encontrava. Desde então, Raggi segue sendo um dos poucos que resistiu com o tempo e permanece no clube.

Atualmente, o lígure já não é mais titular absoluto, mas segue sendo uma peça útil ao técnico Leonardo Jardim, especialmente por poder atuar em todas as posições de defesa. Na quinta temporada no Louis II, Raggi acumula quase 180 jogos e nove gols pelo Monaco.

8º - Fabio Grosso


Posição: lateral-esquerdo
Clubes: Lyon (2007-2009)
Títulos: Campeonato Francês (2008), Copa da França (2008) e Supercopa Francesa (2007)

Em um dos últimos times realmente fortes do Lyon, Fábio Grosso estava entre os titulares. Não chegou a ser exatamente um protagonista, mas o cobrador do pênalti que deu o tetra para a seleção italiana foi titular absoluto e peça de confiança do último OL campeão francês, em 2008.

Embora nunca tenha chegado a ser amado pela torcida, Grosso fez 71 jogos e anotou três gols com a camisa do Lyon, tendo sido convocado para defender a Itália na Eurocopa e na Copa das Confederações durante seu biênio na França. O jogador deixou o clube em 2009 para retornar ao país natal e vestir a camisa da Juventus.

7º - Flavio Roma


Posição: goleiro
Clubes: Monaco (2001-2009 e 2012-2014)
Títulos: Copa da Liga (2003) e Campeonato Francês da 2ª Divisão (2013)

Flavio Roma chegou ao Monaco em 2001, quando tinha 27 anos e era quase desconhecido do público estrangeiro: teve temporadas boas na Serie B, por Chievo e Piacenza, e apenas uma na elite, na qual não salvou os piacentinos do descenso. Na primeira temporada na França, não rendeu no time de Didier Deschamps: sofrendo com as lesões, o italiano jogou pouco e promoveu uma disputa por posição com o senegalês Tony Sylva. No ano seguinte, porém, recuperado, tornou-se titular absoluto e manteve esse status até o término da temporada 2007-08, quando perdeu espaço para o jovem Stéphane Ruffier.

Entre 2009 e 2012, foi o terceiro goleiro do Milan e retornou ao clube francês em 2012, onde disputou duas temporadas apenas para encerrar a carreira. Ao todo, o goleiro fez quase 250 jogos com a camisa do Monaco e, como marca, carrega o status de goleiro titular e um dos líderes da equipe que foi vice-campeã europeia em 2004. Nessa fase da carreira, chamou a atenção da Itália, recebeu oito convocações para a Nazionale e chegou a entrar em campo em três amistosos.

6º - Salvatore Sirigu


Posição: goleiro
Clubes: Paris Saint-Germain (2011-2016)
Títulos: Campeonato Francês (2013, 2014, 2015 e 2016); Copa da Liga (2014, 2015 e 2016); Copa da França (2015 e 2016); Supercopa da França (2013, 2014, 2015 e 2016)

Um dos alvos da captação de Leonardo no futebol italiano, Salvatore Sirigu chegou ao PSG em 2011, ao mesmo tempo em que chegaram os cataris da Qatar Sports Investiments (QSI). Por quatro temporadas, o goleiro que brilhara no Palermo foi titular absoluto e com rendimento de alto nível – o que lhe colocava, sem exagero, como um dos principais arqueiros do continente europeu.

No período como titular em Paris, o italiano foi eleito melhor goleiro da temporada em 2013 e 2014 e ainda quebrou um recorde de Bernard Lama ao ficar 948 minutos sem sofrer gols na Ligue 1. Entretanto, Sirigu entrou em desgraça a partir da temporada 2015-2016, com a chegada de Kevin Trapp. Ele foi sumariamente colocado no banco de reservas e, nesta temporada, foi emprestado para Sevilla e, posteriormente, Osasuna, tentando retomar o bom desempenho.

5º - Robert Cacchioni


Posição: zagueiro e meio-campista
Clubes: Lyon (1970-1977) e Gazélec Ajaccio (1977-1980)
Títulos: Copa da França (1973)

Nascido em Roma, Cacchioni construiu toda a carreira na França. Defendeu o Lyon entre 1970 e 1977, sendo peça importante de um clube que estava começando a se firmar no cenário nacional. Em sete anos, atuou por mais de 200 vezes por Les Gones e ajudou a equipe a conquistar a Copa da França em 1973, a terceira em sua história.

Volante e defensor central, Cacchioni atuou ao lado de jogadores históricos do Lyon, como Raymond Domenech, Serge Chiesa e Fleury Di Nallo, se notabilizando como um dos italianos mais bem-sucedidos do futebol francês nos anos 1970. O italiano ainda atuou três anos na segunda divisão ao defender o Gazélec Ajaccio, situado na Córsega, ilha francesa vizinha da Sardenha.

4º - Marco Verratti


Posição: meio-campista
Clubes: Paris Saint-Germain (2012-)
Títulos: Campeonato Francês (2013, 2014, 2015 e 2016); Copa da Liga (2014, 2015 e 2016); Copa da França (2015 e 2016); Supercopa da França (2013, 2014, 2015 e 2016)

Uma das grandes joias do futebol italiano nos tempos recentes, Marco Verratti foi buscado pelo PSG em 2012, quando ainda estava no Pescara. Mesmo aos 20 anos, ele se destacou pelo controle de bola e o domínio no meio-campo, suficientes para ajudar a equipe treinada por Zdenek Zeman a levantar o título da Serie B naquele ano. Foi o checo, aliás, que transformou Verratti em regista, já que ele atuava mais avançado no meio-campo.

Apesar das sondagens de outros clubes, como a Juventus, por exemplo, Verratti se manteve em Paris e empilhou títulos com o milionário PSG. Além disso, o meia foi eleito jogador jovem do ano na França em 2014, melhor estrangeiro da Ligue 1 em 2015 e enquadrado na seleção da temporada em 2013, 2014, 2015 e 2016. É um verdadeiro prodígio vencedor e o presente e o futuro da seleção italiana.

3º - Fabrizio Ravanelli


Posição: atacante
Clubes: Olympique Marseille (1997-1999)
Títulos: nenhum

Consagrado por ótimas temporadas na Juventus, Fabrizio Ravanelli parou no Marseille após algo que ele mesmo considerou um “erro sério”. Falamos especificamente da transferência para o Middlesbrough, na temporada 1996-1997. O atacante declarou que não conhecia nada do clube e da estrutura. Mesmo marcando mais de 30 gols, não evitou o rebaixamento do Boro e acabou se transferindo para o OM.

Foram duas temporadas e meia na França, tendo como destaque 1998-1999. Ravanelli foi às redes 13 vezes em 29 partidas e foi peça-chave do time que foi vice-campeão da Copa Uefa, perdendo para o Parma, e do vice do Campeonato Francês, em um torneio com fina polêmico: até hoje os marselheses reclamam de uma suposta “entrega” do Paris Saint-Germain no jogo decisivo diante do Bordeaux, que se consagrou campeão naquele ano. Na metade da temporada seguinte, o italiano retornou à Velha Bota, deixando o OM com 30 gols em 84 jogos. Apesar do curto período e de nenhum troféu erguido, Ravanelli se tornou um grande ídolo do Marseille pela vontade em vestir a camisa do time em uma época de vacas magras.

2º - Thiago Motta


Posição: meio-campista
Clubes: Paris Saint-Germain (2012-)
Títulos: Campeonato Francês (2013, 2014, 2015 e 2016); Copa da Liga (2014, 2015 e 2016); Copa da França (2015 e 2016); Supercopa da França (2013, 2014, 2015 e 2016)

O ítalo-brasileiro Thiago Motta é, certamente, um dos jogadores mais bem-sucedidos do futebol europeu desse século: desde 2001 no continente, conquistou sete campeonatos nacionais e duas Ligas dos Campeões. Em Paris desde 2012, após ser adquirido junto à Inter, Motta acumulou 13 títulos pelo PSG, sob efeito da onda milionária da Qatar Sports Investiments, que abastece o clube financeiramente.

Mesmo enfrentando algumas sérias lesões, o meio-campista soma 194 partidas pelos parisienses, com 11 gols marcados. Seja no 4-4-2 de Carlo Ancelotti ou no 4-3-3 de Laurent Blanc, Motta quase sempre tinha uma vaguinha no meio-campo como meio-campista central, articulando a saída de bola parisiense. Aos 34 anos e sem o vigor físico de antes, o volante nascido em São Bernardo do Campo se encaminha para o fim da carreira, mas segue deixando o nome registrado na história do Paris.

1º - Marco Simone


Posição: atacante
Clubes: Paris Saint-Germain (1997-1999); Monaco (1999-2001 e 2002-03) e Nice (2004)
Títulos: Copa da França (1998), Copa da Liga (1998), Supercopa da França (1998) e Campeonato Francês (2000)

A megalomania do Paris Saint-Germain nas janelas de transferências sempre esteve na raiz do clube, mesmo antes de ser milionário. Fruto de uma dessas loucuras foi a contratação de Marco Simone em 1997: destaque do Milan e com reputação internacional, o italiano foi comprado em uma troca que envolveu a ida de Leonardo para a Itália. Em dois anos na capital francesa, Simone se notabilizou como o homem das decisões. No jogo final da Copa da Liga, fez o gol que levou a partida diante do Bordeaux para a prorrogação. Nos pênaltis, converteu a segunda cobrança e viu o PSG erguer o troféu, a exemplo do que foi visto na final da Copa da França diante do Lens, quando marcou o segundo gol da vitória por 2 a 1. No ano seguinte, o italiano fez um dos gols da vitória do Paris elo mesmo placar no clássico sobre o Marseille, que ajudou a tirar o título francês do grande rival.

O ponto alto de sua carreira, entretanto, foi no Monaco. Formando uma letal dupla de ataque com David Trezeguet, conquistou, em 2000, aquele que foi o último título de Campeonato Francês do time monegasco. Simone anotou 21 gols, enquanto o francês fez 22 – ou seja, 43 dos 69 gols foram dos dois. Aquele foi o último grande momento do italiano, que se desentendeu com Deschamps, perdeu espaço no Principado e voltou à Itália em 2001, emprestado ao Milan. Em sua volta ao Monaco, atuou em somente cinco partidas, antes de ter uma fracassada passagem pelo Nice, onde não fez sequer dez jogos. Apesar do fim melancólico, nenhum jogador do Belpaese foi tão decisivo na França quanto Simone, que ainda foi treinador dos alvirrubros entre 2011 e 2012. Na França, já dirigiu o Tours e hoje está à frente do Laval, da segundona.

domingo, 5 de março de 2017

27ª rodada: Sorte de campeã

Mesmo tropeçando, Juve contou com derrota da Roma para abrir vantagem na liderança da Serie A (LaPresse)
A Juventus tinha ganhado muitos jogos, perdido poucos e empatado nenhum. Neste fim de semana, alcançou a primeira igualdade em uma partida em que era favoritíssima à vitória: tropeçou, portanto. No entanto, não caiu de joelhos, mas de pé, e ainda deu uma leve pisadinha no calo da Roma, que perdeu sua partida e viu a Velha Senhora dar um pequeno passo rumo ao título. As vitórias de Napoli, Inter, Milan, Lazio e Torino – os dois últimos times comandados por seus goleadores, Immobile e Belotti – também foram destaque do fim de semana. Confira.

Udinese 1-1 Juventus
Zapata (Danilo) | Bonucci (Dybala)

Tops: Zapata e Danilo (Udinese) | Flops: Badu (Udinese) e Pjanic (Juventus)

Com o Friuli mais uma vez lotado, uma Udinese sem objetivos no campeonato esteve empolgada contra a líder Juventus e por pouco não derrubou a Velha Senhora. Enquanto os visitantes fizeram uma de suas piores partidas na temporada, estiveram apáticos e não transformaram o domínio da posse de bola em criação de oportunidades e vantagem tática e territorial, os anfitriões aproveitaram os espaços para fazer o que sabem: correr e lutar.

Dessa forma, o time de Delneri levou mais perigo e realmente poderia ter ganhado a partida. Até porque Zapata desencantou depois de três meses sem marcar e superou Bonucci para abrir o placar no final do primeiro tempo. Contudo, o zagueiro juventino se redimiu com o gol de empate, em cobrança de falta de Dybala, que foi o reflexo do time: apático, mas decisivo para evitar a derrota. Este foi o primeiro empate dos bianconeri de Turim no campeonato, mas o tropeço ainda serviu para que a Juve aumentasse sua vantagem na ponta da tabela para oito pontow, já que a Roma perdeu para o Napoli, que está 10 pontos atrás. Para os friulanos, fica a tristeza pela lesão de Fofana, que não jogará mais nesta temporada por causa de uma fratura no perônio.

Roma 1-2 Napoli
Strootman (Perotti) | Mertens (Hamsík) e Mertens (Insigne)

Tops: Mertens e Reina (Napoli) | Flops: Fazio e Rüdiger (Roma)

Reagindo imediatamente após a dura derrota para a Atalanta em casa, o Napoli bateu uma empolgada Roma em pleno Olímpico e mostrou para os rivais que a briga pela vaga direta à fase de grupos da Liga dos Campeões será apertada. Além do mais, ampliou a vantagem para os adversários que se encontram logo abaixo. Para isso, o time de Sarri reencontrou Mertens em grande forma e também contou com as mudanças decisivas de Spalletti que levaram o seu time ao desequilíbrio, que o baixinho belga muito bem aproveitou. Com Salah e Bruno Peres no banco, os anfitriões saíram do 3-4-2-1 para o 4-2-3-1 e perderam o equilíbrio defensivo, expondo Fazio contra Mertens.

Ainda assim, foi El Shaarawy o jogador mais perigoso nos primeiros minutos, levando vantagem sobre Hysaj. Faltou precisão na conclusão das jogadas, o que sobrou para os visitantes: no primeiro ataque, Hamsík lançou o camisa 14 nas costas de Fazio, para que ele aproveitasse para tocar para o gol na saída de Szczesny. Logo após o intervalo, Insigne teve um mundo inteiro para correr na esquerda e cruzar para Mertens, na segunda trave, novamente superar Fazio e Szczesny, lentos na antecipação. Strootman acabou com o placar perfeito dos napolitanos com gol no final da partida, o que ocasionou a pressão dos donos da casa: com isso, Reina foi decisivo com uma defesa espetacular e a ajuda do travessão nos acréscimos.

Cagliari 1-5 Inter
Borriello (Barella) | Perisic (Banega), Banega, Perisic (Icardi), Icardi (pênalti) e Gagliardini (Éder)

Tops: Perisic e Gagliardini (Inter) | Flops: Gabriel e Bruno Alves (Cagliari)

Uma goleada para extravasar e lavar a alma dos interistas. Depois de perder para Juventus e Roma no último mês, a Inter iniciou março goleando o Cagliari fora de casa e aproveitou tropeço da Atalanta para recuperar os pontos perdidos. No mais, além da goleada, fica a boa impressão do segundo tempo do time de Pioli: depois de começar a ganhar jogos em que é obrigada a triunfar, como esse na Sardenha, a Beneamata vem melhorando seu jogo. No Sant'Elia, três destaques: Banega deixou ótima impressão, criando as principais jogadas e marcando belo gol de falta; Perisic mais uma vez foi decisivo para a vitória; e Gagliardini, o melhor jogador da Inter desde que estreou, enfim marcou seu primeiro gol.

Contra a segunda pior defesa do campeonato, que sofreu cinco gols em casa pela terceira vez nesta temporada, até Icardi aproveitou para recuperar ritmo de jogo, depois de duas rodadas suspenso. Maurito deixou o seu, de pênalti, acertou o travessão em uma oportunidade e ainda deu uma assistência. É um mistério como o Cagliari está em uma posição tão alta na tabela, mas certamente Borriello merece créditos: terceiro melhor marcador italiano na Serie A, com 12 gols (perde somente para os selecionáveis Belotti e Immobile), ele descontou e ainda obrigou Handanovic a evitar o empate no final da primeira etapa.

Bologna 0-2 Lazio
Immobile (Lulic) e Immobile (Milinkovic-Savic)

Tops: Immobile e De Vrij (Lazio) | Flops: Oikonomou e Destro (Bologna)

Reassumindo a quarta colocação após tropeço da Atalanta, a Lazio não perdeu a oportunidade contra uma equipe sem objetivos e manteve vantagem sobre a dupla milanesa na briga por vaga europeia. Como não poderia deixar de ser, Immobile foi o protagonista: autor de doppietta, abriu o placar logo no início, completando cruzamento de Lulic na pequena área, e ampliou na metade da etapa final em contra-ataque puxado por Milinkovic-Savic. Sem grande brilho, eficiente com a artilharia de seu centroavante, a Lazio fez o bastante para vencer o Bologna, destacando ainda as oportunidades perdidas por Felipe Anderson, além do desempenho defensivo seguro. Apesar da tranquilidade no meio da tabela, tem gente chateada no Renato Dall'Ara: o técnico Donadoni protagonizou mais um momento de raiva e discutiu com um torcedor, que o xingava nas arquibancadas.

Milan 3-1 Chievo
Bacca (Deulofeu), Bacca (Romagnoli) e Lapadula (pênalti) | De Guzmán (pênalti)

Tops: Bacca e Sosa (Milan) | Flops: Cesar e Sorrentino (Chievo)

Se o Chievo é uma das asas negras da Inter, a história é bastante diferente para o Milan. Apesar do susto no primeiro tempo e dos erros da arbitragem de Fabio Maresca, o Diavolo conseguiu a vitória sobre o freguês tendo Bacca como o nome do jogo, para o bem e para o mal. O colombiano marcou duas vezes e novamente chegou aos dois dígitos na artilharia do campeonato, mas ainda perdeu um pênalti que poderia ter sido decisivo – o jogo estava empatado no momento. Ao menos, o atacante mostrou uma força mental que parecia sumida nos últimos tempos para fazer o gol de desempate na segunda etapa. Lapadula marcou o gol da tranquilidade no final (no terceiro pênalti da peleja), uma vez que o Chievo teve raras chances e chegou ao gol de pênalti de De Guzmán em lance fortuito.

Torino 3-1 Palermo
Belotti (Falqué), Belotti (Ljajic) e Belotti (Ljajic) | Rispoli (Bruno Henrique)

Tops: Belotti e Ljajic (Torino) | Flops: Posavec e Nestorovski (Palermo)

Oito minutos. Foi esse o tempo que Belotti precisou para marcar tripletta decisiva para o Torino evitar o vexame contra o Palermo. Com o time entregue e sem objetivo no campeonato após resultados ruins, Mihajlovic surpreendeu na formação com algumas trocas, mas a equipe não teve reação em casa. Os visitantes foram melhores no primeiro tempo e abriram o placar com belo gol de Rispoli de fora da área. A reação dos granata veio somente no minuto 73, quando Belotti abriu o placar depois de uma cobrança de escanteio de Falqué e a contribuição do nefando goleiro Posavec – o esloveno, que até teve lampejos na temporada, tem uma altíssima taxa de erros crassos. Aos 77, o camisa 9 virou, aproveitando lançamento de Ljajic e a sonolência da zaga palermitana para acertar um belo voleio. Novamente com assistência de Ljajic, o Galo Belotti ampliou a vantagem com outra falha de Posavec e disparou na artilharia da Serie A, chegando a 22 gols – três a mais que os concorrentes mais próximos. O atacante da seleção ainda pode quebrar marcas históricas do time grená, como se tornar o maior artilheiro do time em um Campeonato Italiano.

Atalanta 0-0 Fiorentina

Tops: Freuler e Rafael Tolói (Atalanta) | Flops: Sánchez e Kalinic (Fiorentina)

É difícil entender como a Atalanta não ganhou da Fiorentina em Bérgamo. O time de Gasperini dominou a partida do início ao final e criou muitas oportunidades diante da fragilidade defensiva adversária, mas parou em Tatarusanu e nas suas próprias dificuldades em marcar gols. Porque mesmo com toda a agressividade da equipe, falta precisão na conclusão dos ataques: Petagna, que tem feito boa temporada com toda sua disposição para abrir espaço, lutar contra os zagueiros e pressionar, é um pivô mais solidário com os colegas do que um fazedor de gols. Isto pesou no final da partida, mesmo com toda a criação de Freuler e Papu Gómez. Os anfitriões saíram do Atleti Azzurri d'Italia bastantes frustrados, porque poderiam ter vencido um jogo importante, não o fizeram por própria incompetência e perderam a vantagem na tabela construída após quatro vitórias seguidas. A Fiorentina também não sai satisfeita, pois nem de longe parece o mesmo time que encantou a Bota em 2015-16.

Sampdoria 3-1 Pescara
Bruno Fernandes (Muriel), Quagliarella (Bruno Fernandes) e Schick (Bruno Fernandes) | Cerri (Benali)

Tops: Bruno Fernandes e Quagliarella (Sampdoria) | Flops: Coda e Bruno (Pescara)

O efeito Zemanlandia já passou. O 5 a 0 na estreia contra o Genoa enganou, mas a verdade é que o nível do Pescara é muito baixo e o rebaixamento é pura questão de tempo: mesmo com o time reagindo às instruções de Zeman, falta qualidade, especialmente na defesa, e Bruno Fernandes, com desempenho irregular na temporada, fez a festa. O talentoso meia-atacante português participou de todos os gols: abriu o placar com assistência de Muriel, cruzou para Quagliarella deixar o dele após o intervalo e deu novo passe para Schick dar a vitória. O meia checo, aliás, atingiu um recorde na temporada, não só na Itália, mas na Europa: ninguém marcou tanto saindo do banco quanto o atacante pretendido pela Inter, que balançou as redes pela sexta vez como reserva e atingiu seu sétimo tento na estreia na Serie A. Falando em checos, Zeman merece uma nota à parte: chegou aos 1000 jogos como técnico de futebol. Feito louvável.

Empoli 0-2 Genoa
Ntcham e Hiljemark (Pinilla)

Tops: Hiljemark e Pinilla (Genoa) | Flops: Costa e Maccarone (Empoli)

Depois de dois meses e dez partidas, enfim o Genoa voltou a vencer. Mas, como no empate heroico contra o Bologna na última rodada, somente nos minutos finais os grifoni reagiram – e novamente o jovem Ntcham entrou em ação. No minuto 89, o francês de origem camaronesa aproveitou rebote na entrada da área e encheu o pé para abrir o placar. Nos acréscimos, Hiljemark completou contra-ataque puxado por Pinilla e ampliou a vantagem com outro petardo. A vida dos visitantes poderia ter sido muito mais tranquila se Simeone e Laxalt não tivessem perdido gols inacreditáveis embaixo da trave, logo após o intervalo – inclusive, a queda de rendimento dos grifoni se deve à escassez de gols de Cholito nas últimas rodadas. No final, o Genoa voltou a vencer e segue mais tranquilo do que nunca na tabela. O Empoli perdeu mais uma, a quarta seguida, mas o trio na zona de rebaixamento também tropeçou e nada muda para os toscanos.

Crotone 0-0 Sassuolo

Tops: Ferrari (Crotone) e Dell'Orco (Sassuolo) | Flops: Simy (Crotone) e Matri (Sassuolo)

Um dos jogos de maior baixo nível técnico da temporada. Ninguém acertou nada além das defesas, que dominaram os ataques. Não à toa, placar zerado em um Ezio Scida quase às moscas. É o que acontece quando uma equipe virtualmente rebaixada e outra de férias se enfrentam e não há realmente mais o que falar.

*Os nomes entre parênteses nos resultados indicam os responsáveis pelas assistências para os gols

Relembre a 26ª rodada aqui.
Confira estatísticas, escalações, artilharia, além da classificação do campeonato, aqui.

Seleção da rodada
Reina (Napoli); Rafael Tolói (Atalanta), Danilo (Udinese), De Vrij (Lazio); Bruno Fernandes (Sampdoria), Gagliardini (Inter), Banega (Inter), Perisic (Inter); Mertens (Napoli), Belotti (Torino), Immobile (Lazio). Técnico: Stefano Pioli (Inter).

A Liga Serie A disponibiliza os melhores momentos da rodada em seu canal oficial. Veja os melhores momentos dos jogos abaixo.